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Sobre a História: A História do Zemi é um Myth de puerto-rico ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Courage e é adequado para Young. Oferece Cultural perspectivas. A jornada de um garoto para dominar o antigo poder do Zemi e proteger seu povo.
No coração do Caribe, onde o sol beija as águas turquesa e o vento sussurra segredos através de copas verdes e luxuriantes, um poder antigo repousa adormecido. Esta é a história do Zemi, espíritos místicos adorados pelo povo Taíno, os habitantes indígenas dessas ilhas. Os Zemi, acreditados como guardiões da natureza e espíritos ancestrais, diziam possuir a habilidade de controlar os elementos, abençoar a terra ou desencadear grandes calamidades. Com o passar do tempo, o conhecimento sobre os Zemi desapareceu, perdido nas areias da história. No entanto, nem todas as histórias sobre sua presença se desvaneçeram. Esta é uma dessas narrativas, que revela como um jovem menino chamado Aníbal encontrou um Zemi esquecido e descobriu a magia ancestral enterrada profundamente na alma caribenha.
Aníbal era um garoto curioso de doze anos, com olhos escuros que brilhavam de admiração. Ele vivia em uma pequena vila de pescadores na costa de Borikén, o que hoje conhecemos como Porto Rico. Seu pai era pescador, sua mãe, tecelã, e sua vida era repleta de histórias sobre o mar e os espíritos que habitavam o mundo ao redor. Uma noite, enquanto o sol se punha no horizonte, Aníbal aventurou-se na densa selva que se estendia além de sua vila. Ele sempre se sentiu atraído por aquele lugar, onde as árvores se erguiam altas como antigos sentinelas e o ar parecia vibrar com vida. Foi em um bosque escondido, aninhado entre enormes árvores banyan, que Aníbal tropeçou em um objeto peculiar. Parcialmente enterrado na terra, parecia uma pedra esculpida com marcas estranhas e desconhecidas. Enquanto afastava a sujeira, percebeu que era uma pequena estatueta, não maior que sua mão. Tinha uma cabeça redonda, olhos alongados e carvões intrincados que serpenteavam pelo corpo. O coração de Aníbal pulou uma batida, pois reconheceu a figura das histórias que sua avó lhe contava – era um Zemi, um ídolo espiritual. Ele o pegou com reverência, sentindo um calor pulsar por seus dedos. O Zemi não era uma pedra comum; parecia respirar, e enquanto o segurava, Aníbal sentiu como se o mundo ao seu redor tivesse mudado. O ar ficou mais denso, as folhas murmuravam em padrões e uma voz ecoava em sua mente, suave e distante, sussurrando palavras que ele não conseguia entender. Aníbal voltou para sua vila com o Zemi bem guardado em sua sacola. Naquela noite, ele o colocou em uma pequena mesa de madeira ao lado de sua cama, na esperança de aprender mais sobre ele. Enquanto adormecia, seus sonhos eram vívidos e estranhos. Ele viu sua ilha de cima, como se estivesse voando como um pássaro. Viu rios fluindo para trás, montanhas subindo e caindo, e o Zemi no coração de tudo, brilhando com uma luz que parecia vir de dentro. Quando acordou, o Zemi estava brilhando levemente. Incerto sobre o que fazer, Aníbal procurou sua avó, Abuela Inés, a mais velha e sábia da vila. Abuela Inés era conhecida por sua profunda conexão com os modos antigos, e quando Aníbal mostrou-lhe o Zemi, seus olhos se arregalaram em reconhecimento. “Este Zemi,” ela sussurrou, “pertenece a Guabancex, a deusa das tempestades e furacões. Ela é uma das Zemis mais poderosas, temida e reverenciada por nossos ancestrais. Por que ela veio até você, meu filho?” “Não sei,” respondeu Aníbal, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. “Eu simplesmente o encontrei na selva.” Abuela Inés suspirou profundamente. “Os Zemis escolhem seus portadores. Se ela veio até você, deve haver uma razão. Mas cuidado, Aníbal, pois este Zemi pode trazer grande poder ou destruição terrível.” Nas semanas seguintes, coisas estranhas começaram a acontecer ao redor de Aníbal. Pequenas tempestades se formavam sobre a vila, apenas para desaparecer tão rapidamente quanto surgiam. As plantações cresciam mais rápido, os peixes eram mais abundantes, e as pessoas sussurravam sobre a magia retornando à sua ilha. Aníbal podia sentir o poder do Zemi fluindo através dele, e com isso, um senso de responsabilidade. Mas com esse novo poder, a escuridão também começava a se agitar. Uma noite, enquanto Aníbal estava sentado na praia observando as ondas, notou um grupo de estranhos se aproximando da vila. À frente deles estava um homem alto com uma cicatriz descendo pelo rosto, seus olhos tão escuros quanto uma noite sem lua. Ele se apresentou como Ciguayo, um xamã viajante de uma ilha distante. Ouviu rumores sobre o retorno dos Zemis e buscava tomá-lo para si. “O Zemi pertence ao povo,” declarou Ciguayo aos aldeões, “e não deve estar nas mãos de um simples menino.” Aníbal ficou diante de Ciguayo, segurando o Zemi. “Ele me escolheu,” disse firmemente, “e eu não o entregarei.” “Então você escolheu me desafiar,” zombou Ciguayo. “Vamos ver se você é digno.” Naquela noite, uma grande tempestade se formou, mais feroz do que qualquer outra que os aldeões já tinham visto. Relâmpagos iluminavam o céu, e o vento uivava como uma besta ferida. Enquanto Ciguayo começava a entoar cantos, o Zemi nas mãos de Aníbal começou a tremer, como se respondesse ao chamado do xamã. Mas Aníbal permaneceu firme, e pela primeira vez, sentiu a voz do Zemi, clara e poderosa em sua mente. *Não tema. Você é meu portador. Somos um.* Guiado pelos sussurros do Zemi, Aníbal levantou a mão, e a tempestade se intensificou ao seu redor. Ele podia sentir o vento, a chuva e os relâmpagos como se fossem extensões de seu próprio corpo. Os olhos de Ciguayo se arregalaram de choque enquanto o menino se colocava contra ele, a tempestade respondendo a cada comando. Por horas eles batalharam, seus poderes colidindo no céu acima da vila. Foi um concurso de vontades, não apenas de força, e no final, foi a determinação de Aníbal que prevaleceu. Com um último grito, ele invocou o espírito de Guabancex, e a tempestade irrompeu com tamanha fúria que Ciguayo foi lançado ao chão, derrotado. Ofegante, Aníbal olhou para o Zemi. Seu brilho estava mais intenso agora, e ele sentiu uma profunda conexão com a terra e o mar, com a própria ilha. Os aldeões se reuniram ao seu redor, admiração e respeito em seus olhos. “Você nos salvou,” disse Abuela Inés, lágrimas escorrendo por seu rosto. “Você é verdadeiramente o portador do Zemi.” A partir daquele dia, Aníbal ficou conhecido como o Portador do Zemi, o menino que havia invocado o espírito da tempestade e protegido seu povo. Ele treinou sob a orientação de Abuela Inés para entender os modos dos Zemis, aprendendo a controlar seu poder não apenas para si mesmo, mas para o bem de sua vila. Conforme crescia, sua conexão com o Zemi se aprofundava, e ele se tornou um guardião da ilha, protegendo-a de perigos naturais e artificiais. Ele aprendeu que os Zemis não eram apenas espíritos, mas também a personificação da alma da ilha. Eram as montanhas, os rios, a chuva e o vento. Respeitando e honrando-os, Aníbal encontrou harmonia e equilíbrio, não apenas com seu poder, mas com o mundo ao seu redor. Anos se passaram, e Aníbal tornou-se um líder sábio e respeitado. O poder dos Zemis fluía através dele, e ele o usava para proteger seu povo de tempestades, secas e até de outros invasores que buscavam reivindicar a magia da ilha. E em troca, o povo de Borikén prosperou, pois encontraram uma maneira de viver em harmonia com os espíritos de seus ancestrais. Um dia, enquanto Aníbal estava no topo de um penhasco olhando para o vasto oceano, sentiu um calor familiar em sua mão. O Zemi, ainda tão vibrante quanto no dia em que o descobriu, pulsava com vida. E enquanto observava o horizonte, viu uma jovem menina caminhando pela costa, seus olhos arregalados de admiração. Ela parou, olhando para ele, e Aníbal sentiu uma centelha de reconhecimento. Talvez, pensou com um sorriso, o Zemi tivesse escolhido sua próxima portadora. Muitas gerações se passaram desde os tempos de Aníbal, e a história do Portador do Zemi tornou-se lenda. No entanto, no coração do Caribe, onde as ondas batem contra a costa e o vento carrega segredos pela terra, ainda há aqueles que ouvem os sussurros dos espíritos antigos. Eles falam de um menino que enfrentou as tempestades e de uma menina que continuará seu legado, mantendo a magia da ilha viva. A história dos Zemis está longe de terminar, pois enquanto houver quem acredite, os espíritos continuarão a guiar e proteger o povo do Caribe, assim como sempre fizeram. {{{_04}}}A Descoberta de Aníbal
Despertando o Espírito
A Chegada de Ciguayo
O Teste de Poder
Abraçando o Legado
O Legado Continua
Epílogo: Os Ventos Sussurrantes