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Sobre a História: A Maldição do Pescador no Lago Vitória é um Legend de kenya ambientado no Contemporary. Este conto Dramatic explora temas de Justice e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. A arrogância de um pescador desperta uma antiga maldição, e o lago exige pagamento em sangue.
Introdução
O Lago Vitória—o vasto e misterioso coração da África Oriental—estendia-se infinitamente sob o brilho da lua, suas águas sussurrando contra as margens da Ilha Mfangano. Ele alimentava gerações, concedia riquezas e engolia segredos sob sua superfície cintilante. Os pescadores que viviam à sua margem sabiam respeitar seus humores, oferecendo orações e sacrifícios aos espíritos que se acreditava residirem nas profundezas.
Mas havia um homem que não acreditava em espíritos. Ele não se ajoelhava diante do lago, nem murmurava orações antes de zarpar. Seu nome era Juma, e ele era o melhor pescador que a ilha já conhecera.
O que Juma não percebia era que o lago tinha regras, e aqueles que as quebravam não escapavam das consequências.
Esta é a sua história—a história de um homem que desafiou os espíritos do Lago Vitória… e pagou o preço.
A Seca dos Peixes
Juma nunca havia enfrentado dificuldades antes. Suas redes sempre estavam pesadas, seu barco sempre cheio, e sua casa era a mais grandiosa na aldeia de Luanda Ndege. Enquanto outros pescadores confiavam em rituais e superstições, Juma confiava apenas em sua habilidade e experiência.
Mas então, os peixes começaram a desaparecer.
No começo, foi gradual. Alguns dias, sua captura era menor do que o habitual. Ele descartou como má sorte. Mas, com o passar das semanas, ficou claro que algo estava errado. Os outros pescadores enfrentavam a mesma luta—redes que antes emergiam cheias de tilápias e tamborins do Nilo agora voltavam vazias.
Na reunião da aldeia, os anciãos murmuravam entre si.
“Os espíritos estão zangados”, disse o velho Mzee Ochieng’, balançando a cabeça. “O lago foi desrespeitado.”
Juma zombou. “Os espíritos não controlam os peixes. Se controlassem, eu os veria até agora.”
Os anciãos suspiraram. Eles já haviam visto isso antes—a arrogância levando os homens à escuridão.
Os outros pescadores ficaram desesperados, fazendo oferendas de peixes assados, derramando libações na água, implorando pela misericórdia do lago. Mas Juma não fez nenhuma dessas coisas. Em vez disso, ele elaborou um plano.
“Se os peixes partiram, eu irei onde nenhum homem jamais esteve,” ele declarou. “As águas mais profundas nos proporcionarão o que precisamos.”
A aldeia ficou em silêncio. Até o vento parecia pausar.
Achieng’, sua esposa, segurou seu braço. “Juma, ninguém navega nessas águas.”
“Então, eu serei o primeiro,” disse ele.

Nas Águas Proibidas
Juma partiu antes do amanhecer. A névoa se enrolava sobre a superfície do lago, envolvendo seu barco como dedos fantasmagóricos. Ele remou além dos locais de pesca conhecidos, além dos recifes escondidos, além do ponto mais distante que qualquer pescador havia ousado ir.
Ele entrou nas águas proibidas—Nyama ya Roho, a Carne do Espírito.
Um silêncio estranho se instalou sobre o lago. As habituais canções dos pássaros e o canto dos insetos haviam desaparecido. Até o som da água batendo contra seu barco parecia abafado, como se o lago estivesse prendendo a respiração.
Juma lançou sua rede.
Quase imediatamente, ele sentiu uma puxada tão forte que quase o arrastou para fora do barco. Seu coração disparou. Era isso—a captura que provaria que os anciãos estavam errados, que restauraria sua riqueza, que o tornaria uma lenda.
Com toda a sua força, ele puxou a rede.
O que viu tirou o fôlego de seus pulmões.
Enredado em sua rede não estava um peixe comum. Era uma criatura monstruosa, suas escamas brilhando como prata na luz tênue, seus olhos queimando em vermelho como brasas. Sua boca escancarada estava repleta de fileiras de dentes afiados como navalhas.
E então, ele falou.
“Você tomou o que não lhe pertence,” a voz da criatura roncou, ecoando sobre a água. “Por sua ganância, você sofrerá. Você e todos que o seguirem.”
Uma grande tempestade se ergueu, mais rápido do que qualquer Juma já tinha visto. O vento uivava como almas torturadas, as ondas batiam violentamente, e seu barco—seu amado barco—era lançado como uma folha.
Juma tentou remar de volta. Tentou lutar. Mas a água o puxou para baixo.
A escuridão o engoliu por completo.
O Retorno de Juma
Três dias depois, os aldeões o encontraram.
Seu corpo foi trazido à costa, frio e imóvel. Mas enquanto se reuniam ao redor, preparados para lamentar, seus olhos de repente se abriram.
Juma estava vivo.
Mas algo estava errado.
Sua pele havia ficado pálida, quase translúcida, como se o lago tivesse drenado a vida dele. Suas mãos, antes fortes e seguras, agora tremiam. Sua voz, antes alta e confiante, havia se tornado um sussurro.
Achieng’ gritou e o segurou, mas ele não retornou seu abraço. Ele apenas fitava o lago, sem piscar, como se ainda pudesse ouvir a voz que o havia amaldiçoado.
À noite, os aldeões o ouviam falando enquanto dormia. Suas palavras eram estranhas, sua voz vazia, e seu hálito cheirava a peixe podre.
Os anciãos tentaram purificá-lo. Eles queimaram incenso, entoaram orações e invocaram os espíritos. Mas Juma apenas piorou. Seus dedos ficaram palmados, seu cabelo caiu, e suas pupilas se alongaram, tornando-se grandes e vazias como as águas profundas do lago.
Então, uma noite, Achieng’ acordou e encontrou sua cama vazia.
Ela correu até a margem.
Lá, de joelhos na água, estava Juma.
“Juma!” ela chamou.
Ele se virou, e ao luar, ela viu seu rosto.
Já não era mais o de um homem.

A Maldição se Espalha
Juma nunca retornou do lago. Alguns dizem que ele caminhou voluntariamente para a água, sem nunca olhar para trás. Outros afirmam ter visto algo emergir das profundezas—algo com olhos brilhantes—arrastá-lo para baixo.
Mas a maldição não morreu com ele.
Os peixes não retornaram. O lago se recusou a ceder sua abundância. Pior ainda, aqueles que pescavam à noite começaram a desaparecer. Alguns foram encontrados afogados, seus corpos inchados e pálidos. Outros nunca foram encontrados.
Os aldeões ficaram temerosos. Os anciãos disseram que o lago nunca perdoaria até que um sacrifício fosse feito.
E assim, buscaram aquele que mais amava Juma.
Achieng’.
O Sacrifício
A decisão foi tomada. Foi cruel, mas o lago havia falado.
Achieng’ não resistiu. Ela entrou no barco, seus pulsos amarrados com junco tecido, seu rosto calmo.
“Diga ao meu filho que fiz isso por ele,” ela sussurrou.
Enquanto o barco entrava nas águas proibidas, o lago ficou estranhamente calmo.
Então a água agitou-se.
Algo—alguém—surgiu das profundezas.
Juma.
Ou o que restava dele.
Com mãos palmadas, ele estendeu a mão para Achieng’, seus olhos brilhando na escuridão. O lago rugiu, ondas batendo contra a margem.
E então… silêncio.
Epílogo: O Lago Lembra
Os peixes retornaram. A aldeia prosperou mais uma vez. Mas ninguém ousou esquecer o que havia sido feito.
Ainda hoje, quando a noite está silenciosa e a lua está cheia, os pescadores dizem que podem ouvir sussurros na água.
Às vezes, veem algo se movendo sob a superfície—observando.
Esperando.

