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A Câmara Sangrenta
A young bride stands before a majestic gothic castle by the sea, holding the key to its dark secrets. The stormy sky and crashing waves foreshadow the eerie and dangerous journey she is about to embark upon.

Sobre a História: A Câmara Sangrenta é um Fairy Tale de france ambientado no 19th Century. Este conto Dramatic explora temas de Courage e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. A curiosidade de uma jovem noiva revela um segredo mortal no misterioso castelo de seu marido.

**"A Câmara Sangrenta"**, de Angela Carter, é uma releitura sombria e gótica do conto de fadas Barba Azul. A história mergulha em temas de poder, violência, sexualidade e a perspectiva feminina sobre desejo e controle. Escrito com uma prosa luxuosa e sensual, explora a jornada de uma jovem em um casamento com um homem misterioso e rico, cujo passado sombrio se desdobra lentamente, levando a uma experiência angustiante e transformadora. Este conto é uma mistura perfeita de horror gótico e crítica feminista, apresentando uma narrativa inquietante, porém cativante, que deixa os leitores fascinados.

O Contrato de Casamento

Lembro-me do primeiro dia do meu casamento como um borrão de fitas douradas e sedas ricas que cintilavam à luz dos lustres no salão de baile. Foi um casamento por necessidade, minha mãe tendo perdido meu pai quando eu era jovem, e nossa fortuna diminuiu com o passar do tempo. Mas eu não havia sido vendida para uma vida monótona. Pelo contrário, casei-me com um marquês—rico, elegante e muito distante das lutas da vida que eu conhecia. Seu castelo à beira-mar, isolado e vasto, seria meu novo lar.

O namoro dele foi breve, e eu—jovem, inocente e ainda encantada com o fascínio do desconhecido—fui envolvida pelo romance. Quão intoxicante foi ser o objeto de suas afeições, sendo agraciada com joias, atenção e a promessa de uma vida muito distante da pobreza. Contudo, havia algo frio nele, um distanciamento que sempre persistia sob seu exterior encantador.

No momento em que chegamos ao castelo após o casamento, senti o peso desse distanciamento. Os funcionários, embora educados, pareciam mover-se como sombras, evitando meu olhar. O ar nos corredores estava pesado, quase opressor, com segredos que eu ainda não conseguia compreender. Mas deixei o desconforto de lado. Afinal, agora eu era a esposa de um marquês, uma dama do castelo. Como poderia questionar minha boa fortuna?

Quando a noite caiu, ele me levou ao seu aposento. O quarto era grandioso, com uma enorme cama de dossel adornada com veludo. Mas o que mais me chamou a atenção foi a imensa chave de ferro que ele colocou em minha mão, fria contra minha pele.

"Esta chave," disse ele com voz baixa, "abre todas as portas deste castelo. Todas as portas, exceto uma. A câmara no final da ala norte. Você nunca deve entrar nela."

Sua voz era suave, porém imponente, não deixando espaço para argumentos. Concordei, aceitando a estranha estipulação, embora a curiosidade ardesse dentro de mim. Mal sabia eu que essa câmara proibida se tornaria a chave para minha própria ruína.

Uma câmara pouco iluminada, com retratos de mulheres pendurados nas paredes, enquanto a noiva observa em estado de choque uma pintura realista.
A galeria sombria dentro da câmara proibida, decorada com retratos assombrosos das antigas esposas do marquês, enquanto a noiva permanece em choque diante de um retrato realista.

O Segredo do Castelo

Os dias que se seguiram ao nosso casamento foram preenchidos com um silêncio inquietante. O marquês, frequentemente ausente em negócios, me deixava sozinha no vasto castelo. Seus corredores pareciam se estender infinitamente, e quanto mais eu explorava, mais percebia o quão verdadeiramente isolados estávamos. O mar, batendo violentamente contra os penhascos lá fora, servia como um lembrete constante do meu aprisionamento. Eu havia se casado com um homem que mal conhecia, e agora me encontrava em um castelo cheio de mistérios.

Mas o que mais me preocupava era a câmara proibida. Toda vez que passava pela ala norte, sentia uma atração quase magnética em direção à porta que ele me proibiu de entrar. Por que estava trancada? O que poderia haver lá dentro? A chave de ferro que ele me dera repousava pesadamente no meu bolso, um lembrete constante da tentação que me corroía.

Uma noite, enquanto vagava pelos corredores, minha curiosidade me venceu. Minha mão tremeu ao retirar a chave do bolso, e antes que eu percebesse, estava diante da porta. Meu coração disparou ao inserir a chave, o som do trinco se abrindo ecoando no corredor silencioso.

Dentro, o quarto era pouco iluminado por uma única vela trêmula. Conforme meus olhos se acostumavam à escuridão, congelei. As paredes estavam revestidas com retratos—retratos de mulheres, cada mais belas que a anterior. A princípio, pensei que fossem meras pinturas, mas ao me aproximar de um dos retratos, notei algo arrepiante. Os olhos da mulher na pintura pareciam demasiado vivos. Havia uma tristeza assombrante neles, como se estivessem me observando.

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A Descoberta Sangrenta

O ar ficou frio ao meu redor enquanto me adentrava na câmara. Os retratos continuavam a me assombrar, cada rosto feminino torcido em agonia, medo ou tristeza. Era como se sua beleza tivesse sido imortalizada pouco antes de suas mortes, capturando seus últimos momentos de desespero. Arrepiei, mas não podia mais voltar atrás. Eu precisava descobrir a verdade.

No final da sala, escondida atrás de uma pesada cortina de veludo, havia uma grande porta de ferro. Isso, eu sabia, era o verdadeiro segredo da câmara. Com as mãos trêmulas, arrastei a cortina para o lado e pressionei a chave de ferro na fechadura mais uma vez.

O que encontrei lá dentro nunca me deixaria.

O quarto além era um espetáculo horrível, uma câmara privada da morte. Sangue manchava as paredes e os pisos, e pendiam do teto os restos das esposas anteriores do marquês. Cada mulher havia sido brutalmente assassinada, seu corpo arranjado em poses grotescas que exibiam todo o horror de seu destino. O cheiro de decomposição era avassalador, e eu podia sentir o ácido subindo na garganta. Minhas pernas cederam sob mim enquanto recuava, minha mente fervilhando com a realização de que havia se casado com um monstro.

Corri para fora da sala, desesperada para escapar do horror que havia descoberto. Mas enquanto fugia, meu pé tropeçou em algo, e caí no chão. Olhando para baixo, vi um colar, coberto de sangue. Era o mesmo colar que o marquês me dera no dia do nosso casamento.

Naquele momento, soube que eu seria a próxima.

Uma jovem noiva foge por um corredor escuro, segurando um colar, enquanto o marquês a persegue em um castelo mal iluminado.
A jovem noiva foge pelos corredores sombrios do castelo, perseguida pelo furioso marquês, com a mão apertando o colar que usou para se defender.

Fuga e Confronto

Passei os dias seguintes em um estado de terror entorpecido, incapaz de comer ou dormir. O marquês havia saído novamente a negócios, me dando tempo para planejar minha fuga. Sabia que precisava partir antes que ele retornasse, ou enfrentaria o mesmo destino de suas outras esposas. Mas também sabia que escapar do castelo não seria fácil. Os servos eram leais a ele, e o mar que cercava o castelo tornava qualquer ajuda externa impossível.

Enquanto fazia uma pequena mala com o essencial, ouvi o som dos portões dianteiros se abrindo. Meu coração saltou na garganta ao perceber que o marquês havia retornado mais cedo. O pânico se instalou. Não tive escolha a não ser confrontá-lo. Não podia deixar que ele descobrisse que eu havia descoberto seu segredo, ou meu destino estaria selado.

Encontrei-o no grande salão, minhas mãos tremendo enquanto segurava a chave de ferro no bolso. Seu rosto, geralmente tão calmo e sereno, se contorceu em um sorriso sinistro enquanto ele se aproximava de mim.

"Você esteve na câmara, não foi?" disse ele, sua voz baixa e perigosa.

Não consegui negar. Eu tinha visto demais.

"Você é igual às outras," zombou ele, dando um passo mais perto. "A curiosidade será sua morte, minha querida."

Mas antes que ele pudesse pôr a mão em mim, agi. Lancei a chave de ferro em seu rosto, atordoando-o por um breve momento. Nesse instante, fui correndo. Fugi pelos corredores, meu coração batendo forte no peito, enquanto os gritos furiosos do marquês ressoavam atrás de mim.

Corri para os estábulos, minha única esperança de fuga. Mas assim que alcancei as portas, o marquês me alcançou, agarrando meu braço e arrastando-me de volta para o castelo.

"Você acha que pode me escapar?" rosnou ele, apertando o aperto. "Você agora me pertence."

Mas naquele momento de desespero, lembrei-me do colar que havia encontrado na câmara. Com toda a minha força, o puxei do meu pescoço e usei as bordas afiadas do pingente para cortar seu rosto.

Ele uivou de dor, soltando sua presa. Foi tempo suficiente para eu escapar sorrateiramente e montar o cavalo mais próximo. Galoppei para longe do castelo, o som dos gritos enfurecidos do marquês se dissipando ao longe.

Nunca olhei para trás.

A jovem noiva galopa a cavalo por uma floresta escura ao amanhecer, seu vestido branco esvoaçando atrás dela enquanto ela foge.
A jovem noiva escapa a cavalo por uma floresta sombria, com a primeira luz da manhã iluminando seu caminho e o castelo se afastando ao longe.

Libertação

Cavalguei pela noite, o vento cortando meus cabelos enquanto fugia do pesadelo que havia suportado. O céu começou a clarear lentamente com a aproximação da aurora, e finalmente pude ver o caminho à minha frente. Havíamos escapado do marquês, mas os horrores que testemunhei permaneceriam comigo para sempre.

Quando cheguei à vila mais próxima, desabei nos braços de um estranho bondoso que me acolheu e me deu abrigo. Conte-lhe tudo—o marquês, a câmara, os assassinatos. Eles ouviram com olhos arregalados, horrorizados pelo relato que fiz.

Com o tempo, soube que o marquês havia sido encontrado morto em seu castelo. Alguns dizem que foi a ferida que eu infligi que o matou, enquanto outros acreditam que foi sua própria loucura que levou à sua morte. Mas qual for a verdade, eu estava livre.

O castelo, antes símbolo de riqueza e poder, agora estava vazio, um monumento decadente à crueldade do marquês. E embora as memórias daquele lugar ainda me assombrem, sei que sobrevivi. Escaparam da câmara sangrenta e recuperei minha vida.

Mas nunca esquecerei os rostos das mulheres que vieram antes de mim, seus retratos congelados no tempo, suas vidas roubadas pelo homem que lhes prometeu amor.

Elas também foram libertadas.

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