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Sobre a História: A Lenda do Bluebonnet é um Legend de united-states ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. O sacrifício de uma jovem traz esperança e beleza a uma terra mergulhada em desespero.
Há muito tempo, antes das cidades movimentadas e das autoestradas existirem, quando a terra era selvagem e a natureza reinava suprema, havia vastas extensões de deserto indomado que se estendiam pelo que agora conhecemos como o estado do Texas. Nesta terra de colinas ondulantes, vales profundos e planícies amplas, vivia uma tribo orgulhosa e nobre. Esta tribo, conhecida como Comanche, prosperava em harmonia com a terra e o céu, entendendo os ritmos da natureza e o espírito de todos os seres vivos. Eram sábios e respeitosos, tomando apenas o que precisavam da terra e devolvendo sempre que podiam.
Esta história é sobre uma menina chamada Ela-Que-Está-Sozinha, um nome dado a ela porque não tinha mais família. Seus pais e irmão haviam perecido durante uma grande seca que assolou a terra, deixando o povo Comanche em desespero. A terra havia se tornando árida, os rios secaram e os animais dos quais a tribo dependia desapareceram. As plantações murcharam e as pessoas ficaram mais fracas a cada dia que passava. Em seu sofrimento, os anciãos da tribo clamaram aos Grandes Espíritos por ajuda, orando por chuva para salvá-los. Mas nenhuma chuva chegou, e a terra permaneceu seca e rachada.
Foi nestes tempos sombrios que o verdadeiro significado do sacrifício e o espírito de altruísmo vieram à tona através das ações de uma única e corajosa criança. Esta é a história de como os bluebonnets, as vibrantes flores azuis que agora florescem por todo o Texas a cada primavera, surgiram – uma história de coragem, sacrifício e amor.
O maior medo da tribo havia se concretizado: uma seca implacável havia descido sobre a terra. A cada dia, o sol tornava-se mais quente, assando a terra até que estivesse tão dura quanto pedra. As pessoas começaram a sofrer grandemente, e seus animais enfraqueceram e pereceram. As plantações falharam, e a fome corroía suas barrigas. O desespero os envolvia como uma sombra. Uma noite, quando a tribo se reuniu ao redor de suas fogueiras moribundas, a anciã mais velha, Avó Pinheiro Alto, falou. "Nós enfurecemos os Grandes Espíritos", disse ela com uma voz que tremia de idade. "Eles exigem um sacrifício de nós, uma grande oferta para mostrar nossa devoção e nossa disposição de abrir mão daquilo que mais valorizamos." Ela-Que-Está-Sozinha sentou-se quieta na borda do círculo, agarrando uma pequena boneca contra o peito. Esta boneca era a única coisa que lhe restava de sua família, feita por sua mãe e adornada com penas azuis de um pássaro raro que seu pai havia caçado. O cabelo da boneca era feito de finos fios de crina de cavalo, e seus olhos eram contas brilhantes que cintilavam à luz do fogo. Era sua posse mais preciosa, um símbolo de sua família perdida e a única coisa que lhe trazia conforto nas noites solitárias. As pessoas começaram a murmurar entre si, imaginando o que poderiam oferecer para apaziguar os Grandes Espíritos. A voz da Avó Pinheiro Alto se elevou novamente. "Os Espíritos não aceitarão nada menos do que o item mais precioso que cada um de nós possui. Só então eles saberão que nossos corações são sinceros." Ela-Que-Está-Sozinha ouviu as palavras da anciã, seu pequeno coração doía. A ideia de abrir mão de sua boneca era mais dolorosa do que qualquer coisa que pudesse imaginar. No entanto, ao olhar em volta para seu povo – sua tribo – ela viu o desespero em seus olhos e o sofrimento gravado em seus rostos. Ela tomou uma decisão. Naquela noite, quando a lua estava cheia, ela saiu furtivamente da tenda de sua família e subiu ao topo de uma colina fora da aldeia. Ela-Que-Está-Sozinha estava no topo da colina, olhando para a lua, as estrelas brilhando como pequenas faíscas contra o céu de veludo. Agarrando sua boneca pela última vez, ela respirou fundo e disse: "Grandes Espíritos, esta é minha posse mais preciosa. É tudo o que me resta de minha família, mas eu a entrego a vocês. Por favor, tragam chuva para salvar meu povo." Com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela colocou a boneca em um leito de capim seco e galhos. Acendeu um pequeno fogo com o pederneira que seu pai havia ensinado a usar, e as chamas tremularam à vida, consumindo lentamente a boneca. Conforme a fumaça subia ao céu noturno, Ela-Que-Está-Sozinha sentiu uma sensação de paz a envolver. O sacrifício foi feito. Na manhã seguinte, quando a tribo acordou, viu que o céu havia se tornado cinzento e as nuvens começaram a se reunir. Um vento fresco soprava pela terra, e o cheiro de chuva enchia o ar. Ao meio-dia, as gotas de chuva começaram a cair, lentamente a princípio, depois cada vez mais fortes até que a terra seca bebia profundamente e os rios começavam a encher novamente. As pessoas se alegraram, suas orações finalmente respondidas. Elas dançaram na chuva, suas vozes elevadas em gratidão aos Grandes Espíritos. Quando a chuva finalmente parou e o sol rompeu as nuvens, as pessoas olharam para as colinas. Lá, onde Ela-Que-Está-Sozinha havia feito sua oferta, um manto de flores azuis vibrantes havia florescido. As flores se estendiam até onde a vista alcançava, suas pétalas cintilando à luz do sol como gotas de água. A tribo nunca tinha visto tamanha beleza antes e souberam que os Grandes Espíritos haviam aceitado o sacrifício da menina. Elas nomearam as flores de "bluebonnets", pois pareciam os lenços que as mulheres da tribo usavam. Os bluebonnets floresceram por toda a terra e, a cada primavera, voltavam a florescer, lembrando a tribo do grande sacrifício feito por alguém tão jovem. Os anciãos contavam a história de Ela-Que-Está-Sozinha para cada criança da tribo, ensinando-lhes a importância do altruísmo e do amor por seu povo. A lenda do bluebonnet tornou-se uma história passada de geração em geração, cada uma a recontar com reverência e respeito. Os anos se passaram e Ela-Que-Está-Sozinha tornou-se uma mulher forte e sábia. Ela passou a ser conhecida como Ela-Que-Traz-Flores, pois onde quer que andasse, os bluebonnets pareciam florescer mais brilhantes. Ela liderou seu povo com bondade e coragem, sempre lembrando que a verdadeira força de uma pessoa residia na sua disposição de se doar pelo bem dos outros. E assim, a terra do Texas foi para sempre abençoada com a beleza do bluebonnet, um símbolo de sacrifício e renovação. Os bluebonnets serviam como um lembrete de que mesmo os menores e aparentemente insignificantes entre nós podiam criar uma onda que tocaria muitas vidas. Com o passar dos anos, a história de Ela-Que-Está-Sozinha alcançou outras tribos e colonos que começaram a se estabelecer na região. Eles também maravilhavam-se com o mar de azul que se espalhava pelas colinas a cada primavera. Os colonos passaram a respeitar o povo Comanche e a lição dos bluebonnets, entendendo que representavam mais do que apenas beleza – eram um símbolo de esperança, sacrifício e do espírito duradouro da humanidade. Um ano, quando Ela-Que-Traz-Flores já era idosa e seu cabelo havia ficado branco, ela subiu a mesma colina onde havia feito sua oferta quando criança. Sentou-se entre os bluebonnets, sentindo suas pétalas suaves roçarem sua pele. O céu ficou escuro e um vento repentino começou a soprar. Olhando para cima, ela viu os Grandes Espíritos nas nuvens, suas formas mudando e se transformando, como fumaça ao vento. Os Espíritos falaram com ela em uma voz tão profunda quanto o trovão: "Você nos honrou, criança. Seu sacrifício não foi em vão. Por causa de você, a terra sempre se lembrará, e os bluebonnets florescerão como um lembrete da força e do amor que vivem dentro de todas as pessoas." Lágrimas encheram os olhos da anciã, mas não eram lágrimas de tristeza. Eram lágrimas de alegria e realização, pois ela sabia que a jornada de sua vida havia sido significativa. Enquanto ela se sentava ali, cercada pelas flores, sentiu-se ficando mais leve, como se estivesse se transformando em uma das pétalas. E então, conforme o vento aumentava, ela desapareceu, tornando-se uma com os bluebonnets que ela havia trazido à vida. Até hoje, todas as primaveras, as colinas do Texas ganham vida com os bluebonnets. Pessoas de todas as partes vêm vê-los, maravilhas-se com sua beleza e ouvir a história da menina que deu tudo por seu povo. Dizem que se você estiver entre os bluebonnets numa manhã tranquila e ouvir com atenção, ainda pode ouvir a voz de Ela-Que-Está-Sozinha carregada pelo vento, sussurrando palavras de amor e sacrifício. E assim, a lenda continua, uma história que será contada por gerações futuras. Dizem que aqueles que colhem um bluebonnet encontrarão uma pequena pena dentro de suas pétalas, um lembrete da boneca que foi sacrificada há muito tempo. O bluebonnet é mais do que apenas uma flor; é um símbolo de esperança, amor e do poder duradouro do altruísmo que reside dentro de todos nós. Enquanto os bluebonnets florescerem, o espírito de Ela-Que-Está-Sozinha nunca será esquecido, e sua história continuará a inspirar aqueles que caminham entre as flores. A terra que antes estava seca e sem vida agora explode de vida a cada ano, um testemunho da força de um único ato de bondade e da beleza que pode surgir mesmo dos tempos mais sombrios. E assim, quando você vir os bluebonnets florescendo, lembre-se da menina que deu tudo o que tinha e deixe que sua história lhe lembre que mesmo os menores entre nós podem fazer a diferença. {{{_04}}}A Seca e o Sacrifício
A Oferta aos Espíritos
A Flor que Conta uma História
O Retorno dos Espíritos
Epílogo: A Flor Perene