Tempo de leitura: 9 min

Sobre a História: **A Quinta Montanha** por Paulo Coelho é um Historical Fiction de israel ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Perseverance e é adequado para Adults. Oferece Inspirational perspectivas. A jornada de um profeta por meio da fé, da dúvida e do propósito divino.
Introdução
_A Quinta Montanha_, escrita por Paulo Coelho, é um romance profundo que explora a interseção entre destino, fé e resiliência. A história acompanha o profeta bíblico Elias enquanto ele enfrenta as dificuldades da vida, combate suas dúvidas internas e embarca em uma jornada de transformação pessoal. Nesta narrativa, Coelho investiga como os indivíduos podem transcender o sofrimento e alinhar-se com seu propósito divino através de uma mistura de espiritualidade, ficção histórica e reflexões filosóficas profundas. O romance é uma alegoria inspiradora que ressoa com leitores que buscam encontrar significado em meio à adversidade.
O Chamado do Senhor
Elias vivia no Reino de Israel, uma terra onde o povo abandonou os caminhos de seus ancestrais e adotou a adoração pagã de Baal. O profeta, ao ouvir a voz do Senhor, entregou uma profecia severa ao rei Acabe, prevendo uma devastadora seca que assolaria a terra, a menos que o povo se arrependesse e retornasse à sua fé. Mas, em vez de ser ouvida, a profecia de Elias levou à sua perseguição. Jezabel, a rainha que adorava fervorosamente Baal, exigiu sua execução.
Fugindo por sua vida, Elias buscou refúgio no deserto. O Senhor o ordenou que viajasse para Sarepta, uma cidade na terra de Sidom, onde ele seria sustentado. Embora temeroso, Elias obedeceu, pois sua fé no Senhor era absoluta. No entanto, a jornada para Sarepta não estaria isenta de provações, já que a fé de Elias seria testada pela fome, sede e pelo desespero profundo que frequentemente acompanha a solidão.
O profeta chegou a Sarepta, onde encontrou uma viúva recolhendo gravetos na porta da cidade. O Senhor havia dito a Elias que essa mulher o sustentaria. “Traga-me um pouco de água em um cálice, para que eu possa beber”, pediu ele. A viúva virou-se para ele, com o rosto magro e marcado pelas dificuldades, e acrescentou: “E traga-me um pedaço de pão”.
Mas os olhos da viúva se encheram de lágrimas ao confessar: “Enquanto o Senhor, teu Deus, vive, eu não tenho pão, apenas um punhado de farinha em um meu, e um pouco de azeite numa peneira; e veja, estou recolhendo alguns gravetos para que eu possa entrar, preparar um pouco para mim e para meu filho, comamos e morramos”.
O coração de Elias se partiu pela mulher, mas sua fé na promessa do Senhor era forte. Ele assegurou-lhe que, se ela preparasse o pão para ele primeiro, a farinha e o azeite não se esgotariam até que a seca terminasse. E assim, a mulher, em sua desespero, confiou nas palavras do profeta, e um milagre ocorreu: a farinha e o azeite nunca se esgotaram. Elias ficou com a viúva e seu filho, e o pequeno lar foi sustentado durante toda a longa seca.

A Montanha do Desespero
Os dias se tornaram mais difíceis conforme a seca persistia, e Elias, embora grato pelo sustento, era atormentado por visões do sofrimento de Israel. Ele orava ao Senhor todos os dias, na esperança de que o povo retornasse à fé e a chuva voltasse a cair. Mas nenhum sinal vinha do alto. O céu permanecia claro, e a terra continuava a murchar.
Um dia, o filho da viúva adoeceu gravemente, e apesar de todos os esforços, o menino sucumbiu à morte. A viúva, tomada pela tristeza, voltou-se contra Elias com raiva, acusando-o de trazer infortúnio para sua casa. “O que tenho eu a ver contigo, ó homem de Deus?”, exclamou ela. “Acabas de vir para mim para lembrar-me do meu pecado e matar meu filho?”
A fé de Elias vacilou pela primeira vez desde o início de sua jornada. Ele havia trazido vida através da farinha e do azeite intermináveis, mas agora a morte havia reivindicado o único filho da viúva. Ele pegou o menino nos braços, o levou para o quarto de cima e o colocou sobre a cama. Ele clamou ao Senhor em desespero, questionando o propósito dessa perda. Mas mesmo em sua angústia, as orações de Elias permaneceram sinceras.
“Senhor, meu Deus, que a alma deste menino volte para ele”, implorou Elias três vezes. E após um longo período de silêncio, o Senhor ouviu a oração do profeta. A alma do menino retornou, e ele viveu. Elias levou o menino de volta à sua mãe, que caiu de joelhos em gratidão e declarou: “Agora, por isso, eu sei que sabes que és homem de Deus, e que a palavra do Senhor está em tua boca, e que tu andas na verdade”.
Esse milagre, no entanto, não encheu o coração de Elias com paz. Ele sentiu o peso da tempestade que se aproximava, a tensão aumentando dentro de si como se uma força invisível o atraísse para algo maior, algo mais perigoso.
A Quinta Montanha Chama
O Senhor ordenou a Elias que retornasse a Israel e confrontasse o rei Acabe mais uma vez. Com o coração pesado, Elias obedeceu, sabendo que essa jornada o levaria à Quinta Montanha, um lugar do qual ele só havia ouvido falar em contos distantes. A montanha se erguia de forma ominosa no horizonte, com seu pico envolto em nuvens. Diziam que era um lugar de imenso poder, onde os deuses dos homens e o verdadeiro Deus travavam uma guerra eterna.
À medida que se aproximava da montanha, Elias encontrou um jovem garoto que o guiou pelos caminhos traiçoeiros que levavam ao cume. “Por que procuras a Quinta Montanha?”, perguntou o garoto, com a voz trêmula de admiração.
“Eu não a procuro”, respondeu Elias. “Sou guiado pelo Senhor. É a Sua vontade, não a minha.”
O garoto assentiu, mas permaneceu em silêncio. Elias sentiu o peso de sua missão crescer a cada passo. A montanha simbolizava mais do que uma ascensão física; era uma metáfora para a luta do profeta entre fé e dúvida, entre a vontade divina e o desejo humano. Quanto mais ele subia, mais sentia o puxão de suas próprias perguntas, de seus próprios medos.
No pico, Elias encontrou um lugar desolado, uma ruína de pedras antigas e ídolos caídos. Lá, ouviu uma voz – não a voz do Senhor, mas algo mais sombrio, algo que sussurrava desespero e desesperança. “Afasta-te do teu caminho, Elias”, disse a voz. “Não há glória, nem salvação na tua luta. O povo não retornará ao Senhor.”
Elias caiu de joelhos, sobrecarregado pelo peso da dúvida. O silêncio dos céus ecoava ao seu redor, e pela primeira vez, questionou o propósito de seu sofrimento, de suas provas e de sua obediência inabalável.
Mas então, na quietidão, veio um sussurro suave – um sussurro que cortou a escuridão de sua alma. “Elias”, disse. “Levanta-te.”
E assim, Elias levantou-se. Ele compreendeu agora que a Quinta Montanha não era um lugar de conquista, mas um lugar de rendição. Ele precisava renunciar suas dúvidas, seus medos, seu desejo de controle. Ele precisava confiar no plano do Senhor, mesmo quando era incompreensível para ele.

O Retorno a Israel
Elias desceu a montanha com um renovado senso de propósito. Retornou a Israel, onde a seca havia piorado e o povo estava à beira do colapso. O rei Acabe, enfraquecido por suas perdas, procurou o conselho de Elias. “O que devemos fazer?”, perguntou Acabe. “A terra está morrendo, e nós também.”
Elias, cheio da força de sua fé, disse a Acabe para reunir todos os profetas de Baal no Monte Carmelo. Lá, fariam um concurso para determinar qual Deus era o verdadeiro. O povo de Israel reuniu-se para testemunhar o evento, dividido entre os deuses antigos e a promessa de salvação através do Senhor.
No topo do Monte Carmelo, os profetas de Baal invocaram seu deus para trazer fogo dos céus e consumir sua oferta, mas nada aconteceu. Eles clamaram, dançaram e até se cortaram, mas Baal permaneceu silencioso. Então chegou a vez de Elias. Ele reparou o altar do Senhor, colocou a oferta sobre ele e derramou água até que a vala ao redor do altar estivesse cheia.
Elias orou ao Senhor, e imediatamente, fogo desceu dos céus, consumindo a oferta, a madeira, as pedras e a água. O povo caiu de joelhos em admiração, e Elias proclamou: “O Senhor, ele é Deus!”
Nesse momento, os céus se abriram, e a chuva começou a cair sobre a terra, encerrando a longa seca. Elias havia cumprido seu propósito, mas sua jornada estava longe de terminar.

O Último Teste
Apesar de sua vitória no Monte Carmelo, as provas de Elias ainda não haviam terminado. Jezabel, enfurecida pela derrota dos profetas de Baal, jurou matar Elias. Mais uma vez, ele fugiu para o deserto, com o coração pesado de desespero. Ele havia testemunhado o poder do Senhor, mas agora se sentia abandonado, caçado e sozinho.
Elias vagou pelo deserto e sentou-se sob uma árvore solitária de retama, onde orou pela morte. “Já chega, Senhor”, disse ele. “Tira a minha vida, pois não sou melhor do que meus antepassados.”
Mas, em vez de morrer, o Senhor enviou um anjo para nutrir Elias. O anjo trouxe-lhe pão e água, instando-o a continuar sua jornada. Fortalecido por esse provimento divino, Elias caminhou por quarenta dias e noites até chegar ao Monte Horebe, a montanha de Deus.
Lá, em uma caverna, Elias esperou pelo Senhor. Um vento poderoso rasgou as montanhas, quebrando rochas, mas o Senhor não estava no vento. Seguiu-se um terremoto, depois um fogo, mas o Senhor não estava em nenhum deles. Finalmente, uma voz suave e tranquila chamou por Elias.
O Senhor falou a Elias, não com poder, mas em silêncio, reafirmando seu propósito. Ele deveria ungir novos reis sobre Israel e Síria e nomear Eliseu como seu sucessor. A jornada de Elias, embora repleta de dificuldades, o havia preparado para seu papel final – passar o manto da profecia para a próxima geração.
Elias deixou o Monte Horebe com paz no coração, sabendo que a vontade do Senhor havia sido cumprida. Ele havia escalado a Quinta Montanha e emergido com uma compreensão mais profunda de fé, rendição e propósito divino.
{{{_04}}}
Conclusão
_A Quinta Montanha_ é uma história de luta, dúvida e, em última análise, redenção. Através da jornada de Elias, Paulo Coelho nos lembra que a fé não é um escudo contra as dificuldades, mas um caminho através delas. Todos somos chamados para nossa própria Quinta Montanha, onde devemos confrontar nossos medos, dúvidas e desejos. Somente ao nos rendermos a um propósito maior podemos encontrar verdadeira paz e realização.