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Sobre a História: O Tambor de Fogo dos Ovimbundu é um Legend de angola ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. Um tambor lendário, a ambição de um guerreiro e o destino de uma sacerdotisa—quem controlará o fogo?.
O vento carregava o aroma da madeira em brasa pelas terras altas de Angola, sussurrando histórias às árvores que resistiam há séculos. A noite vibrava com o ritmo pulsante dos tambores, o batimento cardíaco do povo Ovimbundu. A luz do fogo tremeluzia à distância, iluminando os telhados de palha de um grande reino — o domínio do Rei Kalunga.
No coração dessa terra, enterrado nas câmaras sagradas do palácio real, repousava um objeto de lenda: Ongoma ya Mulilo, o Tambor de Fogo. Não era um tambor comum. Diziam que ele continha o poder dos ancestrais, uma relíquia capaz de invocar chamas do céu. Era usado apenas em tempos de grande perigo, quando inimigos ameaçavam a própria alma do reino. Mas, por muitos anos, permanecera silencioso, seus ecos perdidos no tempo.
Então, na noite de uma lua vermelho-sangue, o grande ancião Kumbelo levantou-se de sua cama em pânico. Ele havia visto uma visão em seus sonhos — uma visão de guerra, de traição, de fogo consumindo a terra. E, no centro de tudo isso, estava o Tambor de Fogo.
Ele sabia o que a visão significava.
“O tambor soará novamente,” sussurrou para a noite.
Quando a aurora rompeu, o Rei Kalunga reuniu seu conselho no grande salão. Os anciãos sentaram-se em círculo, seus rostos marcados pelos anos de sabedoria, seus olhos refletindo o brilho das tochas montadas nas paredes de tijolos de barro. Kumbelo estava entre eles, suas mãos tremendo, sua voz firme. “Eu vi o que está por vir,” disse ele. “O Tambor de Fogo deve ser protegido. Se cair em mãos erradas, todos pereceremos.” O rei ouviu atentamente. Embora seu cabelo estivesse grisalho, seus olhos ainda ardia com o fogo de um guerreiro. Ele havia governado com justiça, mantendo a paz entre as aldeias, e seu reino havia prosperado. Mas ele também havia visto como a paz poderia ser uma ilusão, como a ganância e a ambição poderiam se esconder nas sombras. “O tambor não deixará a câmara sagrada,” decretou Kalunga. “Apenas o Kimbanda pode tocá-lo.” O Kimbanda ya Mulilo, o Sacerdote de Fogo, era o único autorizado a invocar o poder do tambor. E nesta geração, o Kimbanda era uma jovem chamada Zenzi. Ela havia sido escolhida ao nascer, criada nos caminhos dos espíritos, treinada nos ritmos sagrados do tambor. Mas ela era diferente dos Kimbanda que vieram antes dela — era feroz, perspicaz e não tinha medo de questionar os modos dos homens que viam o poder como algo a ser conquistado, e não algo a ser conquistado. Ela sempre soube que um dia problemas viriam pelo tambor. O que ela não sabia era que os problemas já estavam mais próximos do que qualquer um imaginava. No exército do rei, havia um homem chamado Mwene Njamba — um guerreiro de grande habilidade, um líder que havia vencido muitas batalhas. O rei confiava nele, mas Njamba queria mais do que confiança. Ele queria poder. Passou anos observando das sombras, vendo como o reino era governado, como o Tambor de Fogo permanecia trancado como uma relíquia esquecida. Para ele, isso era um desperdício de poder. Por que os espíritos deveriam escolher uma sacerdotisa, quando um guerreiro como ele — que havia sangrado pelo reino — poderia empunhá-lo em vez disso? Numa noite, Njamba reuniu um grupo de homens em segredo. Eram guerreiros, excluídos e oportunistas — homens que compartilhavam sua fome por poder. “O rei está cego,” disse Njamba a eles. “Ele se apega aos velhos modos enquanto o mundo muda. O Tambor de Fogo poderia nos tornar mais poderosos do que qualquer reino que existiu antes. Não seremos mais governados pela tradição.” Mas Njamba sabia que tinha um problema — Zenzi. O Tambor de Fogo estava ligado ao Kimbanda. Ninguém mais podia invocar seu poder. Se ele quisesse o tambor, precisava dela. E se ela se recusasse a ajudá-lo… ele teria que se livrar dela. Zenzi sempre sentiu a inquietação em Njamba. Ela tinha visto a maneira como ele olhava para o palácio, a forma como seus olhos demoravam no Tambor de Fogo durante as cerimônias. Havia algo perigoso em seu olhar — algo que sussurrava sobre uma ambição descontrolada. E então, os sonhos começaram. Os espíritos lhe falaram em sono inquieto, avisando sobre sombras que se arrastavam sobre a terra, sobre sangue se espalhando pelo reino. Ela viu Njamba diante do tambor, suas mãos estendidas, chamas eruptando ao seu redor. Ela viu o rei, sua lança quebrada, sua coroa lançada no chão. Ela acordou com o coração disparado. Naquela noite, ela foi à câmara sagrada onde o tambor era guardado. Passou as mãos sobre sua superfície, sentindo as profundas esculturas, os lugares gastados onde gerações de sacerdotes haviam batido em sua pele. O poder dentro dele era real. Ela sempre soube disso. Então, ela ouviu — um passo atrás dela. Ela girou a tempo de ver Njamba avançando. Suas lâminas se encontraram em um choque de metal e luz de fogo. Njamba lutava como uma tempestade, implacável e poderoso. Mas Zenzi era rápida, seus movimentos precisos, refinados por anos de treinamento. Ela esquivava-se, contra-atacava, retornava os golpes. E então, em um movimento desesperado, ela bateu a palma da mão contra o tambor. BUM. O ar tremeu. Uma onda de choque se propagou. E então veio o fogo. Na manhã seguinte, o reino estava em tumulto. O Tambor de Fogo havia soado. A profecia havia começado. O Rei Kalunga convocou seus guerreiros. “Preparem-se para a batalha,” comandou. Mas Njamba já havia fugido. Ele desaparecera nas montanhas, reunindo um exército de mercenários e exilados. Ele retornaria, e quando o fizesse, reivindicaria o tambor pela força. Por semanas, a terra ardia com conflitos. Aldeias eram saqueadas, guerreiros se enfrentavam nas planícies abertas. Zenzi liderava os guerreiros do reino, empunhando o Tambor de Fogo na batalha, aprendendo seus segredos — como chamar o fogo, como controlá-lo, como dobrá-lo à sua vontade sem deixar que a consumisse. Ela tornou-se algo mais do que uma sacerdotisa. Ela tornou-se uma guerreira. A batalha final ocorreu no Monte Kalima, onde o céu estava cheio de fumaça e o chão estava carbonizado. Zenzi estava à frente dos guerreiros do rei. Njamba estava com seu exército de traidores. “Este poder deveria ser meu,” rosnou Njamba. “Não,” disse Zenzi. “O poder pertence àqueles que o respeitam, não àqueles que o desejam.” Ela levantou sua baqueta e bateu o Tambor de Fogo uma última vez. Uma parede de chamas irrompeu, cercando Njamba. Os espíritos haviam falado. Os guerreiros de Njamba fugiram aterrorizados. Ele caiu de joelhos, sua ambição transformada em cinzas. Com a batalha vencida, a paz retornou. O Rei Kalunga honrou Zenzi como a maior Kimbanda da história. Mas ela não acumulou o poder do Tambor de Fogo. Em vez disso, ela ensinou. Transmitiu os segredos do fogo — não como uma arma, mas como uma força de equilíbrio. O Tambor de Fogo foi trancado mais uma vez, nunca mais para ser tocado. Mas seus ecos permaneceram, carregados pelo vento, nas histórias contadas ao redor do fogo. E assim a lenda continuou.A Profecia do Tambor
A Traição
A Sacerdotisa-Guerreira
A Guerra das Chamas
O Confronto Final
Epílogo: O Legado do Tambor de Fogo