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Sobre a História: O Salto da Lhama em Uyuni é um Legend de bolivia ambientado no Contemporary. Este conto Poetic explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Um salto lendário que desafiou a natureza e abalou os céus.
Existem lugares neste mundo onde a realidade e o mito se entrelaçam de forma tão perfeita que não se pode dizer onde um começa e o outro termina. O Salar de Uyuni é um desses lugares — uma terra de puro branco, estendendo-se infinitamente sob um céu tão vasto que parece engolir a terra.
Aqui, lendas são sussurradas pelo vento, carregadas através das salinas como ecos de espíritos ancestrais. Alguns dizem que o Salar guarda os segredos do passado, que suas miragens não são ilusões, mas vislumbres de outro mundo. E dentre essas histórias, nenhuma é mais incrível do que a história de Inti, a Lhama — a criatura que desafiou as leis da natureza, que deu um salto tão extraordinário que até os deuses notaram.
Esta é a sua história.
As terras altas da Bolívia não são gentis com aqueles que são fracos. O vento corta afiado como uma lâmina, o sol queima durante o dia e o frio morde à noite. No entanto, entre as pessoas que chamam esta terra acidentada de lar, havia um velho pastor chamado Tupac que havia feito as pazes com as dificuldades do Altiplano. Por décadas, Tupac viveu perto da borda das grandes salinas, cuidando de suas lhamas com devoção silenciosa. Seu pequeno rebanho era tudo o que ele tinha no mundo. Nunca se casou, nunca teve filhos, mas possuía algo mais — suas lhamas, sua terra e as histórias passadas por seus ancestrais. E então havia Inti. Desde o momento em que nasceu, Inti era diferente. Sua lã brilhava dourada sob a luz do sol, sua postura era régia, seus olhos carregavam algo que Tupac não conseguia explicar completamente. Havia sabedoria neles, um entendimento além do comum. Os moradores da vila frequentemente sussurravam sobre ele. Alguns diziam que ele era um presente de Pachamama, a Mãe Terra. Outros acreditavam que ele estava amaldiçoado — nenhuma lhama deveria ter olhos assim, olhos que pareciam ver demais. Tupac ignorava as conversas deles. Ele sabia apenas uma coisa: Inti era especial, e isso já bastava. A vida na vila de Colchani era lenta e previsível — até o dia em que um estranho chegou. Seu nome era Fernando Suárez, e ele vinha de La Paz, vestido com botas finas e carregando um ar de confiança que não pertencia a um lugar como este. “Procuro a lhama mais forte de toda a Bolívia”, declarou, com a voz ecoando pela praça da vila. “Pois fiz uma aposta — uma lhama pode saltar sobre a Fenda do Diabo.” Os moradores riram. A Fenda do Diabo era uma fenda no Salar, um abismo tão profundo que ninguém jamais havia visto o fundo. A ideia de que uma mera lhama pudesse saltá-la? Impossível. Mas Inti não riu. Ele ficou na beira do curral, orelhas erguidas, olhar firme. Como se entendesse. Fernando seguiu os olhares dos moradores até que seus olhos pousaram em Inti. Seu sorriso frouxo vacilou, apenas um pouco. Ele esperava uma besta muscular, não esta criatura elegante e dourada. “Esta aqui”, disse finalmente, apontando. “Esta é a escolhida.” As mãos de Tupac se cerraram em punhos. “Ele não está à venda.” O sorriso de Fernando retornou. “Não quero comprá-lo. Quero testá-lo.” Ele se voltou para os moradores reunidos. “Se esta lhama der o salto, vou recompensar todos vocês além dos seus sonhos mais selvagens. Se ele falhar...” Espalhou as mãos como se dissesse, *Qual a importância de uma lhama a mais ou a menos?* Tupac sentiu o peso dos olhares dos moradores. Eles precisavam de dinheiro. Eles precisavam de esperança. Mas ele não podia forçar Inti a saltar. A decisão tinha que ser dele. E Inti... já tinha decidido. O sol estava apenas começando a nascer quando os moradores se reuniram na beira do Salar. A Fenda do Diabo se abriu diante deles — um abismo de sete metros, com o fundo engolido pelas sombras. O vento uivava através dela como uma besta faminta. Fernando estava do outro lado, de braços cruzados, esperando. “Se ele saltar, será o primeiro.” Tupac passou a mão pela lã de Inti. “Você não precisa fazer isso,” sussurrou. Inti mexeu uma orelha. Ele estava pronto. Ele deu um passo para trás, os músculos tensionados. O mundo ficou em silêncio. Então — ele correu. Mais rápido do que qualquer lhama jamais havia se movido. No passo final, ele se lançou ao ar. O tempo pareceu desacelerar. Suspiros ecoaram. E então — ele aterrissou. A multidão irrompeu. Gritos de descrença. Aplausos. Até Fernando parecia atordoado. Mas longe da multidão, algo mais estava observando. Algo mais antigo que a vila. E não estava satisfeito. Naquela noite, uma tempestade se formou sobre o Salar. Raios cruzavam a imensa planície branca, iluminando sombras que não deveriam estar ali. Tupac acordou com um sobressalto. Sua cabana parecia errada, o ar denso com algo invisível. Então ele notou — Inti havia desaparecido. O pânico o dominou. Ele pegou seu poncho e correu. Encontrou Inti parado perto da borda das salinas, olhando para a escuridão. E diante dele — uma figura vestida de branco. “Os espíritos,” Tupac respirou. A figura ergueu o braço, e uma nova fenda se abriu na terra. Mais larga. Mais profunda. Mais escura. “Se ele é realmente o escolhido,” a voz ecoou, “que ele prove.” Tupac se virou para Inti. “Você não precisa fazer isso,” implorou. Mas Inti não hesitou. Mais uma vez, ele correu. Raios caíram. A fenda estava mais larga, impossível. Mas no último segundo — ele saltou. E quando aterrissou, o espírito havia desaparecido. Apenas o vento permaneceu, sussurrando, “O equilíbrio foi restaurado.” De manhã, Inti havia desaparecido. Alguns diziam que ele havia desaparecido na lenda. Outros acreditavam que ele havia se tornado parte do próprio Salar, correndo pelas salinas, saltando para sempre em direção ao horizonte. Mas em noites claras, se você estiver na beira da Fenda do Diabo, pode ouvir — o distante trovão das cascos. E se olhar de perto, pode vê-lo. Uma figura dourada, correndo em direção ao céu. Alguns dizem que Inti se tornou uma estrela, brilhando sobre a Bolívia para toda a eternidade. Outros dizem que ele ainda vigia o Salar, esperando o dia em que deve saltar mais uma vez. Mas uma coisa é certa — Algumas lendas nunca desaparecem.O Guardião do Altiplano
O Estranho de La Paz
O Primeiro Salto
Os Espíritos se Agitam
A Lhama Que Tocou o Céu
Fim.