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Sobre a História: A História do Clurichaun é um Folktale de ireland ambientado no Medieval. Este conto Humorous explora temas de Friendship e é adequado para All Ages. Oferece Entertaining perspectivas. Uma história de travessuras, magia e uma ligação inquebrantável entre o homem e o Clurichaun.
Nas exuberantes e ondulantes colinas da Irlanda, onde a grama esmeralda beija o orvalho da manhã, reside a antiga lenda do Clurichaun. Conhecidos por serem os primos travessos dos Leprechauns, os Clurichauns são solitários, imprevisíveis e eternamente atraídos pelo charme de vinhos e destilados finos. Suas histórias ecoam no vento, sussurradas por aqueles que avistaram fugazmente sua figura sombria, enquanto cavalcam sobre ovelhas ou deslizam pelas sombras das noites enluaradas. Esta é a história de um desses Clurichauns – um sujeito peculiar e bastante problemático chamado Fergal O’Conor, cujas travessuras eram lendárias mesmo entre os sobrenaturais.
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No coração de um vale irlandês, erguia-se uma acolhedora cabana de pedra, pertencente a um homem chamado Seamus McLeary. Seamus, um fazendeiro bondoso, porém rigoroso, tinha um amor particular pela sua cerveja. Todas as noites, após um longo dia de trabalho, ele se sentava ao lado da lareira, saboreando o líquido âmbar de seu barril de carvalho. Mas recentemente, ele havia notado algo peculiar: sua cerveja parecia desaparecer durante a noite. Com o passar dos dias, quanto mais Seamus trancava o barril, mais o encontrava vazio na manhã seguinte. Uma noite, determinado a descobrir o culpado, Seamus esperou perto de seu barril de cerveja com uma lanterna débil, escondida atrás de um monte de feno. Justamente quando o relógio marcou a meia-noite, uma pequena figura, não mais alta que uma criança, com um nariz vermelho e bochechas rosadas, apareceu das trevas. Ele usava um colete minúsculo, um chapéu torto e botas que pareciam grandes demais para seus pés. O Clurichaun havia chegado. “Peguei você!” exclamou Seamus, saltando de seu esconderijo. O Clurichaun, nada assustado, simplesmente ergueu uma sobrancelha e deu um gole generoso do barril. “Pegou-me, é?” riu o Clurichaun, enxugando os lábios. “Ah, bem, parece que o jogo acabou então.” “O que você quer com a minha cerveja?” exigiu Seamus, apertando mais a lanterna. “Sua cerveja, rapaz? É uma tragédia deixar tais destilados finos descuidados. Eu simplesmente garanto que não sejam desperdiçados,” respondeu o Clurichaun, sorrindo travessamente. “O nome é Fergal O’Conor, a propósito. Prazer em conhecê-lo.” O sorriso travesso de Fergal pouco aliviou a irritação de Seamus, mas o fazendeiro havia ouvido histórias sobre Clurichauns e sabia melhor do que enfurecer tal criatura. Em vez disso, decidiu fazer um acordo. “Você pode tomar uma taça todas as noites, mas nada mais que isso.” Os olhos de Fergal brilharam, “Fechado! Mas lembre-se, você nunca mais se livrará de mim.” E assim, as visitas noturnas começaram, com Seamus aprendendo que havia mais em Fergal do que aparentava. Ele era um mestre das histórias, tecendo contos de batalhas antigas, reis há muito esquecidos e terras encantadas. Em troca, Seamus descobriu que, uma vez que um Clurichaun fixa seu coração em seus destilados, está ligado à sua casa para sempre. Com o passar das semanas, Seamus passou a gostar de seu visitante peculiar. No entanto, a natureza imprevisível de Fergal logo causou problemas. Uma noite, Fergal chegou com uma ovelha ao seu lado, um sorriso alegre estampado no rosto. “Pensei em trazer um amigo esta noite!” anunciou ele. Seamus olhou fixamente para a ovelha confusa e depois para Fergal. “O que diabos você está aprontando agora?” “Apenas pensei que seria bom ter um pouco de companhia,” disse Fergal. “Além disso, as ovelhas não reclamam. Não é, Daisy?” A ovelha, agora aparentemente chamada Daisy, baliou em resposta. À medida que as noites passavam, as travessuras de Fergal tornavam-se cada vez mais extravagantes. Ele reorganizava os móveis de Seamus, pintava as paredes com cores peculiares e até cavalgava Daisy pelos campos sob a luz do luar. Apesar do caos, Seamus se pegava rindo mais do que fazia anos. Em uma noite particularmente tempestuosa, Seamus encontrou Fergal sentado solenemente junto à lareira, uma raridade para o Clurichaun geralmente enérgico. “O que houve?” perguntou Seamus. “É essa chuva,” murmurou Fergal. “Me faz lembrar de coisas que eu preferiria esquecer.” Intrigado, Seamus insistiu, “Que tipo de coisas?” Fergal suspirou profundamente. “Ah, rapaz, nós Clurichauns nem sempre estivemos sozinhos. Antigamente vivíamos junto com os Leprechauns, compartilhávamos seus lares, suas histórias, suas risadas. Mas éramos... diferentes. Mais atraídos pelos prazeres da vida, entende. Vinho, música e festividades. E assim, eles nos expulsaram. Disseram que causávamos muita travessura.” Essa revelação deixou Seamus em silêncio. Ele não havia percebido que, sob a aparência despreocupada de Fergal, havia um coração carregado de memórias de uma convivência perdida. Na manhã seguinte, Seamus descobriu que Fergal havia deixado-lhe um presente – uma figura de madeira minuciosamente esculpida de um Clurichaun, erguendo um copo em um brinde silencioso. Era a maneira de Fergal de agradecer. A notícia do companheiro Clurichaun de Seamus se espalhou, e logo, seus vizinhos começaram a reclamar. “Seu Clurichaun tem estado nos meus campos, arrancando minhas plantações!” alguém gritou. “Ele pintou meu celeiro de rosa!” outro resmungou. Seamus defendeu Fergal o melhor que pôde, mas as travessuras de Fergal estavam se tornando mais difíceis de controlar. Uma noite, Seamus o confrontou, “Fergal, você precisa parar de causar problemas. Você vai me meter em apuros!” Fergal apenas deu de ombros. “Ah, mas a vida é para ser vivida, não é, Seamus?” “Sim, mas às custas dos outros?” A pergunta pairou no ar e, pela primeira vez, Fergal não teve resposta. Naquela noite, enquanto Seamus dormia, Fergal vigiava a cabana, observando as estrelas piscarem no céu. Ele sabia que em breve poderia ter que deixar aquele lugar, mas a ideia de ficar sozinho novamente era mais do que ele podia suportar. Uma manhã, Seamus acordou e percebeu que seu precioso barril de carvalho de cerveja havia desaparecido. Em seu lugar, havia uma nota, escrita com uma caligrafia elegante: “Se você deseja ver seu barril novamente, venha ao Círculo das Fadas até a meia-noite.” Furioso, Seamus pegou sua lanterna e marchou até o Círculo das Fadas – um círculo de pedras antigas no meio da floresta. Lá, encontrou Fergal, cercado por um grupo de figuras sombrias – outros Clurichauns. “Você tem muita ousadia, Fergal,” rosnou Seamus. “Devolva meu barril!” Fergal, com aparência inusitadamente séria, deu um passo à frente. “Seamus, estes são meus parentes. Eles vieram para me levar de volta.” “Você... você está indo embora?” Seamus gaguejou. “Não é por escolha,” respondeu Fergal. “Mas não posso voltar de mãos vazias. Eles exigem um presente.” “E esse presente é minha cerveja?” Seamus retrucou. “Sim,” disse Fergal calmamente. “Mas mais do que isso, eles exigem lealdade. Um Clurichaun que não abandone sua família, mesmo pela amizade de um mortal.” Seamus permaneceu imóvel, as palavras se assentando em sua mente. “Então leve,” ele finalmente disse, empurrando o barril em direção a eles. “Se isso significa que você pode ficar com sua família novamente.” Fergal olhou para Seamus, espantado. “Você... você faria isso por mim?” “Aye,” respondeu Seamus. “Porque você foi como família para mim.” Comovido além das palavras, Fergal se virou para seus parentes. “Há mais na lealdade do que sangue,” disse ele desafiadoramente. “Há amizade também.” Para surpresa de Seamus, os outros Clurichauns assentiram. Um deles avançou, batendo no barril. “Você passou em nosso teste, Fergal O’Conor. Pode ficar onde seu coração pertence.” A partir desse dia, Fergal passou a ser menos um incômodo e mais um guardião. Ele vigiava a casa de Seamus, protegia seus campos de pragas e garantia que nenhum outro Clurichaun ousasse tocar na cerveja de seu amigo. Em troca, Seamus sempre deixava uma taça da melhor cerveja ao lado da lareira, um lembrete silencioso de seu vínculo. Os anos se passaram, e Seamus envelheceu. Numa noite de outono, enquanto se sentava junto ao fogo, Fergal apareceu ao seu lado. “Você envelheceu, meu amigo,” disse o Clurichaun suavemente. “Aye,” respondeu Seamus. “Mas eu não mudaria nada.” “Você partirá em breve,” continuou Fergal, com a voz tingida de tristeza. Seamus assentiu. “É assim a vida.” Fergal alcançou seu casaco e tirou uma pequena moeda de ouro. “Pegue isto. É um presente de Clurichaun. Trará sorte na próxima vida.” Seamus pegou a moeda, sentindo seu calor. “Obrigado, Fergal.” E assim, quando Seamus McLeary finalmente partiu, o fez com um sorriso, sabendo que viveu uma vida cheia de risos, amizade e um toque de magia. Até hoje, dizem que Fergal O’Conor ainda vigia a antiga cabana de Seamus, garantindo que nenhum mal aconteça à terra. Viajantes que passam por ali podem avistar uma pequena figura, erguendo um copo para o céu, e se ouvirem atentamente, podem até ouvir uma voz suave sussurrando, “Sláinte.” Dizem que o vínculo entre Seamus e Fergal era tão forte que nem a morte poderia cortá-lo. E talvez, nas noites mais raras, quando o vento uiva e a lua está cheia, você possa encontrar Fergal sentado junto à lareira, uma taça de cerveja na mão, esperando que seu amigo retorne. E assim termina a história do Clurichaun, uma narrativa de travessuras, lealdade e o tipo de amizade que transcende até mesmo as fronteiras entre este mundo e o próximo.O Encontro
O Favor de um Clurichaun
Problemas à Vista
Um Último Teste
O Presente do Clurichaun
Epílogo