6 min

A Menina e o Chefe dos Crocodilos
A young girl, Luyando, stands by the mystical Lufubu River, watched by a massive crocodile with glowing golden eyes. The air is thick with mist and mystery, setting the stage for an ancient legend about destiny and balance.

Sobre a História: A Menina e o Chefe dos Crocodilos é um Folktale de zambia ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. O destino de uma jovem se entrelaça com o espírito antigo de um rio em uma batalha entre ganância, equilíbrio e destino.

Houve um tempo em que os rios falavam, e o vento levava a sabedoria dos espíritos. Uma época em que o mundo era jovem, e homens e animais caminhavam mais próximos das forças invisíveis que moldavam seus destinos.

Foi nesse tempo que a aldeia de Namuswa repousava aninhada às margens do grande Rio Lufubu, cujas águas brilhavam sob o sol africano. O povo de Namuswa prosperava graças ao rio. Ele lhes fornecia peixes, saciava a sede e tornava a terra fértil.

Mas os aldeões não possuíam o rio.

Os anciãos contavam sobre um grande ser — o Chefe Crocodilo — que vivia nas profundezas. Diziam que ele não era um crocodilo comum, mas um espírito mais antigo que o próprio tempo. Ele era um guardião, um juiz e um deus que podia conceder grande fortuna àqueles que respeitavam o rio — ou desencadear terríveis infortúnios sobre aqueles que tomavam sem gratidão.

No início, o povo de Namuswa respeitava os dons do rio. Mas a ganância tem um jeito de infiltrar-se nos corações dos homens.

E quando os aldeões esqueceram de honrar o rio, o Chefe Crocodilo se enfureceu.

O que se seguiu foi uma estação de medo, desaparecimento de pescadores e sussurros de desgraça.

E no centro de tudo estava uma menina chamada Luyando — a única que poderia salvá-los.

Uma Criança do Rio

Luyando sempre foi diferente das outras crianças de Namuswa.

Ela era quieta, pensativa e atraída pelo rio de uma maneira que ninguém mais era. Enquanto as outras meninas ajudavam nos campos ou preparavam as refeições, ela se sentava à beira da água, observando as correntes mudarem e rodopiar.

*"O rio está falando,"* ela disse certa vez à sua avó, Bana Chikondi.

Os olhos afiados de sua avó se escureceram. Ela pegou as mãos de Luyando nas suas.

*"O rio fala apenas com aqueles que ele escolheu,"* disse ela suavemente. *"Mas aqueles que o ouvem devem ter cuidado, pois o rio não chama sem razão."*

Mas Luyando era jovem e não deu ouvidos ao aviso de sua avó.

Toda noite, ela retornava ao rio, seus pés afundando na terra úmida. Ela ouvia seus sussurros, traçava as ondas com os dedos e observava as formas escuras que deslizavam logo abaixo da superfície.

Numa noite, enquanto os últimos raios do sol pintavam o céu de vermelho, ela viu algo estranho.

Perto da margem da água havia pegadas profundas. Mas, diferente dos passos de um pescador, essas marcas levavam para dentro do rio — e não retornavam.

Um calafrio percorreu a espinha de Luyando.

E então ela sentiu — uma presença a observando.

Ela se virou.

Dois olhos dourados a encaravam da água

Ela não se moveu. Não respirou.

O crocodilo era enorme, suas escamas negras como o rio à noite. Mas ele não investiu. Simplesmente observava, como se pesasse algo profundo dentro dela.

Então, sem som, ele desapareceu sob a superfície.

Luyando ficou ali, o coração pulsando, sabendo que havia visto algo que não pertencia a este mundo.

Luyando se ajoelha na margem do rio, observando as pegadas que levam para dentro da água. Um crocodilo oculto observa das sombras.
Luyando se ajoelha à beira do rio, observando rastros que se perdem na água. Sem que ela saiba, um enorme crocodilo com olhos dourados e brilhantes a observa das sombras, sua presença ameaçadora e misteriosa.

Os Aldeões que Desapareceram

O medo se espalhou por Namuswa como fogo em mato seco.

Pessoas estavam desaparecendo.

Tudo começou com Chimuka, o pescador. Ele saiu uma manhã para pescar e nunca voltou. Seu barco foi encontrado flutuando vazio, sua rede ainda cheia de peixes, mas Chimuka não estava em lugar algum.

Dias depois, foi Bwalya, a tecelã. Ela foi ao rio lavar o pano e nunca voltou para casa.

E então, um a um, outros desapareceram.

Quando a quarta pessoa se foi, a aldeia deixou de dormir em paz.

*"O Chefe Crocodilo está com raiva,"* os anciãos sussurravam. *"Tomamos demais."*

Uma reunião foi convocada sob o grande baobá, onde os líderes da aldeia se sentaram em conselho.

*"O que devemos fazer?"* perguntou o chefe, Mukulubwe.

Alguns disseram que deviam fazer uma oferenda.

*"Uma cabra, talvez?"* sugeriu um ancião.

*"Um sacrifício,"* sussurrou outra voz, mais sombria que as demais.

A aldeia caiu em silêncio.

E então alguém pronunciou as palavras que mudariam o destino de Luyando para sempre.

*"O rio já escolheu."*

*"Luyando está sempre perto da água. Talvez ela seja a escolhida."*

A Escolhida

A mãe de Luyando gritou quando a levaram.

Os homens da aldeia amarraram seus pulsos com cipós, seus rostos duros, mas assustados.

Ela se debatia, lágrimas escorrendo pelo rosto, mas não adiantava. A decisão já estava tomada.

*"Nós a oferecemos ao rio!"* o sacerdote clamou, queimando incenso na margem da água. *"Grande espírito, aceite nosso presente e deixe nosso povo em paz!"*

Luyando cerrava os punhos.

*"Isso está errado,"* ela queria gritar.

E então o vento se alçou.

As árvores sacudiram violentamente. O rio fervia como se algo sob ele estivesse se agitando.

E então — uma voz que roncava como trovão.

*"PAREM."*

Os aldeões ofegaram.

Uma forma maciça emergiu do rio, água escorrendo de suas escamas reluzentes.

Olhos dourados ardendo como fogo

O Chefe Crocodilo havia aparecido.

Luyando, amarrada em vinhas, é levada até o rio pelos aldeões. Sua mãe chora enquanto o sol poente reflete na água.
Luyando é levada em direção ao rio, com as mãos amarradas por cipós, enquanto sua mãe clama em desespero. Os aldeões permanecem em tensa silêncio, acreditando que devem sacrificá-la ao Chefe Crocodilo. Desconhecido por eles, uma enorme presença espreita sob a água, observando.

Um Acordo com o Rio

Os aldeões caíram de joelhos, tremendo.

A voz profunda do Chefe Crocodilo rolava sobre eles como um trovão distante.

*"Vocês se tornaram gananciosos,"* disse ele. *"Vocês tomam e tomam, mas não devolvem. E agora vocês buscam sacrificar um inocente para cobrir seus próprios pecados?"*

Mukulubwe, o chefe, caiu prostrado na areia.

*"Grande, perdoe-nos!"* clamou.

Os olhos dourados do Chefe Crocodilo cintilaram em direção a Luyando.

*"Ela não é seu sacrifício,"* ele disse. *"Ela é sua salvação."*

O coração de Luyando pulsava forte.

*"O que você quer dizer?"* ela sussurrou.

O olhar do Chefe se suavizou.

*"Venha comigo, criança. Eu lhe mostrarei a verdade."*

Luyando se virou para sua mãe, que chorava amargamente.

*"Vá,"* ela sussurrou.

E assim, Luyando entrou na água.

O rio se ergueu como um ser vivo, engolindo-as por completo.

O Chefe Crocodilo emerge do rio, com olhos dourados brilhando enquanto os aldeões se ajoelham em temor. Luyando permanece paralisado de admiração.
O Chefe Crocodilo emerge do rio, seus olhos dourados brilhando de poder, enquanto os aldeões se prostram em temor. A água gira ao seu redor, iluminada pela luz da lua, enquanto Luyando permanece paralisado, dividido entre o terror e o destino.

O Guardião do Rio

Luyando acordou em um mundo sob a água.

Aqui, o rio estava vivo — peixes luminescentes nadavam como estrelas na correnteza, e espíritos flutuavam por florestas de algas douradas.

O Chefe Crocodilo, não mais uma besta, estava diante dela em forma humana — alto, escuro, com olhos dourados ardendo de sabedoria.

*"Você deve se tornar a voz do rio,"* ele disse.

E assim, ela aprendeu.

Aprendeu como o rio respirava, como chorava, como enfurecia.

Anos se passaram como dias.

E então, chegou a hora de retornar.

Retorno a Namuswa

A aldeia de Namuswa sofreu em sua ausência.

O rio os havia abandonado.

E então, numa noite, Luyando emergiu da água — alta, radiante, seus olhos brilhando com luz dourada.

*"Trago uma mensagem,"* ela disse.

*"Respeitem o rio, e ele os abençoará. Traí-lo, e ele retornará o que cometeu."*

E assim, ela os ensinou.

E o rio perdoou.

Luyando, agora transformada, está à beira do rio em vestes fluidas, enquanto os aldeões a observam com reverência. O rio está calmo novamente.
Luyando retorna a Namuswa, transformada por seu tempo com o Chefe Crocodilo. Vestida com robes fluidos que apresentam padrões que ecoam as correntes do rio, seus olhos brilham suavemente com sabedoria. Os aldeões, antes temerosos, agora a contemplam com reverência, enquanto o rio, pleno de vida, reflete os tons dourados da aurora — um símbolo de renovação e equilíbrio.

FIM.

Loved the story?

Share it with friends and spread the magic!

Cantinho do leitor

Curioso sobre o que os outros acharam desta história? Leia os comentários e compartilhe seus próprios pensamentos abaixo!

Avaliado pelos leitores

Baseado nas taxas de 0 em 0

Rating data

5LineType

0 %

4LineType

0 %

3LineType

0 %

2LineType

0 %

1LineType

0 %

An unhandled error has occurred. Reload