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O Nariz
Ivan Yakovlevitch's shocking discovery of a human nose inside a loaf of bread, with his horrified wife looking on in their modest apartment. The scene captures the surreal yet humorous moment that sets the story in motion.

Sobre a História: O Nariz é um Realistic Fiction de russia ambientado no 19th Century. Este conto Humorous explora temas de Justice e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Uma história bizarra e engraçada sobre a busca de um homem para recuperar seu nariz fugitivo.

Foi uma daquelas ocorrências estranhas e absurdas que frequentemente acontecem nas movimentadas ruas de São Petersburgo. Cedo numa manhã, um barbeiro chamado Ivan Yakovlevitch acordou em seu modesto apartamento. Sua esposa estava ocupada preparando o café da manhã, e o cheiro familiar de pão recém-assado enchia o ambiente. Ivan mal sabia que este dia comum logo tomaria um rumo bizarro.

Ivan sentou-se à mesa para comer seu café da manhã, cortando o pão que sua esposa acabara de colocar. Quando a faca deslizava pela crosta, algo estranho aconteceu. Ele sentiu resistência, como se houvesse um objeto embutido no pão. Confuso, Ivan separou o pão e, para seu absoluto horror, encontrou algo completamente inesperado dentro: um nariz humano.

— Céus! O que é isso? — exclamou, olhando incrédulo para o pequeno objeto de cor carne.

Sua esposa, assustada com a explosão dele, correu para ver o que havia causado tal reação. Ela também ficou chocada ao ver o nariz cortado deitado no pão. — O que você fez, seu bobo? — exclamou. — Você trouxe problemas para casa!

Mas Ivan Yakovlevitch não tinha ideia de como o nariz havia acabado no pão. Ele não tinha nenhuma explicação para isso. Tremendo, segurou o nariz em suas mãos e o girou. Para seu completo espanto, ele reconheceu o nariz como sendo de ninguém menos que o Assessor Colegiado Kovalyov, um funcionário do governo local que frequentemente visitava a barbearia para fazer a barba.

— O que devo fazer com isso? — sussurrou Ivan freneticamente.

Sua esposa, sempre prática, não tinha paciência para o pânico dele. — Você deve se livrar disso imediatamente! E se a polícia vier? Você será culpado por isso!

Sem muito tempo para pensar, Ivan decidiu seguir o conselho da esposa. Vestiu-se rapidamente, embrulhou o nariz em um pedaço de pano e saiu apressadamente para as ruas, determinado a se livrar dessa descoberta grotesca antes que alguém a visse.

A cidade estava despertando, e as ruas começaram a se encher de pessoas realizando seus afazeres diários. Ivan correu pelos becos estreitos, segurando o nariz embrulhado, tentando descobrir como descartá-lo. Considerou jogá-lo no rio, mas temia ser apanhado no ato. Cada esquina que virava parecia apresentar um novo obstáculo, e cada transeunte parecia olhá-lo com suspeita.

Finalmente, após muita hesitação, Ivan desceu para uma parte menos populosa da cidade e lançou o nariz na água do Rio Fontanka, esperando que esse fosse o fim de seus problemas.

Enquanto esse incidente bizarro acontecia, o próprio Assessor Colegiado Kovalyov estava acordando em seu apartamento. Esticou-se, bocejou e foi até o espelho, como de costume, para inspecionar seu rosto e garantir que seu bigode estivesse bem aparado. Mas para seu horror, quando olhou para o reflexo, algo crucial estava faltando: seu nariz.

A mão de Kovalyov foi para o rosto, incrédula. Seu nariz havia desaparecido! Completamente desaparecido, como se nunca tivesse existido. Em seu lugar, havia apenas pele lisa e plana. Seu coração disparou e o suor frio brotou em sua testa.

— Como isso pode ser? — gritou. — Como meu nariz pode ter desaparecido?

Desesperado, ele pulou da cama e começou a procurar em seu apartamento como se o nariz pudesse ter caído durante a noite. Virou travesseiros, cobertores e móveis, mas não havia vestígio. A ideia de sair em público sem um nariz era demasiado horripilante para contemplar.

Atordoado, Kovalyov vestiu-se e saiu de seu apartamento, desesperado para descobrir o que havia acontecido. Enquanto vagava pelas ruas, seus pensamentos corriam. Seria uma doença? Algum tipo de punição por pecados passados? Como poderia explicar seu nariz perdido para os outros?

Mas, enquanto vagava sem rumo, algo ainda mais estranho chamou sua atenção. À sua frente, caminhando com um traje fino e parecendo completamente comum, estava seu próprio nariz — desprendido do rosto, mas andando pela rua como se fosse uma pessoa independente.

Kovalyov piscou, esfregou os olhos e olhou novamente, convencido de que estava alucinando. Mas não, lá estava ele, claro como o dia, seu próprio nariz, andando com propósito. Ele até parou em frente à Catedral de Kazan e pareceu se ajoelhar como se estivesse orando.

— Impossível! — sussurrou Kovalyov, ainda incrédulo.

Superando o choque, ele correu em direção ao nariz, determinado a confrontá-lo. Mas, à medida que se aproximava, o nariz parecia acelerar o passo e, antes que pudesse perceber, entrou em uma carruagem e acelerou-se. Frenético, Kovalyov chamou outra carruagem e deu a perseguição, mas sem sucesso. O nariz havia escapado.

Sem saber o que fazer, Kovalyov decidiu visitar a polícia para relatar o desaparecimento de seu nariz. Ele imaginou que as autoridades poderiam ajudá-lo a rastrear seu apêndice fugitivo. Quando chegou à delegacia, no entanto, foi recebido com ceticismo e zombaria.

Kovalyov, sem nariz, fala com um policial na delegacia, que mal consegue esconder seu divertimento.
O avaliador colegiado Kovalyov estava desesperadamente explicando a um policial cético, na movimentada delegacia, sobre o seu nariz desaparecido.

— Perdeu seu nariz, diz? — perguntou um oficial, mal escondendo o riso. — E ele está andando pela cidade como um homem? Que absurdo!

Apesar dos apelos frenéticos de Kovalyov, a polícia parecia pensar que ele estava louco ou pregando algum tipo de piada elaborada. Ninguém o levou a sério, e Kovalyov deixou a delegacia sentindo-se ainda mais desanimado do que antes.

Ele vagou pelas ruas mais uma vez, agora cheio de medo e humilhação. Não tinha ideia de para onde se virar ou como recuperar seu nariz. Tentou visitar médicos, mas nenhum deles conseguiu oferecer soluções. Alguns sugeriram remédios estranhos, enquanto outros simplesmente deram de ombros e aconselharam a aceitar seu destino.

Sentindo-se completamente perdido, Kovalyov decidiu visitar uma redação de jornal na esperança de que publicar um anúncio pudesse ajudá-lo a recuperar seu nariz desaparecido. Entrou no escritório, explicou sua situação ao editor e perguntou se poderia colocar um anúncio no jornal.

O editor ouviu pacientemente, embora também parecesse cético quanto ao relato bizarro de Kovalyov. — Você deseja colocar um anúncio sobre seu nariz desaparecido? — perguntou ele.

— Sim, ele sumiu e preciso de ajuda para encontrá-lo — respondeu Kovalyov desesperadamente.

O editor fez uma pausa, claramente incerto sobre como responder. — Receio, senhor, que não possamos publicar tal anúncio. É simplesmente estranho demais, e nossos leitores podem pensar que é uma piada.

Desanimado, Kovalyov deixou o escritório, percebendo que até a imprensa não podia ajudá-lo. Sua situação parecia totalmente sem esperança. Mas, justamente quando estava prestes a desistir, recebeu uma visita inesperada.

Na manhã seguinte, Kovalyov estava sentado desanimadamente em seu apartamento quando a campainha tocou. Ele abriu a porta e encontrou um policial ali, segurando um pequeno pacote nas mãos.

— Bom dia para você — disse o policial. — Recuperamos algo que pode lhe pertencer.

O coração de Kovalyov saltou quando o policial lhe entregou o pacote. Ele o abriu rapidamente e bufou — dentro estava seu nariz desaparecido! De alguma forma, ele havia sido encontrado e devolvido a ele.

Kovalyov recebe um pacote de um policial na porta de seu apartamento; dentro está seu nariz desaparecido.
Kovalyov recebendo um pacote contendo seu nariz perdido de um policial, com uma expressão esperançosa, mas tensa.

Tomado por alívio, Kovalyov agradeceu profusamente ao policial e correu para o espelho, na esperança de recolocar o nariz imediatamente. Mas, ao pressioná-lo contra seu rosto, descobriu que não ficava no lugar. Não importava o quanto tentasse, o nariz recusava-se a aderir à sua pele.

Pânico, Kovalyov chamou por um médico, que chegou pouco tempo depois. O médico examinou a situação cuidadosamente, mas estava sem saber como ajudar.

— Nunca vi nada parecido — disse o médico, balançando a cabeça. — Não há como reatar o nariz. Receio que esteja além da minha capacidade de consertar.

Desolado, Kovalyov desabou em uma cadeira, sentindo-se mais impotente do que nunca. Mesmo com o nariz em sua posse, parecia que ele estaria permanentemente desfigurado.

Dias se passaram, e Kovalyov tornou-se cada vez mais desesperado. Evitava sair em público, temendo o ridículo e a zombaria que certamente seguiriam se as pessoas o vissem sem nariz. Ele tornou-se recluso, recusando-se a encontrar-se com amigos ou conhecidos.

Uma manhã, no entanto, algo milagroso aconteceu. Kovalyov acordou e descobriu que seu nariz havia retornado ao lugar de direito em seu rosto, como se nunca tivesse desaparecido. Ele pulou da cama e correu para o espelho, mal acreditando nos olhos.

Era verdade! Seu nariz estava de volta, perfeitamente encaixado e tão normal como sempre. Tomado por alegria, ele riu e chorou de alívio. Não conseguia explicar como ou por que havia retornado, mas não se importava mais. Seu sofrimento havia finalmente terminado.

Kovalyov olha para seu reflexo no espelho em incredulidade, percebendo que seu nariz voltou ao seu rosto.
Kovalyov olhava para seu reflexo com incredulidade, percebendo que seu nariz havia retornado misteriosamente.

Vestiu-se com suas melhores roupas e aventurou-se pela cidade, ansioso para retomar sua vida normal. As pessoas o cumprimentavam com o mesmo respeito de sempre, e ninguém parecia notar que algo incomum havia acontecido. Seu nariz estava de volta, e seus problemas eram esquecidos.

Mas, enquanto Kovalyov seguia com seu dia, não conseguia deixar de sentir que algo estranho e inexplicável havia acontecido. A memória de seu nariz fugitivo o assombrava, embora tudo parecesse estar de volta ao normal.

No final, Kovalyov nunca descobriu o verdadeiro motivo do desaparecimento de seu nariz, nem jamais compreendeu completamente como ele havia retornado. Mas estava contente em deixar o mistério sem solução, grato por sua vida ter retornado ao curso ordinário.

E assim, a vida continuou em São Petersburgo, onde coisas estranhas e absurdas podiam acontecer até nos dias mais comuns.

Kovalyov persegue seu nariz fugitivo, que está vestido com um uniforme, pelas ruas de São Petersburgo.
Kovalyov correndo atrás de seu nariz fugitivo pelas ruas de São Petersburgo, enquanto transeuntes observam confusos.

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