Tempo de leitura: 13 min

Sobre a História: A Lenda do Yacuruna é um Legend de peru ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. A jornada de Amaru pelo reino místico dos Yacuruna para restaurar o equilíbrio do rio.
Profundamente no coração verdejante da Floresta Amazônica, onde o dossel se espessa e os rios esculpem caminhos labirínticos através da densa folhagem, existe um mundo invisível aos olhos humanos. Um mundo onde espíritos e mitos coexistem com a natureza, e onde os antigos habitantes da terra falavam de seres que governavam os rios com poder e sabedoria incomparáveis. Esses seres eram conhecidos como os *Yacuruna*, os senhores da água.
Dizem que encontrar um Yacuruna é tanto uma bênção quanto uma maldição. Eles são conhecidos por seus grandes poderes—capazes de curar ou ferir, dependendo das intenções daqueles que cruzam seu caminho. Em seus reinos subaquáticos, criam magníficas cidades de palácios cristalinos e estruturas de coral, invisíveis e inatingíveis para os homens comuns. Mas aqueles que conquistaram o favor dos Yacuruna têm sido agraciados com vislumbres deste mundo, apenas para emergir mudados para sempre.
Esta é a história de um jovem chamado Amaru, cuja jornada ao mundo dos Yacuruna transformaria não apenas seu destino, mas o de sua aldeia para sempre.
Amaru era pescador, assim como seu pai antes dele, e o pai do seu pai antes deste. Sua aldeia, situada às margens do grande Rio Amazonas, dependia da abundância das águas para se sustentar. O rio era o sangue vital deles, mas também um mistério—uma corrente profunda e fluente de segredos que os moradores respeitavam e temiam. Por gerações, os anciãos falavam dos Yacuruna em tons baixos, avisando os jovens para nunca se afastarem muito da margem ou permanecerem nas beiras do rio após o pôr do sol. Diziam que os Yacuruna estavam sempre observando, sempre ouvindo. Eles podiam deslizar pelas águas silenciosamente e levar aqueles que desrespeitassem seu domínio. Numa noite sufocante, quando o sol começava a se pôr no horizonte, a aldeia foi atingida por uma inusitada desgraça. Peixes, antes abundantes, começaram a desaparecer das águas. O rio, antes repleto de vida, tornou-se estranhamente calmo. As redes que Amaru lançava nas profundezas retornavam vazias, e os anciãos da aldeia temiam que uma grave ofensa tivesse sido cometida contra os espíritos do rio. "São os Yacuruna," sussurrou o velho Kipa, o mais ancião da aldeia. Sua voz estava rachada pela idade e anos de sabedoria. "Eles retiraram seu favor. Devemos buscar seu perdão, ou todos vamos morrer de fome." Amaru ouviu atentamente as discussões dos anciãos. Embora ainda jovem, ele era corajoso e curioso—duas qualidades que logo o levariam ao coração de um mistério maior do que ele jamais poderia imaginar. "Devemos enviar uma oferenda," disse outro ancião, apontando para as águas. "Talvez os Yacuruna tenham piedade de nós." A mente de Amaru acelerou. A ideia dos Yacuruna tanto o intrigava quanto o aterrorizava. Ele tinha ouvido as histórias desde a infância—relatos de sua beleza, poder, capacidade de grande bondade e crueldade. Mas ninguém que ele conhecia tinha visto um Yacuruna, e a maioria acreditava que eram nada mais do que lendas. Até agora. Os aldeões reuniram uma oferenda de frutas, flores e joias—presentes da terra destinados a apaziguar os espíritos do rio. Amaru se ofereceu para levar a oferenda até a margem do rio. Seu coração pulsava, mas ele fortaleceu seus nervos. Estava determinado a descobrir a verdade sobre os Yacuruna. À medida que a noite caía, a selva ganhava vida com os sons de insetos e chamados distantes de animais. O ar estava denso de umidade, e o rio brilhava sob a luz da lua como uma serpente negra serpenteando pela floresta. Amaru ficou à beira da água, com a oferenda na mão. "Por favor," sussurrou na escuridão. "Perdoem-nos, grandes espíritos. Aceitem nossos presentes e retornem os peixes ao rio." Ele colocou a oferenda suavemente sobre a superfície da água. Por um momento, nada aconteceu. O rio permaneceu calmo, e Amaru se perguntou se os Yacuruna eram realmente reais, ou se tudo aquilo não passava de uma história para assustar crianças. De repente, a água começou a ondular. A oferenda foi subtraída como se por uma mão invisível. Amaru tropeçou para trás, seu coração acelerado enquanto o rio começava a agitar-se violentamente. Das profundezas emergiu uma figura, seu corpo cintilando na luz pálida. Seus olhos, brilhando como brasas, se fixaram em Amaru. "Quem ousa perturbar as águas dos Yacuruna?" a figura sussurrou, sua voz tanto melódica quanto ameaçadora. "O que você busca?" A garganta de Amaru secou. Ele lutou para encontrar sua voz. "Eu... eu trago uma oferenda," ele gaguejou. "Nossa aldeia está sofrendo. Os peixes desapareceram. Buscamos sua ajuda." A figura o encarou por uma eternidade, sua expressão impassível. Então, falou novamente. "O equilíbrio do rio foi quebrado," disse. "Mas você não é aquele que pode restaurá-lo." "Então quem?" Amaru perguntou, sua voz trêmula. "Aquele que entrará no reino dos Yacuruna," disse a figura. "Só lá o rio pode ser curado." O coração de Amaru pulsava. "Como entro no seu reino?" A figura sorriu, embora não fosse uma visão reconfortante. "Você deve provar seu valor. A jornada é perigosa, e poucos sobrevivem. Você está disposto a correr o risco?" Sem hesitar, Amaru assentiu. "Pela minha aldeia, farei o que for preciso." A figura levantou a mão, e as águas do rio começaram a girar ao redor de Amaru, puxando-o para baixo. Conforme a escuridão se fechava, ele percebeu que sua jornada estava apenas começando. Quando Amaru abriu os olhos, encontrou-se em um mundo diferente de tudo o que jamais tinha imaginado. A água ao seu redor era densa e pesada, mas ele podia respirar como se estivesse em terra firme. Plantas estranhas e luminosas balançavam suavemente na corrente, lançando uma luz fantasmagórica sobre seu entorno. Ele estava profundamente sob o rio, no lendário reino dos Yacuruna. Diante dele erguia-se uma cidade enorme, coberta de corais, cujos pináculos subiam como dedos retorcidos em direção à superfície. Peixes de todas as formas e tamanhos nadavam preguiçosamente pelas ruas, enquanto criaturas metade humanas, metade animais o observavam com curiosidade. No centro da cidade havia um grandioso palácio, cujas paredes eram feitas de uma pedra translúcida e cintilante. Amaru sabia instintivamente que este era o lar dos Yacuruna. "Siga-me," disse uma voz, quebrando sua reverie. Ele se virou para ver uma mulher parada ao seu lado, seu cabelo fluindo como água e seus olhos brilhando com uma luz etérea. Ela era incrivelmente bela, com traços que pareciam mudar e se transformar conforme ele olhava para ela. "Eu sou Iara," ela disse. "Guardião deste reino. Você foi escolhido para restaurar o equilíbrio do rio. Mas primeiro, deve provar que é digno." Amaru assentiu, embora sua mente estivesse repleta de perguntas. "O que devo fazer?" Iara sorriu levemente. "Os Yacuruna não são facilmente convencidos. Você deve passar por três provas. Se tiver sucesso, o rio será restaurado. Mas se falhar..." Ela deixou a frase pairar na água, inacabada. Amaru engoliu em seco. "Eu vou conseguir," disse, embora não tivesse certeza se acreditava nisso. Iara conduziu Amaru pela cidade, passando por imponentes estruturas de coral e escolas de peixes cintilantes, até chegarem a uma caverna escura e imensa na periferia da cidade. "Sua primeira prova está dentro," disse Iara. "Você deve encontrar o coração do rio, escondido bem dentro desta caverna. É a fonte de toda a vida na Amazônia. Mas tome cuidado—muitos tentaram alcançá-lo, e nenhum retornou." O coração de Amaru batia forte no peito, mas ele endireitou os ombros e entrou na caverna. A escuridão era opressiva, e a água tornava-se mais fria à medida que ele avançava. Formas estranhas moviam-se nas sombras, e as paredes pareciam se fechar ao seu redor. Mas Amaru continuou, sua determinação o impulsionando para frente. De repente, uma figura emergiu da escuridão—a serpente, suas escamas brilhando como pedra polida. Era enorme, facilmente três vezes o tamanho de Amaru, e seus olhos brilhavam com uma luz sobrenatural. "Você busca o coração do rio," a serpente sibilou, sua voz ecoando pela caverna. "Mas para reivindicá-lo, deve responder ao meu enigma. Falhe, e nunca sairá deste lugar." A boca de Amaru secou. Ele havia ouvido histórias de serpentes do rio antes, mas nunca imaginou que enfrentaria uma pessoalmente. "Qual é o enigma?" ele perguntou, sua voz trêmula. A serpente sorriu, revelando fileiras de dentes afiados e reluzentes. "Tenho cidades, mas sem casas. Tenho florestas, mas sem árvores. Tenho rios, mas sem água. O que sou eu?" A mente de Amaru acelerou. Cidades sem casas, florestas sem árvores, rios sem água... Ele já tinha ouvido esse enigma antes, mas onde? E então, veio a resposta. "Um mapa," ele disse, sua voz firme. A serpente estreitou os olhos, mas não disse nada. Em vez disso, deslizou para o lado, revelando uma pedra luminosa e pulsante no centro da caverna. "O coração do rio," sibilou. "Pegue-o, e a primeira prova está completa." Amaru estendeu a mão e segurou a pedra. Estava quente ao toque, e enquanto a segurava, sentiu uma onda de energia percorrer seu corpo. Ele havia passado pela primeira prova. Iara o aguardava quando ele emergiu da caverna, o coração do rio na mão. "Você fez bem," disse ela, sua voz cheia de aprovação. "Mas sua jornada está longe de terminar. A segunda prova espera por você." Ela o conduziu até as periferias da cidade, onde uma vasta e interminável floresta se estendia diante deles. As árvores eram enormes, seus troncos grossos e retorcidos, seus galhos estendendo-se alto sobre a água. "Nesta floresta," disse Iara, "há uma criatura de grande poder. Ela guarda a sabedoria do rio, e somente enganando-a você poderá provar seu valor." Amaru sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele já havia enfrentado uma serpente; o que poderia ser mais perigoso do que isso? "Você conhecerá a criatura quando a vir," continuou Iara. "Mas esteja avisado—ela pode assumir muitas formas. Confie apenas em seus instintos." Amaru assentiu, embora estivesse longe de se sentir confiante. Ele adentrou na floresta, a folhagem densa fechando-se ao seu redor. A floresta estava estranhamente silenciosa, o único som era o suave farfalhar das folhas enquanto a corrente passava pelas árvores. Amaru manteve os olhos abertos, vasculhando as sombras em busca de qualquer sinal da criatura. De repente, uma figura apareceu diante dele—um homem, alto e imponente, com olhos tão escuros quanto as partes mais profundas do rio. "Você busca a sabedoria do rio," disse o homem, sua voz baixa e ameaçadora. "Mas para reivindicá-la, deve provar a si mesmo. Responda à minha pergunta, e poderá passar. Falhe, e estará perdido para sempre." O coração de Amaru pulsava no peito. Outro enigma? Ele mal havia sobrevivido ao primeiro. "Qual é a sua pergunta?" perguntou, sua voz mal acima de um sussurro. O homem sorriu, um sorriso frio e cruel. "O que pode correr, mas nunca anda, tem boca, mas nunca fala, tem cabeça, mas nunca chora, tem leito, mas nunca dorme?" A mente de Amaru acelerou. Era outro enigma, mas este parecia mais familiar. Ele já o tinha ouvido antes, há muito tempo. "Um rio," ele disse, sua voz cheia de certeza. O sorriso do homem vacilou, e por um momento, Amaru pensou que havia respondido incorretamente. Mas então, o homem se afastou, revelando um pergaminho brilhante aos seus pés. "A sabedoria do rio," disse ele, sua voz relutante. "Pegue-o, e a segunda prova está completa." Amaru se abaixou e pegou o pergaminho. Ao fazê-lo, sentiu uma onda de conhecimento encher sua mente—um saber antigo e poderoso que havia sido transmitido através das gerações dos Yacuruna. Com o pergaminho na mão, Amaru voltou para Iara, que o recebeu com um sorriso. "Você fez bem," disse ela. "Mas agora, a prova final espera por você." Ela o conduziu até a borda de um vasto e espiralante redemoinho, suas águas fervilhando violentamente sob eles. "Para completar a prova final," disse Iara, "você deve mergulhar no coração do redemoinho. Lá, enfrentará seu maior medo. Só superando-o poderá restaurar o equilíbrio do rio." Amaru olhou fixamente para o redemoinho, seu coração batendo forte no peito. Seu maior medo? Ele nem tinha certeza do que era. Mas havia chegado longe demais para voltar agora. Sem hesitar, ele mergulhou no redemoinho. A água estava fria, e a corrente era forte, puxando-o cada vez mais fundo no abismo. Por um momento, pensou que poderia se afogar, mas então a corrente o liberou, e ele se encontrou em um vasto espaço vazio. Diante dele estava uma figura—seu pai, que havia morrido muitos anos atrás. "Amaru," disse a figura, sua voz cheia de tristeza. "Por que você me deixou morrer?" O coração de Amaru doía. Seu pai havia sido um grande pescador, mas se afogou em uma tempestade quando Amaru ainda era garoto. Amaru sempre se culpou, mesmo sabendo que não podia ter feito nada. "Eu não quis," sussurrou Amaru, as lágrimas enchendo seus olhos. "Você poderia ter me salvo," disse a figura, aproximando-se. "Você deveria ter me salvo." Amaru balançou a cabeça, o peito apertado de dor. "Eu não consegui," disse, sua voz trêmula. "Eu era apenas um garoto. Não podia te salvar." A figura o encarou por um longo momento, então sorriu—aquele sorriso suave e triste. "Eu sei," disse. "E agora, você deve se perdoar." O coração de Amaru doía, mas ele sabia que a figura estava certa. Ele havia carregado a culpa pela morte de seu pai por tempo demais. Era hora de deixá-la para trás. "Eu me perdoo," sussurrou, as palavras mal audíveis. A figura sorriu, então se dissolveu lentamente na água, deixando Amaru sozinho. A prova final estava completa. Quando Amaru emergiu do redemoinho, Iara o aguardava. "Você conseguiu," disse ela, sua voz cheia de orgulho. "Você provou que é digno." Amaru sorriu, embora se sentisse exausto. As provas haviam tirado tudo dele, mas ele havia tido sucesso. O rio seria restaurado, e sua aldeia seria salva. "Você agora é um de nós," disse Iara. "Um guardião do rio. Os Yacuruna sempre cuidarão de você." Amaru abaixou a cabeça em gratidão. Ele havia entrado no reino dos Yacuruna buscando ajuda, e encontrou algo muito maior—um novo senso de propósito e pertencimento. Enquanto Iara o conduzia de volta à superfície, Amaru sabia que sua vida nunca mais seria a mesma. Ele havia entrado no mundo dos Yacuruna e emergido como um deles. E assim, a lenda dos Yacuruna continuou viva, passada de geração em geração, lembrando o poder e o mistério que residem nas profundezas do Rio Amazonas.Uma Vila em Perigo
A Jornada Começa
O Reino Abaixo
A Primeira Prova
A Segunda Prova
A Prova Final
O Retorno