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Sobre a História: O Rio Falante em Volta é um Legend de ghana ambientado no Contemporary. Este conto Dramatic explora temas de Nature e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. O rio Volta guarda segredos—uns enterrados na lenda, outros aguardando para serem revelados.
O Rio Volta sempre foi mais do que apenas água fluindo pelo coração de Gana. É uma fonte de vida, uma presença sagrada e, segundo os anciãos, um guardião de segredos. Existem sussurros nas aldeias que se acomodam às suas margens — histórias transmitidas de geração em geração. Alguns dizem que o rio fala, não da maneira como a água bate contra a margem ou ondula sob o vento, mas de uma forma que somente aqueles que realmente ouvem podem perceber.
Muitos descartaram os contos como meras folclores, o tipo de histórias destinadas a manter as crianças longe do rio durante a noite. Mas outros — pescadores, aldeões e viajantes — afirmam ter ouvido a voz. Alguns dizem que ela murmura avisos. Outros dizem que chama as pessoas para sua perdição.
Kwame Boateng, um jovem jornalista de Acra, nunca acreditou em histórias de fantasmas. Para ele, tudo tinha uma explicação lógica. Então, quando uma carta misteriosa chegou ao seu escritório, instando-o a visitar a Região do Volta e descobrir a verdade por trás da lenda do Rio Falante, ele ficou intrigado. O que começou como ceticismo logo se transformou em obsessão.
E assim, em uma úmida manhã de julho, Kwame embarcou em um ônibus velho que seguia para o norte, sem perceber que o que encontraria às margens do Rio Volta o mudaria para sempre.
A jornada para Anum foi longa, do tipo que deixa poeira na garganta e faz você questionar por que jamais deixou o conforto da cidade. Kwame sentou-se junto à janela, observando a paisagem mudar enquanto o ônibus balançava pelo caminho. Quanto mais avançavam, mais os imponentes prédios de Acra davam lugar a vastas extensões de verde, o aroma de terra molhada misturando-se com o cheiro distante de plátanos assados dos vendedores de beira de estrada. De vez em quando, o motorista parava para deixar pessoas entrarem e saírem — mulheres equilibrando cestos de frutas na cabeça, crianças agarrando-se às mães e homens carregando sacos de mercadorias. Kwame notou a maneira como falavam em tons baixos sempre que alguém mencionava o rio. Mesmo de passagem, ele tinha um certo peso nas conversas deles. Quando chegaram a Anum, o sol começava a se pôr no horizonte. A aldeia era pequena, mas vibrava com o som de tambores distantes, uma celebração ocorrendo em algum lugar próximo. Kwame desceu do ônibus e ajustou a alça da câmera. Disseram-lhe para encontrar um velho pescador chamado Nana Kofi, um homem que, segundo a carta, sabia mais sobre o Rio Falante do que qualquer outra pessoa. Ele encontrou Nana Kofi sentado à beira do píer de madeira, sua rede de pesca espalhada sobre o colo. Sua pele tinha a cor da mogno envelhecida, seus olhos eram aguçados apesar dos anos. Quando ele falou, sua voz era profunda e firme, como o próprio rio. — Você veio pela história — disse Nana Kofi, sem se virar para olhar para ele. Kwame hesitou antes de responder. — Vim pela verdade. O velho riu, balançando a cabeça. — O rio não entrega sua verdade tão facilmente. Mas se você deseja ouvir, siga-me. Naquela noite, Nana Kofi levou Kwame às margens do Rio Volta. A lua estava baixa, lançando um caminho de prata sobre a superfície da água. A aldeia atrás deles havia crescido silenciosa, exceto pelo ocasional estalo de um fogo distante. — É aqui que acontece — disse Nana Kofi, com o olhar fixo na água. Kwame montou seu equipamento de gravação, seu ceticismo ainda persistindo. — E exatamente o que eu devo ouvir? Nana Kofi não respondeu. Em vez disso, ele mergulhou a mão na água, murmurando algo em uma língua que Kwame não reconheceu. O rio bateu contra a margem em resposta. A princípio, não houve nada. Apenas o som do vento nas árvores, o uivo distante de uma coruja. Então, o sussurro surgiu. Suave no começo, mal mais do que um sopro. Um som que parecia vir de todos os lugares e de lugar nenhum ao mesmo tempo. Kwame prendeu a respiração, esforçando-se para entender as palavras. — …Saia deste lugar… Seu estômago se apertou. Ele se virou para Nana Kofi, esperando uma explicação, mas o velho apenas assentiu. — Você ouviu agora — disse ele. Kwame engoliu em seco. Sua mente racional dizia que tinha que haver uma explicação — vento através dos juncos, o eco de vozes distantes. E ainda assim, profundamente em seu interior, ele sabia. Isso era algo mais. Algo antigo. Determinado a encontrar respostas, Kwame passou os dias seguintes conversando com os aldeões. Alguns se recusaram a falar sobre o assunto, balançando a cabeça e murmurando orações baixinho. Outros compartilharam fragmentos de uma velha história — a lenda de um chefe que foi traído e afogado no rio séculos atrás. Diziam que seu espírito nunca partiu, avisando aqueles que se aproximavam demais. — O rio lembra — disse Maame Esi, uma mulher idosa, a ele em uma tarde. Ela sentava-se fora de sua casa de tijolos de barro, descascando mandioca com movimentos lentos e deliberados. — Não esquece aqueles que o prejudicaram. — Mas o que ele quer? — pressionou Kwame. Maame Esi olhou para cima, seus olhos nebulosos pela idade, mas vivos de conhecimento. — Talvez ele queira justiça. Ou talvez simplesmente queira ser ouvido. Naquela noite, Kwame retornou ao rio, desta vez sozinho. Sentou-se na margem, ouvindo. Os sussurros voltaram, mais fortes agora. Mas desta vez, havia algo mais por baixo deles. Uma presença. Ele podia senti-la, pesada no ar, pressionando contra sua pele como o peso da água. E então, por um breve momento, viu algo se mover sob a superfície. Não era um peixe. Não era uma ondulação. Algo muito, muito maior. Kwame sabia que precisava ir mais fundo — literalmente. Com a ajuda de alguns mergulhadores locais, ele se preparou para explorar o leito do rio. Esperava águas turvas e relíquias esquecidas, mas não esperava o que encontrou. No fundo do rio, coberto por séculos de sedimentos e musgo, estavam o que pareciam ser as ruínas de um antigo palácio. Entalhes alinhavam as paredes de pedra, mal visíveis na luz fraca. Símbolos que falavam de um reino esquecido, de um governante perdido nas profundezas. E então, na escuridão, sombras se moveram. Figuras que pareciam humanas, mas não eram. Um dos mergulhadores entrou em pânico, gesticulando freneticamente para que subissem. Quando alcançaram a superfície, os sussurros encheram novamente o ar — mais altos, mais raivosos. — Vocês não deveriam ter vindo… Kwame arfou por ar, seu coração batendo acelerado. Ele havia vindo em busca de uma lenda. Em vez disso, encontrou uma verdade muito mais antiga do que poderia imaginar. Na manhã seguinte, Kwame fez as malas. Ele havia reunido suas evidências, tirado suas fotos, gravado os sussurros. Tinha tudo o que precisava para publicar sua história. Mas, enquanto estava à beira do rio pela última vez, Nana Kofi apareceu ao seu lado. — O rio não gosta de ser perturbado — disse o velho baixinho. Kwame hesitou. — Você acha que ele algum dia vai parar? Nana Kofi balançou a cabeça. — Não. O rio lembra. E algumas memórias não desaparecem. Enquanto Kwame embarcava no ônibus de volta para Acra, os sussurros do Rio Volta o seguiam. Não em suas gravações. Mas em sua mente. Porque uma vez que você ouve o rio falar, nunca esquece. E ele também não esquece.A Jornada para Anum
Sussurros na Água
O Rio Lembra
As Profundezas Guardam Segredos
O Último Aviso do Rio
Fim.