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Sobre a História: A Noiva do Tritão é um Legend de iceland ambientado no Medieval. Este conto Dramatic explora temas de Romance e é adequado para Adults. Oferece Cultural perspectivas. Um amor proibido entre a terra e o mar—uma escolha selará seu destino para sempre.
A Islândia é uma terra moldada pelos elementos—fogo, gelo, vento e mar. Entre suas costas, onde a areia preta se estende sob céus setentrionais infinitos e as ondas batem contra penhascos recortados, sussurros de antigas lendas persistem. Alguns falam de seres escondidos, de espíritos que dançam na névoa e de criaturas que habitam as profundezas das ondas, invisíveis aos olhos humanos.
Mas de todas as histórias passadas de geração em geração, poucas são tão assombrosas quanto a lenda da Noiva do Homem-Peixe—um amor tanto belo quanto trágico, ligado pelo destino e pelo chamado inquieto do mar.
A pequena vila de Vik estava situada na costa sul da Islândia, onde pescadores lançavam suas redes no traiçoeiro Atlântico Norte e as mulheres as consertavam com dedos calosos pelo sal e pelo vento. Era um lugar de vidas duras e alegrias simples, e entre seus habitantes vivia uma garota chamada Sigrún. Sigrún não era como as outras garotas da vila, que sonhavam com lareiras quentes e maridos de braços fortes. Ela sempre foi atraída pelo mar—pela maneira como ele reluzia sob o pálido sol islandês, pela forma como rugia furioso durante uma tempestade, como se falasse uma linguagem que só ela podia ouvir. Seu pai, Einar, era pescador, um homem de mente prática e mãos calejadas, e frequentemente a alertava sobre os perigos que espreitavam na água. “Há coisas no mar que nenhum homem deve buscar, e nenhuma mulher deve confiar,” ele lhe dizia mais de uma vez. “Fique longe das ondas, Sigrún. Elas levam mais do que dão.” Mas Sigrún não conseguia se controlar. Todas as noites, quando o céu se tingia de tons violetas e dourados, ela vagava pela costa de areia preta, deixando a maré tocar seus pés descalços. Foi em uma dessas noites que ela o encontrou. A princípio, pensou que era apenas madeira flutuante presa na maré, entrelaçada em algas. Mas, ao se aproximar, viu o contorno de um homem—um homem com cabelos longos e escuros espalhados na água, sua pele pálida como a luz da lua. Ela ofegou e correu até ele, ajoelhando-se na areia molhada para afastá-lo das ondas famintas. Ao segurar seu braço, percebeu algo estranho. Seu corpo, embora humano em forma, tinha um brilho antinatural, seus músculos lisos como pedra esculpida. E então, onde deveriam estar suas pernas, ela viu—escamas, cintilando sob a luz tênue, formando uma cauda poderosa. Um homem-peixe. O coração de Sigrún disparou enquanto o puxava para mais perto da costa. Ele tossiu, seu corpo arfando enquanto expelia água do mar de seus pulmões. Ela esperava que ele fugisse, desaparecesse de volta nas ondas no momento em que se recuperasse, mas, em vez disso, ele se virou para ela, seus olhos se fixando nos dela. Eram diferentes de qualquer olhos que ela já tinha visto—profundos e sem fim, mudando entre verde e azul, como o oceano no coração de uma tempestade. “Você me salvou,” murmurou ele, sua voz rica e suave, como o sussurro da maré contra a costa. Sigrún estava muito atordoada para responder a princípio. Ela tinha ouvido histórias de homens-peixe, mas nunca tinham falado deles como reais. “Eu... eu apenas fiz o que qualquer um faria,” ela finalmente disse, sua voz trêmula. O homem-peixe se sentou lentamente, observando-a com algo entre curiosidade e cautela. “Não. Isso é diferente. Entre os meus, uma vida salva é uma dívida a ser paga.” Sigrún engoliu em seco. “Uma dívida?” “Sim.” Ele estendeu a mão para ela, mas ela instintivamente se afastou. Um lampejo de algo—seria diversão?—passou por suas feições. “Não tenha medo, garota da terra. Você pode me chamar de Alrek.” “Eu não preciso de retribuição,” ela disse rapidamente. “Eu estava apenas ajudando.” Alrek inclinou sua cabeça ligeiramente. “E ainda assim, eu devo retribuir. Os caminhos do mar não são os caminhos da terra.” Seu olhar se intensificou. “Eu lhe concederei um pedido... ou a tomarei como minha noiva.” A respiração de Sigrún parou. Uma noiva? Uma parte estranha e profunda dela se entusiasmou com as palavras, mas sua mente racional retrocedeu. “Eu não preciso de um desejo. E não posso ser uma noiva do mar.” Alrek a observou por um longo instante antes de acenar com a cabeça. “Então não a tomarei contra sua vontade. Mas esteja avisada, Sigrún—uma vez que o mar tocar sua alma, ele nunca realmente a libera.” Sigrún tentou esquecer o encontro, mas não conseguiu. Toda vez que fechava os olhos, via o olhar tempestuoso de Alrek, sentia a aspereza de sua mão contra a dela. Os dias passaram, mas o puxão em seu peito crescia mais forte. Era como se o próprio mar sussurrasse para ela, chamando-a de volta à costa. Uma noite, incapaz de resistir, ela voltou à praia. O vento uivava entre os penhascos e a maré avançava contra as rochas. E então ela o viu. Ele estava onde o mar beijava a terra, seus cabelos escuros úmidos sobre os ombros, seu corpo inferior meio-submerso nas ondas. “Eu sabia que você voltaria,” ele disse suavemente. Sigrún hesitou. “Por que o mar me chama, Alrek?” Ele se aproximou. “Porque você não foi feita para apenas um mundo.” Seu coração disparou. “Eu sou humana.” Alrek estendeu a mão. “Deixe-me mostrar o que há por debaixo das ondas.” Ela hesitou, então colocou a mão na dele. No momento em que se tocaram, um calor se espalhou por ela—uma sensação emocionante e aterrorizante. Alrek a puxou para a água. Em vez de afundar, ela flutuou, sem peso, como se o mar a tivesse aceitado. Ela abriu os olhos e ofegou. Sob as ondas, o mundo estava vivo. Corais em tons de violeta e dourado se estendiam como grandes catedrais, peixes cintilavam como luz solar líquida e águas-vivas brilhavam como estrelas nas profundezas. E no coração de tudo isso estava um palácio de pérolas iridescentes. A casa de Alrek. “Fique,” ele sussurrou. “Seja minha noiva, e este mundo será seu.” O coração de Sigrún doía de saudade. Ela nunca tinha se sentido tão viva. Mas... ela ainda era humana. “Eu preciso de tempo,” ela sussurrou. A expressão de Alrek se escureceu, mas ele assentiu. “Eu esperarei.” Semanas passaram, e o coração de Sigrún estava dilacerado. Ela amava Alrek, mas também amava seu pai, sua vila, o mundo que sempre conheceu. Einar, percebendo seu olhar distante, procurou os anciãos da vila. Eles o advertiram sobre a maldição do homem-peixe. “Se ela ficar por muito tempo, ela pertencerá ao mar.” Desesperado, Einar confrontou Sigrún. “Filha, você deve escolher. Se ficar com ele, nunca poderá voltar.” Lágrimas encheram seus olhos. Poderia ela realmente deixar tudo para trás? Na noite seguinte, ela encontrou Alrek uma última vez. “Eu te amo,” ela sussurrou. “Mas não posso ficar.” A dor brilhou em seus olhos, mas ele não discordou. Em vez disso, colocou uma pérola cintilante na mão dela. “Se um dia você mudar de ideia, jogue isso no mar.” Com o coração pesado, Sigrún se afastou. Anos se passaram. Sigrún casou-se com um homem gentil, teve filhos e viveu uma vida tranquila. Mas o oceano nunca deixou seu coração. Em uma noite tempestuosa, viúva e sozinha, ela tirou a pérola. Será que era tarde demais? Com uma respiração profunda, a lançou nas ondas. Um relâmpago cintilou. O mar agitou-se. E então, das profundezas, uma figura emergiu—sua mão estendida. “Sigrún.” Lágrimas percorreram seu rosto enquanto ela avançava, desaparecendo no abraço do mar.A Filha do Pescador
Uma Dívida a Pagar
O Chamado do Oceano
Sob a Superfície
Amor e Sacrifício
Epílogo: A Promessa da Pérola
Fim.