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Sobre a História: A História do Tanuki é um Folktale de japan ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Romance e é adequado para All Ages. Oferece Inspirational perspectivas. O amor e o sacrifício de um tanuki no coração de uma floresta encantada.
Nas florestas enevoadas do Japão, entre os imponentes cedros e antigos bosques de bambu, houve um tempo em que espíritos e criaturas lendárias percorriam a terra. Uma dessas criaturas era o tanuki, um astuto metamorfoseador com o poder de se transformar em qualquer coisa que desejasse. Frequentemente retratado como brincalhão e travesso, o tanuki tinha a reputação de enganar os humanos, mas por trás de sua aparência lúdica havia uma criatura com uma profunda conexão com o mundo natural. Esta é a história de um desses tanuki, cujo nome era Kage.
Kage, o tanuki, vivia em um bosque isolado na periferia de uma pequena aldeia, onde os humanos raramente se aventuravam. O bosque era um lugar mágico, repleto de flores silvestres em plena floração, riachos cintilantes e árvores tão antigas que sua casca sussurrava segredos esquecidos para aqueles que soubessem escutar. Kage passava seus dias desfrutando da tranquilidade da floresta, cochilando ao sol e pregando peças em viajantes ocasionais que se afastavam demais da segurança da aldeia. Um dia, enquanto o sol se punha no horizonte e banhava a floresta com luz dourada, Kage ouviu o som suave de uma flauta sendo tocada. Curioso, ele seguiu a melodia, suas pequenas patas de tanuki se movendo silenciosamente pela vegetação. À medida que se aproximava de uma clareira, viu uma jovem sentada à beira de um riacho, seus dedos delicados tocando habilmente uma flauta de bambu. A música dela era cativante, e Kage se viu hipnotizado pela melodia belamente triste. Esta não era a primeira vez que Kage via a mulher. Seu nome era Aiko, e ela frequentemente vinha à floresta para escapar dos fardos da vida na aldeia. Tinha um coração bondoso e, embora estivesse ciente das lendas que cercavam o tanuki, nunca os temera. Em vez disso, via as criaturas como parte da magia que tornava a floresta especial. Kage a observou por muito tempo, escondido entre as árvores. Algo se agitou em seu coração, um sentimento que ele nunca havia experimentado antes. Um desejo de conhecer melhor aquela humana, de conversar com ela, de entender seu mundo. Kage decidiu se aproximar de Aiko, mas sabia que revelar-se como um tanuki poderia assustá-la. Então, usando suas habilidades de metamorfose, transformou-se em um jovem bonito com cabelos escuros e ondulados e um sorriso gentil. Ele saiu das sombras, sua transformação completa, e a cumprimentou com uma voz suave. "Sua música é linda," disse ele, fazendo uma ligeira reverência. Surpresa, Aiko parou de tocar e olhou para o desconhecido. Ela não esperava encontrar ninguém na floresta, muito menos alguém tão encantador. "Obrigado," respondeu ela, com uma voz calma, mas gentil. "Eu venho aqui para encontrar paz. A aldeia pode ser bastante opressiva às vezes." Kage sentou-se ao lado dela, o coração acelerado. Nunca tinha falado com um humano nessa forma antes. "A floresta é de fato um lugar de paz. Está cheia de magia, se você souber onde procurar," disse ele com um sorriso entendido. Aiko olhou para ele curiosamente. "Magia? O que você quer dizer?" "A floresta tem seus guardiões," explicou Kage. "Criaturas que a protegem, que garantem que o equilíbrio da natureza seja mantido. Alguns dizem que até mesmo os tanuki, embora travessos, fazem parte dessa magia." Aiko sorriu suavemente. "Eu ouvi histórias sobre os tanuki. Minha avó costumava me contar que eles eram trapaceiros, mas também protetores da floresta. Você acredita nessas coisas?" Kage hesitou por um momento e então assentiu. "Sim. Os tanuki são muito reais, embora frequentemente se escondam dos humanos. Talvez você tenha encontrado um sem nem saber." Aiko riu levemente, seus olhos brilhando de diversão. "Talvez eu tenha. Embora imagine que, se eu tivesse encontrado um tanuki, ele já teria pregado uma peça em mim." Kage sorriu, divertido com suas palavras. "Talvez esteja esperando o momento certo." Nos dias seguintes, Kage continuou a visitar Aiko na forma do jovem, e eles se aproximaram mais. Ele ouvia suas histórias sobre a vida na aldeia, sobre as pressões que ela sentia para se casar com um homem que não amava, sobre seu anseio por liberdade. Por sua vez, Kage falava sobre a floresta e suas maravilhas, embora nunca revelasse sua verdadeira identidade. Mas, com o passar dos dias, o coração de Kage ficou pesado. Ele sabia que não poderia manter seu segredo para sempre. Ele era um tanuki, e por mais que se importasse com Aiko, nunca poderia realmente pertencer ao mundo dela. Uma noite, enquanto o céu ardia com as cores do pôr do sol, Kage decidiu que não podia mais esconder a verdade de Aiko. Ele a levou mais fundo na floresta, para um lugar onde as árvores eram altas e antigas, e o ar estava denso com o cheiro de pinho e terra. "Aiko," começou Kage, com a voz suave e cheia de tristeza, "há algo que preciso te dizer." Aiko o olhou, a testa franzida de confusão. "O que é?" "Eu não sou quem você pensa que sou," disse ele, seus olhos escuros com o peso de seu segredo. "Eu sou um tanuki, uma criatura da floresta. O homem que você vê diante de você é apenas um disfarce." Por um momento, houve silêncio. Aiko o encarou, sua mente lutando para compreender suas palavras. Então, lentamente, ela balançou a cabeça. "Você... você é um tanuki?" Kage assentiu, o coração pulsando no peito. "Sim. Usei minha magia para assumir essa forma para poder falar com você. Nunca quis te enganar, mas não podia ficar longe." Aiko ficou em silêncio por muito tempo, seus olhos buscando a verdade em seu rosto. Finalmente, ela suspirou e sorriu levemente. "Suponho que eu deveria saber. Somente uma criatura mágica poderia falar da floresta com tanto amor e admiração." Kage a observou, surpreso com sua reação. "Você... não está com raiva?" Aiko balançou a cabeça. "Não, Kage. Não estou com raiva. Você pode ser um tanuki, mas também é meu amigo. E eu sei que você não quis mal algum." O alívio inundou Kage, e pela primeira vez em sua vida, ele se sentiu verdadeiramente aceito por quem era. Mas, por mais que quisesse ficar ao lado de Aiko, sabia que sua amizade não poderia durar. O mundo dos humanos e o mundo dos espíritos eram muito diferentes, muito separados. "Eu não posso ficar," disse Kage baixinho. "Meu lugar é aqui, na floresta. E o seu é na aldeia." O sorriso de Aiko desapareceu, e ela abaixou o olhar. "Eu entendo." Os dias ficaram mais curtos, e a floresta começou a mudar com a chegada do outono. As folhas, antes vibrantes, tornaram-se douradas e frágeis, caindo no chão como memórias esquecidas. Kage continuou a visitar Aiko, mas uma tristeza crescente pairava sobre seus encontros. Ele sabia que o tempo que passavam juntos estava chegando ao fim, e a ideia de se despedir o enchia de tristeza. Uma noite, enquanto sentavam-se à beira do riacho onde se conheceram, Aiko virou-se para Kage com lágrimas nos olhos. "Eu não quero que você vá," sussurrou, a voz trêmula de emoção. O coração de Kage doeu com suas palavras, mas sabia que ficar não era uma opção. "Eu gostaria de poder ficar, Aiko," disse suavemente. "Mas estou ligado à floresta. É meu lar, meu dever." Aiko estendeu a mão para ele, seus dedos tocando suavemente os dele. "E se você não precisasse partir? E se você pudesse ficar comigo... na aldeia?" Kage olhou para ela, dividido entre seu amor por Aiko e seu dever como tanuki. Sabia que deixar a floresta significaria abandonar tudo o que sempre conheceu. Mas a ideia de perder Aiko era insuportável. "Talvez... talvez haja uma maneira," disse Kage lentamente, sua mente fervilhando. Os tanuki eram criaturas de grande magia, e havia um ritual que poderia ligar um espírito ao mundo humano. Mas isso tinha um preço. Se Kage realizasse o ritual, perderia seus poderes e se tornaria mortal. Não poderia mais se metamorfosear, e sua conexão com a floresta seria cortada para sempre. Kage contou a Aiko sobre o ritual, e seus olhos se arregalaram de descrença. "Você desistiria dos seus poderes por mim?" perguntou ela, a voz cheia de admiração. Kage assentiu. "Se isso significa que posso ficar ao seu lado, desistiria de qualquer coisa." Lágrimas encheram os olhos de Aiko, e ela o abraçou, segurando-o perto. "Obrigado, Kage. Obrigado por me escolher." A noite do ritual chegou, e Kage levou Aiko ao coração da floresta, onde os espíritos ancestrais das árvores os observavam. Ele parou diante de um altar de pedra sagrado, o coração pulsando no peito. A lua pairava alta no céu, lançando uma luz pálida sobre o bosque. Kage ajoelhou-se diante do altar e começou o ritual, entoando as antigas palavras mágicas que o ligariam ao mundo humano. Enquanto falava, um brilho suave o envolveu, e ele sentiu o poder da floresta lentamente desaparecendo. Aiko observava maravilhada enquanto Kage se transformava diante de seus olhos. Suas feições suavizaram-se, seus olhos perderam o brilho sobrenatural, e quando o ritual foi concluído, ele estava diante dela como um homem mortal. "Está feito," disse Kage baixinho, a voz cheia de tristeza e alegria. Aiko sorriu através das lágrimas e segurou sua mão. "Você fez isso por nós," sussurrou ela. "Agora podemos ficar juntos." Kage olhou ao redor da floresta, sentindo a perda de sua conexão com ela como uma ferida em seu coração. Mas quando voltou-se para Aiko, soube que havia feito a escolha certa. O amor, afinal, era uma espécie de magia por si só. Juntos, eles deixaram a floresta, de mãos dadas, prontos para enfrentar o futuro como um só. Anos se passaram, e a aldeia conheceu a história do tanuki que havia renunciado a seus poderes por amor. Kage e Aiko viveram uma vida pacífica, e embora Kage não fosse mais uma criatura de magia, sua sabedoria e bondade o tornaram uma figura querida na aldeia. Mas a floresta nunca esqueceu Kage. Em noites de lua cheia e quando o vento sussurrava pelas árvores, os aldeões às vezes ouviam o som distante de uma flauta sendo tocada, um lembrete do tanuki que uma vez percorreu o bosque encantado. E, embora Kage tivesse escolhido uma vida entre os humanos, a magia da floresta vivia em seu coração, uma lembrança silenciosa do amor que transcendeu as fronteiras entre os mundos.O Bosque Encantado
Um Acordo de Magia
A Revelação
O Sacrifício do Tanuki
Um Novo Começo
Epílogo: A Lenda Continua