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A História do Zashiki-warashi
In a quiet Japanese village of the 19th century, a warm and mysterious home stands, watched over by a Zashiki-warashi spirit. Its presence hints at the delicate balance between fortune and danger that awaits within.

Sobre a História: A História do Zashiki-warashi é um Folktale de japan ambientado no 19th Century. Este conto Dramatic explora temas de Perseverance e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. A fortuna de uma família se transforma em um mistério assombrado quando um espírito protetor deixa sua casa.

Nas profundezas das florestas do norte do Japão, aninhada entre montanhas enevoadas e rios tranquilos, encontra-se a antiga cidade de Tono. Esta pitoresca e remota vila é o cenário de um dos contos folclóricos mais intrigantes do Japão, a história do Zashiki-warashi — o espírito guardião das casas. Muitas pessoas em Tono falam sobre seus encontros com esse espírito travesso, mas protetor, acreditando que ele traz sorte para aqueles que têm a sorte de abrigá-lo. Contudo, conforme a lenda, quando um Zashiki-warashi parte, a desgraça logo segue. Esta história desvenda o mistério em torno da conexão de uma família com esse espírito enigmático.

A Casa Misteriosa

Tudo começou com a família Furukawa. Residentes de longa data de Tono, os Furukawas eram uma família humilde que havia vivido na mesma casa por gerações. A casa Furukawa não era nada notável por fora — uma estrutura simples de madeira com um telhado de palha, semelhante a qualquer outra na região. No entanto, havia algo diferente nela que os moradores frequentemente comentavam em sussurros. Desde que alguém podia se lembrar, os Furukawas nunca sofreram dificuldades financeiras. Suas colheitas eram sempre abundantes, seus filhos sempre saudáveis e, mesmo durante os invernos mais rigorosos, seu lar permanecia quente e acolhedor.

Yuta Furukawa, o atual chefe da família, sempre atribuiu sua boa sorte ao trabalho árduo e à perseverança. No entanto, sua esposa, Haruka, tinha uma explicação diferente. Ela suspeitava há muito tempo que seu lar era abençoado por um Zashiki-warashi, um espírito infantil conhecido por trazer boa sorte. Haruka às vezes via claramente uma pequena figura, quase invisível, que corria de um cômodo para outro. Ela até ouviu risadinhas suaves ecoando pelos corredores tarde da noite, mas sempre que tentava investigar, não encontrava nada. A ideia de compartilhar sua casa com uma presença fantasmagórica a inquietava a princípio, mas, com o tempo, ela passou a gostar do espírito, acreditando que ele os protegia.

Haruka espiou dentro de um depósito empoeirado, onde o espectral Zashiki-warashi se encontrava no centro, contribuindo para a atmosfera assustadora.
Haruka espreita dentro da despensa, onde se depara com o misterioso Zashiki-warashi, que está de pé nas sombras de sua tradicional casa japonesa.

Numa fria noite de outono, enquanto as folhas fora da casa Furukawa se transformavam em tons de vermelho e dourado, Haruka preparava o jantar. O fogo da lareira brilhava calorosamente, enchendo a sala com o reconfortante aroma de um ensopado fervente. De repente, ela ouviu o familiar som de passos leves correndo pelo corredor. Desta vez, ela tinha certeza de que era o Zashiki-warashi. Ela já havia ouvido esses passos muitas vezes antes, mas desta vez, algo parecia diferente. O ar parecia mais pesado, como se o espírito estivesse inquieto.

Ela colocou a concha de lado e seguiu silenciosamente o som. Enquanto caminhava pelo corredor mal iluminado, notou que a porta do velho depósito estava ligeiramente entreaberta. Isso era estranho porque o depósito raramente era usado, um lugar onde coisas esquecidas de gerações passadas eram guardadas. Lentamente, Haruka empurrou a porta.

Dentro, o ar estava cheio de poeira e teias de aranha grudavam nos cantos. No centro da sala estava uma pequena figura fantasmagórica. Era uma criança, com no máximo cinco anos, com um tufão de cabelos negros e um sorriso travesso. Seus olhos brilhavam com uma luz sobrenatural, e ele vestia roupas simples e antiquadas, como as de uma criança de tempos remotos. Haruka ofegou, mas não fugiu. Este era o Zashiki-warashi de que ela tanto ouvira falar.

O espírito inclinou a cabeça e sorriu, como se reconhecesse sua presença. Haruka, com o coração acelerado, sussurrou: “Você é quem tem nos protegido?”

O espírito infantil não falou, mas simplesmente assentiu antes de desaparecer nas sombras. Haruka permaneceu ali por um longo momento, sua mente correndo. Ela sabia agora, sem dúvida, que o Zashiki-warashi era real. Era o protetor de seu lar, a razão da prosperidade duradoura da família. Mas por que ele havia escolhido se revelar a ela agora? E por que parecia... inquieto?

Um Presságio Estranho

Os dias seguintes foram pacíficos, embora Haruka não conseguisse afastar a sensação de que algo estava errado. Ela contou a Yuta sobre o encontro, mas ele apenas riu e descartou como fruto de sua imaginação ativa. “Provavelmente é apenas o vento pregando peças com você,” disse ele com um sorriso. Mas Haruka sabia o que havia visto. A presença do Zashiki-warashi era mais real para ela do que nunca.

No entanto, não demorou muito para que coisas estranhas começassem a acontecer na casa da família Furukawa. O primeiro sinal foi o clima. Embora ainda fosse outono, uma súbita onda de frio desceu sobre Tono, trazendo uma geada fora de estação. As colheitas, que prosperavam apenas dias antes, murcharam da noite para o dia. Yuta ficou perplexo, já que nunca havia visto uma mudança tão repentina no clima em todos os anos de cultivo.

Então, surgiram os ruídos estranhos. À noite, a casa rangia e gemia como se estivesse viva. Os sons antes brincalhões dos passos do Zashiki-warashi foram substituídos por ruídos assustadores e perturbadores — sussurros, raspadas e o som de algo pesado sendo arrastado pelo chão. Haruka e Yuta acordavam no meio da noite, ouvindo os sons estranhos ecoarem pela casa.

Em uma noite, enquanto sentavam junto ao fogo, tentando ignorar o frio que parecia penetrar em seus ossos apesar das chamas, Haruka virou-se para Yuta. “Acho que o Zashiki-warashi está descontente,” disse ela calmamente. Yuta franziu a testa. “Descontente? Por que ele estaria descontente? Temos cuidado bem desta casa e sempre respeitamos sua presença.”

Haruka balançou a cabeça. “Não sei. Mas desde que o vi, as coisas não têm sido as mesmas. Talvez... talvez ele esteja tentando nos dizer algo.”

Haruka e Yuta estão sentados junto ao fogo, com expressões tensas, enquanto discutem o comportamento inquietante do Zashiki-warashi.
Haruka e Yuta estão sentados ao redor da fogueira, a conversa deles tensa enquanto Haruka expressa suas preocupações sobre a mudança de comportamento do Zashiki-warashi.

Yuta suspirou. “Talvez. Mas o que devemos fazer? Não podemos exatamente perguntar a ele o que está errado.”

Haruka refletiu sobre suas palavras. Era verdade — o Zashiki-warashi era um espírito, um ser além de sua compreensão. Mas ela sentia no coração que havia algo que eles poderiam fazer, alguma maneira de apaziguá-lo. Na manhã seguinte, decidiu visitar o santuário local. Talvez o sacerdote lá tivesse alguma visão sobre os acontecimentos misteriosos.

Buscando Respostas

O santuário estava situado em uma colina com vista para Tono, seu torii emoldurado contra o céu. Haruka caminhou pelo caminho sinuoso até a colina, seus pensamentos pesados de preocupação. O sacerdote, um homem idoso de rosto amável, a recebeu calorosamente. Ela explicou suas preocupações, contando-lhe sobre o Zashiki-warashi e os eventos estranhos que começaram a atormentar sua família.

O sacerdote ouviu atentamente, assentindo ocasionalmente. Quando ela terminou, ele permaneceu em silêncio por um momento antes de falar. “O Zashiki-warashi é realmente um espírito poderoso,” disse ele. “Diz-se que traz fortuna para aqueles que cuidam dele, mas se ele se sentir negligenciado ou desrespeitado, pode partir... ou pior.”

O coração de Haruka afundou. “Partir? O que aconteceria se ele partisse?”

A expressão do sacerdote ficou grave. “Se o Zashiki-warashi deixar uma casa, ele leva toda a boa sorte com ele. A desgraça seguirá, e a casa cairá em ruínas.”

O sangue de Haruka gelou. “Há algo que possamos fazer para mantê-lo feliz? Para garantir que ele não saia?”

O sacerdote assentiu lentamente. “Existem rituais, oferendas que você pode fazer para apaziguar o espírito. Zashiki-warashi geralmente gostam de doces, brinquedos e oferendas de arroz. Mantenha sua casa limpa e arrumada, pois eles apreciam a ordem. Mas, mais importante, mostre gratidão por sua presença. Reconheça-o e trate-o com respeito.”

Haruka agradeceu ao sacerdote e apressou-se para casa, sua mente fervilhando com tudo o que havia aprendido. Ela faria o que fosse necessário para manter o Zashiki-warashi feliz e evitar que ele partisse.

As Oferendas

De volta à casa, Haruka imediatamente começou a trabalhar. Ela limpou todos os cantos da casa, esfregando os pisos e tirando o pó das antigas prateleiras. Colocou pequenas tigelas de arroz e bolos doces nos cantos dos cômodos, sussurrando palavras de gratidão para o espírito. Ela até encontrou um antigo brinquedo de madeira no sótão e o colocou à mostra, esperando que agradasse o Zashiki-warashi.

Por um tempo, os ruídos estranhos cessaram, e a casa voltou a se sentir quente e acolhedora. Haruka estava esperançosa de que seus esforços haviam funcionado, que o espírito havia sido apaziguado. Yuta, também, notou a mudança e começou a acreditar que talvez houvesse mais na história do Zashiki-warashi do que ele pensava inicialmente.

Mas, assim que começaram a se sentir em paz, algo estranho aconteceu. Numa noite, Haruka acordou com o som de soluços suaves. Era fraco, quase imperceptível, mas estava ali — o choro de uma criança ecoando pelos corredores escurecidos. Ela se levantou da cama e seguiu o som, o coração pulsando no peito.

Haruka encontra o Zashiki-warashi, em lágrimas, sentado no chão do escuro depósito, parecendo frágil e triste.
Haruka encontra o Zashiki-warashi sentado no chão do depósito, com as bochechas molhadas de lágrimas e um ar triste, revelando a escuridão oculta dentro de sua casa.

Os soluços a levaram novamente ao depósito. A porta estava ligeiramente aberta, assim como havia sido na primeira vez que encontrou o Zashiki-warashi. Haruka empurrou-a lentamente, sua respiração prendendo na garganta.

Dentro, ela viu o espírito mais uma vez, sentado no chão de costas para ela. Seus pequenos ombros tremiam enquanto chorava, e sua forma antes vibrante parecia mais apagada, mais frágil. O coração de Haruka doía ao ver a cena. Ela avançou cautelosamente, sem saber o que fazer.

“Por que você está chorando?” perguntou suavemente.

O Zashiki-warashi não respondeu, mas continuou a soluçar. Haruka ajoelhou-se ao lado dele, estendendo uma mão hesitante. “Por favor, diga-me o que está errado. Não queremos que você vá. Somos gratos por tudo o que você fez por nós.”

O espírito finalmente levantou o olhar, seu rosto manchado de lágrimas cheio de tristeza. “Eu não quero partir,” sussurrou, sua voz mal audível. “Mas devo. Não sou o único que vive aqui.”

Haruka piscou, confusa. “O que você quer dizer? Quem mais está aqui?”

O Zashiki-warashi limpou as lágrimas com o dorso da mão e apontou para o canto distante da sala. Haruka seguiu o olhar dele, e seu sangue gelou.

Nas sombras, quase invisível, estava outra figura — mais alta, mais escura e muito mais ameaçadora do que o espírito infantil. Seus olhos brilhavam em vermelho na escuridão, e sua presença preenchia a sala com uma sufocante sensação de pavor. Isso não era um espírito brincalhão. Era algo muito mais sinistro.

A Presença Sombria

O ar na sala ficou pesado, quase tangível, enquanto a figura sombria avançava. Haruka recuou, seu coração disparado no peito. Ela havia ouvido falar de espíritos malévolos em contos folclóricos, mas nunca imaginou encontrar um pessoalmente. A forma do Zashiki-warashi parecia encolher à medida que o espírito sombrio se aproximava, como se também estivesse com medo.

A figura parou na beira da sala, sua presença dominando o espaço. Haruka podia sentir seus olhos sobre ela, queimando com uma intensidade fria e antinatural. Ela queria fugir, mas seus pés pareciam enraizados no chão.

“Eu estou aqui há mais tempo do que você imagina,” disse o espírito sombrio com uma voz baixa e gutural. “O Zashiki-warashi era apenas a isca, uma distração. Agora, seu tempo de fortuna acabou.”

O sangue de Haruka gelou. As palavras do espírito pairavam pesadamente no ar, e ela sentiu uma onda de desespero a invadir. Essa presença sombria havia estado à espreita em sua casa, alimentando-se de sua prosperidade, e agora estava pronta para levar tudo.

Justamente quando o espírito sombrio se aproximava, uma rajada de vento varreu a sala, apagando as lanternas e mergulhando tudo na escuridão. O coração de Haruka batia forte em seus ouvidos enquanto ela tateava no breu absoluto em busca da porta, desesperada para escapar da presença aterrorizante.

Haruka e Yuta fogem de sua casa em colapso durante a noite, enquanto o Zashiki-warashi os observa da porta pela última vez.
Haruka e Yuta fogem de sua casa em colapso, deixando para trás a vida próspera que tiveram, enquanto o Zashiki-warashi os observa das sombras pela última vez.

O Zashiki-warashi, agora quase invisível na penumbra, sussurrou urgentemente: “Você deve sair desta casa. Não é mais segura. Quanto mais tempo você ficar, mais poder ela ganha.”

Haruka, tremendo, conseguiu encontrar a porta e arremessá-la, tropeçando no corredor. Ela correu de volta para seu quarto onde Yuta ainda dormia, completamente alheio ao perigo em que estavam. Abalando-o para acordar, explicou sem fôlego o que havia acontecido.

Yuta, embora cético, pôde ver o terror em seus olhos e soube que algo estava terrivelmente errado. “Precisamos ir,” Haruka insistiu, sua voz trêmula. “Não podemos ficar aqui por mais tempo.”

A Fuga Final

Reunindo o pouco que podiam no meio da noite, Haruka e Yuta fugiram de sua casa ancestral, deixando para trás tudo o que conheciam. Ao chegarem à beira da propriedade, Haruka olhou para trás uma última vez. A casa, antes quente e convidativa, agora parecia fria e sem vida. As janelas, antes brilhando com luz, estavam escuras e vazias, como se a própria alma da casa tivesse sido drenada.

O Zashiki-warashi apareceu uma última vez na porta, sua pequena forma quase invisível na escuridão. Ele acenou uma despedida triste antes de desaparecer nas sombras, deixando os Furukawas em seu destino incerto.

Na manhã seguinte, a casa desabou, consumida pelo espírito malévolo que havia habitado seu interior. Os Furukawas, agora sem lar, vagaram pela vila, sua vida antes próspera reduzida a ruínas.

As pessoas de Tono falavam sobre a desgraça dos Furukawas em tons baixos, atribuindo sua queda ao espírito misterioso que antes os protegia. E assim, a lenda do Zashiki-warashi continuou a crescer, um conto de fortuna, proteção e os perigos que espreitam no mundo invisível.

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