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Sinais e Símbolos
An elderly couple walks through a rainy street, heading to visit their son at the sanatorium, their faces lined with worry and sadness, reflecting the somber mood

Sobre a História: Sinais e Símbolos é um Realistic Fiction de russia ambientado no 20th-century. Este conto Dramatic explora temas de Loss e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Uma história comovente sobre o amor parental, a impotência e a natureza enigmática da doença mental.

No dia do aniversário de seu filho, uma mulher soluçante disse ao marido que eles deveriam trazê-lo de volta para casa do sanatório. Seu rosto estava frágil e pálido, seus olhos fundos e borrados pelas lágrimas, com uma cor desbotada que nunca voltou a ser como antes. O homem idoso, seu marido, andava pela sala sem rumo, preocupado com o que sua esposa acabara de dizer, mas sem respondê-la. Ele era um homem quieto, de poucas palavras, que preferia absorver o mundo ao seu redor em silêncio, em vez de por meio de conversas.

Tinha chovido toda a manhã. As nuvens pesadas pairavam sobre a cidade enquanto o casal se vestia e se preparava para visitar o filho, que, naquele momento, residia em um hospital mental. O menino havia sido colocado lá após anos de doença—uma enfermidade da mente. O coração maternal da mulher nunca a aceitava completamente, sempre lutando com a ideia de que seu filho não era adequado para o mundo.

Eles haviam se mudado para essa cidade sem nome, fugindo de suas antigas vidas e tentando encontrar consolo no anonimato de seu novo ambiente. O casal vivia em um pequeno apartamento cheio de bugigangas do passado, objetos que pareciam artefatos de uma vida que eles já não viviam mais, mas da qual não conseguiam se desprender. O filho havia sido enviado para o sanatório há cinco anos e, embora agora fosse adulto, eles o tratavam como uma criança—porque, para eles, ele ainda era.

A mente da mulher vagueava enquanto ela aplicava um pouco de pó suave em suas bochechas pálidas. Memórias inundavam sua cabeça: as noites sem dormir, os episódios de pânico, os dias em que seu filho se recusava a falar, e os dias em que suas palavras não faziam sentido algum. Um médico lhes disse que era um tipo de loucura—uma sem cura, sem alívio e sem compreensão. Era como se seu filho estivesse preso em um mundo onde tudo era um símbolo, um sinal, e nada era claro ou direto.

"Pronto?" perguntou seu marido baixinho, em pé perto da porta, olhando para baixo, para seus sapatos.

Ela acenou com a cabeça e se juntou a ele, segurando seu braço enquanto saíam do apartamento. A chuva havia diminuído para uma leve garoa, as gotas frias caindo como sussurros do céu. Juntos, seguiram para a estação de trem, sem falar durante a viagem. A viagem de trem foi tranquila, os passageiros ao redor deles todos imersos em seus próprios mundos—cabeças enterradas em jornais, olhos voltados para baixo, descansando em seus laps.

Compartmento de trem lotado, passageiros imersos em seus pensamentos, visto pela perspectiva do casal.
O casal senta-se em silêncio no trem, cercado por passageiros imersos em seus próprios pensamentos.

Quando chegaram ao sanatório, encontraram-se caminhando por corredores que pareciam ecoar com seus passos. Chegaram à porta familiar e entraram. O filho, uma figura pálida e enclenque, estava deitado na cama, encarando o teto. Ele não reagia à presença deles, e ficaram ali por um momento, esperando algum reconhecimento que nunca veio.

"Ele teve uma noite difícil", explicou a enfermeira suavemente. "Ele não falou uma palavra desde a manhã."

A mãe se aproximou do filho e tocou suavemente sua mão, que permanecia frouxa e sem resposta. Ela sussurrou seu nome, mas não houve resposta. O pai ficou de maneira desajeitada perto da porta, sem saber como se aproximar do filho ou confortar a esposa.

Depois de algum tempo, a mãe tirou uma pequena caixa que havia trazido consigo. Dentro havia uma coleção de doces delicadamente embrulhados—os favoritos do filho quando era criança. Ela colocou a caixa na mesa de cabeceira ao lado da cama dele. "Feliz aniversário", sussurrou, com lágrimas nos olhos.

A mãe senta-se ao lado da cama do filho no hospital, colocando uma pequena caixa de doces na mesa de cabeceira.
A mãe coloca delicadamente um presente de aniversário na mesa de cabeceira ao lado da cama de seu filho no sanatório.

O filho virou a cabeça ligeiramente, seu olhar mudando para a caixa. Seus lábios se moveram muito levemente, mas nenhuma palavra saiu. Era como se o significado do gesto—o ato de lhe dar algo familiar—se perdesse no labirinto de sua mente. Seu mundo era de sinais e símbolos, onde tudo ao seu redor adquiria um significado mais profundo que apenas ele podia entender, mas nada se conectava de forma coerente.

A visita não durou muito. O filho permaneceu em seu estado alterado, mal reconhecendo a presença deles. A enfermeira voltou para informar que era hora de ir, e os pais relutantemente se despediram. A mãe se inclinou para beijar a testa do filho, seus lábios tocando sua pele fria. O pai fez um breve e desajeitado aceno antes de se virar para sair da sala.

Enquanto voltavam para casa, o casal não conversava. A mãe, ainda emocionada com a visita, olhava pela janela do trem, sua mente girando com pensamentos sobre o filho. O pai sentava-se ao lado dela, mãos dobradas ordenadamente no colo, rosto vazio, mas sua mente fervilhando com memórias e arrependimentos.

De volta ao pequeno apartamento, o silêncio continuava. O tique-taque do relógio na parede parecia mais alto do que o usual, preenchendo o espaço com um ritmo desconfortável. A mãe sentou-se à mesa da cozinha e começou a organizar o correio que havia sido deixado no balcão. Contas, anúncios, cartas—tudo parecia insignificante diante do que acabavam de vivenciar.

O telefone tocou, quebrando o silêncio. A mãe hesitou por um momento antes de atender. Do outro lado da linha estava o médico do sanatório. Sua voz era calma, mas séria.

"Receio que tenha ocorrido um incidente", disse ele. "Seu filho tentou se ferir pouco depois de vocês saírem. Conseguimos intervir, mas acreditamos que seria melhor se vocês voltassem pela manhã."

A mão da mãe tremia enquanto segurava o telefone, seu coração batendo forte no peito. Ela não conseguia falar, não conseguia formar as palavras para responder.

"Estaremos lá", disse o pai, pegando o telefone de sua mão. Ele desligou e olhou para a esposa, com o rosto pálido e demacrado.

Eles não voltaram naquela noite. Sentaram-se juntos na cozinha mal iluminada, suas mentes entorpecidas, seus corpos exaustos pelo peso da doença do filho. Sabiam que não havia nada que pudessem fazer, nenhuma maneira de consertar o que estava quebrado. Estavam presos, assim como o filho, em um mundo de sinais e símbolos que nunca poderiam compreender completamente.

Casal sentado em sua cozinha fracamente iluminada, a mãe olhando correspondências, o pai encarando a janela.
Em casa, o casal senta em silêncio, encarando o peso da doença do filho.

Na manhã seguinte, eles retornaram ao sanatório, seus passos pesados e lentos. Quando chegaram, o médico os recebeu na porta e os conduziu até o quarto do filho. Ele estava sentado na cama, as mãos descansando no colo, os olhos distantes e sem foco.

"Ele está estável agora", explicou o médico. "Mas precisamos monitorá-lo de perto. Sua condição é delicada."

A mãe sentou-se ao lado do filho, estendendo a mão dele. Desta vez, ele apertou seus dedos gentilmente, um leve brilho de reconhecimento em seus olhos.

Por um breve momento, ela sentiu uma fagulha de esperança—esperança de que talvez, apenas talvez, seu filho ainda estivesse lá dentro, por baixo das camadas de loucura e confusão. Mas, tão rapidamente quanto apareceu, a esperança desapareceu, substituída pela fria realidade de sua situação.

Eles permaneceram com ele por um tempo, sentados em silêncio, até que a enfermeira veio buscá-lo para a medicação. Enquanto observavam o filho sendo levado, os pais trocaram um olhar—um olhar que falava de amor, de perda e de resignação.

Eles deixaram o sanatório pela última vez naquele dia, sabendo que nunca poderiam realmente trazer o filho para casa. Sua mente estava perdida em um labirinto de sinais e símbolos, e eles eram impotentes para conduzi-lo para fora.

A chuva havia recomeçado quando chegaram ao apartamento. A mãe sentou-se junto à janela, observando as gotas caírem e desaparecerem contra o vidro. O pai caminhava de um lado para o outro pela sala, seus passos abafados pelo tapete grosso. Nenhum dos dois falou, mas o silêncio entre eles estava repleto do peso de tudo o que não podiam dizer.

No canto da sala, o relógio continuava a tiquetaquear, marcando a passagem do tempo. Cada segundo parecia mais pesado que o anterior, como se o peso de sua dor tivesse penetrado no próprio ar ao redor. E, ainda assim, a vida continuava, indiferente ao seu sofrimento. O mundo lá fora seguia em frente, enquanto eles permaneciam presos na quietude de sua própria tristeza.

Eles não sabiam o que o futuro lhes reservava. Não sabiam se o filho algum dia se recuperaria, ou se passariam o resto de suas vidas visitando-o naquele quarto estéril, observando-o desaparecer cada vez mais. Tudo o que sabiam era que o amavam, e que esse amor, tão profundo e inabalável quanto era, não podia salvá-lo.

E assim, eles esperaram—esperaram pela próxima ligação, pela próxima visita, pelo próximo lembrete de que seu filho estava perdido em um mundo que nunca poderiam entender. Um mundo de sinais e símbolos, onde nada era o que parecia.

Uma enfermeira conduzindo um jovem pálido por um corredor do hospital, enquanto os pais observam da porta.
Os pais observam enquanto seu filho é conduzido por uma enfermeira pelo corredor, incapazes de trazê-lo de volta ao seu mundo.

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