9 min

O Aposta" de Anton Tchekhov
The banker and the young lawyer engage in a tense debate over life and death, seated in a grand drawing room where their fateful wager is made.

Sobre a História: O Aposta" de Anton Tchekhov é um Realistic Fiction de russia ambientado no 19th Century. Este conto Dramatic explora temas de Wisdom e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. Uma aposta transformadora que revela o verdadeiro custo da riqueza e da sabedoria.

No final do século XIX, numa fria tarde de outono, um grupo de intelectuais e seu anfitrião, um rico banqueiro, reuniram-se ao redor de uma fogueira para discutir várias questões filosóficas. À medida que mergulhavam numa conversa sobre a natureza da vida e da morte, um tópico passou a dominar a discussão: a moralidade da pena de morte. Essa conversa logo levaria a uma aposta chocante e fatídica, testando a resistência do espírito humano e do intelecto ao longo de quinze longos anos.

Parágrafo de Introdução:

"A Aposta" de Anton Tchekhov explora a tensão entre o materialismo e o valor da vida humana, estabelecendo um conflito de ideais entre dois homens—um que acredita que a vida, mesmo vivida em isolamento, é mais valiosa que a morte, e outro que não vê distinção entre vida e oblívio. Ao longo de quinze anos, essa aposta desafiará suas suposições sobre a vida, a felicidade, o conhecimento e a dignidade humana. É uma história que mergulha em temas existenciais, mostrando como a compreensão da vida de alguém pode mudar drasticamente quando despida do mundo externo.

Numa noite, durante uma animada conversa sobre a pena capital, um banqueiro e um jovem advogado encontraram-se em lados opostos de um debate apaixonado. O banqueiro acreditava firmemente que a pena capital era mais humana do que a prisão perpétua. "A pena capital mata um homem de uma vez," argumentou ele, "mas a prisão perpétua o mata lentamente."

O jovem advogado, que tinha apenas 25 anos, discordou veementemente. Ele sustentava que a vida, não importando as circunstâncias, sempre era melhor do que a morte. "Viver de qualquer forma é melhor do que não viver," afirmou corajosamente.

O argumento entre os dois tornou-se mais acalorado e, num momento de imprudência, o banqueiro propôs uma aposta. "Eu arrisco dois milhões," disse ele, "que você não ficaria em confinamento solitário por cinco anos."

O advogado, movido pelo orgulho e pela sede de provar seu ponto, respondeu: "Se você está falando sério, aceito a aposta, mas ficarei não cinco, mas quinze anos."

O banqueiro, surpreso com o fervor do advogado, aceitou os termos. Eles elaboraram um acordo formal e decidiram que o advogado passaria quinze anos em confinamento solitário, começando à meia-noite daquela noite. Se o advogado conseguisse, o banqueiro lhe pagaria dois milhões de rublos. Se falhasse, o advogado perderia a aposta e o dinheiro.

O Início do Confinamento

A partir daquela noite, o advogado foi confinado a uma pequena cabana no jardim do banqueiro, separado do mundo exterior. Não lhe foram permitidas visitas, nenhum contato humano, e ele não podia deixar o local. Seus únicos companheiros seriam livros, música e um piano, tudo o que o banqueiro concordou em fornecer.

Os anos passaram lentamente. No primeiro ano, o advogado, como mais tarde seria revelado em suas cartas, sentiu uma solidão e depressão agudas. Seu único consolo era ler literatura leve e tocar piano por horas a fio. Passava a maior parte dos dias andando pelos pequenos confines da sala e, ocasionalmente, parando para tocar uma melodia ou ler um capítulo de um de seus livros.

No segundo ano, sua melancolia aprofundou-se. Ele parou de tocar piano e solicitou apenas literatura clássica: as obras de Shakespeare, Homero e Dante. Mergulhou nesses textos atemporais, lendo-os repetidamente, como se buscasse alguma verdade eterna que pudesse dar sentido ao seu isolamento.

No quinto ano, o advogado pediu apenas textos religiosos. Parecia ter passado por uma transformação espiritual, renunciando aos prazeres mundanos que antes buscava tão fervorosamente. Suas cartas revelavam que agora estava obcecado em compreender os mistérios da vida e do divino. Falava de sua alma, da redenção e de uma existência que ia além do material.

À medida que o décimo ano de confinamento se aproximava, o interesse do advogado mudou novamente. Desta vez, mergulhou no estudo de línguas, filosofia e ciência. Aprendeu seis idiomas, dominando cada um a ponto de conseguir recitar livros inteiros de coração. Solicitou tratados sobre história, matemática e ciências naturais. Sua mente parecia insaciável, constantemente buscando novos conhecimentos para preencher o vazio deixado pelo isolamento.

O advogado, sentado em uma pequena sala, lendo um livro, cercado por pilhas de livros e um piano.
O advogado, nos primeiros anos de seu confinamento, profundamente imerso em livros, refletia sobre sua solidão e a aposta.

O Desespero do Banqueiro

Enquanto isso, as fortunas do banqueiro haviam tomado um rumo desfavorável. Os mercados financeiros não foram gentis com ele, e sua riqueza diminuiu ao longo dos anos. A perspectiva de pagar ao advogado dois milhões de rublos—uma quantia que parecia trivial quinze anos antes—agora se configurava como um desastre potencial. Se o advogado vencesse a aposta, o banqueiro estaria arruinado.

À medida que o décimo quinto ano se aproximava, o banqueiro tornou-se cada vez mais desesperado. Começou a se arrepender de ter feito a aposta, amaldiçoando seu orgulho tolo e a natureza impulsiva de seu desafio. A ideia de perder tudo corroía-o diariamente, preenchendo-o com medo e desespero.

Na véspera do último dia da aposta, o banqueiro não conseguiu dormir. Conforme o relógio avançava para a meia-noite, quando o confinamento do advogado terminaria oficialmente, o banqueiro tomou uma decisão sombria. Resolveu matar o advogado para evitar pagar a aposta. A ideia o horrorizou a princípio, mas à medida que as horas passavam, tornou-se cada vez mais justificável em sua mente. Afinal, se o advogado estivesse morto, o contrato seria nulo e ele estaria livre de suas obrigações financeiras.

Entrando silenciosamente na cabana do advogado, o banqueiro aproximou-se de seu oponente adormecido. Seu coração batia aceleradamente no peito enquanto segurava uma pequena faca em sua mão trêmula. Justo quando estava prestes a cometer o crime, notou algo incomum. Lá, na mesa do advogado, havia uma carta endereçada ao banqueiro.

A curiosidade superou a intenção assassina do banqueiro, e ele pegou a carta para lê-la.

A Carta do Advogado

Na carta, o advogado explicou como havia mudado ao longo dos anos. Escreveu sobre a profunda transformação que sua alma havia sofrido durante o confinamento. Quinze anos atrás, ele havia entrado na aposta como um jovem homem, ansioso por riqueza, fama e prazeres mundanos. Acreditava que o dinheiro poderia comprá-lo a felicidade e que provar que o banqueiro estava errado traria satisfação.

Mas após quinze anos de isolamento, chegou a uma conclusão diferente.

Em sua carta, o advogado revelou que agora desprezava toda a riqueza material. Via o dinheiro, a fama e o sucesso como buscas triviais, sem sentido no grande esquema da vida. Descobriu que a verdadeira felicidade não podia ser encontrada em coisas mundanas, mas no cultivo da alma e na busca por um conhecimento superior. Leu milhares de livros, estudou as obras das maiores mentes e encontrou consolo nos ensinamentos de filósofos e profetas.

O advogado declarou que já não queria o dinheiro. Renunciou aos dois milhões de rublos e declarou que voluntariamente desistiria da aposta. Em suas palavras finais, escreveu: “Para provar que desprezo o que você vive para, deixarei este lugar cinco horas antes do tempo estabelecido e, assim, quebrarei os termos do nosso pacto.”

O banqueiro ficou estupefato. Seus olhos se encheram de lágrimas ao perceber a magnitude do que o advogado havia suportado e como a aposta havia realmente pouco significado no final.

O banqueiro se esgueira para dentro do escritório do advogado à noite, segurando uma faca, enquanto o advogado dorme em sua mesa.
O banqueiro desesperado, levado a contemplar o assassinato, se esgueira para o escritório do advogado à noite, com uma faca na mão, enquanto o advogado dorme.

A Fuga

Fiel à sua palavra, o advogado deixou a cabana naquela noite, poucas horas antes do término dos quinze anos. Afugentou-se silenciosamente, sem uma palavra para o banqueiro ou qualquer outra pessoa. Suas ambições outrora audaciosas haviam murchado, substituídas por um senso de desprendimento do mundo material. Já não se importava com riqueza ou poder. Alcançou uma sabedoria muito além do que imaginara quando entrou na aposta.

O banqueiro, abalado até o âmago, retornou à sua mansão. Sentiu uma mistura de alívio e vergonha. Foi poupado da ruína financeira, mas a que custo? A aposta havia tirado quinze anos da vida do advogado e quase levado o banqueiro ao assassinato. Ele trancou a carta do advogado em seu cofre, sabendo que a lembrança o assombraria pelo resto de seus dias.

Anos depois, o banqueiro lembraria daquela noite com um sentimento de culpa e arrependimento. Não havia ganhado nada com a aposta—nem dinheiro, nem orgulho, nem satisfação. Em vez disso, perdeu uma parte de si mesmo, uma parte que nunca se curaria completamente.

A Moral da História

No final, a aposta não foi apenas uma aposta de dinheiro ou princípios. Foi um teste das filosofias de vida de dois homens. O banqueiro, que antes acreditava que o dinheiro era a chave para a felicidade, ficou vazio e derrotado. O advogado, que entrou na aposta por riqueza e glória, emergiu um homem mudado, que aprendeu que as verdadeiras riquezas da vida estão encontradas dentro de si.

“A Aposta” de Anton Tchekhov serve como um lembrete tocante da fragilidade dos valores humanos e do poder transformador do tempo e do isolamento. Obriga os leitores a questionarem o significado da riqueza, o propósito da vida e até que ponto as pessoas vão na busca de seus ideais.

O banqueiro, em pé em seu escritório, segurando a carta do advogado, com uma expressão de angústia.
O banqueiro, ao ler a carta do advogado, é tomado por um profundo pesar ao perceber a transformação que o advogado sofreu.

O Epílogo

Os anos passaram, e o banqueiro, agora um homem idoso, frequentemente se sentava perto da fogueira, lendo a carta do advogado. Tornou-se uma relíquia de seu passado, um lembrete da tolice da juventude e das lições aprendidas tardiamente. Embora o advogado tenha renunciado ao dinheiro, o banqueiro sabia que ele era realmente quem havia perdido a aposta.

O advogado, cujo nome ninguém lembrava, desapareceu da sociedade. Alguns diziam que fora para viver em um mosteiro, enquanto outros acreditavam que tivesse viajado para terras distantes. Mas a verdade permanecia desconhecida. Tudo o que restou dele foram os livros que leu, o conhecimento que adquiriu e a profunda realização de que a vida, em sua forma mais pura, é mais valiosa do que qualquer quantia de dinheiro.

{{{_04}}}

Loved the story?

Share it with friends and spread the magic!

Cantinho do leitor

Curioso sobre o que os outros acharam desta história? Leia os comentários e compartilhe seus próprios pensamentos abaixo!

Avaliado pelos leitores

Baseado nas taxas de 0 em 0

Rating data

5LineType

0 %

4LineType

0 %

3LineType

0 %

2LineType

0 %

1LineType

0 %

An unhandled error has occurred. Reload