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Sobre a História: As Ninfas do Mar da Dalmácia é um Legend de croatia ambientado no Medieval. Este conto Descriptive explora temas de Romance e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Um amor proibido entre a terra e o mar, ligado pelo destino e pelos sussurros do Adriático.
O Mar Adriático sempre guardou segredos. Ele os sussurra no farfalhar das oliveiras, no silêncio da maré que se enrola contra a costa, no grito distante de uma gaivota solitária pairando sobre as ondas. Aqueles que vivem ao longo de sua rochosa costa da Dalmácia há gerações sabem que o mar é mais do que apenas água e sal — ele está vivo, observando, ouvindo.
Entre as antigas histórias que se entrelaçam pelas vilas e portos, nenhuma é mencionada mais em tons abafados do que a lenda das Donzelas do Mar da Dalmácia — seres místicos das profundezas, criaturas de beleza e tristeza, cujos destinos estão entrelaçados com aqueles que ousam amá-las.
Esta é a história de uma dessas donzelas, de um pescador e do chamado inflexível do mar.
A vila de Stari Grad era antiga, mais velha que a própria memória. Suas casas de pedra agarravam-se às colinas como cracas, e seu povo vivia pela graça do mar — pescadores, marinheiros, comerciantes, todos ligados à água. Nikola Vlahovic era um deles, embora sempre tivesse sentido o puxão de algo mais. Diferente dos outros que se orgulhavam de suas redes pesadas e cestos cheios, Nikola pescava não para sobreviver, mas pela solidão das águas abertas, o horizonte infinito se estendendo diante dele como uma promessa. Numa noite, enquanto o céu derretia em um tom roxo magro, ele remou seu pequeno barco de madeira além do abraço protetor da baía. A água sob ele estava estranhamente calma, como uma placa de vidro. Então, um som se aproximou — suave a princípio, mal mais que uma ondulação no vento. Era uma canção. A melodia não era como qualquer música que ele já tinha ouvido. Não trazia palavras, apenas saudade — uma dor que puxava seu peito, como se o próprio mar estivesse chorando. Atraído pela canção, Nikola remou mais profundamente para o desconhecido. Quanto mais ele ia, mais o próprio ar parecia vibrar com energia. Então, através da névoa que se agarrava à superfície como um véu fantasmagórico, ele as viu. Um agrupamento de figuras flutuava sobre as ondas, seus cabelos cascatas como fluxos de luz lunar, seus corpos movendo-se com a maré. Mas foi ela quem o cativou. Seus olhos não eram simplesmente azuis, mas sempre mutáveis, como o mar antes de uma tempestade. Ela virou o rosto para ele, e por um momento, o tempo parou. Então, como se a própria noite tivesse exalado, as donzelas desapareceram sob as ondas. Nikola ficou congelado, seu barco balançando suavemente, a canção ainda ecoando em seus ossos. Ele precisava vê-la novamente. Noite após noite, Nikola retornava à enseada. Lançava suas redes descuidadamente, sabendo que voltaria para a vila de mãos vazias. Os outros pescadores balançavam a cabeça, murmurando que o mar havia enlouquecido sua mente. Mas ele não se importava. Seus sonhos eram assombrados pelos olhos da donzela, pela canção que nunca realmente saía de seus ouvidos. Semanas se passaram antes que ela voltasse. A noite estava pesada com névoa quando ele a viu parada à beira da água, as ondas lambendo suavemente seus pés descalços. Ela não recuou quando ele deu um passo à frente, embora sua expressão fosse indecifrável. “Por que você me chama, pescador?” ela perguntou, sua voz mal acima de um sussurro. “Porque não consigo esquecer você,” Nikola admitiu. Ela o estudou, inclinando levemente a cabeça. “Você deveria.” “Eu não quero.” Um lampejo de algo — tristeza? Diversão? — cruzou seu rosto. “O mar não dá sem receber,” ela disse. Ele deu mais um passo à frente, seu coração trovejando. “Então que ele tome o que quiser.” Pela primeira vez, ela sorriu. Estendeu a mão para ele, seus dedos frios contra sua pele, e o puxou suavemente para as ondas. E ele a seguiu. O mar não o engoliu. Ele o abraçou. Nikola esperava se afogar, que seus pulmões queimassem, que o peso da água o esmagasse. Mas nada disso aconteceu. Em vez disso, ele se encontrou flutuando por um mundo diferente de tudo que ele já conhecera. O fundo do oceano se estendia em torres cintilantes de coral, florestas ondulantes de algas e criaturas estranhas que cintilavam como estrelas vivas na escuridão. A donzela — Mira, ela lhe disse — o conduziu pelas correntes com uma graça sem esforço. “Esta é minha casa,” ela disse. Uma cidade surgia do leito marinho, construída não de pedra, mas de algo mais fluido, mais vivo — estruturas que pulsavam e brilhavam, mudando como a própria maré. Nikola deveria ter sentido medo, mas não sentiu. Sentia como se tivesse esperado por este lugar durante toda a sua vida. E ainda assim, havia uma sombra se escondendo sob a maravilha. O clã de Mira — suas irmãs, sua rainha — observava de longe, seus olhos frios e indecifráveis. Humanos não pertenciam aqui. E o mar não toleraria intrusos por muito tempo. A paciência da Rainha do Mar não era infinita. Ela não falava com raiva. Não precisava. Sua própria presença era suficiente para enviar um calafrio pelas correntes. “Você perturbou o equilíbrio, minha filha.” Mira ficou ao lado de Nikola, seu queixo erguido desafiadoramente. “Ele não é um inimigo para nós.” Os olhos da Rainha, da cor de um mar agitado por tempestade, se voltaram para Nikola. “É mesmo?” Nikola engoliu em seco, mas não desviou o olhar. “Eu a amo.” O silêncio se estendeu entre eles, pesado como a maré. Então a Rainha exalou. “O mar lhe deu tempo, pescador. Mas o tempo está se esgotando.” Mira sabia o que estava por vir. O mar não perdoa, nem esquece. Ela o havia escolhido e, ao fazer isso, selou os destinos de ambos. Nikola tomou suas mãos. “Então vamos fugir.” “Não há para onde fugir,” ela sussurrou. Mas ele se recusou a acreditar. Quando a tempestade chegou, eles fugiram para a costa, o corpo de Mira tremendo enquanto respirava ar pela primeira vez. Suas pernas vacilavam sob ela, estranhas e frágeis. A voz da Rainha do Mar se ergueu no vento: Um relâmpago partiu o céu. A maré avançou, faminta e implacável. Mas Mira não olhou para trás. Ela o escolheu. No começo, eles foram felizes. Mira maravilhava-se com a terra — o sabor das figos, o calor do sol, o som das folhas secas farfalhando no vento. Mas o mar nunca parou de chamar. Nikola via isso em seus olhos, na maneira como ela ficava na costa por horas, em silêncio. Uma noite, ela se virou para ele, seus dedos traçando sua bochecha. “Estou desaparecendo.” Ele balançou a cabeça. “Não. Você está aqui. Você é real.” Mas ela já estava se afastando. E assim, ela partiu. Não na morte. Não no abandono. Mas da maneira como a maré sempre retorna ao mar. Nikola nunca saiu da vila. Passou seus anos à beira da costa, ouvindo sua canção. Quando morreu, os aldeões o encontraram com uma única pérola apertada em sua mão. Uma pérola que brilhava, mesmo na escuridão. Alguns dizem que, em noites quando a água está calma, a canção de Mira ainda ecoa ao longo da costa. E às vezes, apenas às vezes, o mar chora pelo que perdeu.O Destino do Pescador
O Chamado das Profundezas
O Reino Abaixo
A Ira do Mar
Entre Dois Mundos
“Você roubou do mar, e o mar reclamará o que lhe é devido.”
Amor e Perda
Epílogo: A Pérola de Stari Grad
O Fim.