Tempo de leitura: 7 min

Sobre a História: A Eterna Donzela da Neve de Berna é um Legend de switzerland ambientado no Medieval. Este conto Poetic explora temas de Romance e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Uma mulher perdida no inverno, uma lenda congelada no tempo—teria coragem de buscar a Donzela da Neve de Bern?.
No coração da Suíça, aninhada entre os braços do rio Aare, encontra-se a antiga cidade de Berna, onde os invernos abraçam a terra em um silêncio branco eterno. Lá, em meio a ruas de paralelepípedos e antigas pontes de pedra, persiste uma lenda — a história de Isolde von Gravenstein, a Eterna Donzela da Neve.
Seu nome é sussurrado no frio sopro das montanhas, sua presença sentida nas sombras dos flocos de neve que caem. Alguns a chamam de espírito, outros de fantasma, mas os anciãos de Berna falam dela como algo muito mais assombroso — uma mulher que desafiou o destino e foi reivindicada pelo próprio inverno.
Todo ano, quando a primeira nevasca desce sobre a cidade, os viajantes afirmam ver uma figura observando das bordas das florestas cobertas de geada. Alguns dizem que ela está esperando, outros dizem que está procurando. Mas todos concordam em uma coisa:
O ano era 1487, e os grandiosos salões da Casa Gravenstein brilhavam com luz de velas, prata e vinho. O ar estava repleto de risos e música enquanto a nobreza de Berna se reunia para o baile anual de inverno, uma celebração de riqueza, poder e política disfarçada sob vestidos de seda e máscaras douradas. Lordes e damas rodopiavam pelos pisos de mármore, seus sussurros abafados pelos violinos que dançavam. Entre eles estava Isolde von Gravenstein, única filha do Duque Albrecht von Gravenstein — uma mulher de beleza rara e delicada. Sua presença chamava atenção, seu vestido pálido capturando a luz como se fosse tecido pela própria neve. Mas sob seu sorriso composto escondia-se uma tempestade de tristeza. Ela não pertencia àquele lugar. Já não mais. Naquela noite, seu pai fez seu grande anúncio — ela seria casada com Lorde Frederick von Solm, um nobre de Zurique com riqueza, ambição e um coração tão frio quanto o gelo no rio Aare. Isolde sorriu, curvou-se e desempenhou o papel da filha perfeita. Mas seu coração não estava disponível. Já pertencia a outro — Elias, o estudioso. Enquanto a nobreza bebia e dançava, Isolde escapou pelos corredores da propriedade de sua família, sua respiração rápida de antecipação. No frio mordaz da noite, ela havia tomado sua decisão. Ela fugiria. Fugiria longe do peso do dever nobre. Fugiria para os braços do homem que amava. Ela simplesmente não sabia que estava caminhando para uma tragédia. O pátio estava silencioso, exceto pelo vento sussurrando pelas árvores cobertas de geada. Isolde apertou sua capa sobre os ombros, a neve crocante suavemente sob seus passos enquanto ela percorria os caminhos escondidos do jardim. Seu coração batia forte no peito. Ela havia concordado em encontrar-se com Elias à beira do rio congelado, onde um cavalo aguardava para levá-los longe de Berna — para a liberdade, para o amor, para o desconhecido. Mas, ao alcançar a clareira, ela soube que algo estava terrivelmente errado. A neve à sua frente estava manchada de vermelho. E ali, estendido no frio, estava Elias. Seu corpo estava imóvel, seus olhos fitando blankamente os flocos de neve que caíam, seu sangue pintando a geada ao redor em um contraste cruel. “Não…” O sussurro mal saiu de seus lábios antes que uma sombra se movesse atrás dela. Ela se virou abruptamente. Lorde Frederick von Solm estava além das árvores, uma espada na mão, sua lâmina escorregadia com sangue fresco. “Você me envergonharia por um homem sujo?” Sua voz estava calma, mas seus olhos queimavam de raiva. “Você era minha esposa para casar, e pensou que poderia fugir?” A respiração de Isolde saiu em arfadas, todo o seu mundo se desfazendo ao seu redor. “Você…” Ela engasgou, mal conseguindo formar palavras. “Você o assassinou.” Frederick deu um passo lento à frente, a neve crocante sob suas botas. “Não,” ele disse. “Eu corrigi um erro.” Isolde sentiu algo se partir dentro dela. Uma fúria fria cresceu em seu peito, uma dor tão consumidora que queimava todo o medo. Ela caiu de joelhos ao lado de Elias, abraçando seu corpo sem vida, pressionando sua testa contra a dele. E então, o vento mudou. As árvores começaram a tremer, seus ramos balançando sob a força de um poder invisível. A neve levantou do chão, girando como uma tempestade que aguardava séculos para ser desencadeada. Frederick deu um passo para trás. “O que é isso—?” O ar estalou com algo antigo. Algo não deste mundo. Isolde ergueu a cabeça. Sua pele havia ficado pálida, quase translúcida, como se o próprio inverno tivesse se infiltrado em seus ossos. Seus olhos — antes cheios de calor — agora eram glaciais, brilhando com algo eterno. Frederick tropeçou, o pânico refletido em seu rosto. “Não,” ele respirou. Isolde se levantou, o vento girando ao seu redor. A tempestade de neve se curvou à sua vontade, sussurrando segredos que apenas ela poderia entender. Frederick tentou fugir. Mas o inverno já o havia reivindicado. A neve engoliu seu grito. Quando a tempestade passou, Isolde tinha desaparecido. O corpo de Frederick nunca foi encontrado. A única pista dele eram pegadas levando para a neve — pegadas que desapareciam antes de chegarem à borda da floresta. Na manhã seguinte, os servos da Casa Gravenstein falavam em sussurros temerosos. Alguns afirmavam que Isolde havia perecido na tempestade, levada pela dor. Outros acreditavam em algo muito mais sobrenatural — que a tempestade havia se tornado ela, que ela havia se tornado a própria neve. E assim, a lenda começou. Dizia-se que nas noites mais frias, o fantasma de Isolde poderia ser visto vagando pelos arredores de Berna, sua presença marcada por rajadas repentinas de vento e a sensação inexplicável de estar sendo observado. Os viajantes sussurravam sobre uma mulher etérea que aparecia para guiar os perdidos — ou, em alguns casos, para atraí-los mais profundamente na neve, nunca mais sendo vistos novamente. A cidade de Berna tinha muitos mitos, mas nenhum tão arrepiante quanto a Donzela da Neve que nunca realmente morreu. Até 1923, a maioria descartava a lenda como superstição, um conto de fadas para noites frias. Mas não Jonas Meier. Um jovem historiador obcecado pelos mitos mais antigos da Suíça, Jonas chegou a Berna determinado a provar que a história da Donzela da Neve era mais do que apenas um folclore. Ele vasculhou arquivos, rastreou cartas esquecidas e entrevistou moradores que ainda juravam tê-la visto. E então, numa noite, nas profundezas das florestas além de Berna — ele viu. Ela estava ali, entre as árvores, banhada pelo brilho da lua. Uma mulher vestida de branco, intocada pelo frio, seus cabelos prateados brilhando como seda congelada. Jonas deu um passo mais perto, a respiração se confundindo no ar. “Isolde…” ele sussurrou. Ela inclinou a cabeça. Seus lábios se abriram, mas nenhum som saiu. Apenas o vento. Jonas nunca retornou dessa jornada. Seu caderno foi encontrado enterrado na geada, contendo apenas uma única frase: *"Ela é real. E ela está esperando."* Dizem que se você se posicionar na Ponte Nydegg na primeira nevasca do inverno, pode vê-la. Uma figura solitária, observando da distante extensão branca, sua presença nada mais que um calafrio contra sua pele. Talvez ela espere por algo. Talvez ela escolha quem chamar para o frio. Ou talvez, apenas talvez— Na próxima vez que a neve cair, ouça com atenção. No silêncio do vento de inverno, se você ouvir de perto o suficiente— Você pode ouvir ela chamando o seu nome.Ela é real.
O Baile de Inverno da Casa Gravenstein
A Traição Sob a Neve
A Lenda Ganha Raiz
Uma Visitante na Neve
Séculos se passaram
A Vigia Eterna
A Donzela da Neve de Berna não esteja mais tão sozinha como antes.
Epílogo: Um Sussurro no Vento