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Sobre a História: O Fantasma do Cerro Rico é um Legend de bolivia ambientado no Contemporary. Este conto Dramatic explora temas de Justice e é adequado para Adults. Oferece Historical perspectivas. Uma lenda fantasmagórica assombra as minas de prata do Cerro Rico, e um minerador deve confrontar o passado para sobreviver.
Potosí, Bolívia—uma cidade de fantasmas e lendas, onde o peso da história paira pesado no ar rarefeito da montanha. Acima dela se ergue o Cerro Rico, a "Montanha Rica", que foi a fonte da vasta riqueza do Império Espanhol. Suas veias de prata alimentaram a economia mundial, mas a um custo impensável. Dezenas de milhares de escravos indígenas e africanos pereceram em suas profundezas, suas almas ligadas para sempre à escuridão das minas.
Entre os mineiros que ainda trabalham lá, sussurros percorrem como vento pelos túneis—histórias de sombras que se movem por conta própria, de vozes chamando de lugares invisíveis, de um espírito que nunca partiu. Um mineiro assassinado a sangue frio, traído pela ganância, ainda vagando pelos túneis em busca de justiça.
Diego Ayala passou sua vida entre essas histórias. Ele nunca acreditou nelas. Até a noite em que o fantasma do Cerro Rico sussurrou seu nome.
Diego Ayala trabalhou nas minas do Cerro Rico desde a infância. Era a única vida que ele tinha conhecido, assim como seu pai e avô antes dele. Todos os dias, ele descia nas profundezas da montanha, balançando sua picareta contra a pedra fria, procurando por quaisquer restos de prata que permanecessem. Mas o Cerro Rico havia mudado. A prata tinha se esgotado, e o que restava vinha a um preço elevado. Quanto mais fundo cavavam, mais instáveis se tornavam os túneis. Homens desapareciam, seus corpos nunca encontrados. Desabamentos eram comuns. E os mineiros mais antigos sussurravam que a montanha estava irada. “O Tío está inquieto”, disse Don Vicente, um mineiro mais velho com olhos obscurecidos pelos anos inalando poeira. “Algo o perturbou.” O Tío era o espírito da mina, um demônio com chifres que governava o submundo. Os mineiros deixavam-lhe oferendas—folhas de coca, álcool, até o ocasional sacrifício de sangue—para mantê-lo satisfeito. Diego não acreditava no Tío. Mas acreditava na montanha. E a montanha tinha regras. Naquela manhã, ele e sua equipe entraram no Túnel 26, um dos shafts mais antigos e perigosos. A mina estava silenciosa, salvo pelo distante tilintar das picaretas e o ocasional gemido da rocha se movendo. Então, profundamente na escuridão, Diego ouviu algo mais. Um sussurro. A princípio, ele pensou que fosse apenas o vento assobiando pelos túneis. Mas conforme avançava, ficou mais claro. “Diego...” Ele congelou. Ninguém estava atrás dele. Um calafrio percorreu sua espinha, e pela primeira vez em anos, Diego sentiu medo de verdade. Naquela noite, Diego sentou-se com um grupo de mineiros fora de uma pequena taverna em Potosí, bebendo singani quente e tentando esquecer o que tinha ouvido. “Você está pálido”, disse Roberto, um mineiro mais jovem com uma cicatriz na bochecha. Diego hesitou, então finalmente falou. “Ouvi algo hoje. No Túnel 26.” A conversa parou. Até o barman, passando o balcão, parou. “O que você ouviu?”, perguntou Don Vicente. Diego respirou fundo. “Alguém sussurrando meu nome.” O rosto de Don Vicente escureceu. Ele lentamente colocou seu copo de lado. “Então você deveria ficar longe daquele túnel.” Diego franziu a testa. “O que você quer dizer?” O velho aproximou-se. “Há muito tempo, havia um mineiro chamado Tomás Soria. Ele encontrou uma veia escondida de prata—mais rica do que tudo que os espanhóis jamais sonharam. Mas ele cometeu o erro de confiar na pessoa errada.” “Luis Aguirre”, sussurrou outro mineiro. Don Vicente assentiu. “Um colega mineiro. Eles deveriam compartilhar o tesouro. Mas a ganância dominou Aguirre. Uma noite, ele matou Tomás nas profundezas dos túneis e enterrou seu corpo onde ninguém o encontraria. Então, como punição, a montanha levou Aguirre também. Seu corpo nunca foi recuperado.” Uma rajada de vento varreu a rua, sacudindo as janelas. “Os mais velhos dizem que Tomás nunca deixou a mina”, continuou Don Vicente. “Seu fantasma ainda permanece nos túneis, esperando que alguém descubra a verdade.” Diego engoliu em seco. “E você acha que foi isso que eu ouvi?” A expressão de Don Vicente estava séria. “Você não precisa acreditar em mim. Mas se ouvir os sussurros de novo—corra.” Diego não ouviu. No dia seguinte, ele voltou ao Túnel 26, determinado a provar que a lenda não passava de uma história. Sua picareta batia na rocha, repetidamente, até seus braços doerem. Então, o sussurro voltou. “Ajude-me...” Diego deixou cair a picareta. A voz estava próxima—perto demais. Sua respiração acelerou enquanto ele se virava, lanterna em mãos. Nada. Mas o ar havia mudado. Estava mais frio, mais pesado, pressionando seu peito como mãos invisíveis. Então, ele viu. Uma sombra, quase invisível na luz trêmula da lanterna. Uma figura parada na extremidade do túnel, com o rosto oculto na escuridão. Então, ela se aproximou. Diego correu. Ele não parou até sair para o ar livre, ofegante, com o coração batendo forte contra as costelas. A lenda era real. E o fantasma de Tomás Soria o havia encontrado. Diego procurou pela única pessoa que poderia ter respostas—Abuelo Manuel, um velho mineiro que já havia se aposentado há muito tempo. Quando Diego contou o que havia visto, o velho homem assentiu solenemente. “Você viu Tomás.” Diego exalou bruscamente. “O que ele quer?” Abuelo Manuel pegou uma caixa de madeira em sua prateleira. Dentro estava um antigo mapa frágil dos túneis do Cerro Rico. Ele apontou para um shaft esquecido, há muito abandonado. “O corpo dele está aqui”, disse Manuel. “Ainda enterrado sob a pedra. Se você quer libertá-lo, deve encontrar seus restos.” Diego olhou para o mapa, o peso da decisão pesando sobre ele. Ele não tinha escolha. Armado com uma picareta e uma lanterna, Diego voltou à mina à noite. Os túneis estavam mortalmente silenciosos, a escuridão engolindo a luz de sua lanterna. Ele seguiu o mapa antigo profundamente na mina, passando por passagens desabadas e equipamentos enferrujados. Então, ele viu. Uma mão esquelética, estendendo-se da terra. Seu estômago se contorceu, mas ele continuou cavando. Lentamente, os restos de Tomás Soria foram descobertos. O sussurro voltou, mais suave desta vez. “Obrigado...” Então, o chão tremeu. A montanha estava se movendo. Diego agarrou o crânio e fugiu. Atrás dele, o túnel desabou, selando o passado para sempre. Na manhã seguinte, Diego e um padre deram a Tomás um enterro adequado. A partir daquele dia, o assombro cessou. Sem mais sussurros. Sem mais sombras no escuro. Mas o Cerro Rico nunca esquece. Até hoje, os mineiros falam de Diego Ayala—o homem que libertou um fantasma e sobreviveu à ira da montanha. Alguns dizem que ele foi apenas sortudo. Outros dizem que Tomás Soria ainda observa das sombras, protegendo aqueles que trabalham na escuridão, garantindo que nenhum mineiro sofra seu destino novamente. Mas quando o vento uiva pelos túneis e as lanternas piscam sem motivo, os mineiros param. Escutando. Esperando. E lembrando. Anos depois, Diego deixou Potosí. Mas todo ano, no aniversário daquela noite, ele acendia uma vela e sussurrava uma oração pelas almas perdidas sob a montanha. Porque algumas histórias não são para serem esquecidas. E alguns fantasmas nunca realmente descansam.A Maldição da Montanha
Um Aviso do Passado
Descida ao Terror
A Verdade Enterrada embaixo
O Ajuste de Contas
A Lenda Continua
Epílogo: A Montanha se Lembra
Fim.