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Sobre a História: O Segundo Ataque à Padaria é um Realistic Fiction de japan ambientado no Contemporary. Este conto Conversational explora temas de Loss e é adequado para Adults. Oferece Entertaining perspectivas. A estranha fome noturna de um casal os leva a um assalto surreal a uma padaria.
Era por volta das 2h30 da manhã quando minha esposa de repente me acordou bruscamente. Eu estava em um sono profundo, um daqueles estados onde a mente parece submersa, desligada de tudo ao redor. Lutava para me orientar, mas estava claro que minha esposa não estava apenas me despertando casualmente — havia urgência em sua voz. Sua respiração estava acelerada e suas mãos pareciam frias contra a minha pele enquanto ela sussurrava algo em meu ouvido.
“Nós precisamos comer alguma coisa. Agora”, disse ela, como se fosse uma questão de vida ou morte.
Ainda meio dormindo, me apoiei em um dos cotovelos, piscando contra a escuridão do nosso quarto. “O que você quer dizer?” perguntei, com a voz ainda sonolenta. “Não podemos simplesmente tomar café da manhã amanhã?”
“Não”, respondeu ela severamente. “Não o café da manhã. Precisamos de algo mais... substancial. Uma refeição. Algo com pão.”
Fiquei olhando para ela, confuso. Nos três meses em que estávamos casados, minha esposa nunca havia demonstrado tal senso de urgência sobre comida, especialmente a essa hora. E qual era a obsessão repentina com pão?
“Você não entende”, insistiu ela, com a voz afiada. “É uma fome que vai mais fundo do que qualquer coisa que eu já senti antes.”
Por um momento, fiquei sem saber o que dizer. O rosto dela estava tenso de determinação, e suas mãos se cerravam em punhos como se estivessem lutando contra uma força invisível. E naquele instante, uma memória do meu passado de repente surgiu na minha mente — uma padaria. O ataque. A fome estranha que me consumiu uma vez antes.
“Pode ser...?” murmurei baixinho.
Ela assentiu antes que eu sequer completasse o pensamento. “Sim”, disse ela, com os olhos arregalados. “É a mesma coisa. A mesma fome que você sentiu naquela época, não é?”
E assim, soube o que precisava ser feito.
Anos atrás, antes de conhecer minha esposa, estive envolvido em um crime — bem, quase um crime. Acabei de fazer 18 anos e estava no auge da rebeldia juvenil. Um amigo e eu decidimos roubar uma padaria. Não era pelo dinheiro; era pela fome. Queríamos pão, e não qualquer pão — queríamos pão fresco e quente, direto do forno. Era primitivo, instintivo, e nenhum de nós conseguia explicar por que isso tinha se tornado tão importante. Mas era assim. A padaria era um lugar pequeno e discreto na periferia da cidade, administrada por um velho com uma postura calma e reservada. Entramos com máscaras no rosto, brandindo facas de cozinha — não as ferramentas mais afiadas, mas o suficiente para parecer ameaçador. Lembro-me do cheiro de farinha e fermento no ar, do calor dos fornos irradiando dos fundos. “Queremos pão”, exigiu meu amigo. O padeiro não recuou. Olhou para nós calmamente, seus olhos alternando entre nós, como se esperasse por isso. Sem uma palavra, ele assentiu e entregou alguns pães. Sem resistência, sem medo. Apenas pão. Enquanto saíamos, pães nas mãos, não houve adrenalina, nem sensação de triunfo. Parecia vazio, como se não tivéssemos realizado nada. Comemos o pão em silêncio, nossa fome lentamente diminuindo, mas algo sobre a experiência permanecia na parte de trás da minha mente como um eco distante. Aquela sensação de fome — não tinha realmente sido satisfeita. Apenas foi momentaneamente controlada. Avançando para o presente, me vi sentado na beira da cama, olhando para minha esposa enquanto a mesma fome de todos aqueles anos ressurgia, infiltrando-se na minha consciência como uma sombra. Minha esposa estava sentada ao meu lado, com os olhos cheios da mesma necessidade primitiva, como se fôssemos ambos possuídos por algo além do nosso controle. “Nós precisamos comer pão”, ela disse novamente, com a voz quase inaudível. “Mas são 2h30 da manhã”, protestei, embora soubesse no fundo que a hora não importava. Isso não era uma fome racional — era algo completamente diferente. Algo que desafiava explicação. “Temos que fazer algo a respeito”, insistiu ela, apertando mais o meu braço. “Não podemos simplesmente ignorar. Você sabe o que acontece se fizermos isso.” Ela estava certa. Eu sabia muito bem o que poderia acontecer se deixássemos essa fome sem controle. Ela cresceria, se retorcendo no fundo de nossas mentes até nos consumir. E assim, sem mais hesitação, nos vestimos e saímos do apartamento, dirigindo-nos para as frias e silenciosas ruas de Tóquio. As ruas estavam desertas enquanto atravessávamos a cidade, o fraco brilho dos postes de luz lançando longas sombras no pavimento. Todas as padarias que passávamos estavam, claro, fechadas. Nem tinha certeza do que estávamos procurando — talvez uma loja de conveniência 24 horas que vendesse pão? Ou talvez algo mais primitivo, mais elusivo. “Não podemos simplesmente comprar pão em uma loja”, murmurou minha esposa, como se estivesse lendo meus pensamentos. “Tem que ser fresco. Tem que ser de uma padaria.” “Mas todas as padarias estão fechadas”, respondi, com a frustração transparecendo na voz. “O que você sugere que façamos? Invadir uma?” Ela não respondeu, mas o silêncio que se seguiu falou por si. A ideia pairava no ar entre nós, pesada e inevitável. Continuamos caminhando, a fome roendo nossas entranhas como uma fera que se recusa a ser domada. Podia senti-la crescendo, tornando-se mais insistente a cada passo, até que finalmente encontramos uma pequena padaria familiar escondida em um beco estreito. As luzes internas estavam apagadas, e o lugar estava claramente fechado para a noite. Mas ali, na vitrine, havia uma exposição de pães recém-assados, ainda quentes dos fornos. A visão deles fez meu estômago se contrair de antecipação. “Nós vamos fazer isso”, disse minha esposa, com voz baixa e firme. Hesitei por um momento, mas a fome era forte demais. Ela sobrepujava qualquer senso de lógica ou razão. E assim, assim como fiz todos aqueles anos atrás, me vi parado fora de uma padaria, contemplando um crime que eu não compreendia totalmente. Invadimos a padaria com relativa facilidade. A porta dos fundos estava destrancada, e entramos silenciosamente, com o cheiro de pão recém-assado enchendo o ar. Era intoxicante, e por um momento, fiquei tonto. “Rápido”, sussurrou minha esposa, pegando um pão em um dos estantes. “Precisamos comer.” Segui seu exemplo, pegando um pão meu e rasgando-o com uma urgência que não sentia desde o primeiro ataque à padaria. O pão estava quente e macio, a crosta perfeitamente crocante. Derretia na minha boca, satisfazendo a fome de uma maneira que nada mais podia. Mas mesmo enquanto comíamos, podia sentir aquela mesma sensação de vazio se aproximando. Assim como antes, a fome não estava realmente sendo satisfeita — estava apenas sendo momentaneamente silenciada. “Precisamos de mais”, disse minha esposa, com a voz tremendo ligeiramente. “Mais?” ecoei, embora já soubesse a resposta. Ela assentiu, com os olhos arregalados e desesperados. “Não é suficiente. Precisamos levar tudo.” E assim, fizemos. Enchemos nossos braços com pães, salgados, qualquer coisa que conseguíssemos carregar. Comemos até não podermos mais, mas ainda assim, a fome permanecia. Era insaciável, um poço sem fundo que nunca poderia ser preenchido. Quando saímos da padaria, o sol começava a nascer, lançando uma luz pálida sobre a cidade. Caminhamos em silêncio, o peso do que havíamos feito pesado entre nós. Mas mais do que isso, havia um peso mais profundo — a realização de que essa fome nunca desapareceria. Não importava o quanto de pão comêssemos, não importava quantas padarias atacássemos, ela sempre estaria lá, espreitando logo abaixo da superfície. Ao chegarmos ao nosso apartamento, olhei para minha esposa. Seu rosto estava pálido, seus olhos vazios. Ela parecia tão exausta quanto eu me sentia e, ainda assim, havia algo em sua expressão que me dizia que isso não tinha acabado. Muito longe de terminar. “Vamos ter que fazer isso de novo, não vamos?” ela perguntou, com a voz quase inaudível. Não respondi. Não precisava. Ambos conhecíamos a verdade. A fome nunca iria embora. Era parte de nós agora, uma força que nos impulsionaria repetidamente até que nada permanecesse. E assim, enquanto subíamos para a cama, os restos do ataque à padaria ainda grudados em nossas roupas, fechei os olhos e tentei afastar o pensamento da mente. Mas mesmo enquanto o sono começava a me dominar, podia sentir a fome se agitando mais uma vez, esperando pelo próximo momento em que surgiria e exigiria ser alimentada. Na manhã seguinte, o mundo continuou como se nada tivesse acontecido. Seguimos nossas rotinas diárias — trabalho, tarefas domésticas, conversas triviais — mas havia um entendimento silencioso entre nós, um pacto não declarado. Ambos sabíamos que era apenas uma questão de tempo antes que a fome retornasse. Nas semanas que se seguiram, fizemos o nosso melhor para ignorá-la, para fingir que tudo estava normal. Mas a fome nunca realmente desapareceu. Estava sempre lá, fervilhando logo abaixo da superfície, esperando o momento certo para atacar novamente. E quando isso acontecesse, estaríamos preparados.Capítulo Um: O Primeiro Ataque
Capítulo Dois: A Fome Retorna
Capítulo Três: Uma Busca Noturna
Capítulo Quatro: O Ataque
Capítulo Cinco: As Consequências
Capítulo Seis: Uma Manhã Tranquila