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Sobre a História: A Lenda da Serpente Arco-íris é um Legend de australia ambientado no Ancient. Este conto Poetic explora temas de Justice e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. A antiga força que moldou a terra e protegeu o equilíbrio da vida no Tempo dos Sonhos.
Introdução
Há muito tempo, no Tempo do Sonho, antes da terra da Austrália assumir sua forma atual, o mundo era escuro e sem vida. Os ancestrais, que eram espíritos da terra, da água e do céu, ainda não tinham moldado as montanhas, os rios e os vales. Tudo estava quieto, e as pessoas ainda não haviam surgido. Foi durante esse tempo sagrado que emergiu um dos maiores seres — a Serpente Arco-Íris. Seu corpo brilhava com as cores do arco-íris, e ela se movia com graça e poder pela terra, transformando o solo sob suas enormes espirais.
A Serpente Arco-Íris, conhecida por muitos nomes nas diferentes nações aborígenes da Austrália, era venerada como a criadora da vida e a guardiã da água. Ela rastejava pela terra, moldando montanhas, escavando vales e esculpindo os rios que nutririam a terra. Seus movimentos traziam fertilidade, permitindo que as plantas crescessem e a vida florescesse na paisagem árida.
Esta é a história da Serpente Arco-Íris, um conto de criação, luta e equilíbrio no antigo mundo do Tempo do Sonho. Através de suas ações, a Serpente não apenas criou a terra, mas também estabeleceu as leis e costumes que guiariam as pessoas que viriam depois.
O Despertar da Serpente Arco-Íris
No começo, quando a terra era plana e sem características, a Serpente Arco-Íris dormia sob a superfície. Seu corpo estava firmemente enrolado, conservando energia, esperando o momento certo para emergir. A terra acima era desolada, e as criaturas do Tempo do Sonho dormiam ao lado dela, enterradas no solo, alheias ao mundo que logo existiria.
Um dia, conforme o sol se erguia no horizonte, seus raios penetraram profundamente na terra, despertando a Serpente Arco-Íris de seu sono. O calor do sol despertou a Serpente, e ela começou a desenrolar-se, seu corpo estendendo-se e contorcendo-se sob o chão. À medida que se movia, a terra se deslocava, e a paisagem começava a se formar. Montanhas surgiram onde seu corpo pressionava para cima, e vales afundaram onde ela escavava profundamente.
A Serpente Arco-Íris emergiu do solo, suas escamas cintilando à luz do sol, refletindo todas as cores do arco-íris. Com um forte golpe de sua cauda, ela criou rios e córregos, enchendo-os de água enquanto se movia pela terra. As plantas começaram a crescer, e os animais despertaram de seu profundo sono, emergindo da terra para habitar o mundo recém-formado.
A Serpente, vendo a terra que havia criado, ficou satisfeita, mas sabia que seu trabalho ainda não estava concluído. Pois a terra, embora fértil, carecia do equilíbrio necessário para sustentar a vida. Não havia ordem, nem estrutura, e as criaturas da terra estavam sem orientação.
O Presente da Água e da Vida
À medida que a Serpente Arco-Íris rastejava pela terra, ela carregava água em seu rastro, trazendo vida à paisagem árida. Os rios que ela criava fluíam livremente, e onde quer que a Serpente passasse, as plantas cresciam exuberantes e verdes. Árvores erguiam-se altas, e gramíneas se espalhavam pelas planícies. Os animais, despertos pela presença da Serpente, começaram a beber dos rios e a pastar nas plantas.
Mas a Serpente sabia que a água, fonte da vida, também era um recurso precioso. Sem controle, os rios poderiam inundar a terra, destruindo a própria vida que nutriram. A Serpente, sendo sábia e protetora, decidiu guardar a água, garantindo que fosse usada com sabedoria e parcimônia. Ela se proclamou guardiã dos poços de água, lugares sagrados onde animais e seres humanos vinham para beber.
Para assegurar o equilíbrio, a Serpente estabeleceu leis. Ela decretou que os poços de água deveriam ser respeitados e cuidados por todas as criaturas. Ninguém deveria poluir ou desperdiçar a água, pois sem ela, a vida não poderia florescer. A lei da Serpente era absoluta, e aqueles que desobedecessem enfrentariam sua ira.
A jornada da Serpente pela terra não foi apenas de criação, mas também de ensino. Ela falou aos animais, ensinando-os a viver em harmonia com a terra e entre si. Mostrou-lhes como encontrar alimento, como cuidar dos jovens e como respeitar o equilíbrio da natureza. A Serpente era a guardiã da terra, e sua sabedoria era a base sobre a qual o mundo seria construído.
A Rivalidade da Serpente com o Sapo

Apesar do equilíbrio e da harmonia que a Serpente Arco-Íris buscava trazer, nem todas as criaturas estavam contentes com seu domínio. Uma dessas criaturas era Tiddalik, o Sapo. Tiddalik era uma criatura travessa e gananciosa, sempre procurando perturbar o equilíbrio do mundo para seu próprio benefício.
Um dia, Tiddalik decidiu que beberia toda a água da terra, deixando nada para os outros animais ou plantas. Ele dirigiu-se a um dos poços sagrados guardados pela Serpente e começou a beber. Bebeu e bebeu até que não restou água, e os rios secaram. A terra, que antes estava cheia de vida, começou a murchar sob o sol escaldante.
Os animais, percebendo o que havia acontecido, foram pedir ajuda à Serpente Arco-Íris. Contaram à Serpente sobre a ganância de Tiddalik e imploraram por sua intervenção. A Serpente, furiosa com as ações do sapo, rastejou pela terra, procurando por Tiddalik.
Quando a Serpente encontrou Tiddalik, sua barriga estava inchada com toda a água da terra. A Serpente sabia que não podia simplesmente eliminar Tiddalik, pois isso faria com que a água se escoasse descontroladamente, inundando a terra. Em vez disso, a Serpente elaborou um plano. Faria o Tiddalik rir, fazendo com que ele liberasse voluntariamente a água.
A Serpente convocou os animais da terra para ajudar. Um por um, eles tentaram fazer Tiddalik rir, mas o sapo permaneceu teimoso, segurando a água dentro de si. Finalmente, foi o ouriço-cacheiro, com seus movimentos desajeitados e travessuras bobas, que conseguiu. Tiddalik desatou uma gargalhada, e enquanto ria, a água fluía de sua boca, enchendo novamente os rios e os poços sagrados.
A Serpente, satisfeita por ter restaurado o equilíbrio, voltou a seu lugar como guardiã da água. Mas advertiu os animais de que tal ganância e egoísmo não seriam tolerados. As leis da terra eram sagradas, e aqueles que as quebrassem enfrentariam as consequências.
A Criação do Povo
Com a terra agora prosperando e o equilíbrio restaurado, a Serpente Arco-Íris voltou sua atenção para a tarefa final da criação: a criação das pessoas. A Serpente sabia que a terra precisava de cuidadores, seres que viveriam em harmonia com a terra e respeitariam as leis que ela havia estabelecido.
A Serpente percorreu a terra, reunindo argila das margens dos rios e moldando-a na forma de homens e mulheres. Ela insuflou vida às figuras, e elas despertaram, piscando sob a luz do sol, seus corações batendo no ritmo da terra.
A Serpente ensinou às pessoas os caminhos da terra, assim como havia ensinado aos animais. Mostrou-lhes como caçar e coletar alimentos, como encontrar água e como viver em harmonia com a terra. Também lhes ensinou as leis sagradas, as regras que governavam o uso da terra e da água. As pessoas deveriam ser as guardiãs da terra, protegendo-a e garantindo que seus recursos fossem usados sabiamente.
As pessoas floresceram sob a orientação da Serpente Arco-Íris, espalhando-se pela terra, estabelecendo comunidades e transmitindo o conhecimento que aprenderam com sua criadora. A Serpente observava-as, sempre presente na terra, uma guardiã silenciosa assegurando que o equilíbrio fosse mantido.
O Conflito da Serpente com o Crocodilo

Por muitos anos, as pessoas viveram em paz, e a terra permaneceu fértil e abundante. Mas, com o passar do tempo, algumas pessoas começaram a esquecer as leis da Serpente Arco-Íris. Tornaram-se descuidadas com a água, poluindo os poços sagrados e desperdiçando os recursos que a Serpente tão cuidadosamente guardava.
A Serpente, ao ver isso, enfureceu-se. Lembrou às pessoas a importância da água e do equilíbrio da natureza, mas alguns se recusaram a ouvir. Entre aqueles que desconsideraram os ensinamentos da Serpente estava um homem poderoso e arrogante chamado Ginga, que tinha o espírito do crocodilo dentro de si.
Ginga era forte e destemido, e acreditava que as leis da Serpente estavam desatualizadas. Ele buscava controlar os poços de água para si, alegando que a Serpente não tinha direito de governar a terra. Reuniu seguidores, e juntos desafiaram a Serpente Arco-Íris, poluindo a água e estocando-a para seu próprio uso.
A Serpente, percebendo a destruição que Ginga e seus seguidores estavam causando, confrontou-os. Uma grande batalha se iniciou, com Ginga assumindo a forma de um crocodilo maciço, suas mandíbulas cerrando e sua cauda batendo enquanto lutava contra a Serpente. A batalha rugia pela terra, sacudindo o solo e agitanso os rios. Montanhas desmoronavam e vales se formavam enquanto os dois titãs colidiam.
No final, a Serpente Arco-Íris prevaleceu, usando sua sabedoria e agilidade para superar a força bruta do crocodilo. Ginga foi derrotado, e a Serpente o lançou nas profundezas dos rios, onde permaneceria por toda a eternidade, lembrança para as pessoas das consequências de desafiar as leis da natureza.
O Legado da Serpente

Embora a batalha tenha terminado, as cicatrizes deixadas na terra pelo conflito eram visíveis por gerações. Os rios e vales criados durante a batalha tornaram-se lugares sagrados, lembranças da luta entre a Serpente e o crocodilo. As pessoas, tendo testemunhado o poder da Serpente Arco-Íris, renovaram seu compromisso com as leis da terra, prometendo viver em harmonia com a natureza e proteger os poços sagrados.
A Serpente Arco-Íris, tendo restaurado o equilíbrio da terra mais uma vez, retirou-se para a terra, retornando ao seu lugar de descanso sob a superfície. Mas as pessoas sabiam que a Serpente estava sempre presente, observando-as, garantindo que o equilíbrio fosse mantido.
As histórias da Serpente Arco-Íris foram passadas de geração em geração, contadas pelos anciãos às crianças, que um dia se tornariam as guardiãs da terra. O legado da Serpente perdurou nos costumes e nas leis do povo, moldando sua relação com a terra e entre si.
O Retorno da Serpente Arco-Íris
À medida que as gerações passaram, as pessoas nunca esqueceram os ensinamentos da Serpente Arco-Íris. Continuaram a honrar os poços sagrados, cuidando da terra e vivendo em harmonia com a terra. Mas houve momentos em que secas vinham, e os rios secavam. Durante esses tempos, as pessoas se reuniam nos poços de água e oravam à Serpente Arco-Íris, pedindo sua orientação e proteção.
Diz-se que durante esses momentos de grande necessidade, a Serpente se agitava mais uma vez, emergindo de seu local de descanso sob a terra. Seu corpo brilhava com as cores do arco-íris, e ela se movia pela terra, trazendo chuva para a terra ressequida e enchendo novamente os rios.
As pessoas, vendo o retorno da Serpente, alegravam-se, sabendo que o equilíbrio havia sido restaurado. A Serpente Arco-Íris, embora oculta de vista, estava sempre presente, uma guardiã da terra e um símbolo da conexão eterna entre a terra, as pessoas e o espírito do Tempo do Sonho.
Conclusão
A lenda da Serpente Arco-Íris é uma história de criação, equilíbrio e respeito pelo mundo natural. Ensina a importância de viver em harmonia com a terra, respeitar os recursos que sustentam a vida e honrar as leis sagradas que asseguram a sobrevivência de todos os seres. O legado da Serpente vive nos corações das pessoas, lembrança da sabedoria e poder do Tempo do Sonho e da conexão eterna entre a terra e suas criaturas.