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Sobre a História: A Feiticeira da Montanha Klek é um Legend de croatia ambientado no Medieval. Este conto Dramatic explora temas de Courage e é adequado para Young. Oferece Cultural perspectivas. A montanha atrai aqueles que ouvem seus sussurros... e nunca os deixa partir.
No coração da Croácia, onde os Alpes Dinaricos cortam a terra como a espinha de uma besta antiga, ergue-se a Montanha Klek. É um lugar de penhascos irregulares e bosques sombreados, onde o vento não apenas sopra, mas canta com vozes há muito esquecidas.
Os moradores de Ogulin nunca se aventuravam muito além da linha das árvores, especialmente quando a lua estava cheia. As lendas contavam sobre bruxas que dançavam no cume, suas risadas carregadas pelos vendavais. Alguns afirmavam que, quando uma tempestade rugia sobre Klek, era porque as bruxas estavam se reunindo novamente, seus feitiços fazendo tremer até os ossos da montanha.
A maioria descartava essas histórias como antigas superstições, mas havia sussurros — histórias de quem subia a montanha e nunca voltava.
E então havia Mara Petrovic.
Mara sempre foi diferente. Enquanto outras meninas de Ogulin estavam contentes em cuidar de suas famílias e se preparar para o casamento, Mara ansiava por algo mais — algo além dos limites da vida na aldeia. Ela passava seus dias na floresta, coletando ervas, ouvindo os chamados de criaturas invisíveis e observando a Montanha Klek com uma fome que não entendia. Sua avó a avisava desde a infância. *"Essa montanha não é para você, filha. As bruxas não recebem estranhos."* Mas isso apenas fazia Mara querer ir ainda mais. Numa tarde, ela finalmente cedeu à curiosidade. Enquanto o céu ardia em vermelho com o pôr do sol, ela arrumou uma sacola com comida e uma lanterna, envolveu um xale nos ombros e partiu em direção à montanha. A subida foi mais íngreme do que ela esperava. As raízes serpenteavam pelo chão como dedos tentando agarrar suas botas, e cada rajada de vento trazia um sussurro que fazia os pelos de seu pescoço se arrepiarem. E então — ela ouviu. Seu nome. Uma voz, suave como um sopro, levada pelo vento. Ela se virou bruscamente, mas não havia ninguém ali. Apenas a floresta escurecendo. Quando Mara alcançou o cume, os últimos vestígios da luz do dia haviam desaparecido, deixando apenas o brilho prateado da lua para iluminar a paisagem. As ruínas de uma antiga fortaleza se erguiam à frente, suas paredes de pedra desmoronadas devoradas pela hera e pelo tempo. Mas não eram as ruínas que faziam sua respiração prender na garganta. Era ela. Uma mulher estava à beira do penhasco, sua figura silhuetada contra o céu. Vestia um manto preto que ondulava como sombra líquida ao vento, seus cabelos longos e embaraçados. Mara deu um passo cauteloso à frente. A mulher não se virou. "Você veio," murmurou. Sua voz era baixa, quase perdida no vento, mas havia algo antigo nela, algo que enviava um tremor pelos ossos de Mara. Mara engoliu seco. "Quem é você?" Diante disso, a mulher finalmente virou-se, e Mara respirou fundo. Seu rosto era bonito — bonito demais, como se esculpido por algo que não era deste mundo. Mas foram seus olhos que prenderam Mara. Estavam cheios de tristeza. "Eu já fui como você," disse a mulher suavemente. "Curiosa. Imprudente. Agora, eu pertenço à montanha." Mara recuou um passo, de repente ciente de quão longe de casa ela estava. "Você não deveria ter vindo," sussurrou a mulher. O vento uivou, e por um breve momento, Mara jurou que viu figuras sombrias nas ruínas atrás da mulher — observando. Esperando. Mara fugiu. Ela desceu a montanha correndo, o coração disparado, os pés mal tocando o chão. Os sussurros a seguiam, entrelaçando-se pelas árvores, chamando seu nome com vozes que não pertenciam aos vivos. Ela entrou na aldeia pouco antes do amanhecer, ofegante, seu vestido rasgado por galhos. Ela não dormiu naquela noite. Nem na noite seguinte. Durante as próximas sete noites, seus sonhos foram atormentados por visões — mulheres em vestes escuras dançando sob a lua cheia, suas mãos levantadas para o céu carregado de tempestade. Ela se via entre elas, cantando palavras que não entendia. E na oitava noite, os sussurros voltaram. Mas desta vez, não foi um sonho. Uma sombra permanecia à beira de seu quarto, mal visível à luz das velas. *"Venha."* A respiração de Mara ficou presa na garganta. A próxima coisa que ela soube, estava caminhando pela floresta, seus pés descalços pressionando a terra fria. Quando chegou à montanha, elas a esperavam. Dezenas de mulheres, seus mantos esvoaçando ao vento, seus rostos meio escondidos sob os capuzes. A mulher de antes avançou. "É hora," disse ela. A garganta de Mara secou. "Hora de quê?" A mulher sorriu, mas não havia calor no sorriso. "De se tornar uma de nós." As bruxas levantaram as mãos, e o céu se abriu com um trovão. Mara gritou, mas o vento engoliu o som por completo. Quando Mara acordou, ela estava mudada. Seus sentidos estavam mais aguçados — podia ouvir o ritmo distante do coração da floresta, sentir a energia pulsando sob o solo. Seu reflexo numa poça de água da chuva mostrava olhos que brilhavam levemente no escuro. As bruxas a haviam tornado uma delas. Ela tinha sido reivindicada por Klek. Mas ainda não havia entregue sua alma. De volta à aldeia, as pessoas notaram. Os anciãos sussurravam. Os homens mantinham distância. Até Luka, o filho do prefeito, que já a amara, agora a temia. "Você tem a montanha nos seus olhos," disse-lhe uma noite, sua voz trêmula. Mara não disse nada. Naquela noite, os aldeões se reuniram com tochas e água benta. Eles sabiam o que ela tinha se tornado. E não podiam deixá-la ficar. Mas Mara já tinha desaparecido. Lá em cima, a tempestade se desdobrava sobre Klek, e nas ruínas da fortaleza, Mara estava entre suas irmãs, observando as chamas subirem da aldeia abaixo. Mara tinha poder agora, mas isso teve um preço. Toda lua cheia, as bruxas se reuniam nas ruínas, suas vozes elevando-se com a tempestade. Mas enquanto as outras se deleitavam em sua magia, Mara se sentia vazia. Ela ansiava pelo que havia perdido. Ela ansiava por ser livre. Numa noite, ela confrontou a mulher que a primeiro a guiou para o círculo. "Eu quero partir," disse Mara. A expressão da mulher escureceu. "Ninguém parte, filha." Mas Mara estava determinada. Ela não deixaria a montanha consumi-la. Enquanto a tempestade se acumulava, Mara correu. Ela desceu as encostas a passos acelerados, o vento berrando em seus ouvidos. Atrás dela, as bruxas gritavam seu nome, suas vozes entrelaçando-se com a tempestade. Ela alcançou a aldeia justo quando o trovão partiu o céu. Pela primeira vez em séculos, uma bruxa havia escapado da Montanha Klek. Mas ela estava verdadeiramente livre? Anos se passaram. Mara nunca falou sobre o que havia acontecido. Mas em noites tempestuosas, quando o vento uivava como risadas, ela sentia — E algum dia, ela a chamaria de volta.O Vento Sussurrante
A Maldição da Montanha
O Rito Proibido
O Preço do Poder
O Chamado das Bruxas
A Fome da Montanha
Fuga de Klek
Epílogo: A Montanha Dorme
A montanha estava esperando.
Fim.