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Sobre a História: Nkisu, a Serpente Arco-íris de Zambia é um Myth de zambia ambientado no Ancient. Este conto Poetic explora temas de Nature e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. Uma lendária história zambiana atemporal que fala sobre equilíbrio, sabedoria e a dança eterna entre a humanidade e a natureza.
Antes que os rios esculpissem seus caminhos e antes que o vento sussurrasse segredos para as árvores, a terra da Zâmbia estava silenciosa, intocada. O sol ardia alto, e a terra estava rachada e seca, ansiando por vida. Os deuses, observando do céu, sabiam que era necessário equilíbrio — algo para trazer água onde não havia, para moldar os vales e para garantir que a terra nunca caísse na ruína.
E assim, eles invocaram a essência do céu e da terra, entrelaçando seu poder em um grande e eterno ser: Nkisu, a Serpente Arco-Íris.
Nkisu não era uma criatura comum. Seu corpo brilhava com as cores do sol da manhã e do crepúsculo da tarde. Ela rastejava pela terra, suas escamas refletindo tons de azul e ouro, vermelho e verde — matizes que dançavam como chamas no ar. Com cada movimento, Nkisu moldava o mundo, esculpindo rios profundos por onde passava, levantando montanhas com a força de seus giros e invocando as chuvas com uma única respiração.
O povo da terra, as primeiras tribos a se estabelecer perto desses rios, sabia que Nkisu era a doadora da vida. Eles a honravam, cantando canções em seu nome e sussurrando orações sob as grandes árvores, deixando oferendas de água e fogo para mostrar sua gratidão. Por muitas gerações, a harmonia entre Nkisu e o povo permaneceu inquebrável.
Mas o tempo é um rio inquieto, e à medida que flui, muda os corações dos homens.
Durante muitas estações, a presença de Nkisu era sentida em cada gota de chuva e em cada brizinha que fazia as folhas balançarem. O povo vivia pela sabedoria dos anciãos, ensinando seus filhos a respeitar os rios, as florestas e as criaturas da terra. Eles entendiam o equilíbrio — que para tirar da terra, também era preciso devolver. Então veio uma estação como nenhuma outra. As chuvas, antes tão fiéis, não retornaram. O sol, geralmente amável em seu calor, tornou-se um tirano implacável no céu. Os rios recuaram, seus leitos rachados e secos. As plantações murcharam, os animais caíram de sede, e o povo — antes forte e orgulhoso — tornou-se desesperado. Os anciãos reuniram-se sob a antiga árvore do baobá, buscando respostas. Teriam eles enfurecido Nkisu? Teriam se afastado demais dos antigos modos? Eles invocaram os deuses, mas os céus permaneceram silenciosos. Entre eles estava Tembo, um jovem guerreiro cujo espírito ardia tão ferozmente quanto o sol ao meio-dia. Ele era forte, com olhos que refletiam o brilho de rios indomáveis, e um coração que batia no ritmo dos tambores que uma vez ecoaram em celebração. Mas agora, não havia música — apenas os gritos de crianças famintas e os lamentos de anciãos sedentos. "Não podemos esperar mais," declarou Tembo. "Precisamos procurar Nkisu e exigir que as chuvas retornem." Suspiros de horror percorreram a reunião. Os anciãos balançaram suas cabeças, suas vozes trêmulas de medo. "Você não pode exigir nada de Nkisu, filho. A grande serpente é mais antiga que o próprio tempo. Devemos mostrar paciência. A chuva virá quando for o momento certo." Mas a paciência era um luxo que a fome e a sede não permitiam. E assim, contra os avisos da aldeia, Tembo partiu sozinho, determinado a encontrar Nkisu e restaurar o equilíbrio que havia sido perdido. Tembo seguiu os leitos de rios secos, seus pés doloridos enquanto a terra rachada mordia sua pele. A terra, antes vibrante e cheia de vida, era agora um cemitério silencioso. As árvores permaneciam como esqueletos contra o céu, seus galhos torcidos e quebrados. Até o vento, que antes carregava as canções dos pássaros e as risadas das crianças, havia abandonado o mundo. Por dias, ele caminhou, guiado apenas pelas histórias contadas em vozes baixas pelos anciãos. Diziam que o covil de Nkisu estava escondido no profundo do Vale dos Ancestrais, um lugar que poucos haviam visto e ainda menos retornaram. O vale era uma terra de sombras e ecos, onde o tempo parecia estar parado. Penhascos imponentes se erguiam acima, suas superfícies marcadas com entalhes de histórias antigas — contos do grande poder de Nkisu, dos rios que ela havia moldado, do equilíbrio que manteve por séculos. Finalmente, ele encontrou a entrada da caverna. Era uma grande boca na lateral da montanha, suas bordas forradas com minerais cintilantes que brilhavam como brasas de um fogo moribundo. Uma névoa densa grudava no chão, rodopiando como espíritos ao redor de seus tornozelos. Tembo respirou fundo e entrou. A caverna era vasta, seu teto desaparecendo na escuridão. As paredes pulsavam com vida, brilhando suavemente com tons de verde e ouro. E no seu coração, enrolada em torno de um grande trono de pedra, jazia Nkisu. A serpente era maior do que qualquer coisa viva que Tembo já tivesse visto. Seu corpo brilhava como metal fundido, suas escamas refletindo todas as cores imagináveis. Mesmo em seu sono, Nkisu irradiava poder — uma energia tão imensa que fazia o ar vibrar. Tembo ajoelhou-se, sua voz firme apesar do medo que invadia seus ossos. "Grande Nkisu, vim em nome do meu povo. Nossos rios secaram, as chuvas não voltaram. Nós te ofendemos? Perdemos seu favor?" Um grande estrondo encheu a caverna enquanto Nkisu se mexia. Seus olhos, profundos como o oceano, se abriram, olhando para o mortal à sua frente. Quando falou, sua voz não era um som, mas uma força — um sussurro que ecoava na própria essência do mundo. As palavras atingiram como trovão. Tembo sentiu a vergonha se enroscar em seu coração. Lágrimas ardiam nos olhos de Tembo. Ele não havia pensado nessas coisas. Em sua desespero, seu povo havia se tornado cego para as consequências de suas ações. Nkisu desenrolou-se, sua forma massiva mudando como as marés. "Restaurem o que foi perdido. Plantem as árvores. Purifiquem as águas. Honrem a terra, e a terra honrará vocês em retorno." E com essas palavras, a grande serpente desapareceu nas sombras mais uma vez. Tembo voltou para sua aldeia com o coração cheio de propósito. Reuniu o povo, compartilhando a sabedoria de Nkisu. Eles ouviram, seus olhos cheios de tristeza e compreensão. E assim, começaram a grande tarefa de restauração. Plantaram árvores onde as florestas haviam sido cortadas. Purificaram os rios da sujeira que os contaminava. Agradeciam antes de cada caçada, e tiravam apenas o necessário, deixando o restante para que a terra pudesse se curar. Durante luas, trabalharam. E então, em um dia em que a esperança quase havia desaparecido, um grande arco-íris se estendeu pelo céu. O povo chorou de alegria. As chuvas haviam retornado. A lenda de Nkisu e Tembo foi passada de geração em geração. As crianças eram ensinadas a respeitar o equilíbrio do mundo, a honrar a terra como seus ancestrais uma vez fizeram. Até hoje, quando um arco-íris embeleza o céu após uma forte chuva, os anciãos dizem que é Nkisu cuidando deles, um lembrete da promessa sagrada entre a serpente e o povo. E, fundo no coração das montanhas, sob as raízes do mundo, Nkisu dorme, esperando, observando, garantindo que o ciclo da vida permaneça inquebrável. Mas caso a humanidade jamais esqueça novamente, a Serpente Arco-Íris pode não ser tão perdoadora. A terra dá, e a terra deve ser honrada em retorno. Esta é a lição de Nkisu.Os Ventos Mutantes da Mudança
A Jornada para o Covil da Serpente
O Despertar de Nkisu
"Não fui eu que os abandonei, mas vocês que abandonaram a terra."
"Vocês têm tirado sem devolver. Cortaram as árvores sem replantar. Caçaram sem honrar os espíritos das bestas. O equilíbrio foi quebrado — não por mim, mas por vocês."
"Então me diga, Grande Guardião — como podemos reparar nossos erros?"
A Restauração
O Legado de Nkisu
Epílogo