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Sobre a História: A Grata Garça é um Folktale de japan ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Loss e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Uma história de bondade, gratidão e o vínculo misterioso entre o homem e a natureza.
Em uma pequena e serena vila aninhada entre as colinas ondulantes do Japão, vivia um velho chamado Takashi. Ele era um humilde agricultor, passando seus dias arando a terra e cuidando de seus modestos campos de arroz. Takashi vivia sozinho, sua esposa tendo falecido há muitos anos, e o casal não tinha filhos. Apesar de sua solidão, Takashi estava contente com sua vida simples. Ele encontrava alegria no ritmo suave da natureza, nas estações que mudavam e na companhia silenciosa dos pássaros que visitavam seus campos.
A vida cotidiana de Takashi era uma rotina de simplicidade. Ele se levantava ao amanhecer, seu corpo acostumado às primeiras horas, e seguia para os campos com uma enxada pendurada no ombro. A terra era sua companheira, e ele a tratava com o respeito que merecia, sabendo que ela lhe proporcionava em troca. Os moradores da vila admiravam sua dedicação e frequentemente falavam sobre como Takashi nunca reclamava das dificuldades de sua vida. Ele era conhecido por sua bondade, sempre disposto a ajudar seus vizinhos, mesmo quando suas próprias necessidades eram grandes.
Numa fria noite de inverno, enquanto a neve caía suavemente do céu, Takashi retornava para casa após um longo dia de trabalho. O ar estava crispado e o chão coberto por um espesso manto de neve. O mundo estava silencioso, salvo pelo suave estalo dos passos de Takashi enquanto ele seguia pelo caminho estreito que levava à sua casa. Os flocos de neve dançavam ao seu redor, e o céu estava em um tom profundo de azul crepuscular, com as primeiras estrelas começando a brilhar vagamente. De repente, ele ouviu um som fraco, como um suave choro, vindo da floresta próxima. Curioso, Takashi seguiu o som até se deparar com uma clareira.
Lá, no meio da clareira, estava uma bela cegonha branca. Suas asas estavam estendidas sobre a neve, e ela parecia estar em grande aflição. As penas da cegonha eram impecáveis e cintilavam à luz fraca, dando à ave uma aparência quase etérea. Takashi notou que a perna da cegonha estava presa em uma armadilha de caçador, e a pobre ave lutava para se libertar. A visão tocou o coração de Takashi, e ele sentiu uma profunda compaixão pela criatura. Sem hesitar, Takashi correu para o lado da cegonha. Ele cuidadosamente soltou a armadilha e libertou a perna da ave. A cegonha olhou para ele com olhos cheios de gratidão, então abriu suas asas e alçou voo, desaparecendo na fria noite de inverno.
O voo da cegonha foi gracioso e majestoso, e Takashi ficou ali por um momento, observando enquanto ela se tornava um pequeno ponto no céu. Ele sentiu um calor no coração, sabendo que havia feito a coisa certa. Mal sabia ele que esse simples ato de bondade mudaria sua vida de maneiras que ele jamais poderia imaginar.
Vários dias se passaram, e Takashi continuou com sua rotina diária, com a memória da cegonha persistindo em sua mente. Ele frequentemente se perguntava se a ave estava segura, se havia encontrado o caminho de volta para seu bando. O inverno havia se instalado completamente sobre a vila, e a neve cobria tudo com um espesso manto branco. As noites eram longas e frias, e os moradores passavam a maior parte do tempo dentro de casa, reunidos ao redor de suas lareiras. Takashi, também, permaneceu em sua pequena casa, sua vida continuando como sempre havia sido.
Numa noite, enquanto preparava uma refeição simples de arroz e vegetais em conserva, houve uma batida em sua porta. O som foi inesperado, pois era raro Takashi receber visitantes, especialmente durante os rigorosos meses de inverno. Surpreso, Takashi abriu a porta e encontrou uma jovem mulher do lado de fora. Ela estava vestida com um quimono simples, e seu longo cabelo preto caía graciosamente sobre os ombros. Apesar do frio, ela parecia indiferente, suas bochechas rosadas e olhos brilhantes.
A mulher se apresentou como Yuki e perguntou se poderia ficar com Takashi por aquela noite, pois não tinha para onde ir. Sua voz era suave e melódica, e havia algo em sua presença que tranquilizou Takashi. Tocando-se pela situação dela, Takashi a acolheu em sua casa sem hesitar. Ele lhe ofereceu um assento junto ao fogo, e enquanto ela se aquecia, Takashi não pôde deixar de sentir que havia algo especial naquela mulher.
Yuki ficou com Takashi por muitos dias, e os dois logo se tornaram afeiçoados. Yuki era gentil e amável, e ajudava Takashi com suas tarefas. Ela também era uma hábil tecelã, e um dia ofereceu-se para tecer um tecido especial para Takashi vender na vila. Ela pediu uma condição: que Takashi nunca olhasse para a sala onde ela estava tecendo. Takashi concordou, e Yuki trancou-se em uma pequena sala, iniciando seu trabalho.
Por três dias e três noites, Takashi ouviu o som do tear enquanto Yuki trabalhava incansavelmente atrás da porta fechada. O ritmo cadenciado do tear era calmante, e Takashi se pegava ouvindo com uma sensação de paz. Ele se perguntava que tipo de tecido Yuki estava criando, mas respeitou o desejo dela por privacidade e não espiou dentro. Finalmente, no quarto dia, Yuki emergiu da sala, segurando um magnífico pedaço de tecido. O material era diferente de tudo que Takashi já tinha visto—suave como uma nuvem e adornado com padrões intrincados que cintilavam como as penas de uma cegonha. Yuki entregou o tecido a Takashi, que maravilhou-se com sua beleza. Ela disse para ele levá-lo ao mercado da vila, onde poderia vendê-lo por uma grande quantia de dinheiro.
Takashi fez conforme Yuki instruiu, e o tecido obteve um preço surpreendente no mercado. Os moradores ficaram maravilhados com o material e compraram ansiosamente, apesar do alto custo. Com o dinheiro, Takashi pôde comprar mais terra e melhorar sua casa. Yuki continuou a tecer mais tecidos, cada peça tão bonita quanto a anterior, e logo Takashi se tornou um homem rico. Os moradores ficaram impressionados com a qualidade do tecido e perguntavam a Takashi sobre a misteriosa tecelã. Mas Takashi, honrando sua promessa a Yuki, não contou nada.
Apesar da nova riqueza, Takashi permaneceu humilde e continuou a viver uma vida simples com Yuki. No entanto, com o passar do tempo, a curiosidade começou a corroê-lo. Ele se perguntava como Yuki conseguia criar tecidos tão extraordinários e qual segredo ela estava escondendo atrás da porta fechada. Ele pensava no som do tear, no ritmo suave e quase musical que havia preenchido sua casa. Que tipo de magia estava em ação? Yuki era realmente apenas uma hábil tecelã, ou havia algo mais nela?
Uma noite, incapaz de conter mais sua curiosidade, Takashi se aproximou silenciosamente da sala onde Yuki estava tecendo. Seu coração batia forte no peito enquanto ele alcançava a porta. Ele hesitou, o peso de sua promessa pesado em sua mente. Mas o desejo de saber, de entender o mistério que havia entrado em sua vida, era forte demais para resistir. Ele empurrou a porta suavemente e espiou para dentro.

Para seu choque, Takashi não viu Yuki no tear, mas uma bela cegonha branca, a mesma cegonha que ele havia salvado da armadilha naquela noite de inverno. A cegonha estava usando suas próprias penas para tecer o exímio tecido. Suas asas se moviam graciosamente, e as penas que arrancava de seu próprio corpo cintilavam na luz fraca da sala. Enquanto Takashi observava maravilhado, a cegonha de repente parou e virou-se para encará-lo. Nesse momento, a cegonha transformou-se de volta em Yuki, seus olhos cheios de tristeza.
"Eu te avisei para não olhar," disse Yuki suavemente, sua voz tingida de tristeza. "Eu sou a cegonha que você salvou, e queria retribuir sua bondade. Mas agora que você viu minha verdadeira forma, não posso mais ficar com você."
Lágrimas encheram os olhos de Takashi enquanto ele percebia a gravidade de suas ações. "Por favor, me perdoe," ele implorou. "Não quis trair sua confiança."
Mas Yuki balançou a cabeça. "Eu devo ir," disse ela. "Mas lembre-se, meu coração estará sempre com você, e serei eternamente grata pela bondade que você me mostrou."
Com essas palavras, Yuki transformou-se de volta em uma cegonha, abrindo suas asas amplamente. Ela alçou voo, circulando uma vez sobre a casa de Takashi antes de desaparecer no céu noturno. Takashi a observou partir, seu coração pesado de arrependimento. A noite estava silenciosa, o único som o distante choro do vento, ecoando pelas montanhas. Takashi ficou ali por muito tempo, olhando para o céu vazio, seu coração doendo de perda.

A partir daquele dia, Takashi viveu sozinho mais uma vez. A riqueza que ele havia ganho com os tecidos de Yuki significava pouco para ele sem sua presença ao lado. Os moradores perceberam a mudança em Takashi, como ele já não sorria como antes, como parecia carregar um fardo pesado. Ele frequentemente vagava pela floresta, esperando vislumbrar a cegonha, mas ela nunca retornava. Ele se sentava à beira da clareira onde a encontrou pela primeira vez, observando o céu e ouvindo o som das asas. Mas o céu permanecia vazio e a floresta estava silenciosa.
No entanto, todo inverno, quando a primeira neve começava a cair, Takashi ouvia o suave choro de uma cegonha ao longe, e sabia que Yuki estava cuidando dele. O som o enchia com uma sensação agridoce de conforto, um lembrete do vínculo que compartilharam e do amor que havia sido perdido. Ele se levantava na neve, com o rosto voltado para o céu, e sussurrava seu nome, esperando que de alguma forma,
ela pudesse ouvi-lo.
À medida que os anos passavam, a história de Takashi tornou-se uma lenda na vila, um conto de bondade, gratidão e as consequências da curiosidade. Os moradores frequentemente falavam sobre o velho que um dia salvou uma cegonha e perdeu a mulher que amava. Eles contavam a história para seus filhos, lembrando-os da importância de manter promessas e respeitar os segredos dos outros. A história da Cegonha Grata tornou-se parte do patrimônio da vila, transmitida de geração em geração, uma história que tocava os corações de todos que a ouviam.
Takashi mesmo envelheceu, mas nunca esqueceu Yuki. As estações mudavam, os anos passavam, e a vila ao seu redor continuava a crescer e prosperar. Mas a vida de Takashi permanecia inalterada, uma existência tranquila marcada por uma profunda tristeza não dita. Ele cuidava de seus campos, agora invadidos e selvagens, e cuidava dos animais que vinham visitá-lo, assim como fazia em sua juventude. Mas havia um vazio em sua vida que nada podia preencher.
No leito de morte, Takashi sussurrou seu nome, e aqueles que estavam com ele disseram que, enquanto ele dava seu último suspiro, uma cegonha foi vista voando graciosamente acima de sua casa. Os moradores acreditavam que a cegonha havia vindo para guiar o espírito de Takashi para a vida após a morte, um ato final de gratidão daquele que ele havia salvado tantos anos antes. Eles se reuniram fora de sua casa, observando enquanto a cegonha circulava uma vez, duas vezes, três vezes antes de desaparecer nas nuvens.

E assim, a história da Cegonha Grata foi passada através das gerações, uma história que lembrava a todos que a ouviam do poder da bondade, do valor da confiança e do laço duradouro entre um humilde agricultor e a cegonha que retribuiu sua bondade da maneira mais extraordinária.
A vila onde Takashi vivia mudou com o tempo. Novas famílias se mudaram, casas antigas foram reconstruídas, e a vila cresceu. Mas a história da Cegonha Grata permaneceu, um fio constante que conectava o passado ao presente. Os moradores se reuniam nas frias noites de inverno, sentando-se junto aos seus fogões, e contavam a história de Takashi e Yuki, suas vozes cheias de reverência.
As crianças ouviam com olhos arregalados, suas imaginações despertadas pelo conto. Elas faziam perguntas, querendo saber mais sobre a cegonha, sobre a magia que a havia trazido para a vida de Takashi. Os mais velhos sorriam e lhes diziam que algumas histórias estão destinadas a ser mistérios, que nem tudo na vida pode ser explicado. E assim, a lenda continuava viva, um lembrete da beleza e da tragédia que podem surgir dos atos mais simples de bondade.

Quanto a Takashi, sua memória vivia nos corações dos moradores. Eles cuidavam de seu túmulo, que era marcado por uma pedra simples, e deixavam oferendas de arroz e flores, honrando o homem que lhes mostrou a importância da compaixão. E todo ano, quando a primeira neve caía, eles olhavam para o céu, esperando vislumbrar a cegonha, sabendo que em algum lugar, Yuki ainda estava cuidando deles.
E na quietude da noite, quando o mundo estava calmo e as estrelas brilhavam intensamente no céu, alguns diziam que podiam ouvir o suave choro de uma cegonha, um som que trazia consigo uma sensação de paz e um lembrete de que o amor, uma vez dado, nunca está verdadeiramente perdido.
