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Sobre a História: O Espírito da Água do Lago Traun é um Legend de austria ambientado no Medieval. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Uma história de coragem e conexão se desenrola sob as águas cintilantes do Lago Traun.
Aninhado na região de Salzkammergut, na Áustria, onde montanhas enevoadas abraçam as águas cintilantes, encontra-se o Lago Traun. Um lugar de beleza atemporal e atração serena, seus segredos permeiam o folclore local há gerações. De todas as histórias sussurradas sobre o lago, nenhuma é tão duradoura — ou tão assombrosa — quanto a lenda de Undine, o espírito das águas que guarda suas profundezas. Mas a história de Undine não é simplesmente uma lenda. Para uma garota, tornou-se uma realidade que mudou sua vida.
A vila de Traunkirchen, situada à beira do lago, era um lugar onde o ritmo da vida refletia o vai e vem das ondas — calmo, sem pressa e repleto de tradições. Entre seus moradores estava Lotte, uma menina de olhos brilhantes e curiosidade insaciável que frequentemente a destacava. Enquanto outros viam o lago apenas como uma fonte de peixes e renda, Lotte o via como uma entidade viva, um espelho refletindo seus sonhos. Numa manhã cedo, enquanto a vila dormia, Lotte vagou até a margem, suas botas fazendo barulho sobre a relva pontilhada de geada. Uma fileira de lírios d'água — frescos e vibrantes, apesar da estação — seguia ao longo da margem, suas pétalas formando um caminho ininterrupto em direção ao lago. Atraída por sua beleza, ela se inclinou para colher uma. No instante em que seus dedos tocaram a flor, uma ondulação perturbou a superfície tranquila, e uma voz — suave, porém autoritária — falou em sua mente. “Encontre-me onde a água beija as estrelas.” Assustada, Lotte recuou, sua respiração presa no peito. O lago voltou à sua quietude, mas a voz permaneceu. O que isso significava? E por que ela? Até a manhã seguinte, o encontro estranho consumia os pensamentos de Lotte. Seu pai, um pescador experiente, descartou sua história com um aceno de mão. "O lago prega peças, menina. Não passa de vento", disse ele grosso, embora seus olhos traíssem um lampejo de inquietação. Os aldeões também riram, suas superstições temperadas pelo pragmatismo. Mas Lotte não conseguia deixar isso passar. Naquela noite, armada com uma lanterna e o barco velho de seu pai, ela remou para o coração do lago. A lua pairava baixa, lançando luz prateada sobre a água. Foi aqui, sob a vasta extensão de estrelas, que o lago começou a brilhar como se estivesse vivo. Das profundezas emergiu uma figura, translúcida e radiante, com cabelos fluindo como correntes. Lotte congelou, sua respiração presa na garganta. “Eu sou Undine,” disse a figura, sua voz uma melodia de tristeza e força. “Você tocou o que é meu. Agora, deve ouvir minha história.” Lotte ouviu, hipnotizada, enquanto Undine contava seu relato. Antes humana, ela havia sido amaldiçoada séculos atrás, ligada ao lago como sua guardiã eterna. Sua voz vacilou ao revelar seu anseio por liberdade — uma liberdade que apenas um mortal poderia conceder. No dia seguinte, Lotte buscou conselho com os anciãos da vila. Eles haviam descartado há muito tempo as lendas como contos fantasiosos, mas não podiam ignorar a crescente inquietação em torno do lago. As águas, antes calmas, tornaram-se inquietas, correntes estranhas puxando suas redes de pesca. “Se o espírito é real,” murmurou um ancião, acariciando sua barba grisalha, “ela é uma força que não compreendemos. Sua ajuda pode trazer grande fortuna — ou grande ruína.” Determinado a ajudar, Lotte retornou ao lago. Desta vez, trouxe oferendas: uma coroa de ervas montanas e o medalhão de prata de sua mãe. Ajoelhada à beira da água, chamou por Undine. O espírito emergiu, sua forma luminosa suavizando ao ver os presentes. “Estes símbolos são gentis,” disse, sua voz tingida de tristeza, “mas não quebrarão minha maldição. Preciso de sua coragem, Lotte. Você irá viajar para meu mundo para desvendar o que me prende?” Lotte hesitou. O lago, belo como era, sempre fora fonte de medo silencioso — um lugar de profundezas insondáveis e perigos invisíveis. Mas algo no pedido de Undine despertou sua determinação. “Eu vou,” disse ela, sua voz firme apesar do tremor em suas mãos. Undine a guiou até uma enseada escondida, onde a água brilhava com uma luz sobrenatural. “Mergulhe aqui,” instruiu o espírito. “O caminho se revelará.” O mergulho foi como entrar em outro reino. A água a envolveu, quente e luminosa, e à medida que descia, um mundo subaquático emergiu. Formações semelhantes a corais brilhavam em tons de azul e verde, e cardumes de peixes prateados dartavam como estrelas cadentes. Contudo, essa beleza mascarava perigo. Lotte logo se viu enfrentando provas que testavam tanto sua mente quanto seu espírito. Em uma câmara, correntes giratórias formavam um labirinto que a forçava a confrontar seus medos mais profundos — memórias de perdas e fracassos que ela havia enterrado há muito tempo. Em outra, enigmas antigos esculpidos em pedra exigiam soluções, cada resposta desbloqueando um caminho mais profundo nos segredos do lago. Finalmente, Lotte alcançou o coração do lago — uma caverna onde o tempo parecia parar. No centro, erguia-se um pedestal cristalino que envolvia o coração de Undine, brilhando suavemente, porém preso por camadas de gelo. “Esta é minha maldição,” a voz de Undine ecoou. “Para me libertar, você deve quebrar o gelo. Mas esteja avisada — o ato não será sem custo.” Lotte hesitou, sua mão pairando sobre o fragmento de pedra que havia levado do labirinto. O peso das palavras de Undine pressionava sobre ela, mas também o lembrança de seu rosto luminoso, seu anseio por liberdade. Com um profundo suspiro, ela golpeou o gelo. A caverna tremeu enquanto o coração começava a bater. A forma translúcida de Undine apareceu diante dela, agora mais humana do que espírito. Lágrimas cintilavam em seus olhos. “Você me deu sua força,” disse Undine, sua voz tremeu de gratidão. “Embora eu esteja livre, parte do seu espírito agora nos liga. Carregarei este presente para sempre.” Quando Lotte emergiu do lago, o amanhecer estava rompendo. Os aldeões haviam se reunido, seus rostos misturando medo e admiração ao contemplarem Undine, agora carne e osso. O lago, antes inquieto, parecia brilhar com nova vida. Undine tornou-se parte da vila, sua presença tanto um mistério quanto uma bênção. Ela trouxe consigo o conhecimento dos ritmos do lago, guiando os pescadores a capturas abundantes enquanto lhes ensinava respeito pelas águas que os sustentavam. Lotte, embora mudada, encontrou paz em seu sacrifício. Seu vínculo com Undine aprofundou-se, e as duas frequentemente se sentavam à beira da margem, compartilhando histórias e risos. Os anos passaram, e a vila prosperou. A história de Undine e Lotte tornou-se mais que folclore; tornou-se um lembrete vivo do vínculo entre a humanidade e a natureza. Lotte, agora uma anciã, frequentemente se sentava à beira do lago com crianças reunidas aos seus pés, suas histórias tecendo magia em suas vidas. O lago, também, parecia guardar seu legado compartilhado. Em noites de lua, os aldeões afirmavam ver uma figura cintilante dançando sobre a água. Se era Undine, o espírito de Lotte, ou algo totalmente diferente, ninguém podia dizer. Mesmo com os anos transformando-se em séculos, a história do espírito das águas do Lago Traun perdurou. Visitantes ao lago frequentemente comentavam sobre sua beleza etérea, sentindo algo não expresso em suas profundezas. Para aqueles que conheciam a lenda, era claro: o lago não era apenas um corpo d'água — era um testemunho vivo de coragem, sacrifício e a conexão duradoura entre mundos. Essa história, levada pelo vento e pelas ondas, garante que o espírito de Undine — e a menina que a libertou — jamais serão esquecidos.Sussurros na Névoa
O Chamado do Desconhecido
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Nas Profundezas
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Um Novo Começo
Um Legado de Harmonia
Epílogo: A Dança Eterna