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Sobre a História: Porventura Sonhar é um Realistic Fiction de united-states ambientado no 20th-century. Este conto Dramatic explora temas de Loss e é adequado para Adults. Oferece Entertaining perspectivas. O medo ganha forma nos sonhos, e para Edward Hall, não há como acordar.
Edward Hall nunca conheceu um dia na vida em que se sentisse seguro, nunca soube de um dia em que não se sentisse caçado, como se algo terrível estivesse sempre à espreita na escuridão, esperando para devorá-lo. Foi esse medo, ou talvez a natureza de sua mente, que o levou ao consultório do Dr. Eliot Rathmann, não pela primeira vez, mas pelo que ele temia que pudesse ser a última. O Dr. Rathmann, um psiquiatra calmo e sereno, já havia escutado os medos de Edward antes, embora com pouco sucesso em atenuá-los. Desta vez, entretanto, a história de Edward havia adquirido um novo fio — uma realidade aterrorizante e inescapável da qual Edward temia não haver despertar. Ele tinha medo de dormir, com medo de que, se sonhasse novamente, seria a última vez.
Edward sentou-se do outro lado do psiquiatra, suas mãos apertando e soltando os braços da cadeira. Seus olhos se moviam nervosamente pela sala, traçando as bordas das pinturas na parede, os detalhes do diploma que pendia perto da janela e, finalmente, fixando-se na figura sombria do Dr. Rathmann.
— Eu vou morrer — declarou Edward suavemente, sua voz sem emoção, como se a realidade da afirmação já tivesse se consolidado.
Dr. Rathmann inclinou-se ligeiramente para frente, os dedos entrelaçados sob o queixo.
— Edward, já conversamos sobre isso antes. Sua condição cardíaca é real, sim, mas também discutimos como suas ansiedades podem estar ampliando seus medos. Conte-me novamente — o que o faz ter tanta certeza desta vez?
O olhar de Edward era intenso.
— O sonho. É o sonho que vai me matar.
— Outro sonho? — perguntou o psiquiatra suavemente, rabiscando em seu caderno. Ele já tinha ouvido falar sobre os sonhos antes, mas cada vez que Edward retornava, os pesadelos pareciam se intensificar.
— Sim — exalou Edward, sua voz trêmula. — É diferente desta vez. É ela.
— Ela?
— Ela está me esperando. No sonho. Ela está sempre lá, mas agora eu posso sentir — desta vez, eu não vou acordar.
O Sonho Começa

Edward sofria há muito tempo com sonhos vívidos. Eles não eram sonhos no sentido usual — eram mais como alucinações vividas que borravam as linhas entre o mundo dos sonhos e a realidade. Muitas vezes, quando Edward adormecia, encontrava-se em paisagens bizarras cheias de figuras estranhas que pareciam chamá-lo. Contudo, por mais estranhas que fossem, sempre pareciam reais, tangíveis.
Desta vez, entretanto, o sonho havia mudado. Não era mais um mundo surreal de edifícios distorcidos e céus mutáveis. Em vez disso, Edward se viu em uma via de parque de diversão, luzes coloridas piscando no céu noturno. O cheiro de pipoca e de alimentos fritos pairava pesado no ar, mas por baixo disso, algo mais sombrio permanecia — uma corrente de perigo.
Ele vagou pela via, seus pés movendo-se por conta própria, levando-o em direção a uma tenda específica. Era pequena e sem graça em comparação com as grandes atrações ao seu redor. A placa acima dela dizia: "A Rainha de Copas — Conheça Seu Destino".
Edward sentiu um calafrio frio percorrer sua espinha. Ele não queria entrar, não queria ver o que o esperava lá dentro, mas seus pés avançavam inexoravelmente.
Dentro da tenda, havia uma mesa redonda pequena coberta com um pano carmesim. Uma única vela tremeluziu no centro, projetando longas sombras contra as paredes de lona. Sentada à mesa estava uma mulher — seu rosto pálido e bonito, seus olhos afiados e escuros como os de um predador.
— Sente-se — ordenou ela, sua voz sedosa mas carregada de perigo.
Edward obedeceu. Ele não conseguia resistir a ela. Havia algo na maneira como ela o olhava, algo antigo e todo-poderoso que o fazia sentir como se fosse uma mera criança na presença de um deus.
— Você veio para conhecer seu destino — disse ela, embaralhando habilmente um baralho de cartas entre seus dedos delicados.
— Eu não quero saber — sussurrou Edward, sua voz quase inaudível.
Ela sorriu, mas era um sorriso frio e zombeteiro.
— Não importa. Você tem fugido disso a vida toda. Mas aqui, no sonho, não há mais para onde fugir.
Com um movimento gracioso do pulso, ela espalhou as cartas na mesa, viradas para baixo.
— Escolha — instruiu ela.
Sua mão tremia enquanto ele estendia a mão para as cartas, mas antes que pudesse tocá-las, a mão da mulher disparou e agarrou seu pulso. Seu toque era gelado como gelo.
— Não — sussurrou ela, inclinando-se perto dele. — As cartas já escolheram.
Ela virou uma carta, e o coração de Edward pareceu parar em seu peito. Era a Rainha de Copas.
Mergulho na Loucura

Edward acordou de sobressalto, com o coração acelerado e suor escorrendo pelo rosto. Ele estava em sua cama, em seu próprio apartamento, mas o medo do sonho ainda o envolvia como uma sombra, envolvendo seus gélidos tentáculos em sua mente. Ele não conseguia esquecer a imagem da Rainha de Copas, seu rosto pálido, seu sorriso zombeteiro. Parecia que ela ainda estava lá, observando-o, esperando que ele adormecesse novamente.
Ele saiu da cama cambaleando, a sala girando enquanto a adrenalina corria por suas veias. Não conseguia voltar a dormir. Sabia o que o esperava lá, sabia que se retornasse ao sonho, ela o aguardaria — e desta vez, ela terminaria o que havia começado.
Durante dias, Edward ficou acordado, sua mente se desfazendo a cada hora que passava. A linha entre realidade e sonho se confundiu até que ele não conseguia mais dizer se estava acordado ou preso em outro pesadelo. A cidade fora de sua janela assumiu uma qualidade onírica, as pessoas nas ruas movendo-se como fantasmas, seus rostos distorcidos e grotescos.
Ele a via em todo lugar. No reflexo de uma vitrine de loja, no brilho dos faróis de um carro que passava. Sempre a Rainha de Copas, sempre observando, sempre esperando.
As palavras do Dr. Rathmann ecoavam em sua mente.
— É apenas um sonho. Você pode controlá-lo se o enfrentar.
Mas como poderia enfrentá-lo quando o simples pensamento de fechar os olhos o enchia de terror?
O Sono Final

Os dias passaram em um borrão, cada um pior do que o anterior. Edward havia se tornado um fantasma de si mesmo, magro e com olhos fundos, sua aparência antes arrumada agora desleixada e selvagem. Ele não dormia há quase uma semana, e sabia que seu corpo não aguentaria muito mais.
Ele havia retornado ao consultório do Dr. Rathmann uma última vez, desesperado por ajuda, mas até o psiquiatra parecia impotente contra a força implacável do medo de Edward. Foram-lhe prescritos medicamentos, mas Edward não os havia tomado. A ideia de dormir — de se render ao sonho — era demasiado aterrorizante.
Mas agora, enquanto se sentava sozinho em seu apartamento escuro, o peso do cansaço puxando-o como uma corrente de chumbo, Edward sabia que não havia como escapar. Ele não podia ficar acordado para sempre.
A Rainha de Copas estava esperando.
Seus olhos se fecharam lentamente, o mundo ao seu redor dissolvendo-se na escuridão. A via do parque de diversão apareceu novamente, as luzes brilhantes piscando contra o céu noturno. O cheiro de pipoca e de alimentos fritos preenchia seus sentidos.
Ela estava lá, parada no meio da via, seus olhos fixos nele. Desta vez, não havia hesitação, nem medo do desconhecido. Ele sabia o que estava por vir.
— Você voltou — disse ela, sua voz suave e mortal.
— Eu não tive escolha — respondeu Edward, sua voz vazia.
— Não — concordou ela, aproximando-se. — Você nunca teve.
Ela estendeu a mão, seu toque frio passando pela bochecha dele.
— É hora de dormir, Edward.
O mundo ao seu redor começou a desaparecer, as luzes do parque de diversão diminuindo, os sons ficando distantes. Seu corpo se sentia pesado, como se estivesse afundando no chão. Ele podia sentir seu coração desacelerando, cada batida um baque doloroso em seu peito.
E então, não havia mais nada.
Consequências
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Dr. Rathmann estava sentado em seu consultório, olhando para a cadeira vazia onde Edward um dia havia se sentado. Já haviam se passado três dias desde a última vez que o viu, três dias desde que Edward deixou seu consultório em um estado de desorientação de medo e exaustão.
A notícia de sua morte chegou naquela manhã. Edward Hall foi encontrado em seu apartamento, seu corpo imóvel e frio, seu rosto torcido em uma expressão final de terror. Não houve sinais de luta, nem indícios de crime — apenas um homem que havia morrido dormindo.
Dr. Rathmann balançou a cabeça tristemente, sabendo que para Edward, o sonho havia sido real demais. Ele havia tentado salvá-lo, tentado convencê-lo de que tudo estava em sua mente, mas no final, o medo foi demais.
Enquanto olhava para a cadeira vazia, um calafrio percorreu sua espinha. Por um momento, apenas por um breve instante, ele pensou ter visto algo — um lampejo de movimento, uma sombra, um rosto.
Mas quando piscou, havia desaparecido.