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Sobre a História: Os Pássaros é um Realistic Fiction de united-kingdom ambientado no 20th-century. Este conto Dramatic explora temas de Nature e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. Uma história arrepiante de sobrevivência à medida que a natureza se volta contra a humanidade.
O vento leste desceu do mar e atingiu a terra, frio e repentino, mordendo a carne dos humanos. Era algo estranho, esse vento leste; não pertencia à ilha temperada da costa oeste da Europa, onde as brisas predominantes geralmente vinham do oeste. Mas era dezembro, e o frio tinha uma dureza, diferente de tudo o que Nat Hocken havia experimentado em seus muitos anos na Cornualha.
Nat estava nos campos quando percebeu pela primeira vez — o comportamento estranho e antinatural dos pássaros. Ele trabalhava na fazenda em tempo parcial desde o fim da guerra, sua lesão o impedindo de retomar seu antigo trabalho como artesão. Ele era um homem pensativo, acostumado a observar a natureza. Hoje, porém, algo estava errado. Enquanto caminhava pelo mato congelado dos campos, viu os pássaros se reunindo — silenciosos, vigilantes e inquietantes.
A princípio, ele não deu muita importância. Mas mais tarde, quando voltou para casa para sua esposa e filhos, o vento havia se fortalecido, uivando como uma criatura de um pesadelo. Sua esposa, Jill, estava sentada perto do fogo com seus dois filhos pequenos, Johnny e Daisy, que haviam chegado da escola. A pequena cabana deles ficava isolada no topo das colinas com vista para o mar. Lá fora, o vento assobiava das falésias, sacudindo as janelas.
"O vento está forte hoje", disse Nat enquanto sacudia o casaco e o pendurava na porta. "Parece que uma tempestade está chegando."
Jill olhou para cima, tirando as mãos da lã. "É esse vento leste. Estranho, não é?"
Nat assentiu sombriamente, ainda pensando nos pássaros. Não conseguia identificar exatamente por que isso o perturbava, mas a memória ficou gravada em sua mente — aquelas massas silenciosas, sentadas imóveis nos campos, seus olhos escuros fixos em nada.
Eles jantaram na frente do fogo, um conforto quente diante do frio lá fora. Mas conforme a noite avançava, a sensação de desconforto apenas se aprofundava. Pouco antes de irem para a cama, ouviram — o som de batidas contra a janela.
Nat levantou-se e foi até a janela. Lá, fora na escuridão, estavam os pássaros — pequenos, pardais e tentilhões, bicando furiosamente o vidro. Suas asas batiam contra o vidro em frenesi, e seus bicos faziam sons agudos e staccato ao atingirem a janela.
"Olha para isso", murmurou Nat. "Eles enlouqueceram."
Ele tentou assustá-los batendo de volta, mas eles persistiram. Jill veio ao seu lado, abraçando-se como se quisesse afastar o frio.
"Não gosto disso, Nat", disse ela. "Não é natural."
Finalmente, foram para a cama, mas o desconforto permaneceu com eles, pairando nos cantos da casa como uma sombra.
Pela manhã, as coisas pioraram. Nat acordou e encontrou o céu negro de pássaros. Eles giravam em grandes bandos sobre a vila, gritando e chamando em uma cacofonia aterrorizante. O ar parecia vivo com suas asas, e seus gritos preenchiam cada espaço, abafando até mesmo o som do vento. Ele saiu para ver melhor e viu que eles estavam em toda parte — corvos, gaivotas, estorninhos e pássaros menores também. Eles pousavam em telhados, fios de telefone, árvores e cercas, ocupando todos os espaços disponíveis. E ainda assim, mais continuavam chegando, vindo do mar. "O que diabos eles estão fazendo?" sussurrou Nat, meio para si mesmo. Havia uma estranha inteligência em seu comportamento, como se estivessem planejando algo, esperando o momento certo para agir. Esse momento chegou rapidamente. Por volta do meio-dia, os pássaros atacaram. Sem aviso, mergulharam do céu em grande número, bicando janelas, portas e qualquer criatura viva que pudessem encontrar. Nat correu para dentro para proteger sua família, mas os pássaros eram implacáveis. Eles se lançavam contra as janelas com tanta força que o vidro começou a rachar. Jill gritou quando uma gaivota quebrou a janela, suas asas batendo selvagemente enquanto voava pela sala em frenesi. Nat pegou uma pá da lareira e bateu nela, fazendo-a cair no chão. Mas havia mais pássaros do lado de fora, batendo contra a casa com violência crescente. "Eles estão tentando entrar!" exclamou Jill, segurando Johnny e Daisy perto de si. Nat apressou-se para reforçar as janelas, usando quaisquer materiais que pudesse encontrar — tábuas de madeira, almofadas, qualquer coisa para impedir que os pássaros quebrassem. As crianças se encolheram no canto, olhos arregalados de medo, enquanto Jill ajudava da melhor forma possível. Pelo resto do dia e até a noite, os pássaros continuaram seu ataque. Eles se lançavam contra a cabana em ondas, nunca diminuindo, nunca se cansando. Os braços de Nat doíam de tanto reforçar as janelas e portas, mas ele não parava, sabendo que sua única chance de sobrevivência estava em manter os pássaros do lado de fora. No segundo dia, as estações de rádio estavam relatando ataques semelhantes por todo o país. Os pássaros estavam em toda parte, atacando pessoas, carros e até animais. O governo estava aconselhando a todos que ficassem dentro de casa, bloqueassem todos os pontos de entrada possíveis e esperassem a situação passar. Mas ninguém sabia por que isso estava acontecendo. "Por que eles estão fazendo isso?" perguntou Jill, sua voz tremendo enquanto ouviam os boletins de notícias. "O que os fez mudar assim?" Nat não tinha resposta. Tudo o que sabia era que algo havia mudado. A natureza havia se voltado contra eles, e não havia como saber quando isso pararia. Conforme os dias passavam, os ataques pioravam. Os pássaros se tornavam mais agressivos, mais coordenados. Eles atacavam nas primeiras horas da manhã, pouco antes do amanhecer, quando o mundo estava mais escuro. Pareciam saber quando as pessoas eram mais vulneráveis e exploravam isso impiedosamente. Nat e sua família sobreviviam se encolhendo no menor cômodo da casa, longe das janelas. Eles racionavam a comida, mas os suprimentos estavam acabando e não havia como conseguir mais. Os pássaros haviam tornado impossível sair de casa. Qualquer um que saísse era imediatamente atacado por uma enxurrada de bicos e asas, seus corpos despedaçados em segundos. Uma noite, enquanto estavam sentados na escuridão, ouvindo o som dos pássaros bicando e arranhando as paredes, Nat pensou na fazenda na estrada. Eles tinham gado lá — galinhas, vacas e ovelhas. Se os pássaros atacaram os animais, então poderia haver algum alimento deixado para eles apanharem. Mas chegar lá era outra questão. A ideia de sair de casa, mesmo por um momento, enchia-o de pânico. "Vamos morrer de fome se não fizermos algo", sussurrou Jill, como se lesse seus pensamentos. Nat sabia que ela estava certa. Mas os pássaros estavam em toda parte. A única chance que tinham era agir rapidamente, fugir antes que os pássaros pudessem os cercar. No quinto dia, os ataques começaram a diminuir. Os pássaros não vinham com o mesmo número avassalador, e havia longos períodos de silêncio entre os ataques. Nat usou esse tempo para elaborar um plano. Ele iria à fazenda ao amanhecer, quando os pássaros estivessem mais quietos, e traria de volta o máximo de comida que pudesse encontrar. Era um plano perigoso, mas não tinham outra escolha. Se não conseguissem comida logo, morreriam de fome. Na manhã seguinte, pouco antes do amanhecer, Nat saiu sorrateiramente de casa. O ar estava frio e parado, o céu levemente iluminado com as primeiras luzes do dia. Os pássaros estavam pousados em todos os lugares, observando silenciosamente enquanto ele atravessava o quintal. Ele chegou à fazenda sem incidentes. Os animais estavam mortos, seus corpos rasgados e espalhados pelo quintal. Mas ainda havia alguns suprimentos — sacos de grãos, algumas latas de comida. Ele pegou o que pôde e voltou para a casa. Exatamente quando chegou à porta, os pássaros atacaram. Eles surgiram do nada, mergulhando dos telhados e árvores. Nat mal teve tempo de reagir. Ele deixou cair os suprimentos e correu para a casa, fechando a porta atrás de si exatamente quando os pássaros a atingiam. Dentro, Jill e as crianças estavam esperando, aterrorizadas. "Eles estão vindo de novo!" ela gritou, sua voz cheia de pânico. Nat não respondeu. Ele já estava reforçando a porta, martelando pregos na madeira o mais rápido que podia. Os pássaros eram implacáveis, bicando e arranhando a porta, seus gritos enchendo o ar. Durante horas, eles se encolheram na escuridão, esperando que o ataque parasse. Finalmente, pouco antes do crepúsculo, os pássaros ficaram silenciosos. Nos dias seguintes, os ataques gradualmente cessaram. Os pássaros não mais invadiam a casa em grandes números, e havia períodos de tempo em que o ar estava calmo e tranquilo. Nat interpretou isso como um sinal de que o pior havia passado, embora soubesse que era melhor não confiar completamente. Mas então, uma noite, justamente quando o sol estava se pondo, ouviram um novo som — distante, mas inconfundível. O som de motores. Alguém estava chegando. Nat correu para a janela e olhou para fora. Lá, na estrada abaixo, estava um comboio de caminhões — caminhões militares, cheios de soldados. Parece que, finalmente, os pássaros haviam sido derrotados.*
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