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Sobre a História: A História do Yacy Yateré é um Legend de paraguay ambientado no Ancient. Este conto Poetic explora temas de Nature e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Uma história assombrosa de encantamento e do guardião místico da floresta, Yacy Yateré.
Há muito tempo, no coração das densas florestas do Paraguai, existia uma criatura elusiva cujo nome era sussurrado através das árvores: Yacy Yateré. Conhecido por sua presença cativante e habilidades misteriosas, Yacy Yateré era uma figura lendária, um ser de tanto medo quanto fascinação. Sua história, transmitida através de gerações do povo Guaraní, entrelaça as complexidades da natureza, da magia e da humanidade, criando um conto que ainda exerce influência nas imaginações daqueles que vivem próximos à terra.
Yacy Yateré não era um homem, nem uma criança, mas algo intermediário. Com não mais que a altura de um menino, ele possuía uma aparência infantil, mas exalava uma energia estranha e atemporal. Seus cabelos, de tonalidade dourada, cintilavam à luz do sol, e dizia-se que quem tocasse seus cabelos caía sob um feitiço. Seus olhos, brilhantes e maliciosos, carregavam a sabedoria das eras, e ele era frequentemente visto vagando sozinho pela floresta, cantando melodias suaves para si mesmo. O povo do Paraguai o conhecia como o guardião dos segredos da floresta, e embora sua presença fosse frequentemente sentida, raramente era visto.
Embora pequeno em estatura, Yacy Yateré possuía imenso poder. Sua voz, melódica e suave, tinha a capacidade de encantar tanto animais quanto humanos. Ele era conhecido por embalar aqueles que se aventuravam longe demais na floresta em um sono profundo, apenas para deixá-los perdidos e confusos ao acordar. Dizia-se que se você seguisse o som de sua voz, nunca mais retornaria. No entanto, suas intenções nem sempre eram malévolas. Houve momentos em que Yacy Yateré era visto como um protetor da floresta, um guardião do equilíbrio da natureza. Ele fazia parte da terra tanto quanto as árvores e os rios, e sua história se entrelaçava com o mundo natural de maneiras tanto misteriosas quanto belas.
O Primeiro Encontro

Um verão, uma jovem chamada Marisol, que vivia em uma pequena vila perto da borda da floresta, ouviu histórias sobre Yacy Yateré de sua avó. Sua abuela, que havia passado toda a sua vida próxima à terra, falava do espírito com uma mistura de respeito e cautela. “A floresta é dele”, ela dizia. “Ele vive lá desde antes de qualquer um de nós nascer, e estará lá muito depois de partirmos. Não siga o som da flauta, por mais doce que possa ser.” Essas palavras ecoavam na mente de Marisol, mas a curiosidade da juventude muitas vezes sobrepõe a sabedoria dos mais velhos.
Um dia, enquanto Marisol vagava perto da floresta colhendo frutas silvestres, ela ouviu algo ao longe. Uma melodia suave e doce flutuava entre as árvores, diferente de tudo o que ela já tinha ouvido antes. As notas dançavam com o vento, atraindo-a para mais perto. Ela hesitou por apenas um momento antes de adentrar mais profundamente na floresta. O sol filtrava-se através do dossel, projetando sombras no chão da floresta enquanto Marisol seguia a música, seus pés movendo-se como se guiados por alguma força invisível.
À medida que se adentrava mais entre as árvores, a melodia aumentava de volume, tornando-se mais intoxicante. Era como se a própria floresta estivesse viva com o som. Logo, Marisol se encontrou em uma clareira pequena e, lá, sentado em um tronco caído, estava Yacy Yateré. Seus cabelos dourados brilhavam sob a luz do sol, e sua flauta, esculpida na madeira de uma árvore sagrada, descansava contra seus lábios. Ele olhou para ela, seus olhos cintilando de travessura.
Marisol ficou paralisada, tanto cativada quanto aterrorizada. Ela havia ouvido falar de Yacy Yateré durante toda a sua vida, mas vê-lo pessoalmente parecia irreal. Ele sorriu para ela, um sorriso lento e gentil que parecia tanto amável quanto perigoso. “Você veio de longe, niña”, disse ele suavemente, sua voz como uma canção de ninar. “Você ouviu minha canção, e agora está aqui.”
Sem pensar, Marisol deu um passo à frente. A melodia da flauta ecoava em seus ouvidos, preenchendo sua mente com imagens estranhas e oníricas. Ela queria ficar, ouvir, fazer parte deste mundo encantado para sempre. Mas em algum lugar no fundo de sua mente, ela lembrou-se do aviso de sua avó: “Não siga o som da flauta.” Reunindo toda a sua força, Marisol deu um passo para trás.
O sorriso de Yacy Yateré desapareceu, seus olhos estreitando-se ligeiramente. “Você é mais forte do que a maioria”, ele disse, levantando-se. “Mas a floresta já te marcou. Nos encontraremos novamente.”
A Maldição da Floresta

Marisol voltou para a vila naquele dia, abalada por seu encontro com Yacy Yateré. Ela não contou a ninguém o que havia acontecido, temendo que não acreditassem nela ou, pior, que a repreendessem por se aventurar na floresta. Mas algo havia mudado dentro dela. Ela sentia uma conexão com a floresta que antes não tinha, e à noite, sonhava com as árvores, com o som da flauta e com os cabelos dourados de Yacy Yateré reluzindo sob a luz do sol.
Com o passar das semanas, coisas estranhas começaram a acontecer. Animais que antes vagavam livremente perto da vila agora se afastavam, como se algo na floresta os tivesse assustado. Os moradores também notaram a mudança em Marisol. Ela ficou mais retraída, seus olhos antes brilhantes agora opacos com uma tristeza que ela não conseguia explicar. Era como se parte dela ainda estivesse na floresta, presa naquele momento com Yacy Yateré.
Sua avó, sempre observadora, percebeu a mudança e decidiu confrontá-la. “Você o viu, não foi?” ela perguntou uma noite enquanto estavam sentadas juntas ao lado do fogo. Marisol assentiu, lágrimas enchendo seus olhos. “Eu não queria me aventurar tanto na floresta, Abuela. Eu só queria ouvir a música.”
Sua avó suspirou, puxando-a para mais perto. “Não é sua culpa, niña. A canção de Yacy Yateré é poderosa, e até os mais fortes de nós podem ser atraídos por ela. Mas você deve ter cuidado. Ele já te marcou, e a floresta chamará por você.”
Marisol assentiu, compreendendo o peso das palavras de sua avó. A floresta não era apenas um lugar de beleza e maravilha; também era um lugar de magia e perigo. A presença de Yacy Yateré pairava em cada sombra, e sua canção, uma vez ouvida, nunca era esquecida.
O Retorno de Yacy Yateré

Meses se passaram, e a floresta ficou inquieta. As árvores pareciam sussurrar segredos com o vento, e os moradores ficaram apreensivos. Eles falavam de avistamentos estranhos na mata, de crianças desaparecendo por dias a fio, apenas para retornar sem memória de onde estiveram. Os anciãos sabiam que Yacy Yateré era o responsável, mas havia pouco que pudessem fazer. A floresta era seu domínio, e lutar contra ele seria como lutar contra a própria natureza.
Marisol, agora uma jovem mulher, podia sentir o chamado da floresta mais fortemente do que nunca. Ela tentou resistir, manter-se afastada das árvores, mas a cada dia, o desejo de retornar aumentava. Uma noite, incapaz de resistir por mais tempo, ela se afastou da vila e entrou na floresta.
A lua pendia alta no céu, lançando uma luz pálida sobre as árvores enquanto Marisol caminhava cada vez mais profundamente na mata. O som da flauta era tênue a princípio, mal audível sobre o farfalhar das folhas, mas à medida que ela avançava, tornava-se mais alto, mais insistente. Ela seguiu o som, seu coração batendo forte no peito.
Finalmente, ela chegou à mesma clareira onde tinha visto Yacy Yateré pela primeira vez. Ele estava esperando por ela, sentado no mesmo tronco caído, seus cabelos dourados reluzindo à luz do luar. “Eu sabia que você retornaria”, disse ele, sua voz suave e melódica. “A floresta te reivindicou, Marisol. Você agora é uma de nós.”
Marisol sentiu uma estranha sensação de paz ao olhá-lo. Ela havia lutado contra o chamado da floresta por tanto tempo, mas agora, de pé em seu coração, percebeu que pertencia ali. A flauta de Yacy Yateré preenchia o ar com sua doce e encantadora melodia, e Marisol sentia-se sendo atraída cada vez mais perto dele.
Um Novo Começo

Nos dias que se seguiram, a vila procurou por Marisol, mas ela nunca foi encontrada. Alguns diziam que ela havia se tornado uma com a floresta, um espírito como Yacy Yateré, vagando eternamente pela mata. Outros acreditavam que ela havia
caído vítima da magia da floresta, perdida para sempre em seus encantamentos.
Mas Marisol não estava perdida. Ela havia encontrado uma nova vida na floresta, vivendo ao lado de Yacy Yateré e das criaturas dos bosques. Ela tornou-se uma guardiã da terra, protegendo-a daqueles que desejavam fazer-lhe mal. Sua conexão com a floresta se fortalecia a cada dia que passava, e logo, ela era parte das árvores e rios tanto quanto Yacy Yateré.
As pessoas da vila continuaram a contar histórias de Yacy Yateré, advertindo seus filhos para manter-se afastados da floresta e do doce som da flauta. Mas sempre havia aqueles que eram curiosos, que se aventuravam além das árvores e nunca retornavam. A floresta, eles sabiam, era um lugar de mistério e magia, onde Yacy Yateré e Marisol vigiavam a terra, sua canção ecoando pelas árvores para toda a eternidade.
Conclusão
A história de Yacy Yateré e Marisol permanece como uma das lendas mais duradouras do Paraguai. É um conto de encantamento e cautela, lembrando-nos do poder da natureza e dos mistérios que existem dentro da floresta. A floresta é um lugar de maravilhas, mas também de perigos, onde a linha entre a realidade e a magia é tênue. Aqueles que se aventuram demais podem nunca mais retornar, pois a floresta tem suas próprias regras, e seus guardiões estão sempre observando.