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Sobre a História: Na Colônia Penal é um Realistic Fiction de ambientado no 20th-century. Este conto Formal explora temas de Justice e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. Uma exploração arrepiante da justiça e da crueldade em uma colônia penal esquecida.
O viajante, que havia sido convidado para assistir à execução na colônia penal, observava o peculiar aparelho com um ar de curiosa indiferença. Era um dispositivo elaborado, projetado para realizar execuções de uma maneira única, desenvolvido pelo antigo Comandante, que governava a colônia com punho de ferro. A própria máquina era composta por várias partes: uma cama, um massajador e uma estranha engenhoca que parecia segurar um instrumento semelhante a uma agulha. Era uma inovação de brutalidade, que, apesar de seu propósito sombrio, era tratada com reverência pelo Oficial responsável.
“É uma obra notável,” comentou o Oficial, mal escondendo sua empolgação enquanto olhava para a máquina com uma alegria quase infantil. Ele era o guardião da máquina, seu operador e seu mais fervoroso admirador. “Você entenderá sua beleza quando a vir em ação,” continuou, ansioso para compartilhar a mecânica do dispositivo com o viajante.
O viajante, sentindo-se desconfortável, evitou responder imediatamente. O calor do dia o pressionava, a atmosfera opressiva da colônia penal corroendo seu senso de decência. Nesta terra remota e árida, a justiça havia assumido uma forma estranha e aterradora, que parecia desafiar todo senso de razão.
“Gostaria de uma demonstração?” perguntou o Oficial, sua voz transbordando antecipação.
O viajante balançou ligeiramente a cabeça, sem saber como responder. “Nunca testemunhei uma execução como esta,” disse ele finalmente, tentando manter a educação apesar do crescente desconforto em seu peito.
O Oficial sorriu e gesticulou em direção ao homem condenado que estava próximo, acorrentado e mudo, aguardando seu destino. Ele era um prisioneiro, condenado por um crime não especificado, meramente uma engrenagem na maquinaria da justiça colonial.
“Veja,” começou o Oficial, sua voz assumindo o tom de uma palestra, “o condenado não sabe sua sentença até que ela seja gravada em sua carne pelo massajador.”

O viajante olhou para o homem condenado com horror crescente. Ele havia sido despojado de sua dignidade, um mero objeto para esta demonstração horrível. O massajador, uma estrutura metálica com pontas afiadas, inscreveria a lei que ele havia quebrado em sua pele, uma letra dolorosa de cada vez. O homem sofreria na ignorância, aprendendo a natureza de seu crime apenas através do processo lento e agonizante de ser marcado pela máquina.
“O processo dura cerca de doze horas,” continuou o Oficial, indiferente ao desconforto do viajante. “O condenado experimenta um momento de iluminação no final, pouco antes de morrer. É nesse momento que ele compreende seu crime e a justiça de sua punição.”
O viajante mal podia acreditar no que estava ouvindo. O Oficial falava com tanto devoção à máquina, como se fosse um objeto sagrado. O método de execução era bárbaro, cruel e destituído de qualquer fundamento moral. Contudo, aqui nesta colônia esquecida, era aclamado como um triunfo da justiça.
“O condenado jamais se opõe?” perguntou o viajante, embora já suspeitasse a resposta.
O Oficial sorriu novamente, balançando a cabeça. “Não, eles não se opõem. Geralmente são silenciosos. Eles sabem que o sistema do antigo Comandante é justo. A máquina fala por si mesma.”
O viajante desviou o olhar para baixo, sobrecarregado pela natureza surreal da situação. Havia vindo à colônia penal por curiosidade, mas o que encontrou foi um ritual perverso que transformava o sofrimento humano em espetáculo.
Enquanto o Oficial preparava a máquina para a execução, o viajante não conseguia afastar a sensação de pavor que se instalara nele. O homem condenado permanecia passivo, como se resignado a seu destino, sem protesto ou súplica por misericórdia. Seu silêncio era mais perturbador do que quaisquer palavras de desafio poderiam ter sido. O viajante sentiu um crescente senso de responsabilidade, mas o que poderia fazer em um lugar tão distante da civilização?
“O antigo Comandante era reverenciado por seu sistema,” disse o Oficial, sua voz reverente. “Ele sabia como manter a ordem na colônia. Esta máquina foi sua maior conquista.”
“E agora?” perguntou o viajante, tentando manter a voz firme.
“Agora, o novo Comandante não valoriza a máquina,” disse o Oficial, seu rosto escurecendo. “Ele a tolera por causa da tradição, mas temo que a elimine em breve. Por isso estou tão ansioso para que você testemunhe esta execução. Você pode ajudar a espalhar a importância dela.”
O viajante, sentindo-se preso, percebeu que não tinha intenção de endossar tal prática bárbara. Mas como poderia recusar sem ofender o Oficial, que claramente era um fanático?
“Você é um homem influente,” continuou o Oficial. “Sua opinião poderia influenciar muitos. Você poderia ajudar a preservar o legado do antigo Comandante.”
O viajante não respondeu. Estava dividido entre o desejo de impedir a execução e a consciência de que não tinha qualquer autoridade real na colônia.
À medida que a máquina começava seu trabalho, o viajante observava em silêncio horrorizado. O massajador descia sobre o corpo do condenado, inscrevendo lentamente e meticulosamente a sentença em sua carne. O rosto do homem se contorcia de dor, mas ele não fazia som. O Oficial permanecia próximo, observando o processo com atenção rapturada, como se testemunhasse um ritual divino.

O viajante mal conseguia suportar assistir, mas sentia-se compelido a ver até o fim. Ele precisava compreender a extensão total dessa crueldade, testemunhar a desumanidade do sistema. O corpo do condenado tremia conforme o massajador se aprofundava, mas ainda assim, ele permanecia silencioso. Os olhos do Oficial brilhavam com orgulho enquanto a máquina cumpria sua tarefa grotesca.
“A iluminação chegará em breve,” sussurrou o Oficial, como se falasse consigo mesmo.
O viajante, enojado pela visão, virou-se. Não suportava mais. Queria partir, escapar da atmosfera opressiva da colônia penal, mas algo o impedia. Talvez fosse o pensamento do homem condenado, sofrendo em silêncio, ou talvez a devoção fanática do Oficial à máquina. Seja o que fosse, o viajante sentia um senso de responsabilidade de ver o processo até o fim.
Conforme as horas passavam, o senso de desconforto do viajante aumentava. O corpo do condenado estava agora coberto de sangue, sua pele marcada pelas pontas afiadas do massajador. Ainda assim, ele permanecia consciente, embora apenas levemente. O Oficial, indiferente, continuava a observar o processo com uma espécie de fervor religioso.
Por fim, o momento da iluminação chegou. Os olhos do condenado se abriram rapidamente e, por um breve momento, ele pareceu entender. Havia um brilho de reconhecimento em seus olhos, um olhar que sugeria que ele finalmente compreendeu a natureza de seu crime e a justiça de sua punição. Mas isso foi passageiro. No instante seguinte, seu corpo ficou mole e ele morreu.
O Oficial adiantou-se, o rosto iluminado de satisfação. “Você vê?” perguntou, virando-se para o viajante. “Ele entendeu. Em seus momentos finais, ele entendeu.”
O viajante não disse nada. Estava muito perturbado pelo que havia testemunhado. A máquina, esse dispositivo horrível, havia reivindicado mais uma vítima, mas a que custo? O homem havia sido submetido a dores indescritíveis, apenas para morrer no final. Que tipo de justiça era essa?
O Oficial, alheio ao tumulto interno do viajante, começou a preparar a máquina para seu próximo uso. Mas o viajante havia visto o suficiente. Ele não podia mais permanecer em silêncio.
“Isto deve terminar,” disse ele silenciosamente, sua voz firme.
O Oficial olhou para ele surpreso. “Terminar? Mas você acabou de ver sua beleza! Você testemunhou a justiça do sistema do antigo Comandante!”
“Não,” disse o viajante, balançando a cabeça. “Isto não é justiça. É crueldade.”
O rosto do Oficial escureceu. “Você não entende. A máquina é perfeita. Ela garante que o condenado entenda seus crimes. Ela traz ordem para a colônia.”
O viajante manteve sua posição. “Esta máquina é uma relíquia de um sistema bárbaro. Não tem lugar no mundo moderno.”
O Oficial o encarou, os olhos cheios de descrença. “Você está errado,” disse, com a voz trêmula. “Você não vê a verdade. A máquina é justiça.”
Mas o viajante já havia decidido. Não seria mais parte dessa crueldade.
Enquanto o viajante deixava a colônia penal, sentia uma estranha mistura de alívio e culpa. Havía feito o que pôde para falar contra a prática bárbara, mas sabia que o Oficial continuaria a operar a máquina enquanto tivesse o poder para isso.
A própria colônia parecia refletir o destino dos condenados. Era um lugar de sofrimento, de dor, e de um sistema de justiça que havia perdido seu caminho. O viajante não podia deixar de sentir que todo o sistema estava condenado, assim como a própria máquina.
No final, o viajante sabia que não poderia mudar o mundo sozinho. Mas poderia recusar ser parte dele.
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Com esse pensamento, embarcou no barco que o levaria para longe da colônia penal e de volta à civilização. Mas a memória do que havia testemunhado o assombraria pelo resto de sua vida.
O novo Comandante, ciente do descontentamento entre alguns dos colonos, eventualmente descartou a máquina. O Oficial, entretanto, permaneceu leal à memória do antigo Comandante. Incapaz de aceitar as mudanças, decidiu submeter-se à última operação da máquina.

No meio da noite, sem testemunhas, o Oficial deitou-se na cama da máquina, ativou o massajador e esperou seu próprio momento de iluminação. Mas a máquina, agora velha e mal mantida, apresentou uma falha. Em vez de proporcionar a justiça lenta e deliberada que o Oficial reverenciava, ela o despedaçou em uma morte grotesca e caótica.
O viajante, que há muito havia deixado a colônia, nunca soube do destino do Oficial. Mas a própria colônia penal eventualmente caiu em ruínas, seu sistema de justiça cruel esquecido pelo mundo.