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Sobre a História: A Estrada Dourada para Bukhara é um Historical Fiction de uzbekistan ambientado no 19th Century. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para Adults. Oferece Historical perspectivas. Um explorador audacioso, um segredo ancestral e uma cidade onde o conhecimento vale mais que ouro—mas a que custo?.
Introdução
A estrada para Bujara não era para os fracos de coração.
Por séculos, a lendária cidade havia estado no coração da Rota da Seda, seus minaretes dourados surgindo do deserto como uma miragem. Era um lugar de estudiosos e místicos, poetas e guerreiros—um lugar onde o conhecimento era moeda e os segredos valiam mais que ouro.
Muitos haviam vindo em busca de suas riquezas, e muitos haviam sido engolidos por seus muros.
Daniel Harrington, um explorador inglês, havia lido os relatos daqueles que ousaram aventurar-se no domínio do Emir antes dele. Ele havia estudado suas histórias—seus triunfos, suas falhas, seus desaparecimentos. E ainda assim, apesar dos avisos, ele escolheu trilhar o Caminho Dourado por si mesmo.
Acompanhado por seu companheiro de confiança, Yusuf, um estudioso persa com uma mente aguçada e uma língua ainda mais afiada, e Rustam, um guia uzbeque com um passado tão sombreado quanto os becos de Samarcanda, Daniel partiu para encontrar o que tanto havia escapado a tantos antes dele: a Biblioteca Dourada de Bujara.
Mas as areias da Ásia Central eram traiçoeiras, e nem todos que buscavam Bujara viviam para contar a história.
A Caravana Parte
O calor em Constantinopla era opressor, mesmo nas primeiras horas da manhã. A cidade estava viva com movimento—jumentos puxando carros de especiarias, mercadores gritando em uma dúzia de idiomas, o cheiro de café e cordeiro assado espesso no ar.
Daniel ficou na beira do Grande Bazar, ajustando o lenço enquanto escaneava as ruas movimentadas.
“Isto é uma loucura,” murmurou Yusuf ao seu lado. “Existem maneiras mais fáceis de morrer.”
Daniel sorriu. “Mas nenhuma tão interessante.”
Yusuf suspirou. “Pelo menos me diga que você tem um plano.”
“Tenho um guia,” respondeu Daniel, acenando em direção à figura que se aproximava.
Rustam era um homem de ombros largos com um sorriso fácil e olhos que não perdiam nada. Sua barba escura tinha fios grisalhos, mas havia força em seu passo.
“O inglês está ansioso para morrer,” disse Rustam, batendo nas costas de Daniel. “Bom. Gosto de um homem sem medo.”
Daniel riu. “Não sem medo. Apenas curioso.”
O sorriso de Rustam se alargou. “A curiosidade mata mais homens do que espadas nestas terras.”
A viagem os levaria através da Pérsia, pelo Deserto de Karakum, e finalmente ao Canato de Bujara. Era uma jornada de meses, não de dias. E os perigos eram muitos—bandidos, tempestades de areia, espiões.
Mas nada disso desanimou Daniel.
Ele não estava apenas perseguindo uma lenda. Estava perseguindo a própria história.
No Deserto

O Deserto de Karakum era um oceano incessante de ouro, as dunas mudando sob o vento como ondas congeladas no tempo. O calor era implacável, o sol um deus sem misericórdia observando do alto.
A caravana movia-se lentamente, os camelos gemendo sob o peso dos suprimentos. O ar tremulava com o calor, fazendo o horizonte dançar como uma miragem.
“Esta terra está amaldiçoada,” murmurou Yusuf, protegendo os olhos.
“Não está amaldiçoada,” Rustam corrigiu. “Apenas implacável.”
Daniel puxou um mapa de sua sacola, traçando a rota com um dedo luvas. “Devemos chegar a Merv até o pôr do sol.”
Rustam balançou a cabeça. “Se o deserto permitir.”
Naquela noite, acamparam sob um céu carregado de estrelas, o fogo lançando longas sombras sobre a areia. O vento uivava pelas dunas como o sussurro de espíritos esquecidos.
Daniel sentou-se com Yusuf, observando Rustam entalhar algo na areia com uma adaga.
“O que você está fazendo?” perguntou Daniel.
Rustam não olhou para cima. “Escrevendo os nomes daqueles que o deserto levou.”
Daniel estudou os símbolos, a escrita desconhecida se contorcendo na areia. Ele não perguntou de quem eram os nomes.
Ele teve a sensação de que eles acrescentariam mais antes de a jornada terminar.
A Sombra do Emir
Eles chegaram a Merv sem incidentes, embora o calor tenha drenado sua força. A antiga cidade era um centro de comerciantes e viajantes, seus bazares ecoando com centenas de vozes.
Daniel passou a noite coletando informações. Ele tinha ouvido sussurros de agitação em Bujara—de espiões, de execuções, de um Emir que não confiava em ninguém.
Enquanto satava em uma pequena casa de chá, um homem deslizou para o assento à sua frente.
“Você busca Bujara,” disse o estranho em persa.
Daniel o estudou. Suas vestes eram finas, sua barba bem aparada. Mas havia algo perigoso em seus olhos.
“Você não é o primeiro inglês a ir para lá,” continuou o homem. “Sabe o que aconteceu com os outros?”
Daniel assentiu. Ele havia lido sobre os oficiais britânicos Stoddart e Conolly—como foram enviados a Bujara e executados pelo Emir.
O homem sorriu. “E ainda assim você vai.”
Daniel encontrou seu olhar. “Sim.”
O estranho sorveu seu chá. “Então que Deus esteja com você.”
E com isso, ele desapareceu.
Os Muros de Bujara

Os muros de Bujara se erguiam diante deles, altos e impenetráveis. Além deles, a cidade se espalhava como uma joia esquecida, seus minaretes e cúpulas brilhando sob o sol.
Rustam os conduziu pelo grande bazar, onde o cheiro de carne assada e especiarias enchia o ar. Mercadores negociavam, mendigos clamavam por esmolas, e mulheres veladas moviam-se como sombras entre as barracas.
“Este lugar está vivo,” murmurou Daniel.
“E cheio de morte,” acrescentou Yusuf.
Em uma casa de chá tranquila, um velho contou-lhes sobre a Biblioteca Dourada. Dizia-se que estava escondida debaixo da Fortaleza Ark, um cofre de conhecimento perdido guardado pelos homens mais leais do Emir.
Mas encontrá-la seria a parte fácil. Sobreviver a ela seria outra questão completamente.
A Biblioteca Dourada
A noite caiu. As ruas de Bujara se esvaziaram, a cidade caindo em uma estranha quietude.
Rustam os conduziu à Fortaleza Ark, onde uma passagem estreita descia abaixo da cidade.
O ar estava espesso com poeira, as paredes revestidas de pedra antiga.
Então, de repente, eles estavam lá.
Uma vasta câmara se estendia diante deles, alinhada com estantes douradas. Pergaminhos e manuscritos jaziam intocados, seus segredos esperando para ser descobertos.
Yusuf passou a mão sobre as páginas. “Isto vai além de tudo o que imaginei.”
Daniel pegou um pergaminho. A tinta estava desbotada, mas legível. Um mapa—um mais antigo do que qualquer um que ele já havia visto antes.
Então veio o som de passos.
Eles não estavam sozinhos.
A Ira do Emir

Os guardas os levaram ao palácio, com as mãos amarradas. O Emir, Nasrullah Khan, sentava-se em um trono de jade, sua expressão inexpressiva.
“Vocês são ladrões,” disse ele.
Daniel escolheu suas palavras cuidadosamente. “Somos estudiosos.”
Os lábios do Emir se curvaram em um sorriso. “Estudiosos morrem tão facilmente quanto ladrões.”
Por um momento, houve silêncio.
Então Daniel falou. “Tenho algo a oferecer.”
O Emir ergueu uma sobrancelha.
Daniel respirou fundo. “Mapas. Conhecimento. Segredos pelos quais seus inimigos matariam.”
A sala permaneceu silenciosa. Então, finalmente, o Emir riu.
“Vocês me divertem, inglês.” Ele gesticulou. “Trabalharão na minha madraça. Traduzam o que encontraram.”
Fuga de Bujara

Por semanas, eles traduziram. A cada noite, Rustam trabalhava em um plano de fuga.
Então, uma noite, eles fugiram.
Pelos becos, pela escuridão, passando pelos guardas adormecidos.
Os portões estavam à frente.
Então—gritos.
Flechas assobiavam ao redor deles.
Rustam se virou, a adaga reluzindo. “Vão!”
Daniel correu.
Ao amanhecer, estavam livres.
E atrás deles, Bujara permanecia, suas cúpulas douradas brilhando à luz da manhã.
Eles haviam encontrado o conhecimento que buscavam.
Mas alguns segredos é melhor deixá-los enterrados.