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Sobre a História: A Menina e o Chefe dos Crocodilos é um Folktale de zambia ambientado no Ancient. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. O destino de uma jovem se entrelaça com o espírito antigo de um rio em uma batalha entre ganância, equilíbrio e destino.
Houve um tempo em que os rios falavam, e o vento levava a sabedoria dos espíritos. Uma época em que o mundo era jovem, e homens e animais caminhavam mais próximos das forças invisíveis que moldavam seus destinos.
Foi nesse tempo que a aldeia de Namuswa repousava aninhada às margens do grande Rio Lufubu, cujas águas brilhavam sob o sol africano. O povo de Namuswa prosperava graças ao rio. Ele lhes fornecia peixes, saciava a sede e tornava a terra fértil.
Mas os aldeões não possuíam o rio.
Os anciãos contavam sobre um grande ser — o Chefe Crocodilo — que vivia nas profundezas. Diziam que ele não era um crocodilo comum, mas um espírito mais antigo que o próprio tempo. Ele era um guardião, um juiz e um deus que podia conceder grande fortuna àqueles que respeitavam o rio — ou desencadear terríveis infortúnios sobre aqueles que tomavam sem gratidão.
No início, o povo de Namuswa respeitava os dons do rio. Mas a ganância tem um jeito de infiltrar-se nos corações dos homens.
E quando os aldeões esqueceram de honrar o rio, o Chefe Crocodilo se enfureceu.
O que se seguiu foi uma estação de medo, desaparecimento de pescadores e sussurros de desgraça.
E no centro de tudo estava uma menina chamada Luyando — a única que poderia salvá-los.
Luyando sempre foi diferente das outras crianças de Namuswa. Ela era quieta, pensativa e atraída pelo rio de uma maneira que ninguém mais era. Enquanto as outras meninas ajudavam nos campos ou preparavam as refeições, ela se sentava à beira da água, observando as correntes mudarem e rodopiar. *"O rio está falando,"* ela disse certa vez à sua avó, Bana Chikondi. Os olhos afiados de sua avó se escureceram. Ela pegou as mãos de Luyando nas suas. *"O rio fala apenas com aqueles que ele escolheu,"* disse ela suavemente. *"Mas aqueles que o ouvem devem ter cuidado, pois o rio não chama sem razão."* Mas Luyando era jovem e não deu ouvidos ao aviso de sua avó. Toda noite, ela retornava ao rio, seus pés afundando na terra úmida. Ela ouvia seus sussurros, traçava as ondas com os dedos e observava as formas escuras que deslizavam logo abaixo da superfície. Numa noite, enquanto os últimos raios do sol pintavam o céu de vermelho, ela viu algo estranho. Perto da margem da água havia pegadas profundas. Mas, diferente dos passos de um pescador, essas marcas levavam para dentro do rio — e não retornavam. Um calafrio percorreu a espinha de Luyando. E então ela sentiu — uma presença a observando. Ela se virou. Ela não se moveu. Não respirou. O crocodilo era enorme, suas escamas negras como o rio à noite. Mas ele não investiu. Simplesmente observava, como se pesasse algo profundo dentro dela. Então, sem som, ele desapareceu sob a superfície. Luyando ficou ali, o coração pulsando, sabendo que havia visto algo que não pertencia a este mundo. O medo se espalhou por Namuswa como fogo em mato seco. Pessoas estavam desaparecendo. Tudo começou com Chimuka, o pescador. Ele saiu uma manhã para pescar e nunca voltou. Seu barco foi encontrado flutuando vazio, sua rede ainda cheia de peixes, mas Chimuka não estava em lugar algum. Dias depois, foi Bwalya, a tecelã. Ela foi ao rio lavar o pano e nunca voltou para casa. E então, um a um, outros desapareceram. Quando a quarta pessoa se foi, a aldeia deixou de dormir em paz. *"O Chefe Crocodilo está com raiva,"* os anciãos sussurravam. *"Tomamos demais."* Uma reunião foi convocada sob o grande baobá, onde os líderes da aldeia se sentaram em conselho. *"O que devemos fazer?"* perguntou o chefe, Mukulubwe. Alguns disseram que deviam fazer uma oferenda. *"Uma cabra, talvez?"* sugeriu um ancião. *"Um sacrifício,"* sussurrou outra voz, mais sombria que as demais. A aldeia caiu em silêncio. E então alguém pronunciou as palavras que mudariam o destino de Luyando para sempre. *"O rio já escolheu."* *"Luyando está sempre perto da água. Talvez ela seja a escolhida."* A mãe de Luyando gritou quando a levaram. Os homens da aldeia amarraram seus pulsos com cipós, seus rostos duros, mas assustados. Ela se debatia, lágrimas escorrendo pelo rosto, mas não adiantava. A decisão já estava tomada. *"Nós a oferecemos ao rio!"* o sacerdote clamou, queimando incenso na margem da água. *"Grande espírito, aceite nosso presente e deixe nosso povo em paz!"* Luyando cerrava os punhos. *"Isso está errado,"* ela queria gritar. E então o vento se alçou. As árvores sacudiram violentamente. O rio fervia como se algo sob ele estivesse se agitando. E então — uma voz que roncava como trovão. *"PAREM."* Os aldeões ofegaram. Uma forma maciça emergiu do rio, água escorrendo de suas escamas reluzentes. O Chefe Crocodilo havia aparecido. Os aldeões caíram de joelhos, tremendo. A voz profunda do Chefe Crocodilo rolava sobre eles como um trovão distante. *"Vocês se tornaram gananciosos,"* disse ele. *"Vocês tomam e tomam, mas não devolvem. E agora vocês buscam sacrificar um inocente para cobrir seus próprios pecados?"* Mukulubwe, o chefe, caiu prostrado na areia. *"Grande, perdoe-nos!"* clamou. Os olhos dourados do Chefe Crocodilo cintilaram em direção a Luyando. *"Ela não é seu sacrifício,"* ele disse. *"Ela é sua salvação."* O coração de Luyando pulsava forte. *"O que você quer dizer?"* ela sussurrou. O olhar do Chefe se suavizou. *"Venha comigo, criança. Eu lhe mostrarei a verdade."* Luyando se virou para sua mãe, que chorava amargamente. *"Vá,"* ela sussurrou. E assim, Luyando entrou na água. O rio se ergueu como um ser vivo, engolindo-as por completo. Luyando acordou em um mundo sob a água. Aqui, o rio estava vivo — peixes luminescentes nadavam como estrelas na correnteza, e espíritos flutuavam por florestas de algas douradas. O Chefe Crocodilo, não mais uma besta, estava diante dela em forma humana — alto, escuro, com olhos dourados ardendo de sabedoria. *"Você deve se tornar a voz do rio,"* ele disse. E assim, ela aprendeu. Aprendeu como o rio respirava, como chorava, como enfurecia. Anos se passaram como dias. E então, chegou a hora de retornar. A aldeia de Namuswa sofreu em sua ausência. O rio os havia abandonado. E então, numa noite, Luyando emergiu da água — alta, radiante, seus olhos brilhando com luz dourada. *"Trago uma mensagem,"* ela disse. *"Respeitem o rio, e ele os abençoará. Traí-lo, e ele retornará o que cometeu."* E assim, ela os ensinou. E o rio perdoou.Uma Criança do Rio
Dois olhos dourados a encaravam da água
Os Aldeões que Desapareceram
A Escolhida
Olhos dourados ardendo como fogo
Um Acordo com o Rio
O Guardião do Rio
Retorno a Namuswa
FIM.