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Sobre a História: A Llorona é um Lenda de colombia ambientado no Século XX. Este conto Descritivo explora temas de Perda e é adequado para Adultos. Oferece Cultural perspectivas. Um encontro comovente com um espírito triste à beira do Rio Grande.
Na tranquila cidade de San Agustín, onde os sussurros do passado persistiam como a névoa matinal sobre o Río Grande, uma estranha quietude frequentemente se instalava à medida que o crepúsculo se aproximava. O rio, uma linha de vida para os moradores, refletia a luz que desaparecia, suas águas cintilando com tons de laranja e roxo. As crianças brincavam às margens durante o dia, suas risadas ecoando contra as colinas ao redor. Mas, quando a noite caía, um silêncio perturbador predominava, e o fluxo suave do rio parecia carregar segredos que apenas a escuridão poderia ocultar. Foi durante essas horas crepusculares que os habitantes falavam de uma presença triste, uma figura espectral que vagava à beira da água, seus clamores melancólicos perfurando a noite.
A vila de San Agustín estava aninhada entre colinas ondulantes e o amplo Río Grande, um lugar onde tradição e folclore estavam entrelaçados no próprio tecido da vida cotidiana. A paisagem era um mosaico de verdejantes vibrantes, pontilhada por flores silvestres coloridas que dançavam suavemente na brisa. O próprio rio era tanto doador quanto tomador, proporcionando sustento e beleza, mas carregando uma corrente subjacente de mistério que os moradores raramente mencionavam abertamente. As casas, construídas de adobe e adornadas com azulejos coloridos, eram um testemunho das gerações que haviam chamado este lugar de lar. À medida que o sol se punha, lançando longas sombras sobre a terra, uma sensação de antecipação se instalava na cidade, pois as histórias antigas nunca estavam longe da mente de ninguém.

Maria Elena, uma jovem de dezessete anos, havia crescido ouvindo histórias sobre a mulher que chorava e assombrava as margens do rio. Sua avó frequentemente contava a lenda de La Llorona, um espírito de coração partido buscando seus filhos perdidos, perdidos nas próprias águas que sustentavam sua comunidade. Maria Elena descartava essas histórias como mero folclore, uma maneira de explicar o inexplicável e de manter as crianças de não se afastarem demais. No entanto, enquanto ela estava à beira do rio naquela noite, a visão do reflexo da lua dançando na superfície despertou um sentimento de inquietação dentro dela. O ar estava denso de umidade, e o canto dos grilos fornecia um pano de fundo constante para o drama que se desenrolava à noite. Mal sabia ela que seu ceticismo logo seria desafiado por eventos que desafiavam explicações racionais.

À medida que a noite se aprofundava, uma névoa espessa começou a se formar vindo do rio, envolvento a vila em um manto cinzento. Os sons familiares das criaturas noturnas pareciam abafados, como se a névoa absorvesse todo o som. Maria Elena decidiu dar um passeio ao longo da margem do rio, buscando consolo no caminho familiar que havia sido sua companhia desde a infância. O caminho estava ladeado por árvores antigas cujos galhos balançavam suavemente, criando um som de farfalhar que se misturava com o zumbido distante da noite. Seus passos ecoavam suavemente contra a trilha de terra, criando um ritmo que combinava com seu estado contemplativo. De repente, um som arrepiante rompeu a noite—a lamentação distante de uma mulher chorando, triste e assombrosa. O coração de Maria acelerou, sua respiração visível no ar frio enquanto ela se esforçava para localizar a fonte do lamento.

Impulsionada por uma mistura de medo e curiosidade, Maria Elena seguiu o som, sua lanterna lançando um brilho tênue no chão coberto de névoa. Os clamores a levaram mais profundamente no coração das matas que bordavam o rio, onde as árvores cresciam mais densas e o caminho menos definido. Quanto mais ela avançava, mais intenso se tornava o lamento, como se a angústia do espírito estivesse crescendo a cada passo. De repente, através da névoa, uma figura emergiu—uma mulher vestida de branco, com longos cabelos escuros caindo sobre o rosto, obscurecendo suas feições. Seus olhos, visíveis entre os fios, eram fundos e cheios de uma tristeza eterna. Maria Elena congelou, incapaz de desviar o olhar da aparição espectral que flutuava perto da beira da água, suas mãos estendidas como se tentassem agarrar algo além da vista.

Enquanto os momentos se estendiam em uma eternidade, a mulher fantasmagórica começou a se mover em direção ao rio, seus movimentos eram graciosos porém sobrecarregados por um peso invisível. Maria Elena sentiu um puxão em seu coração, uma conexão com a dor do espírito que transcendia o reino físico. Ela deu um passo mais perto, a luz da lanterna tremendo como se refletisse a turbulência dentro dela. Os clamores da mulher se transformaram em suaves sussurros, um conto de amor e perda que havia sido gravado na própria essência de seu ser. Maria Elena escutou, seu ceticismo se dissolvendo sob o peso da tristeza do espírito. A história se desenrolou—o luto impossível de uma mãe, uma tragédia que a levou a uma peregrinação eterna, procurando para sempre pelo que foi irremediavelmente perdido. Quando a primeira luz do amanhecer começou a perfurar a névoa, a aparição lentamente se dissipou, deixando Maria Elena sozinha à beira do rio, para sempre mudada pelo encontro.

Nos dias que se seguiram, Maria Elena se viu assombrada não pelo medo, mas pela empatia. Ela mergulhou nos arquivos da vila, descobrindo a verdadeira história por trás de La Llorona. Séculos atrás, uma tragédia atingiu San Agustín quando uma mãe, sobrecarregada pelo desespero, perdeu seus filhos para o próprio rio que adoravam. Seu luto foi tão profundo que seu espírito não pôde descansar, vagando para sempre pelas margens em busca dos seus perdidos. Maria Elena percebeu que a lenda não era apenas uma história para assustar as crianças, mas um lembrete comovente das profundezas do amor materno e do devastador poder da perda. Determinada a honrar a memória do espírito, ela organizou um encontro comunitário à beira do rio, onde histórias foram compartilhadas e memórias celebradas. Os moradores, antes cautelosos com as velhas lendas, uniram-se em solidariedade, encontrando conforto na presença uns dos outros e na história compartilhada que os unia. À medida que se reuniam sob o céu crepuscular, a presença de La Llorona parecia menos uma assombração e mais uma guardiã observando-os, garantindo que as lições do passado nunca seriam esquecidas.
