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Sobre a História: Os Guardiões da Amazônia de Yasuni é um Realistic Fiction de ecuador ambientado no Contemporary. Este conto Poetic explora temas de Justice e é adequado para All Ages. Oferece Inspirational perspectivas. Um feroz guerreiro Waorani defende a sagrada Amazônia contra aqueles que buscam destruí-la.
A selva estava viva.
No coração do Parque Nacional Yasuni, no Equador, onde as árvores se estendiam como gigantes ancestrais e os rios serpenteavam pela terra, o ar pulsava com uma força invisível. Era mais do que apenas o canto dos pássaros ou o farfalhar de criaturas invisíveis; era o sopro de algo eterno, algo sagrado.
Por séculos, o povo Waorani viveu dentro desse grande labirinto verde, movendo-se como um só com o ritmo da natureza. Eles conheciam as árvores como anciãs, os rios como veias da vida e as criaturas como seus parentes. A selva não era apenas seu lar — era seu espírito.
Mas agora, um inimigo havia chegado. Um que não ouvia os sussurros da floresta nem sentia o peso de sua sabedoria ancestral.
Petróleo.
O sangue negro da terra atraiu forasteiros para suas terras — homens com máquinas, com armas, com ganância nos olhos e destruição nas mãos. Eles vinham falando de “progresso” e “desenvolvimento”, mas tudo o que Nayara via era morte.
Nayara, filha dos Waorani, sempre soube que um dia teria que lutar por seu lar. Esse dia havia chegado.
O aroma de terra úmida permeava o ar enquanto Nayara se agachava em um galho espesso, seus olhos escuros fixos na clareira abaixo. Os homens haviam retornado. Moviam-se de maneira desajeitada e antinatural, cortando a vegetação com facões, marcando a terra com bandeiras coloridas como se pudessem reivindicar o que nunca foi deles. Suas botas esmagavam flores delicadas, suas risadas ecoavam pelas árvores, ocias e estranhas. Seu irmão mais novo, Tupa, sentava-se ao lado dela, segurando sua lança com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. “Eles estão se aproximando,” sussurrou ele. “Eles pensam que possuem a selva só porque deixam marcas nas árvores,” disse Nayara, a voz firme. “Eles não entendem.” Das sombras das folhas, um grupo de macacos tagarela alarmava, enviando uma ondulação pelas copas das árvores. Até os animais sabiam — o perigo estava próximo. Nayara tocou no ombro de seu irmão. “Precisamos voltar. Os anciãos devem saber.” Enquanto deslizavam entre as árvores, silenciosos como fantasmas, a selva parecia sussurrar ao redor deles. Aviso. Aviso. Eles tinham pouco tempo. A aldeia estava esperando quando retornaram. A luz do fogo tremeluzia contra a grande Maloca, projetando longas sombras nos rostos daqueles que haviam se reunido. O ar estava carregado de tensão. Yachak, o xamã da aldeia, sentado diante do fogo, seu rosto enrugado marcado pelo peso de muitos anos. Ele não falou quando Nayara e Tupa se aproximaram, mas seu olhar conhecedor caiu sobre eles como uma pergunta silenciosa. “Eles estão aqui,” disse Nayara, sem precisar dizer mais. Os anciãos murmuraram entre si. Eles sabiam que esse dia chegaria. As companhias petrolíferas já haviam engolido as terras além do rio, derrubando árvores como se fossem meros obstáculos, envenenando as águas com sua fome. Mas agora, eles haviam se aproximado demais. Yachak finalmente falou, sua voz baixa e firme. “Os espíritos da selva estão inquietos. A grande anaconda nos alertou sobre uma sombra que busca se enroscar na terra e apertar a vida dela.” Nayara ouviu atentamente. A anaconda era sagrada, uma guardiã dos rios e símbolo de força. Se ela havia falado com o xamã, o perigo era maior do que eles temiam. “A selva sempre nos protegeu,” acrescentou um ancião chamado Kuri. “Mas agora, devemos proteger a selva.” Um silêncio caiu sobre a reunião. Então, Nayara se levantou. “Diga-nos o que deve ser feito.” As palavras de Yachak enviaram Nayara, Tupa e dois guerreiros — Kai e Itzel — em uma jornada perigosa pelo fundo da selva, onde o coração de Yasuni batia mais forte. Lá, dizia-se, os espíritos lhes concederiam força. Eles viajaram antes do amanhecer, seus passos leves sobre a terra úmida. A selva se tornava mais densa à medida que avançavam, as árvores se estendendo mais altas, suas raízes tecendo um labirinto sob seus pés. Olhos estranhos brilhavam na escuridão — onças, jaguatiricas, criaturas do mundo invisível. Quanto mais avançavam, mais forte o pulso da selva se tornava. Era como se a própria terra os estivesse guiando. Ao meio-dia, chegaram ao rio. A água cintilava sob a luz do sol, e em suas profundezas, golfinhos cor-de-rosa se torciam e dançavam. Nayara parou, observando-os. Os golfinhos eram sagrados, espíritos dos ancestrais. Tupa ajoelhou-se à beira da água, sussurrando, “Você acha que eles sabem por que estamos aqui?” “Eles sempre sabem,” murmurou Nayara. O rio os levou mais adiante, serpenteando como uma cobra prateada através do verde. Então, por fim, eles o viram — a grande árvore ceiba, suas raízes se espalhando amplamente como as mãos de um deus antigo. Quando Nayara colocou sua palma contra a casca da ceiba, algo despertou dentro dela. Uma enxurrada de imagens, de vozes mais antigas que o próprio tempo. Ela viu os ancestrais, de pé onde ela estava, seus corpos pintados com os vermelhos sagrados da fruta urucum. Ela viu a selva viva, intocada, antes da chegada dos forasteiros. Então, uma voz, profunda como o rio, falou através dela: A visão se desfez. Nayara ofegou, tropeçando para trás. Os outros também sentiram. Kai caiu de joelhos. “Os espíritos falaram.” Nayara cerraram os punhos. Eles não deixariam Yasuni cair. Os invasores chegaram ao amanhecer. A companhia petrolífera havia enviado mais homens, guardas armados desta vez, seus rifles pendurados nos ombros como ferramentas de poder. Eles pensavam que suas armas os tornavam fortes. Eles não entendiam a selva. Os Waorani atacaram das árvores, flechas voando rápidas e silenciosas. A própria selva lutava com eles — cipós envolviam tornozelos, os gritos de macacos uivadores semeavam medo nas fileiras inimigas. Nayara enfrentou o líder cara a cara — um homem de terno impecável, suor escorrendo por seu rosto pálido. “Esta terra não é sua,” disse ela, com fogo na voz. O homem zombou. “Vocês não podem parar o progresso.” Nayara sorriu, afiada como os dentes de uma onça. “Então nos observe.” A batalha rugiu, mas os Waorani não lutaram sozinhos. A selva lutava com eles, seus espíritos entretecendo-se pelas árvores. E no final, os intrusos fugiram, suas máquinas abandonadas na terra. Yasuni havia vencido. A selva voltou a ficar silenciosa, mas Nayara sabia que a guerra não havia acabado. Os forasteiros retornariam, com números maiores, maior ganância. Mas os Waorani também retornariam. Enquanto ela estava no topo da grande ceiba, olhando para a vasta extensão esmeralda de seu lar, fez um voto silencioso. Eles sempre lutariam. Porque eles não eram apenas guerreiros. Eles eram os Guardiões de Yasuni. Esta é a história daqueles que ouvem os sussurros da selva e escolhem lutar por ela. Os Guardiões Amazônicos de Yasuni — guardiões do coração sagrado da Terra.O Aviso da Selva
A Reunião dos Anciãos
Jornada ao Coração de Yasuni
A Voz dos Espíritos
Proteja o que não pode se proteger. A selva vive porque você luta por ela.
A Batalha por Yasuni
Epílogo: Os Guardiões Permanecem
Contagem de Palavras: 10.234
Contagem de Caracteres: 60.129