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Sobre a História: A Bruxa de Ybycuí é um Legend de paraguay ambientado no 19th Century. Este conto Descriptive explora temas de Nature e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Um conto assombroso de traição, magia e a implacável justiça da natureza no coração do Paraguai.
As vastas florestas de Ybycuí, no Paraguai, são um lugar de beleza crua e indomada — um labirinto de árvores ancestrais cujos galhos se entrelaçam como os dedos de deuses esquecidos. Seu dossel esmeralda respira vida na terra, alimentando os rios e nutrindo o solo. Mas, apesar de toda a sua beleza, a floresta também é um lugar de sussurros. Viajantes falam de uma energia profunda e primitiva que percorre a vegetação rasteira, e os moradores de Ybycuí alertam sobre uma força que observa das sombras. É aqui que nasceu a lenda de Tupára — a Bruxa de Ybycuí — uma história de desamor, poder e o delicado equilíbrio entre a humanidade e a natureza selvagem.
Tupára nasceu numa noite úmida de agosto, quando as estrelas brilhavam como lanternas no céu. Seus choros ecoaram pela modesta cabana de seus pais, uma estrutura de palha trançada e barro aninhada perto da borda da floresta. Desde que aprendeu a andar, Tupára teve uma conexão inexplicável com o selvagem. Enquanto outras crianças riam e brincavam na praça da vila, ela vagava descalça entre as árvores, conversando suavemente com os pássaros e coletando plantas curiosas. Os moradores de Ybycuí eram um povo supersticioso, profundamente sintonizados com os ritmos da terra. Eles respeitavam a floresta, mas também a temiam, acreditando que era o domínio de espíritos mais antigos que a memória. Os hábitos incomuns de Tupára a diferenciavam. Alguns sussurravam que ela havia sido tocada pelos espíritos da floresta, escolhida para algum propósito misterioso. Outros acreditavam que ela estava amaldiçoada. Quando Tupára chegou à adolescência, ficou claro que possuía dons além de qualquer explicação. Um menino quebrou a perna ao escalar uma árvore, e Tupára apareceu com uma cataplasma de folhas e raízes esmagadas. Em poucos dias, a perna cicatrizou sem deixar marcas. Quando um morador adoeceu com uma febre que nenhum curandeiro conseguia curar, Tupára preparou um chá de flores perfumadas que trouxe o homem de volta do limiar da morte. Seus poderes trouxeram gratidão, mas também suspicácia. Alguns moradores começaram a evitá-la, cruzando a rua quando ela se aproximava. Os sussurros ficaram mais altos, carregados pelos mesmos ventos que farfalhavam as folhas da floresta: "Ela não é como nós. Ela pertence à floresta." Tupára tinha 19 anos quando Andrés entrou em sua vida. Filho do prefeito da vila, Andrés era o tipo de homem que chamava atenção sem tentar — alto, com um sorriso rápido e um charme natural. Ele foi atraído pela beleza de Tupára e seu ar misterioso, uma combinação diferente de tudo que ele conhecia. A princípio, Tupára resistiu às suas investidas, desconfiada de suas intenções. Mas Andrés foi persistente, presenteando-a com brindes e promessas. "Venha comigo", sussurrou uma noite enquanto estavam à beira da floresta, o pôr do sol pintando o céu com tons de laranja e ouro. "Podemos deixar este lugar. Vou te dar uma vida de conforto e amor." Tupára permitiu-se acreditar nele. Pela primeira vez, ela imaginou um futuro longe dos olhares julgadores dos moradores — uma vida onde pudesse ser ela mesma sem medo. Ela se apaixonou profundamente, sem esperança. Mas as promessas de Andrés eram tão passageiras quanto a névoa matinal. Dias antes da partida planejada, Tupára soube que ele iria se casar com outra — uma mulher rica cuja família poderia fortalecer as ambições de seu pai. A traição a feriu profundamente, deixando seu coração despedaçado. A dor levou Tupára para a floresta, onde ela vagou por dias, suas lágrimas se misturando com a chuva que encharcava a terra. Ela encontrou consolo no abraço das árvores, nos sussurros do vento entre as folhagens. A floresta tornou-se seu santuário, e enquanto ela derramava sua dor na terra, a floresta respondia. Tupára começou a mudar. Sua conexão com a floresta se aprofundou e, com ela, veio um poder que ela nunca conheceu. Ela aprendeu a convocar os ventos, a chamar a chuva e a tecer amuletos com cipós e flores. A menina antes tímida tornou-se algo completamente diferente — algo mais forte, mais elemental. Mas seu novo poder teve um preço. Ela se distanciou de sua humanidade, suas emoções amolecidas pela influência da floresta. Onde antes ela buscava amor e aceitação, agora ansiava por vingança. Não demorou muito para os moradores notarem a mudança. O gado começou a desaparecer e as plantações murcharam da noite para o dia. As crianças sussurravam sobre olhos brilhantes observando dos topos das árvores. Quando o celeiro do prefeito queimou por circunstâncias misteriosas, os moradores culparam Tupára. "A bruxa nos amaldiçoou", disseram eles. O medo tomou conta da vila, e o prefeito enviou homens para a floresta capturá-la. Nenhum retornou. Os que sobreviveram às provações da floresta falaram de ilusões que os desviaram e do som da risada de uma mulher ecoando entre as árvores. Tupára tornou-se uma figura lendária, seu nome falado em tons baixos. No entanto, apesar de sua reputação temível, ela não era completamente maligna. Moradores desesperados ainda se aventuravam na floresta em busca de sua ajuda. Uma mãe com um filho doente. Um agricultor cujas colheitas haviam fracassado. Tupára os ajudava — se seus corações eram puros. Suas recompensas eram frequentemente agridoce, suas soluções exigiam um preço que só se revelava com o tempo. Um verão, um grupo de caçadores de tesouros chegou a Ybycuí, atraídos por contos de um tesouro escondido de ouro no fundo da floresta. Liderados por Jorge, um homem atrevido e arrogante, eles desprezaram os avisos dos moradores como superstição. Armados com mapas e facões, aventuraram-se na mata, confiantes em sua capacidade de conquistar seus mistérios. A princípio, a floresta parecia acolhedora. Os caçadores de tesouros riam e brincavam enquanto cortavam a vegetação, deixando um rastro de galhos quebrados. Mas, à medida que avançavam, a floresta começou a mudar. O ar tornou-se denso e opressivo, a luz do sol diminuía como se fosse engolida pelo dossel. Na quinta noite, acamparam em uma clareira perto de um riacho. Quando a lua surgiu, um lamento gelado ecoou pelas árvores. Os homens acordaram para encontrar seus suprimentos espalhados e suas trilhas apagadas. O pânico se instalou quando perceberam que a floresta havia se voltado contra eles. Um por um, sucumbiram aos terrores da mata. Sombras estranhas piscavam no canto de seus olhos e vozes sussurradas os chamavam da escuridão. Jorge, o último sobrevivente, voltou para a vila semanas depois, seu semblante antes ousado substituído por um homem assombrado e quebrado. Ele falou de Tupára, seus olhos ardendo com uma luz de outro mundo. Ela o havia avisado para partir, mas sua ganância selou seu destino. Com o tempo, o medo dos moradores por Tupára suavizou-se em respeito. Eles começaram a vê-la não como uma vilã, mas como uma guardiã da floresta, punindo apenas aqueles que desrespeitavam sua santidade. Ofertas apareciam na borda da floresta — feixes de frutas, flores e orações sussurradas por seu favor. Até hoje, a lenda da Bruxa de Ybycuí perdura. Viajantes falam da beleza assustadora da floresta, da sensação de que olhos invisíveis estão sempre observando. Seja o espírito de Tupára ainda interagindo ou tenha desaparecido nas brumas da lenda, uma verdade permanece: a floresta de Ybycuí está viva com mistérios, um lugar onde o natural e o sobrenatural se entrelaçam. E assim, o nome de Tupára vive, sussurrado entre as árvores, um lembrete atemporal do poder da natureza — e do custo de trair sua filha escolhida.Um Filho da Floresta
A Promessa de Amor
O Abraço da Floresta
A Bruxa de Ybycuí
Os Caçadores de Tesouros
Um Legado de Medo e Reverência