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Sobre a História: O Urso e Dois Amigos é um Fable de ambientado no Contemporary. Este conto Simple explora temas de Friendship e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. Uma história de amizade testada pelo medo e pela redenção na floresta.
Era uma vez, em uma floresta densa com árvores altas e sombreada por seus espessos dosséis, viviam dois amigos, Sam e Ben. Esses dois eram conhecidos por todos pela forte ligação e pelas muitas aventuras que viviam juntos. Eles eram inseparáveis, sempre explorando a mata, escalando as árvores mais altas e sentando-se à beira dos rios de águas cristalinas que fluíam serenamente pela floresta.
Sua amizade havia crescido ao longo dos anos através de risadas compartilhadas e ocasionais desentendimentos, mas não importava o quê, eles sempre encontravam o caminho de volta um para o outro. Confiavam profundamente um no outro, acreditando que nada poderia separá-los.
Em um dia de verão, o sol brilhava intensamente e uma brisa suave fazia as folhas farfalharem. Sam e Ben decidiram dar uma caminhada pela floresta, procurando novos lugares para explorar. Tiveram notícias dos aldeões de que havia uma colina não muito longe do caminho habitual deles, que levava a um lindo prado cheio de flores silvestres e borboletas. A ideia de um lugar tão pacífico os deixou animados, então partiram, ansiosos por mais um dia de aventura.
Enquanto caminhavam, brincavam e riam, provocando-se sobre quem conseguiria escalar a colina mais rápido ou quem tinha o melhor olho para avistar a vida selvagem. Sam sempre fora o mais cauteloso dos dois, enquanto Ben era audacioso, frequentemente se lançando de cabeça em qualquer aventura que surgisse. Eles se complementavam na amizade — a natureza cuidadosa de Sam mantinha Ben longe de problemas, e o espírito ousado de Ben trazia emoção para suas vidas.
Mas esse dia estava destinado a ser diferente dos outros. Sem que soubessem, um urso vagava pela floresta naquele dia, procurando comida após um longo inverno. O urso estava faminto, e a mata estava silenciosa, deixando a grande criatura nervosa. Conforme Sam e Ben seguiam seu caminho, adentravam mais na floresta, afastando-se das trilhas que conheciam bem e aproximando-se do coração da natureza selvagem.
Depois de uma hora de caminhada e conversa, as árvores ao redor pareciam mais densas do que antes, as sombras mais escuras e os sons da floresta mais tranquilos. Sam, sempre o cauteloso, foi o primeiro a notar.
— Ben, — disse ele, com a voz baixa e séria — Acho que nos afastamos da trilha comum. Essas árvores não parecem familiares.
Ben dispensou a preocupação de Sam com um sorriso despreocupado.
— Não se preocupe, Sam. Já estivemos nessa floresta cem vezes. Vamos encontrar o caminho. Além disso, isso faz parte da aventura!
Sam não tinha tanta certeza, mas seguiu Ben, confiando que encontrariam o caminho de volta logo o suficiente.
Conforme avançavam, a floresta tornava-se estranhamente silenciosa. Os pássaros que geralmente enchiam o ar com seus cantos alegres não eram ouvidos. Até o vento parecia ter desaparecido, deixando as árvores imóveis e sem vida.
Então, do nada, um rosnado profundo e retumbante ecoou pela floresta.
Sam congelou no lugar, com o coração batendo forte no peito. Ben, que estava alguns passos à frente, parou também, virando-se lentamente para olhar para o amigo.
— Você ouviu isso? — sussurrou Sam, com os olhos arregalados de medo.
Ben assentiu, sua bravata desaparecendo à medida que a seriedade da situação se revelava para ele. O rosnado era inconfundível. Era o som de um urso, e estava próximo.
De repente, a grande fera emergiu das árvores, seu corpo enorme projetando uma sombra sobre os dois amigos. O urso estava sobre as patas traseiras, erguendo-se acima deles, seus dentes afiados à mostra em um rosnado ameaçador.

Sam e Ben sabiam que precisavam agir rapidamente. Tinham ouvido histórias sobre como sobreviver a um encontro com um urso, mas no calor do momento, suas mentes estavam em choque. O medo os dominava, mas reagiram de maneiras muito diferentes.
Ben, sem hesitar, virou-se e correu. Seus instintos lhe diziam para fugir, para colocar a maior distância possível entre si e o urso. Ele disparou pelas árvores, com o coração batendo forte, deixando Sam para trás.
Sam, por outro lado, lembrou-se do conselho que ouvira de um velho caçador: «Nunca corra de um urso». Em vez disso, Sam fez a única coisa que conseguiu pensar — caiu no chão, deitando-se perfeitamente imóvel, fingindo estar morto.
O urso, rosnando e farejando o ar, aproximou-se de Sam. Ele andou ao redor dele, cutucando-o com o nariz, tentando descobrir se o menino era uma ameaça ou apenas mais uma parte da floresta. Sam prendeu a respiração, forçando-se a manter a calma apesar do terror invadindo suas veias.
Depois do que pareceu uma eternidade, o urso pareceu perder o interesse. Com um último farejar, virou-se e se afastou para as profundezas da mata, desaparecendo tão silenciosamente quanto havia aparecido.
Sam esperou até ter certeza de que o urso se foi antes de soltar um suspiro trêmulo e lentamente levantar-se. Suas pernas tremiam ao se erguer, mas ele estava vivo, e o urso havia ido embora.
Ele olhou ao redor, esperando ver Ben, mas seu amigo não estava à vista. Sam sentiu uma pontada de dor e descrença. Ben havia corrido e o deixado para enfrentar o urso sozinho.
Lentamente, Sam começou a caminhar de volta pelo caminho que haviam seguido, o coração pesado com a realização de que seu amigo o abandonara em um momento de perigo. Ele sempre confiou em Ben, acreditou que eles estariam juntos não importando o quê, mas agora essa confiança estava quebrada.
Enquanto Sam seguia pela floresta, pensava sobre a natureza da amizade. Ele sempre acreditou que a verdadeira amizade significava estar ao lado um do outro nos bons e maus momentos, mas agora não tinha tanta certeza. As ações de Ben abalaram essa crença, fazendo-o questionar o verdadeiro valor da amizade deles.
Entretanto, Ben havia corrido longe, com os pés mal tocando o chão enquanto sprintava pelas árvores. Seu único pensamento era colocar a maior distância possível entre si e o urso, mas agora que o perigo havia passado, a culpa o consumia. Ele havia deixado Sam para trás. Abandonara seu amigo quando deveriam ter enfrentado o urso juntos.
Reduzindo o passo até parar, Ben encostou-se a uma árvore, ofegante. A realidade do que havia feito começou a se infiltrar. Ele havia agido por medo, deixando seus instintos tomarem conta, mas agora sentia-se envergonhado. Sabia que precisava voltar, encontrar Sam e corrigir as coisas.
Ben virou-se e começou a refazer seus passos, com o coração batendo não de medo, mas de culpa e arrependimento. Enquanto caminhava, tentava pensar nas palavras certas para dizer a Sam, para explicar por que correu e implorar pelo perdão do amigo.
Finalmente, depois do que pareceram horas, Ben avistou Sam à frente, caminhando lentamente pelas árvores. Ben chamou por ele, com a voz trêmula.
— Sam! Sam, espera!
Sam parou, mas não se virou. Seus ombros estavam curvados, e Ben podia ver que seu amigo estava magoado, não fisicamente, mas emocionalmente.
Ben correu até ele, ofegante ao alcançar seu lado.
— Sam, sinto muito — disse ele, com a voz cheia de arrependimento. — Eu... eu entrei em pânico. Não quis te deixar.
Sam ficou imóvel por um momento antes de finalmente se virar para encarar Ben. Seu rosto estava calmo, mas havia uma tristeza em seus olhos que machucou profundamente Ben.
— Eu pensei que estávamos nisso juntos, — disse Sam baixinho. — Mas você me deixou quando eu mais precisava de você.
Ben olhou para o chão, incapaz de encontrar o olhar de Sam.
— Eu sei, e me odeio por isso. Eu estava assustado, Sam. Não sabia o que fazer.
— Você correu, — disse Sam simplesmente. — Você me deixou para enfrentar o urso sozinho.
Ben sentiu lágrimas se formando nos cantos dos olhos. Nunca se sentira tão envergonhado em sua vida.
— Sinto muito, Sam. Gostaria de poder voltar atrás. Eu... eu deveria ter ficado. Deveria ter estado com você.

Sam suspirou e desviou o olhar, encarando a floresta onde o urso havia desaparecido.
— Você não pode voltar atrás, Ben. O que está feito está feito.
Por um longo momento, os dois amigos ficaram em silêncio, o peso dos acontecimentos do dia pairando entre eles como uma nuvem pesada. O coração de Ben doía com a consciência de que havia decepcionado seu amigo da pior maneira possível.
Finalmente, Sam falou novamente, sua voz mais suave desta vez.
— Eu sempre pensei que amizade significava ficar junto, não importava o quê. Mas hoje... eu não sei. Talvez eu estivesse errado.
Os olhos de Ben se arregalaram de horror.
— Não, Sam! Você não estava errado. Eu cometi um erro, um erro terrível, mas por favor, não pense que eu não valorizo nossa amizade. Valorizo, mais do que tudo. Eu só... eu só sinto muito.
Sam olhou para Ben por um longo tempo, procurando sinceridade nas palavras do amigo. Ele podia ver o arrependimento nos olhos de Ben, a tristeza genuína na voz dele. E embora a dor ainda estivesse fresca, Sam sabia que manter a raiva não mudaria o que havia acontecido. Não consertaria nada.
— Eu te perdoo, Ben, — disse Sam por fim, com a voz calma, mas firme. — Mas as coisas não podem voltar ao que eram, pelo menos não imediatamente. Você terá que reconquistar minha confiança.
Ben assentiu, com lágrimas escorrendo pelas bochechas.
— Eu entendo. E farei isso, Sam. Farei o que for preciso para consertar as coisas.
Eles ficaram em silêncio mais uma vez, mas desta vez o silêncio não era tão pesado como antes. Havia um brilho de esperança entre eles, uma pequena luz na escuridão. A amizade deles havia sido testada, mas não estava quebrada além de reparação. Com o tempo, Ben provaria sua lealdade, e talvez um dia, eles estivessem tão próximos quanto antes.
Juntos, começaram a caminhar de volta pela floresta, desta vez lado a lado. Embora o caminho à frente seria difícil, ambos sabiam que eram mais fortes por terem enfrentado o perigo juntos, mesmo que de maneiras diferentes.
Conforme se aproximavam da borda da floresta, o sol começava a se pôr, lançando uma luz dourada e quente sobre as árvores. Parecia o fim de um capítulo e o início de outro. Uma lição havia sido aprendida, uma que nem Sam nem Ben esqueceriam.
No final, a verdadeira amizade não se trata de nunca cometer erros. É sobre reconhecer esses erros, aprender com eles e estar disposto a trabalhar para consertar o que foi quebrado. Sam e Ben enfrentaram um urso naquele dia, mas o verdadeiro teste esteve na amizade deles.
E embora o urso há muito tenha desaparecido na floresta, a memória daquele dia, e as lições que aprenderam, permaneceriam com eles para sempre.

Ben cumpriu sua palavra. Com o tempo, ele mostrou a Sam que estava disposto a fazer de tudo para reconquistar sua confiança. Continuaram a viver aventuras juntos, mas a experiência com o urso os havia mudado ambos. Agora eram mais cuidadosos, não apenas com suas ações, mas com suas palavras e promessas um ao outro.
Um dia, enquanto sentavam-se à beira do rio observando a água fluir, Sam virou-se para Ben e sorriu.
— Acho que você reconquistou minha confiança, — disse ele, com a voz leve.
Ben sorriu de volta, sentindo um peso se afastar de seus ombros.
— Obrigado, Sam. Nunca mais vou te decepcionar.
— Eu sei, — respondeu Sam. — Eu sei que você não vai.

E com isso, a amizade deles estava mais forte do que nunca.