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Sobre a História: A Criança da Lua Taíno é um Legend de puerto-rico ambientado no Ancient. Este conto Poetic explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. Uma lenda mística de amor, perda e o espírito imortal de Borikén.
Antes de o mundo conhecer Borikén como Porto Rico, antes que os espanhóis pisassem em suas praias douradas, a ilha pulsava com vida. Suas densas selvas se estendiam por milhas, o vento sussurrava entre as imponentes árvores de *ceiba*, e os rios carregavam as vozes dos espíritos. O povo Taíno vivia em harmonia com essa terra, suas vidas entrelaçadas com o ritmo da terra e do céu.
As lendas eram transmitidas de ancião para criança como brasas em um fogo sagrado, histórias dos *zemis*, os espíritos que os protegiam, e de guerreiros que se erguiam em tempos de grande necessidade. Entre essas lendas, um nome perdura como a lua sobre o mar—Maróa, a Criança da Lua.
Esta é a sua história.
Na noite em que Maróa nasceu, a lua cheia brilhava tão intensamente que transformou o céu em prata, banhando a terra com um brilho sobrenatural. Até mesmo o *behique*, o xamã da aldeia, nunca havia visto uma lua tão forte. Dentro de um pequeno *bohío*, sua mãe, Yara, segurava a recém-nascida contra o peito, seu coração estabilizando à medida que a dor do parto diminuía. Ao lado dela, Bimaru, um caçador e guerreiro habilidoso, sussurrou uma oração silenciosa de agradecimento. Mas no momento em que o *behique* colocou os olhos sobre o bebê, um silêncio pairou sobre o ambiente. “Olhe para os olhos dela”, murmurou ele. O bebê olhou para eles, seu olhar como prata líquida. Ela não chorou, não se inquietou—apenas observou com uma quietude estranha, como se já entendesse algo que os demais não compreendiam. O *behique* traçou um dedo trêmulo sobre a testa da criança. “Ela não é comum”, disse ele. “A lua a marcou. Ela caminhará entre este mundo e o próximo.” Suas palavras causaram um calafrio em Yara, mas Bimaru sorriu e pressionou um beijo na mãozinha da filha. “Então ela será forte”, disse ele. “Ela será uma luz para o nosso povo.” E assim, a chamaram Maróa, em homenagem ao brilho da lua sobre o rio. A infância de Maróa foi cheia de maravilhas e inquietações. As outras crianças brincavam no rio, riam enquanto escalavam árvores, mas Maróa frequentemente se afastava sozinha. Ela se sentava na grama alta, sussurrando para criaturas invisíveis, traçando padrões no solo com dedos delicados. À noite, enquanto a aldeia dormia, ela se levantava e caminhava até os penhascos, olhando para o oceano como se esperasse por algo—ou alguém—para lhe falar. Seu pai a adorava, chamando-a de *luna pequeña*, sua pequena lua, mas sua mãe se preocupava. “Os espíritos têm demonstrado grande interesse por ela”, dizia Yara. “Nenhuma criança deveria caminhar entre os mundos.” O *behique*, que a observava de perto há anos, apenas assentia. “Ela tem um destino”, disse ele simplesmente. Na noite de seu décimo sexto aniversário, Maróa estava junto à grande árvore de *ceiba*, cujas raízes se espalhavam como as veias da própria terra. A selva estava viva com sons—o chiar dos insetos, os piados distantes de aves noturnas. Mas, de repente, o mundo silenciou. O ar tornou-se denso, esfriando apesar da noite úmida. Da névoa, surgiu uma figura, sua forma mudando como a luz da lua sobre a água. “Criança da Lua”, o espírito falou, sua voz um sussurro levado pelo vento. O coração de Maróa bateu forte. “Quem é você?” O rosto do espírito era belo e estranho, como se fosse feito das próprias estrelas. “Uma escuridão se aproxima”, disse ele. “Homens de além das grandes águas. Eles não buscam harmonia. Eles querem tomar.” Maróa engoliu seco. “Tomar o quê?” “Tudo.” A forma do espírito oscilou, e com ela veio uma visão—chamas consumindo *bohíos*, rios tingidos de vermelho, os rostos de seu povo contorcidos pela dor. Maróa arfou. “Como posso impedir isso?” Os olhos luminosos do espírito encontraram os dela. “Você é a chave. Você deve lembrar quem você é, pois apenas você pode proteger o que não deve ser perdido.” E então, tão de repente quanto havia aparecido, o espírito desapareceu na noite, deixando Maróa de pé na selva silenciosa, o peso do aviso pressionando contra seu peito. Ela não dormiu naquela noite. Os dias se transformaram em semanas, e a visão assombrava Maróa. Ela contou o aviso ao *behique*, mas ele apenas assentiu solenemente. “Então é verdade”, murmurou. “Os espíritos raramente falam sem motivo.” Então, um dia, dos penhascos acima da costa, Maróa os viu. Estranhas canoas de madeira com velas brancas esvoaçantes, diferentes de tudo o que ela já tinha visto, cortavam as ondas. O oceano parecia inquieto sob elas, as ondas se levantando altas como se tentassem empurrar as embarcações para longe. Os homens que desembarcaram na areia eram pálidos, seus rostos sombreados sob capacetes de metal, seus olhos cheios de fome—por terra, por poder, por algo mais profundo e perigoso. Seu pai, Bimaru, estava na frente dos guerreiros da aldeia enquanto se aproximavam, seu rosto inexpressivo. O *cacique*, seu líder, cumprimentou os homens com as mãos abertas, oferecendo comida, água, paz. Mas Maróa não conseguia se livrar da sensação fria que se instalava em seus ossos. Ela encontrou o olhar do *behique*. “Eles trazem morte”, sussurrou ela. “Sim”, disse ele. “Mas ainda não.” Por um tempo, os *Españoles* foram convidados. Eles falaram de comércio, de amizade. Aceitaram presentes com sorrisos, mas seus olhos traíam suas verdadeiras intenções. E então, a paz se desfez. Sob o manto da escuridão, os *Españoles* atacaram. Eles queriam ouro, acreditando que Borikén fosse rica nele. Invadiram a aldeia com armas de metal, derrubando aqueles que resistiam, amarrando os que não resistiam. Maróa correu através do caos, seu coração batendo forte. Viu seu pai, espada em punho, ser derrubado antes que pudesse alcançá-la. Viu sua mãe sendo arrastada para a noite. Lágrimas ardendo em seus olhos, mas ela não parou. Fugiu para a selva, a respiração ofegante. Não sabia para onde estava indo—apenas que precisava alcançar o rio, o lugar onde os espíritos lhe tinham falado antes. Quando chegou, desabou à beira da água, soluçando. “Ajude-me”, sussurrou ela. “Por favor.” O rio cintilava. A névoa retornou. E a mulher espírito avançou mais uma vez. “A escolha é sua, Criança da Lua”, disse o espírito. “Permaneça neste mundo e sofra, ou abrace sua verdadeira forma e proteja seu povo de além.” Maróa tremeu. “Eu não entendo.” O espírito ajoelhou-se ao seu lado. “Sua alma está ligada à lua, ao rio, à própria terra. Se você entrar na água, não retornará—mas nunca estará perdida.” Maróa olhou de volta para a selva, para a fumaça erguendo-se sobre sua aldeia. Ela não tinha mais família. Nenhuma casa. Ela respirou fundo. Então, sem medo, avançou. O rio a abraçou como os braços de uma mãe, puxando-a para baixo. Uma luz explodiu ao seu redor e, naquele momento, ela soube—tornou-se algo mais. Ela não havia partido. Estava em todos os lugares. E nunca deixaria de observar. Os Taínos sofreram. Os espanhóis tomaram suas terras, sua liberdade, suas vidas. Mas o espírito de Maróa não permitiu que fossem apagados. Ela sussurrava pelo vento. Vivia nas ondas. E no brilho da lua cheia, seu povo se lembrava. Mesmo agora, quando a noite está silenciosa e a lua está cheia, aqueles que caminham pelas praias de Porto Rico dizem que ouvem sua voz—suave como a maré, forte como as estrelas. Ela é a Criança da Lua. E ela nunca será esquecida.Uma Criança da Lua
Crescendo Diferente
O Aviso na Névoa
A Chegada dos Estrangeiros
A Noite do Fogo
Tornando-se a Lua
Epílogo: A Lenda Continua
Fim.