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Sobre a História: A Filha do Rei Dragão de Busan é um Myth de south-korea ambientado no Contemporary. Este conto Poetic explora temas de Romance e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Uma história de amor, sacrifício e o vínculo inquebrantável entre o mar e a costa.
Por baixo das ondas iluminadas pelo sol do Mar do Leste, onde o oceano parecia interminável e mistérios permaneciam ocultos, erguia-se o magnífico palácio do Rei Dragão. Esculpido em coral e cristal e iluminado pelo suave brilho de peixes bioluminescentes, este era um reino de serenidade e poder. Mas, para a filha do rei, Soorin, a beleza do mar começava a parecer uma gaiola dourada. Ela ansiava por ver o mundo além das ondas – um mundo que só havia vislumbrado através de histórias trazidas pelas correntes.
Os salões do palácio do Rei Dragão se estendiam sem fim, adornados com pérolas e forrados com tronos de concha polida. Anêmonas do mar pulsavam suavemente em ritmo com a maré, e cardumes de peixes entrelaçavam-se nas correntes como tapeçarias coloridas em movimento. Contudo, em meio a esse esplendor, Soorin sentia uma crescente inquietação. Ela caminhava descalça pelos grandes salões, suas vestes trailing atrás dela como ondulações na água. Ao se aproximar da sala do trono, a voz de seu pai ecoou pela câmara. O Rei Dragão estava em conselho, deliberando com seus conselheiros sobre o estado dos mares. Sua voz, profunda e imponente, preenchia o ambiente, mas suavizava ao ver sua filha entrar. “Soorin,” ele disse, com um tom caloroso, mas carregado de preocupação. “O que te aflige?” Soorin hesitou, suas mãos se torcendo nervosamente. “Pai, eu… tenho sonhado com o mundo acima. Quero vê-lo por mim mesma.” O tribunal caiu em silêncio. Os conselheiros trocaram olhares desconfortáveis, e até as correntes pareciam parar. O Rei Dragão inclinou-se para frente em seu trono, seus olhos dourados estreitando-se. “Você ouviu as histórias, minha filha,” disse ele gravemente. “O mundo humano não é como o nosso. Eles são volúveis, curiosos e, frequentemente, cruéis. Temem o que não entendem.” “Eu sei,” respondeu Soorin, sua voz firme apesar do tremor em seu coração. “Mas como posso entender meu lugar se não vejo o mundo por mim mesma? Por favor, pai. Preciso ir.” O Rei Dragão a observou por um longo momento, o peso dos séculos em seu olhar. Finalmente, ele assentiu, embora sua expressão permanecesse pesada. “Muito bem. Mas ouça meu aviso: você tem um mês. Quando a lua cheia ascender, deverá retornar. Se não o fizer, perderá seu lugar no mar para sempre.” O alívio inundou o coração de Soorin, embora ela não pudesse se livrar do lampejo de medo nas palavras de seu pai. “Obrigado, pai. Prometo que retornarei.” Soorin emergiu do mar ao amanhecer, seus pés tocando a areia pela primeira vez. A praia estava deserta, exceto pelo ocasional grito de uma gaivota e o ritmo constante das ondas quebrando. Ela admirava a sensação da terra sob seus pés, áspera e quente, tão diferente dos pisos lisos de seu lar subaquático. Suas vestes azuis brilhantes, tecidas com fios de algas marinhas e adornadas com pérolas, refletiam a luz da manhã como mil espelhos minúsculos. Mas ao entrar no mundo dos humanos, ela sabia que precisava se misturar. Com um gesto de mão, suas vestes se transformaram em um hanbok simples, porém elegante, com cores suavizadas para combinar com os tons do mundo ao seu redor. Busan era diferente de tudo o que havia imaginado. A cidade fervilhava de vida: vendedores chamavam os transeuntes, o aroma de peixe grelhado e especiarias preenchia o ar, e as ruas estavam vivas com risos e conversas. Soorin vagava, de olhos arregalados e curiosa, absorvendo cada detalhe. Ela parou em uma barraca de um vendedor de rua, encantada com a exibição vibrante de tteokbokki e kimbap. “Você parece nunca ter visto comida antes,” brincou o vendedor, lhe oferecendo um espeto de odeng. Soorin sorriu timidamente, dando uma mordida hesitante. O calor e o sabor explodiram em sua língua, diferente de tudo que havia provado antes. “É… maravilhoso,” disse ela, com a voz tingida de admiração. O vendedor riu. “Bem-vinda a Busan, então. Mas tenha cuidado, jovem. Esta cidade tem uma maneira de te envolver.” Ela não entendeu seu aviso, mas o agradeceu e continuou sua jornada, seu coração cheio de maravilhamento e uma crescente sensação de inquietação. Na sua segunda semana em terra, Soorin sentiu-se atraída por uma rua tranquila longe dos mercados movimentados. Escondida entre dois prédios imponentes estava uma pequena livraria, com sua placa de madeira já desgastada pelo tempo. O aroma de papel antigo e tinta emanava enquanto ela entrava. O lojista era um jovem chamado Joon, seu rosto parcialmente escondido atrás de um par de óculos redondos. Ele olhou para cima de sua mesa quando a campainha tocou, sua expressão mudando da curiosidade para um sorriso caloroso. “Bem-vinda,” disse ele. “Está procurando por algo em particular?” Soorin hesitou, passando os dedos pelos lombos dos livros. “Não sei,” admitiu ela. “Nunca estive em um lugar como este antes.” Joon levantou uma sobrancelha, mas não disse nada, apenas observou enquanto ela tirava um livro da estante. Era uma coletânea de mitos e lendas coreanas, suas páginas gastas e amareladas pelo tempo. “Você gosta de histórias?” ele perguntou. “Sim,” respondeu ela, seus dedos traçando as ilustrações intricadas. “Você acredita nelas? Dragões, reis do mar e suas filhas?” Joon riu. “Acho que os mitos são apenas verdades envoltas em histórias, esperando para serem descobertas por alguém.” O coração de Soorin se agitou com suas palavras. Pela primeira vez desde que deixou o mar, ela sentiu um lampejo de compreensão, como se Joon pudesse ver através de seu véu de segredo. Ela começou a visitar a loja todos os dias, atraída por seu charme tranquilo e pela forma como ele falava das histórias como se fossem coisas vivas. Com o passar dos dias, suas conversas se aprofundaram. Joon compartilhava contos da antiga Coreia, e Soorin, cuidando para não revelar sua verdadeira identidade, falava do mar como se fosse uma memória distante. O vínculo entre eles cresceu, assim como os sentimentos de Soorin por ele – sentimentos que ela sabia serem proibidos. Com a aproximação da lua cheia, Soorin sentia o puxão do mar ficar mais forte. O aviso de seu pai ecoava em sua mente, mas seu coração estava dividido. Como poderia retornar ao oceano e deixar Joon para trás? Em uma noite, enquanto caminhavam pela Praia de Haeundae, uma tempestade começou a se formar. As ondas tornaram-se inquietas e o vento uivava pelo ar. O peito de Soorin se apertou ao perceber que a tempestade era obra de seu pai. Ele a estava chamando de volta para casa. “Soorin,” disse Joon, sua voz elevada contra o vento, “precisamos encontrar abrigo!” Mas ela balançou a cabeça, seus olhos marejados de lágrimas. “Joon, eu não posso ficar. Esta tempestade… é por minha causa.” “O que você quer dizer?” ele perguntou, sua voz carregada de confusão e medo. Ela pegou suas mãos, sua voz tremendo. “Eu não sou quem você pensa que sou. Sou a filha do Rei Dragão, e devo retornar ao mar. Se não o fizer, perderei meu lugar no reino do meu pai para sempre.” Joon a olhou, sua expressão uma mistura de descrença e tristeza. “Então me deixe ir com você.” “Você não pode,” disse ela, a voz quebrando. “O mar não é o seu mundo.” A tempestade rugia ao redor deles, as ondas batendo violentamente contra a costa. Soorin beijou Joon pela última vez, suas lágrimas misturando-se com a chuva. “Nunca vou te esquecer,” sussurrou ela antes de se virar e correr para o oceano. Enquanto as ondas a envolviam, a tempestade começou a amainar. Joon ficou na praia, seu coração partido enquanto o mar engolia a mulher que ele havia vindo a amar. As pessoas de Busan ainda contam a história de Soorin, a filha do Rei Dragão que se apaixonou por um humano. Dizem que em noites tempestuosas, se você estiver na Praia de Haeundae, pode ouvir sua voz no vento, chamando por seu amor perdido. E Joon? Ele nunca a esqueceu. Passou a vida escrevendo histórias sobre o mar, cada uma uma carta de amor para a mulher que havia mudado seu mundo. Embora nunca a tenha visto novamente, ele sabia que ela estava sempre lá, bem além das ondas.O Coração do Mar
Primeiros Passos
A Livraria
A Tempestade
Epílogo: A Maré Eterna