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Sobre a História: As "Hills Like White Elephants é um Realistic Fiction de spain ambientado no 20th-century. Este conto Conversational explora temas de Loss e é adequado para Adults. Oferece Moral perspectivas. Um casal enfrenta uma decisão difícil sob o calor de uma tarde espanhola.
As colinas do outro lado do vale do Ebro eram longas e brancas. Deste lado, não havia sombra, e a estação estava situada entre campos de grãos e terra seca. O calor era insuportável. Uma cortina tremulava na brisa quente, tentando bloquear a luz forte do sol, mas não era suficiente para esfriar a atmosfera. Dois personagens, um homem americano e uma garota, sentavam-se à mesa fora do bar da estação, aguardando silenciosamente a chegada do trem que os levaria a Madrid.
A garota, Jig, olhou para as colinas distantes e disse: “Elas parecem elefantes brancos.”
O homem sorriu levemente. “Nunca vi um,” respondeu ele.
“Você não teria,” disse a garota com um leve tom de mordacidade na voz.
Eles pediram cervejas à garçonete que não falava inglês, e o calor parecia esmagá-los ainda mais enquanto permaneciam em silêncio, saboreando suas bebidas. A conversa começou de forma inocente, mas a tensão entre eles era palpável, mal contida sob a superfície de sua troca aparentemente casual.
A garota passou o dedo pelo aro do copo. “É realmente uma operação terrivelmente simples, Jig,” disse o homem de repente, tentando olhar nos olhos dela. “Na verdade, não é uma operação.”
Ela não respondeu de imediato, mantendo os olhos nas colinas distantes. “Então, o que faremos depois?”
“Nós estaremos bem depois. Assim como estávamos antes,” disse o homem, com um tom tranquilizador, mas havia uma corrente de ansiedade nele.
Jig olhou para ele, sua expressão inexpressiva. “E você acha que isso melhora as coisas?” perguntou ela, com voz fria.
O homem se acomodou desconfortavelmente no assento, ajustando os óculos de sol como se estivesse se protegendo da intensidade do olhar dela. “Acho que é o melhor para nós fazermos isso. O melhor para você. Não quero que você faça nada que não queira. Mas é realmente a coisa mais simples.”
A garota voltou a olhar para as colinas. “E então? Ficaremos felizes?”
“Nós estaremos felizes,” disse o homem, com um tom de finalização, como se quisesse convencer não apenas a ela, mas a si mesmo.
Mas Jig não estava convencida. Ela se voltou para o bar onde a garçonete lhes trouxe mais duas cervejas. O homem continuou a falar, tentando racionalizar, tentando romper o silêncio dela. “Conheço muitas pessoas que fizeram isso,” disse ele. “E depois, todos estavam tão felizes.”
Os olhos de Jig permaneceram na cerveja à sua frente, mas sua mente parecia longe. “Isso significa algo para você?” perguntou ela, com a voz baixa, quase como se a pergunta fosse para si mesma.
“Claro que significa. Mas eu não quero ninguém além de você,” respondeu o homem. Suas palavras vieram rapidamente, como se temesse que, se não as dissesse rápido o suficiente, não fossem acreditadas.
Jig suspirou, uma longa respiração que parecia carregar o peso de algo muito maior do que a conversa que estavam tendo. “E se eu fizer isso, você vai me amar?” perguntou ela, com o tom ainda baixo, ainda distante.
“Eu te amo agora,” disse o homem, mas houve hesitação em sua voz, uma leve vacilação.
“E depois?”
“Depois, eu te amarei tanto quanto agora.”
O silêncio se estendeu entre eles, denso e pesado no calor opressor. O olhar de Jig vagou novamente para as colinas, que agora pareciam brilhar no calor. Pareciam distantes, inatingíveis, como algo de um sonho. Ela sorveu sua cerveja lentamente, contemplativa, como se a resposta que procurava pudesse ser encontrada na bebida espumante ou no horizonte distante.
“Você continua falando sobre depois,” disse Jig. “Mas e agora? O que fazemos agora?”
O homem se inclinou para frente, tentando pegar a mão dela, mas ela a afastou. “Agora, esperamos pelo trem. Ele chegará em breve,” disse ele, embora na verdade não estivesse falando sobre o trem.
Jig se levantou de repente, empurrando a cadeira para trás. “Não tenho vontade de esperar,” disse ela, caminhando em direção ao bar onde o barman estava limpando o balcão.

O homem a observou partir, a mão ainda estendida sobre a mesa. Deixou-a cair lentamente, como se tivesse deixado algo escapar de seu alcance. Olhou de volta para as colinas, mas elas já não lhe pareciam mais elefantes brancos. Eram apenas colinas, áridas e vazias, assando sob o sol implacável.
Jig voltou um momento depois, o rosto calmo, embora seus olhos escondessem uma tempestade. Sentou-se novamente, mas não olhou para ele. “Você realmente acha que as coisas voltarão ao que eram antes?” perguntou ela.
O homem hesitou, então assentiu. “Sim. Eu sei que voltarão. Nós seremos felizes, e será como se isso nunca tivesse acontecido.”
“Mas aconteceu,” disse Jig, sua voz de repente afiada. “E eu não acho que você possa simplesmente fingir que não aconteceu.”
O homem abriu a boca para falar, mas nenhuma palavra saiu. Em vez disso, ele pegou sua bebida, tomando um grande gole como se esperasse que o álcool afundasse o crescente sentimento de inquietação dentro dele.
Jig se levantou novamente, mas desta vez caminhou em direção à beirada da plataforma, onde os trilhos se estendiam ao longe, desaparecendo na névoa cintilante do horizonte. O homem a observou partir, o coração acelerado. Queria dizer algo, chamá-la de volta, mas não sabia quais palavras seriam suficientes.
Ela permaneceu ali por um longo momento, olhando para os trilhos, as colinas e a paisagem árida. Finalmente, virou-se e voltou para a mesa, sentando-se como se nada tivesse acontecido. O homem a olhou, incerto, mas o rosto de Jig estava inexpressivo mais uma vez.
“Então você vai fazer isso?” perguntou o homem após um longo silêncio, com a voz hesitante.
Jig não respondeu de imediato. Ela olhou para o homem, depois de volta para as colinas. “Eu não sei,” disse suavemente. “Simplesmente não sei.”
Eles ficaram em silêncio novamente, o peso de seus pensamentos não ditos pressionando sobre eles enquanto o calor se fazia presente implacavelmente.
O som do trem à distância quebrou a tensão, fraco mas inconfundível. O homem olhou para Jig, os olhos cheios de incerteza. “Está chegando,” disse ele.
“Eu sei,” respondeu Jig.
Eles guardaram suas coisas, sem falar enquanto se preparavam para embarcar no trem. O homem olhou mais uma vez para as colinas, mas Jig não o fez. Ela manteve os olhos à frente, focada no caminho à sua frente.
À medida que o trem chegava à estação, o homem estendeu a mão para Jig, mas ela não a aceitou. Ficaram ali, lado a lado, mas como mundos separados, esperando pelo trem que os levaria rumo a um futuro incerto.
O fim parecia tão inevitável quanto o começo, e ainda assim nada parecia resolvido. As colinas permaneciam à distância, testemunhas silenciosas de um momento que mudaria tudo, quer reconhecessem ou não.

O ar entre eles estava carregado de palavras não ditas, de decisões não tomadas, de futuros não contados. O homem queria acreditar que as coisas seriam simples, que eles poderiam simplesmente voltar ao que eram antes. Mas Jig sabia melhor. Ela sabia que algumas coisas, uma vez colocadas em movimento, nunca poderiam ser desfeitas.
O apito do trem soou, alto e estridente, cortando o silêncio como uma lâmina. O homem olhou para Jig novamente, procurando no rosto dela algo, qualquer coisa que lhe dissesse o que aconteceria a seguir.
Mas Jig permaneceu inscrutável, seu olhar fixo no horizonte distante. O trem desacelerou até parar na frente deles, suas portas deslizando com um assobio. O homem hesitou, esperando que ela se movesse, que fizesse uma escolha.
Por um momento, Jig ficou imóvel, seus olhos andando de volta para as colinas uma última vez antes de se virar para encarar o homem. “Acho que devemos ir,” disse ela, com a voz plana, sem emoção.
O homem assentiu, embora ainda não soubesse o que tudo aquilo significava.
Eles embarcaram no trem juntos, mas mesmo enquanto se sentavam lado a lado no compartimento, um espaço parecia se abrir entre eles, um abismo que nenhum dos dois podia cruzar.
O trem começou a se mover, lentamente a princípio, depois mais rápido, deixando a estação para trás. A paisagem passou desfocada pela janela, e as colinas como elefantes brancos desapareceram de vista.

Eles não conversaram novamente por muito tempo. O ritmo do trem sobre os trilhos preenchia o silêncio entre eles, e o mundo lá fora parecia distante e longe. O homem queria estender a mão para ela, dizer algo, mas toda vez que abria a boca, as palavras ficavam presas na garganta.
Jig olhava pela janela, seu reflexo fantasmagórico contra o céu escurecido. Sentia o peso da decisão pressionando sobre ela, o peso da vida que carregava dentro de si. Não sabia o que o futuro reservava, mas sabia que nunca mais seria o mesmo.
Eles viajaram em silêncio enquanto o trem atravessava o interior espanhol, passando por campos de grãos, colinas áridas, vilarejos que pareciam piscar entrando e saindo da existência como sonhos. O sol se punha mais baixo no céu, lançando longas sombras sobre a terra.
Por fim, o homem virou-se para Jig, sua voz hesitante. “Você tem certeza?”
Jig não respondeu de imediato. Ela manteve os olhos na paisagem que desaparecia pela janela, seus pensamentos distantes. Quando finalmente falou, sua voz era quase um sussurro. “Não,” disse ela. “Não tenho certeza.”
O homem estendeu a mão para ela, mas ela a afastou. Ficaram ali, lado a lado, mas como mundos separados, enquanto o trem os levava para o desconhecido.
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A jornada continuou, mas a distância entre eles parecia apenas aumentar. O homem fechou os olhos, inclinando a cabeça contra o assento, o tilintar rítmico do trem embalando-o em um sono inquieto.
Jig continuou a olhar pela janela, sua mente girando com as infinitas possibilidades, os caminhos não trilhados, as escolhas ainda por fazer. Sabia que a decisão viria, eventualmente, mas por enquanto, estava contente em deixar o trem levá-la adiante, para onde quer que fosse.
As colinas como elefantes brancos ficaram muito para trás agora, mas sua presença persistia, um eco distante de uma época e de um lugar onde as coisas eram mais simples, onde escolhas ainda não tinham sido feitas, e onde o futuro ainda parecia algo que poderiam controlar.
Mas a vida, como o trem em que estavam, avançava inexoravelmente, levando-os rumo a um destino que ainda não podiam ver.
À medida que a noite caía e o mundo lá fora pela janela se desvanecia na escuridão, Jig fechou os olhos e deixou-se levar, rendendo-se à atração do desconhecido.