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Sobre a História: O Enigmático Bosque de Baobás é um Legend de angola ambientado no Contemporary. Este conto Dramatic explora temas de Wisdom e é adequado para Young. Oferece Cultural perspectivas. Um bosque esquecido, uma civilização perdida e um segredo que desafia o próprio tempo.
No coração de Angola, onde a terra respira história e os rios cantam antigas canções, existe um bosque de baobás como nenhum outro. Os locais o chamam de "O Bosque dos Antigos". Alguns dizem que é um lugar sagrado, onde as vozes dos ancestrais sussurram através do vento. Outros afirmam que é amaldiçoado, que aqueles que entram emergem... diferentes, se retornarem.
Por séculos, o bosque permaneceu um mistério, um lugar mencionado apenas em mitos e avisos sussurrados. Mas quando Diogo Matias, um jovem arqueólogo angolano, se depara com um diário esquecido cheio de pistas enigmáticas sobre o bosque, ele se torna obcecado. Ele reúne uma equipe e parte em uma expedição profunda na natureza selvagem, em busca de respostas.
O que eles encontrarão desafiará tudo o que acreditam sobre história, realidade e o próprio tempo. Diogo Matias estava curvado sobre sua mesa em Luanda, cercado por pilhas de livros antigos e mapas desbotados. O aroma de papel envelhecido preenchia o ar, misturando-se com o leve cheiro de café frio. Seus dedos tremiam ao folhear as páginas delicadas de um diário encadernado em couro, cujas bordas estavam desgastadas pelo tempo. O diário pertencia a Gaspar Mendes, um explorador português que desapareceu em algum lugar no sul de Angola no início do século XIX. Suas últimas entradas falavam de algo extraordinário — um bosque de baobás antigos como nenhum outro no mundo. *"As árvores não são meramente árvores. Elas são as guardiãs de algo muito mais antigo que o homem. Em sua casca, o passado está escrito. Em suas raízes, o futuro espera. Eu vi o que está além do limiar, e agora entendo... O tempo não é o que acreditamos ser."* Diogo sentiu um arrepio subir pela espinha. Ele já tinha ouvido lendas sobre o bosque antes, mas nada parecido com isso. As descrições de Mendes eram estranhamente semelhantes às árvores perto de Calueque, uma aldeia remota próxima ao Rio Kunene. Poderia ser o mesmo lugar? Ele reclinou na cadeira, olhando para um esboço desbotado do bosque. Sabia o que precisava fazer. A jornada até Calueque não foi fácil. As estradas eram ásperas, serpenteando pelo árido e acidentado cenário do sul de Angola. O sol queimava alto no céu, e a poeira levantada pelo caminhão grudava em tudo. Diogo contou com a ajuda de dois companheiros de confiança — Marta Nzinga, uma historiadora especializada em culturas africanas antigas, e Rui Kalunga, um rastreador habilidoso que conhecia a natureza melhor do que ninguém. À medida que dirigiam mais fundo pelo interior, Marta se voltou para Diogo, seus olhos atentos examinando o diário. "Você realmente acredita nesse tal de Mendes? Que há algo lá fora além de algumas árvores antigas?" Diogo assentiu. "Tem que haver. A maneira como ele descreve o bosque... Não soa como uma floresta comum." Rui, que estava em silêncio durante a maior parte da viagem, finalmente falou. "Já ouvi histórias sobre esse lugar. Os locais dizem que as árvores podem falar. Que elas guardam memórias do passado." Ele olhou para Diogo. "Você realmente acha que deveríamos mexer com algo assim?" Diogo encontrou seu olhar. "Não acho que temos escolha. Se o que Mendes escreveu é verdade, isso pode ser uma das maiores descobertas da história." O caminhão parou com um estrondo ao chegar em Calueque. Os aldeões os observavam com olhos cautelosos. Quando Diogo perguntou sobre o bosque, muitos se afastaram em silêncio. Uma mulher idosa, com o rosto marcado pelas linhas do tempo, finalmente falou. Sua voz era baixa, quase um sussurro. *"O bosque não gosta de forasteiros. Tenham cuidado, ou ele pode não deixá-los partir."* Diogo engoliu em seco. Eles tinham ido longe demais para voltar agora. No momento em que pisaram no bosque, o ar mudou. O calor opressor do sol desapareceu, substituído por uma estranha frescura. Um silêncio denso pairava no ar — sem folhas farfalhando, sem pássaros cantando, nada além de seus próprios passos cautelosos. Os baobás eram diferentes de tudo o que já haviam visto. Seus troncos eram enormes, com raízes retorcidas e enroladas na terra como dedos antigos. Marcas estranhas cobriam a casca, símbolos que Marta imediatamente começou a esboçar. "Isso... isso não é nenhuma língua conhecida," murmurou ela. "É mais antiga do que qualquer coisa que eu tenha estudado." A mão de Rui se dirigiu para o facão em seu cinto. "Eu não gosto disso. Parece que estamos sendo observados." Então, o vento mudou. Um sussurro profundo e baixo parecia surgir das próprias árvores. Diogo deu um passo à frente, com o coração batendo forte. Foi quando ele viu — uma fenda em um dos baobás, formando uma passagem estreita que levava à escuridão. Como se estivesse esperando por eles. A respiração de Diogo ficou presa na garganta. Ele se virou para Marta e Rui. "É isso." Rui balançou a cabeça. "Isso é loucura." Diogo o ignorou. Estendeu a mão e tocou o interior da árvore. No momento em que seus dedos tocaram a casca, o mundo explodiu em luz. O bosque desapareceu. Eles estavam em outro lugar. O ar cheirava diferente, rico com o aroma de terra e fogo. O céu tinha um tom dourado, diferente de tudo o que já haviam visto. À distância, uma aldeia de casas redondas se erguia, pessoas movendo-se com trajes tradicionais. "Isso não é possível," sussurrou Marta. "Isso é... o passado." Uma voz atrás deles os fez congelar. "Vocês entraram no reino dos Ancestrais." Eles se viraram. Um homem estava diante deles, seus olhos brilhando como ouro derretido. Ele usava um manto tecido com símbolos idênticos aos das árvores. Sua presença era avassaladora, como se pertencesse ao próprio tecido do tempo. "Vocês buscam conhecimento," disse ele. "Mas o conhecimento tem um preço." Diogo deu um passo à frente. "Quem é você?" O homem sorriu. "Eu sou o Guardião dos Baobás. E vocês têm muito a aprender." Por horas — ou seriam dias? — o Guardião mostrou-lhes um tempo há muito esquecido. Uma civilização que dominava o próprio tempo, usando os baobás como condutos para armazenar história, ensinar, alertar. Mas o poder gera ganância. Seu conhecimento foi mal utilizado, guerras foram travadas, e as árvores se selaram, guardando a sabedoria do passado daqueles que a corromperiam. "Vocês agora carregam a verdade," disse o Guardião. "O que farão com ela?" Diogo hesitou. Se o mundo soubesse o que eles haviam descoberto, tudo mudaria. Marta colocou uma mão em seu ombro. "Devemos preservá-la, mas não explorá-la." Diogo exalou. "Protegeremos o segredo, mas não permitiremos que a história seja esquecida." O Guardião assentiu. "Então os Ancestrais estão em paz." Um surto de luz os envolveu. Quando abriram os olhos, estavam de volta ao bosque. A passagem na árvore havia desaparecido. Ninguém jamais acreditaria neles. Mas eles conheciam a verdade. E isso era suficiente.O Diário Esquecido
O Caminho para Calueque
Dentro do Bosque
Através do Portal
A Escolha
Fim.