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A Primavera em Fialta
The foggy streets of Fialta, a Mediterranean seaside town, serve as the backdrop for a contemplative man, lost in thought, setting the tone for a story about fleeting love, memory, and the passage of time.

Sobre a História: A Primavera em Fialta é um Realistic Fiction de italy ambientado no 20th-century. Este conto Descriptive explora temas de Loss e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Uma história de amor evasiva emoldurada pela névoa da memória e do tempo.

*Primavera em Fialta* é um conto de encontros fragmentados, uma crônica de um encontro casual entre o narrador e sua amante recorrente e evasiva, Nina. Ambientada no cenário cinzento e efêmero de Fialta, a história se desenrola em uma névoa de nostalgia, memórias fragmentadas e melancolia. Nabokov navega habilmente pelos reinos da memória, explorando a natureza do tempo, do apego e da perda de uma maneira que só ele consegue. Este relato captura a essência daquele romance fugaz, trazendo à tona as sutis emoções que permanecem além da superfície.

Fialta estava envolta em uma espécie de umidade lenta quando cheguei, uma cidade à beira-mar onde a primavera sempre parecia chegar apenas pela metade. O ar, pesado e cinzento, pairava sobre a cidade como uma cortina não totalmente fechada, e até as pessoas se moviam em uma dança lenta, impassíveis ao senso de renovação que a primavera deveria trazer. Tive ido para lá a negócios—minha esposa estava em outro lugar, e a cidade de Fialta, embora eu já tivesse estado lá antes, parecia um refúgio apropriado para escapar de tudo o que entulhava minha vida cotidiana.

Mas foi Nina—Nina novamente—quem me encontrou naquela cidade pálida e transitória.

O narrador e Nina estão sentados em um banco de madeira em uma cidade mediterrânea envolta em névoa, enquanto ela sorri de maneira enigmática.
Nina sorri de forma enigmática durante seu encontro casual em Fialta, enquanto se sentam em um banco de madeira na atmosfera cinza da cidade.

Nossos caminhos haviam se cruzado inúmeras vezes antes, em intervalos muito infrequentes para serem considerados parte de um relacionamento contínuo, e ainda assim cada encontro trazia de volta o mesmo fluxo de emoções que eu pensava ter esquecido. Nina, a evasiva e efêmera Nina, estava casada agora com um homem chamado Ferdinand, um dramaturgo, cuja pele amarelada e indiferença pareciam envolvê-lo como um casaco antigo e gasto.

Nunca amei Nina da maneira que um homem ama sua esposa, não de verdade. Ou talvez, de certa forma, eu tenha amado—mas ela não era alguém que se pudesse realmente possuir. Ela era muito inquieta, muito imprevisível, muito leve de espírito para ser amarrada por qualquer união formal, seja comigo ou com Ferdinand. E ainda assim, lá estava ela, novamente e de novo, flutuando para dentro e para fora da minha vida com a facilidade da névoa em Fialta—nem totalmente presente nem completamente ausente.

Nina sorriu quando me viu naquele dia, o mesmo sorriso enigmático que sempre me confundiu. Não conseguia dizer se era destinado apenas a mim ou ao mundo ao seu redor. Ela parecia como sempre—talvez um pouco mais velha, mas ainda com aquele charme brincalhão e desprotegido que um dia me cativou há tanto tempo. Seu cabelo caía sobre os ombros como uma onda presa em movimento, e suas mãos—delicadas, sempre em movimento—descansavam suavemente no encosto de um banco de madeira onde nos sentamos por um tempo.

Claro que não esperava vê-la. Fialta não era um lugar onde pessoas como ela pertenciam. Era muito monótona, muito passiva para alguém tão cheio de vida. Mas lá estava ela, um toque de cor contra o fundo opaco de uma cidade perpetuamente entre estações.

Falamos de coisas triviais a princípio—tempo, viagens, conhecidos em comum. Ferdinand estava em algum lugar, ela disse, trabalhando em uma nova peça, e tive a sensação de que suas palavras não eram destinadas a me informar os detalhes de sua vida, mas sim a preencher os espaços vazios na conversa. Sempre havia algo não dito entre nós, algo que pairava no ar, não resolvido e aguardando.

Depois de um tempo, Nina sugeriu que caminhássemos, e assim o fizemos—pelas ruas estreitas de Fialta, passando por lojas com persianas fechadas e cafés que estavam apenas meio abertos, como se a própria cidade ainda não tivesse decidido se abraçaria totalmente a estação que se aproximava. A cinza do dia parecia combinar com nosso humor, não opressiva, mas distante, nos permitindo o espaço para nos mover sem compromisso.

Enquanto caminhávamos, comecei a observá-la de perto. O tempo não havia corroído sua beleza, mas a havia mudado de maneiras que eu não conseguia articular. Ela ainda era leve nos pés, ainda possuía aquela mesma graça quase infantil—mas agora havia uma leve melancolia nela, um peso que eu não havia notado antes. Talvez fosse a inevitabilidade do envelhecimento, ou talvez fosse outra coisa—algo relacionado aos anos que passaram, às decisões não ditas que ambos tomamos.

Em certo momento, chegamos à beira da cidade, onde o mar se estendia à nossa frente, vasto e indiferente. Nina parou e olhou para a água, seu rosto impenetrável, e eu também parei, sem saber o que dizer a seguir. As palavras pareciam irrelevantes naquele momento; de qualquer forma, não capturariam o que pairava entre nós.

— Você já pensa sobre isso? — ela perguntou de repente, virando-se para mim.

— Sobre o quê? — respondi, embora soubesse o que ela queria dizer.

— Sobre nós — ela disse, quase melancólica. — Sobre o que poderia ter sido.

Hesitei, não porque não soubesse a resposta, mas porque a resposta era muito complicada para expressar. Claro, eu pensava sobre isso. Como eu poderia não pensar? Mas não havia uma maneira simples de encapsular o que passou entre nós. Foi fugaz, sim, mas também foi profundo à sua maneira—profundo porque foi breve.

— Penso sim — finalmente disse. — Mas não acho que teria mudado nada.

Nina sorriu novamente, o mesmo sorriso enigmático que sempre parecia estar escondendo algo. — Não, suponho que não — ela disse, e então se voltou para o mar, as mãos escondidas nos bolsos de seu casaco leve.

Ficamos ali em silêncio por um tempo, o vento acariciando suavemente nossos rostos. Pensei em todas as vezes que nossos caminhos se cruzaram—como cada encontro foi breve, quase acidental, mas impregnado de uma estranha significância. Era como se o universo tivesse conspirado para nos manter separados, mas apenas o suficiente para nos fazer questionar o que poderia ter sido.

Eventualmente, nos viramos e começamos a caminhar de volta à cidade. Nina voltou a falar, desta vez sobre sua vida com Ferdinand, embora suas palavras parecessem desconectadas, como se estivesse descrevendo a existência de outra pessoa. Perguntei-me se ela estava feliz com ele, mas não perguntei. Não era meu lugar saber, e além disso, a felicidade nunca pareceu ser seu objetivo.

Enquanto caminhávamos, percebi que nosso tempo juntos estava chegando ao fim mais uma vez. Sempre chegava, e ainda assim nunca me acostumei completamente com isso. Perguntei-me quando a veria novamente—se a veria novamente. Mas tais pensamentos eram inúteis. Nina era como uma tempestade passageira, breve e intensa, e tentar prever sua próxima aparição era tão fútil quanto tentar capturar o vento.

O narrador e Nina caminham pelas ruas estreitas e nebulosas de Fialta, envolvidos em uma conversa profunda.
Ao caminhar pelas estreitas ruas de Fialta, o narrador e Nina se envolvem em uma conversa profunda, enquanto a névoa cinza da cidade confere um clima de reflexão.

Eventualmente, chegamos a um pequeno café, um que lembrava das minhas visitas anteriores a Fialta. Sentamo-nos do lado de fora, sob uma marquise que pouco ajudava a manter a cinza do dia afastada, e pedimos café. Nina parecia distante agora, sua mente vagando em algum lugar muito longe, e não pude evitar sentir uma pontada de arrependimento—arrependimento não pelo que aconteceu, mas pelo que não aconteceu. Sempre havia algo inacabado em nosso relacionamento, algo que nunca alcançava sua conclusão.

Depois de um tempo, Nina olhou para o relógio e suspirou. — Eu deveria ir — disse suavemente. — Ferdinand vai estar se perguntando onde eu estou.

Assenti, sem saber o que mais dizer. Levantamo-nos, e ela se inclinou para me beijar na bochecha, seus lábios tocando minha pele de maneira delicada e familiar como sempre. — Adeus — sussurrou, e então ela se virou e foi embora, desaparecendo na névoa que parecia engolir toda a cidade.

Nina observa pensativa o mar, enquanto o narrador a observa em silêncio sob um céu cinzento do Mediterrâneo.
À beira-mar, Nina observa pensativamente as águas, enquanto o narrador permanece ao seu lado, silencioso e reflexivo, com o vasto oceano se estendendo atrás deles.

Observei-a partir, sabendo que provavelmente seria a última vez que a veria. Havia algo final sobre esse encontro, embora eu não conseguisse exatamente identificar o que era. Talvez fosse a maneira como ela me olhou—suave, mas resignada. Ou talvez fosse simplesmente que havíamos chegado ao fim de qualquer conexão estranha que nos mantinha unidos por tantos anos.

Enquanto me sentava novamente no café, agora sozinho, comecei a pensar em Fialta—não apenas na cidade, mas no que ela chegou a representar para mim. Era um lugar de transitoriedade, de memórias mal formadas e momentos fugazes, um lugar onde nada parecia realmente enraizar. E ainda assim, apesar de sua cinza, havia uma certa beleza em Fialta, uma beleza que não residia em sua paisagem, mas em sua impermanência.

Pensei em Nina enquanto tomava meu café, em todas as vezes que nossos caminhos se cruzaram, em todos os momentos que compartilhamos. Eram fragmentos, na verdade—peças de um quebra-cabeça que nunca se completaria totalmente. Mas talvez esse fosse o ponto. Talvez alguns relacionamentos fossem destinados a permanecer inacabados, incompletos. Talvez fosse aí que residia sua verdadeira beleza.

Terminei meu café e me levantei, sentindo o peso do dia me pressionando. Enquanto caminhava de volta pelas ruas de Fialta, a névoa começou a se dissipar um pouco, revelando vislumbres de céu azul além. Mas era apenas um vislumbre, uma breve sugestão do que poderia ser, antes que a cinza se fechasse novamente.

E assim, deixei Fialta, como sempre fazia, com a sensação de que algo importante havia escapado por entre meus dedos mais uma vez.

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