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Sobre a História: A Donzela da Oliveira de Belém é um Legend de palestinian ambientado no Medieval. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. A terra te chama, criança. Proteja-a.
Existem histórias que o vento transporta de uma geração para a outra, histórias sussurradas entre as folhas de antigas oliveiras. Este é um desses contos, transmitido através do coração da Palestina, onde a própria terra é uma contadora de histórias.
Nas colinas de Belém, onde o solo é rico em história e tristeza, onde a chamada para a oração harmoniza-se com o farfalhar dos ramos de oliveira, vivia uma menina chamada Layla. Ela não era uma criança comum—seu destino estava entrelaçado com a terra, seu espírito ligado às raízes da árvore mais antiga no pomar de sua família.
A história dela é de amor e perda, de resiliência e desafio. De uma menina que ouviu os sussurros das árvores e atendeu ao seu chamado.
Esta é a história da Donzela da Oliveira de Belém.
Layla nasceu numa noite de inverno, sob um céu tão claro que as estrelas pareciam pérolas espalhadas sobre veludo. Ela veio ao mundo quando a primeira chuva da estação beijou a terra, um sinal, disse sua mãe, de que ela era especial. A terra de sua família ficava na periferia de Belém, onde gerações de agricultores cuidaram dos olivais, suas mãos manchadas com o óleo de mil colheitas. O pai de Layla, Yusuf, era um homem da terra, com mãos calejadas e um coração tão firme quanto as montanhas. Sua mãe, Amira, era conhecida por suas histórias, sua voz ecoando pela aldeia como uma canção. Desde o momento em que pôde andar, Layla vagava pelos olivais como se fizessem parte de seu próprio corpo. Ela traçava com os dedos a casca áspera das árvores mais antigas, sussurrando segredos que ainda era jovem demais para entender. Uma noite, ela acordou de um sonho, com o coração acelerado. No sonho, uma mulher vestida de verde e ouro estava sob a maior oliveira, seus dedos tocando a casca como se lesse as linhas de uma história. Sua voz era ao mesmo tempo distante e familiar, como se viesse das próprias raízes da terra. *"A terra te chama, criança. Proteja-a, pois sua alma está entrelaçada com a sua."* Quando Layla contou à sua mãe sobre o sonho, Amira apenas sorriu, afastando os cachos da testa da filha. — "As árvores te escolheram," disse ela suavemente. Layla não entendia o que isso significava. Ainda não. A terra era generosa com aqueles que a tratavam com amor. A família de Layla colhia azeitonas no outono, os frutos prensados transformados em óleo dourado que reluzia como luz líquida. Eles compartilhavam sua colheita com a aldeia e, por sua vez, a aldeia compartilhava suas histórias, suas risadas, suas tristezas. Mas a paz era frágil. Rumores se espalharam sobre homens de lugares distantes que reivindicavam a terra como sua. Numa manhã, Layla e seu pai estavam entre as árvores, enchendo cestos com azeitonas, quando um grupo de soldados chegou. Suas uniformes eram desconhecidos, suas botas pesadas contra o solo. Um homem alto com olhos penetrantes avançou, segurando um papel com um selo vermelho. — "Esta terra já não é mais de vocês," declarou ele. "Por decreto, será retirada para desenvolvimento." Yusuf fechou os punhos, seus nós dos dedos brancos. — "Estas árvores estão aqui há séculos. Elas pertencem apenas à terra." O oficial sorriu de lado. — "Então vocês serão removidos junto com elas." Naquela noite, Layla encontrou seu pai sentado sob a velha oliveira, seus ombros pesados de preocupação. — "Baba," sussurrou ela, "o que acontecerá com as árvores?" Seu pai suspirou, pressionando a testa contra a dela. — "Não vamos desistir, minha filha. A terra se lembra daqueles que a amam." Mas Layla viu a tristeza em seus olhos. E ela jurou, no silêncio de seu próprio coração, que não deixaria as árvores caírem. Os dias passaram como uma tempestade lenta. Os aldeões resistiram ao decreto, recusando-se a deixar suas casas e campos. Numa tarde, enquanto o sol se fundia no horizonte, Layla vagou até a árvore mais antiga do pomar. Ela pressionou a palma da mão contra o tronco, sua respiração superficial. — "Diga-me o que devo fazer," sussurrou ela. O vento se agitou, carregando o cheiro de azeitonas esmagadas e terra úmida. E então—algo caiu em suas mãos. Uma única azeitona. Mas esta não era uma fruta comum. Ela brilhava, dourada como a luz do sol na água, seu brilho lançando sombras suaves contra os dedos de Layla. Ela ofegou, observando a fruta milagrosa. E então ouviu novamente—aquela voz, antiga e gentil, transportada pelo vento. *"A terra te chama, criança. Proteja-a."* A notícia da azeitona dourada se espalhou pela aldeia como fogo em palha. Os anciãos sussurraram sobre antigas lendas, sobre a terra concedendo sua bênção em tempos de grande necessidade. Quando os soldados retornaram, esperando submissão, encontraram os aldeões reunidos sob as oliveiras, firmes e inabaláveis. Layla avançou, segurando a azeitona dourada em suas mãos. — "Esta terra não é apenas terra e pedra," disse ela, sua voz firme. "Ela guarda as memórias daqueles que vieram antes de nós. Vocês não podem levar o que pertence à alma deste lugar." O oficial riu. — "Uma menina e uma azeitona? É essa a sua defesa?" Mas então—a mudança no vento. As árvores tremeram, seus ramos se curvando como se sussurrassem segredos umas para as outras. Das raízes da árvore mais antiga, grossas vinhas surgiram, torcendo e se enrolando em uma barreira inquebrável de espinhos. Os soldados recuaram, o medo estampado em seus olhos. — "Esta é a vontade da terra," disse Layla, sua voz como o vento. "Vão embora e não retornem." O oficial hesitou. Mas a terra sob seus pés roncou, e com um último olhar para os aldeões inflexíveis e para o muro vivo de árvores, os soldados se viraram e fugiram. A paz havia sido conquistada. Por enquanto. Anos se passaram, e Layla cresceu tornando-se uma mulher, conhecida por toda a Palestina como a Donzela da Oliveira. Ela passava seus dias cuidando dos olivais, ensinando as crianças a cuidar da terra, a ouvir seus sussurros. A azeitona dourada permaneceu com a aldeia, guardada em um lugar sagrado, um lembrete do vínculo entre o povo e seu lar. Layla nunca se casou, nem deixou as colinas de Belém. Ela pertencia à terra, tão parte dela quanto as próprias árvores. E quando ela deixou este mundo, disseram que ela não morreu de verdade. Que ela se tornou uma com a oliveira mais antiga, seu espírito permanecendo no farfalhar de suas folhas, no sussurro do vento por seus ramos. Mesmo agora, se você caminhar entre os olivais de Belém, se colocar a mão contra a casca áspera de uma árvore antiga e fechar os olhos, você pode ouvi-la. Uma voz transportada pelo vento. Uma voz que diz: *"A terra te chama, criança. Proteja-a."* E as árvores se lembram.A Criança do Pomar
Uma Sombra sobre a Terra
O Presente da Árvore
A Batalha pelo Pomar
A Donzela das Oliveiras
Epílogo: A Terra se Lembra