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Sobre a História: A Lenda da Yerba Mate é um Legend de argentina ambientado no Ancient. Este conto Poetic explora temas de Friendship e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. A história de como um presente divino trouxe calor, unidade e força ao povo da Argentina.
Em uma terra rica em cultura e tradições vibrantes, a história da erva-mate tece uma narrativa que vai além do simples ato de beber uma bebida quente. No coração da Argentina, aninhada entre as exuberantes florestas verdes e colinas ondulantes, encontra-se a origem desta antiga infusão. É uma história de amor, sacrifício, sabedoria e um vínculo entre a natureza e a humanidade que transcende o tempo. Transmitida através das gerações, "A Lenda da Erva-Mate" nos lembra de uma conexão profunda com a terra e suas bênçãos, uma ligação que sustenta as pessoas há séculos e continua a aquecer seus corações até hoje.
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Há muito tempo, quando o mundo ainda era jovem e as árvores eram gigantes que tocavam o céu com suas folhas, vivia uma bela deusa chamada Yari. Yari era conhecida entre o povo Guarani como a Deusa da Lua. Sua luz iluminava os caminhos dos caçadores, guiava os viajantes pelas densas florestas e acalmava os corações daqueles que ansiavam por paz. Todas as noites, ela observava a terra com um olhar bondoso e gentil, mas seu coração se entristecia ao presenciar as lutas da humanidade. Certa noite, Yari desceu do céu, assumindo a forma de uma mulher morta para caminhar entre as pessoas. Ela ficou fascinada com a resiliência delas, seu espírito e a maneira como trabalhavam juntos para sobreviver nas densas selvas. Mas o que mais a entristecia era como elas se cansavam, frequentemente faltando energia para continuar suas árduas tarefas. Apesar de sua força, Yari percebia que as pessoas precisavam de um presente, algo que renovasse seu vigor e lhes trouxesse conforto em tempos de dificuldade. Enquanto vagava pela floresta, Yari encontrou um homem idoso chamado Guacurari. Guacurari vivia em uma pequena cabana com sua filha, uma jovem chamada Yara. Yari sentiu-se atraída por eles, percebendo uma pureza em seus corações. A família convidou a viajante misteriosa para sua casa, oferecendo-lhe abrigo e calor. Compartilharam o pouco de comida que tinham, sem saber que sua hóspede era uma deusa. Nos dias seguintes, Yari conheceu a vida de Guacurari. O velho havia sido um grande guerreiro, mas agora seus ossos estavam frágeis e sua força havia diminuído com a idade. Yara, sua filha, cuidava dele, mas também estava cansada do trabalho incessante necessário para sustentar sua vida simples. Tocada pela bondade deles, Yari decidiu recompensá-los. Uma manhã, enquanto o sol começava a nascer, Yari revelou sua verdadeira identidade a Guacurari e Yara. “Eu sou Yari, a Deusa da Lua,” disse ela, sua voz suave, porém poderosa. “Vocês me mostraram bondade e, por isso, desejo lhes dar um presente, algo que lhes trará força e felicidade.” Com um gesto de sua mão, Yari convocou uma nova planta do solo. Suas folhas eram de um verde escuro e emanavam uma fragrância doce que preenchia o ar. “Esta é a erva-mate,” anunciou ela. “Dentro dela reside a energia da lua e o poder das estrelas. Beba de suas folhas e encontrará força quando estiver fraco, calor quando estiver frio e alegria quando estiver triste.” Yari ensinou-lhes como colher as folhas, secá-las e prepará-las em uma bebida quente e revigorante. Guacurari e Yara ficaram maravilhados com os efeitos da erva-mate, sentindo um renovado senso de energia e esperança. Yari deixou-os com uma bênção antes de retornar ao seu lugar no céu e, a partir daquele dia, a erva-mate se tornou um presente sagrado para o povo Guarani. A notícia da miraculosa erva-mate espalhou-se rapidamente por toda a terra. Aldeões de lugares distantes vieram à humilde casa de Guacurari para aprender o segredo da planta. Ao saborearem a infusão quente e terrosa, sentiam um profundo senso de unidade, como se a própria bebida tivesse o poder de conectar almas. O ato compartilhado de beber erva-mate tornou-se um ritual, um momento de convivência que transcendia línguas e fronteiras. No entanto, nem todos ficaram satisfeitos com a crescente popularidade desse novo ritual. Nas profundezas das sombras da selva, um espírito de jaguar chamado Aña observava com olhos invejosos. Aña era a personificação da ganância e do egoísmo, prosperando com a dor e o sofrimento dos outros. Conforme as pessoas se aproximavam mais através do poder da erva-mate, Aña sentia sua influência diminuir, o que o enfurecia profundamente. Determinado a destruir o presente que unia as pessoas, Aña elaborou um plano. Numa noite, transformou-se em um jovem bonito e viajou até a aldeia, onde encontrou Yara, que estava preparando uma nova leva de erva-mate. “O que é esta bebida de que todos falam?” perguntou ele, fingindo ignorância. “Viajei de longe e desejo entender a magia por trás dela.” Yara, sempre ansiosa para compartilhar seu conhecimento, convidou Aña para sentar-se com ela. Enquanto bebiam juntos, Aña podia sentir o calor e a vitalidade que percorriam seu corpo a cada gole, mas isso apenas aumentou seu desejo de corromper o presente. “Não seria maravilhoso,” sussurrou ele, “se você pudesse guardar este presente para si mesma? Você e seu pai poderiam viver em luxo, trocando esta bebida preciosa por riqueza e poder.” Mas Yara balançou a cabeça. “A erva-mate é para ser compartilhada,” respondeu firmemente. “Sua magia está em unir as pessoas. Acumulá-la seria trair o próprio presente que a Deusa da Lua nos concedeu.” Furioso, Aña revelou sua verdadeira forma, erguendo-se sobre Yara com olhos brilhantes. “Se eu não posso ter este presente, então ninguém o terá!” rugiu ele. Mas, assim que estendeu a mão para destruir a planta, a luz da lua rompeu o dossel das árvores, banhando Yara e a erva-mate com seu brilho suave. Aña gritou de dor e desapareceu na escuridão, derrotado pela pureza e pelo poder da bênção da deusa. Com a ameaça de Aña diminuída, as pessoas continuaram a compartilhar o presente da erva-mate, que se tornou um símbolo de amizade, unidade e força. A tradição de beber mate espalhou-se muito além das fronteiras das terras Guarani, alcançando tribos e culturas distantes, que acolheram o calor que ela proporcionava. Os anos se passaram e, à medida que Yara envelhecia, tornou-se uma anciã sábia, conhecida por toda a terra como “La Madre de la Yerba” (A Mãe do Mate). Pessoas vinham de todas as direções para ouvir suas histórias, compartilhar um gole de mate e aprender os segredos do presente da Deusa da Lua. Mas, mesmo envelhecendo, Yara sempre se certificava de honrar Yari, a deusa que havia dado a seu povo um presente tão precioso. Numa noite, enquanto Yara sentava-se sob as estrelas, saboreando de sua cuia, sentiu uma presença ao seu lado. Era Yari, sua forma etérea brilhando suavemente à luz da lua. “Você protegeu e cuidou bem do meu presente,” disse a deusa, sorrindo. “Você provou que o vínculo entre a natureza e a humanidade é inquebrável, enquanto houver bondade nos corações das pessoas.” Yara abaixou a cabeça. “É uma honra servi-la, grande deusa,” respondeu ela. “Seu presente deu ao meu povo força, esperança e uma maneira de se unir, mesmo nos momentos mais sombrios.” “Enquanto você continuar a compartilhar o mate, meu espírito viverá em cada cuia,” prometeu Yari. E com isso, ela colocou a mão no peito de Yara, abençoando-a com o poder de transmitir a sabedoria da erva-mate às futuras gerações. Hoje, a tradição de beber erva-mate ainda está viva, entrelaçada no próprio tecido da cultura argentina. Em cidades movimentadas e aldeias tranquilas, amigos, famílias e estranhos reúnem-se para compartilhar uma cuia de mate. Eles passam a cuia de mão em mão, cada pessoa tomando um gole antes de passá-la adiante, assim como seus ancestrais fizeram há muito tempo. Para aqueles que participam desse ritual, é mais do que apenas uma bebida. É um momento de pausa, uma chance de se conectar e um lembrete do vínculo que a humanidade compartilha com a natureza. A erva-mate representa a força de uma comunidade, o calor da amizade e o dom duradouro da Deusa da Lua, que olhou para um mundo em necessidade e lhe deu um pouco de sua magia. A história de Guacurari, Yara e a Deusa da Lua continua a ser contada, lembrando cada nova geração da importância de compartilhar, da bondade e do respeito pelo mundo natural. E em cada gole de mate, a lenda vive, conectando as pessoas às suas raízes, sua história e umas às outras. As folhas da planta de erva-mate continuam a florescer nas florestas da Argentina, prosperando sob o brilho suave da lua. Aqueles que conhecem a lenda entendem que cada folha carrega um pedaço do espírito de Yari e, a cada gole, sua luz se fortalece. Diz-se que enquanto houver pessoas que honrem a tradição do mate, a deusa continuará a velar sobre elas, seu amor fluindo através do calor de cada cuia. E assim, a lenda da erva-mate perdura, uma história atemporal que vive nos corações de todos que se reúnem em torno de uma cuia compartilhada, seus espíritos conectados pelo dom de uma deusa e a magia de uma humilde folha.O Presente Divino
O Primeiro Gole de Unidade
O Vínculo Eterno
O Ritual Moderno
Epílogo: A Folha Eterna
Fim