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A História de Rá
The sun god Ra stands majestically, glowing with divine radiance, at the beginning of time, preparing to shape the world of ancient Egypt. The Nile flows serenely in the background, with golden pyramids rising from the desert sands as a testament to his power and creation.

Sobre a História: A História de Rá é um Myth de egypt ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Good vs. Evil e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. A eterna jornada do deus sol Ra e sua batalha para proteger a criação do caos.

No começo, antes mesmo de o tempo ser medido, antes que as montanhas, os rios e as areias do vasto deserto fossem formados, existia apenas Nu, o turbilhante e interminável caos do oceano primordial. Este mar sem limites era sem forma, sem direção, um vazio de pura potencialidade. Mas dessa nada surgiu o grande deus Ra, nascido das águas, um ser de luz tão radiante que sua mera presença dividia a escuridão e trazia a primeira faísca da criação à existência.

Ra permanecia sozinho neste universo nascente, uma figura de imenso poder e majestade. Sua coroa brilhava com o disco do sol, e seu corpo cintilava com a luz de mil estrelas. Desde o primeiro momento de sua emergência, Ra conhecia seu propósito: moldar o mundo, trazer ordem ao caos e preencher o vazio com vida.

Quando Ra abriu sua boca e falou a primeira palavra, os elementos obedeceram ao seu comando. As águas de Nu recuaram, e a Terra começou a tomar forma sob seus pés. Ele levantou as mãos para o céu, e os céus foram elevados acima, separando-se do chão abaixo. Com seu sopro divino, Ra convocou o vento, que soprou pela terra, dando movimento ao ar imóvel. Ele colocou seu olho direito no céu, e ele se tornou o sol, brilhando intensamente sobre o mundo, afastando a escuridão e enchendo a terra de calor e luz. O olho esquerdo foi colocado no céu noturno, transformando-se na lua, vigilante sobre o mundo nas horas de escuridão.

Mas a criação de Ra estava longe de estar completa. O mundo ainda era um lugar estéril, desprovido de vida, aguardando o toque divino para se frutificar. Para ajudá-lo nesta tarefa monumental, Ra criou Shu, o deus do ar, e Tefnut, a deusa da umidade, a partir de seu próprio corpo. Shu foi incumbido de elevar o céu e mantê-lo alto sobre a Terra, enquanto Tefnut espalhava suas águas pela terra, nutrindo o solo e preparando-o para a vida que viria.

Juntos, Shu e Tefnut trabalharam incansavelmente sob o olhar atento de Ra. Shu sustentava o céu, mantendo-o separado da Terra, enquanto as águas de Tefnut nutriram a terra estéril. Ra observava com satisfação à medida que os elementos começavam a assumir seus devidos lugares, e o mundo lentamente ganhava forma.

A próxima tarefa era criar a própria terra. Ra invocou Geb, o deus da Terra, e Nut, a deusa do céu. Geb era forte e robusto, seu corpo formando montanhas e vales, enquanto Nut era graciosa e expansiva, seu corpo estrelado arqueando-se pelos céus. Ra decretou que Geb e Nut deveriam ser separados, para que o céu e a Terra permanecessem apartados. Nut estendeu-se sobre os céus, formando um dossel de estrelas, enquanto Geb repousava abaixo, seu corpo tornando-se o solo, as rochas e as planícies férteis da Terra.

Ao Ra inspecionar o mundo que havia criado, ele viu que era bom, mas ainda incompleto. A Terra precisava de vida para preencher sua vasta extensão. Então Ra chorou, e de suas lágrimas, os primeiros humanos nasceram. Esses homens e mulheres, feitos das lágrimas do grande deus, receberam a terra fértil de Kemet, que um dia seria conhecida como Egito. Ra ensinou-lhes os segredos da agricultura, as artes da construção e os caminhos da adoração, para que pudessem prosperar e viver em harmonia com o mundo que ele havia criado.

Mas o trabalho de Ra não foi sem oposição. Das profundezas do submundo surgiu Apep, a grande serpente do caos, que buscava desfazer tudo o que Ra havia criado. Apep era uma criatura de escuridão e destruição, um ser cujo único propósito era devorar o sol e mergulhar o mundo de volta na noite eterna do oceano primordial.

Todas as noites, ao Ra descer ao Duat — o reino dos mortos — Apep surgia para desafiá-lo. A serpente se enrolava na barca solar de Ra, tentando engolir o sol e trazer a escuridão eterna. Mas Ra, sempre vigilante, não estava sozinho nessa batalha noturna. Ele era acompanhado por um exército de deuses e deusas que permaneciam ao seu lado, prontos para defender o sol e garantir que ele nascesse novamente todas as manhãs.

Entre os protetores leais de Ra estavam Bastet, a feroz deusa leoa que o guardava com suas garras e dentes, e Sekhmet, a deusa guerreira cuja fúria era tão intensa quanto o sol do deserto. Juntas, elas lutavam contra os ataques de Apep, repelindo os avanços da serpente e assegurando que o mundo permanecesse em equilíbrio.

Cada noite, a batalha rugia enquanto a barca de Ra navegava pelo submundo, passando pelos doze portões do Duat. Em cada portão, Ra enfrentava desafios e obstáculos, mas com a ajuda de seus companheiros divinos, ele os superava todos. Quando a primeira luz da alvorada surgia no horizonte, Ra emergia vitorioso, e o sol nascia mais uma vez, símbolo do poder duradouro do deus e do triunfo da ordem sobre o caos.

Mas os desafios de Ra não terminaram com a derrota de Apep. Com o passar dos anos, Ra começou a sentir o peso de suas responsabilidades. Seu reinado outrora glorioso sobre o mundo não era mais como nos primeiros dias da criação. Os humanos, que ele havia criado de suas próprias lágrimas, começaram a esquecer a reverência que antes tinham por seu criador. Tornaram-se orgulhosos e independentes, afastando-se dos ensinamentos de Ra e negligenciando os rituais que o honravam.

Ra, sentindo-se traído pelos próprios seres que havia dado vida, encheu-se de raiva. Decidiu que havia chegado a hora de lembrar os humanos de seu poder e puni-los por sua ingratidão. Convocando Sekhmet, a deusa da guerra e destruição, Ra ordenou que ela liberasse sua fúria sobre a Terra e subjugasse os humanos novamente.

Sekhmet, sempre ansiosa por batalha, desceu sobre a terra como uma tempestade enfurecida. Seus olhos ardiam com o fogo do sol, e suas garras eram afiadas como lâminas. Ela devastou vilarejos e cidades, deixando um rastro de destruição. Ninguém conseguia resistir à sua fúria, e os humanos, que uma vez haviam esquecido seu deus, agora se encolhiam de medo diante do poder de Sekhmet.

Durante dias e noites, o rampage de Sekhmet continuou. Os rios corriam vermelhos com o sangue dos mortos, e as terras outrora prósperas de Kemet estavam em ruínas. Ra observava dos céus, sua ira lentamente dando lugar ao arrependimento. Ele queria ensinar uma lição aos humanos, mas agora temia que Sekhmet os destruísse completamente, deixando apenas desolação em seu rastro.

Percebendo que precisava parar Sekhmet antes que fosse tarde demais, Ra elaborou um plano. Ordenou a seus sacerdotes que preparassem uma grande quantidade de cerveja e a misturassem com o ocre vermelho para assemelhar-se a sangue. Quando Sekhmet viu os grandes lagos do que ela acreditava ser sangue, bebeu profundamente, sua sede de violência temporariamente saciada. Mas a cerveja era potente, e à medida que Sekhmet bebia mais e mais, ela se ficou intoxicada. Sua raiva diminuiu, e ela eventualmente caiu em um sono profundo.

Quando Sekhmet desperta, sua sede de sangue havia sido acalmada, e ela retornou ao lado de Ra, já não impulsionada pela sede de destruição. Ra, aliviado por o mundo ter sido poupado, decidiu retirar-se de seu governo ativo sobre a Terra. Ascendeu aos céus, onde permaneceria como o sol, distante porém sempre presente, observando o mundo de longe.

Embora Ra já não caminhasse entre os mortais, sua presença ainda era sentida em cada nascer e pôr do sol. O povo do Egito continuava a honrá-lo como o deus supremo, sabendo que era por sua luz e poder que eram sustentados. Os templos e santuários de Ra pontilhavam a paisagem, das grandiosas pirâmides de Gizé ao sagrado templo de Karnak. Seu nome estava inscrito nas paredes das tumbas, e sua história foi passada de geração em geração, tornando-se uma parte central da rica herança mitológica do Egito.

Com o passar dos séculos, no entanto, o mundo começou a mudar. Novos deuses e deusas ascenderam à proeminência, e o papel de Ra como a divindade suprema foi desafiado. O povo do Egito começou a direcionar sua adoração a outros deuses, como Osíris, o senhor do submundo, e Ísis, a deusa da magia e da maternidade. Esses deuses, com seus contos de ressurreição e poder sobre a morte, cativaram os corações e mentes das pessoas, e a influência de Ra começou a diminuir.

No entanto, Ra não desapareceu do panteão. Ele permaneceu uma figura central na religião do antigo Egito, mesmo com o surgimento de novos mitos e histórias. A história de Ra tornou-se entrelaçada com a dos outros deuses, e seu papel como criador e protetor do mundo continuou sendo uma parte vital da tradição espiritual do Egito.

Mas a influência de Ra não se limitava ao reino dos deuses. Seu legado também era sentido na vida cotidiana das pessoas. Todas as manhãs, ao sol nascer no horizonte, o povo do Egito era lembrado do poder e presença de Ra. O calor e a luz do sol eram uma fonte constante de vida e sustento, permitindo o crescimento das culturas e proporcionando a energia necessária para as atividades diárias. A jornada de Ra pelo céu a cada dia tornou-se um símbolo do ciclo da vida, morte e renascimento — um lembrete de que, mesmo nos tempos mais sombrios, a luz do sol sempre retornaria.

Enquanto Ra observava a Terra de seu trono celestial, via o surgimento e a queda de dinastias, o fluxo e refluxo do Nilo, e as mudanças nas fortunas das pessoas que ele havia criado. Ele já não intervinha diretamente em seus assuntos, mas sempre estava lá, observando-os dos céus, garantindo que o equilíbrio entre ordem e caos fosse mantido.

Nos últimos anos de seu reinado, o poder de Ra começou a diminuir. O povo do Egito, outrora tão devoto a ele, começou a perder a fé à medida que novas potências políticas surgiam, e invasores estrangeiros traziam seus próprios deuses e tradições para a terra de Kemet. No entanto, Ra permaneceu uma figura fixa na ordem divina, uma força sempre presente no panteão dos deuses egípcios.

O legado de Ra foi imortalizado não apenas nos templos e tumbas do Egito, mas no próprio tecido do cosmos. Ele era a luz que tocava as pirâmides de Gizé, o brilho dourado que iluminava os grandes templos de Karnak, e a força radiante que alimentava a vida de todos os seres. Embora seu papel tenha mudado ao longo do tempo, a história de Ra nunca foi esquecida. Ele permaneceu um símbolo de criação, poder e do ciclo eterno do sol.

À medida que a influência de Ra diminuía, o mundo continuava a mudar, mas o povo nunca abandonou completamente sua reverência por ele. Em tempos de grande perigo, olhavam para o céu, onde o sol de Ra ainda brilhava intensamente. E em seus corações, carregavam o conhecimento de que Ra lhes havia dado vida, ordem e o próprio tecido de seu mundo. Sua presença era eterna, uma luz que nunca poderia ser extinta, guiando-os tanto nos dias de prosperidade quanto nas noites de desespero.

Mesmo com a ascensão e queda de novas dinastias, e o próprio Egito sendo remodelado pelas mãos da história, Ra permaneceu uma figura constante na consciência espiritual do povo. Seu nome, antes falado com reverência em todos os cantos da terra, foi passado de geração em geração, lembrança do deus que trouxe luz à escuridão e ordem ao caos.

E assim, a história de Ra continua a ser contada, tão atemporal e duradoura quanto o ciclo do dia e da noite. Desde os primeiros dias da criação até a era moderna, a história de Ra permanece uma parte central da rica herança cultural do Egito. Seu legado vive na arte, na arquitetura e nas tradições religiosas da terra que ele moldou, um testemunho do poder da criação e da força duradoura do sol. A luz de Ra, embora distante, ainda brilha sobre a Terra, e sua história, como o próprio sol, é eterna — uma chama que nunca será extinta, iluminando para sempre o mundo que ele criou.

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