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Sobre a História: A História da Serpente Alada é um Myth de mexico ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Redemption e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Um mito atemporal da criação, sacrifício e redenção mesoamericana.
Há muito tempo, quando a terra ainda era jovem e os deuses caminhavam entre os homens, existia uma poderosa serpente adornada com penas iridescentes que brilhavam como o sol da manhã. Esse ser, conhecido como Quetzalcoatl — A Serpente Emplumada — não era apenas uma criatura de beleza estonteante, mas uma divindade de imenso poder, sabedoria e compaixão. Sua história se entrelaçaria no próprio tecido das culturas mesoamericanas, desde os toltecas até os astecas, uma narrativa de criação, sacrifício, traição e redenção final.
No princípio, o cosmo era um vazio sem forma. Os deuses reuniram-se em Teotihuacan, a cidade sagrada, para decidir como trazer ordem ao caos. Entre eles estava Quetzalcoatl, cujas penas douradas refletiam o brilho do sol. Com ele estava seu irmão Tezcatlipoca, uma divindade de fumaça e espelhos, que frequentemente entrava em conflito com Quetzalcoatl sobre suas visões para a humanidade. Os deuses determinaram que o mundo precisava de luz. Dois deuses corajosos, Tecuciztecatl e Nanahuatzin, se adiantaram, dispostos a se sacrificar para se tornarem o sol. No entanto, não bastava apenas um para surgir. Para garantir o equilíbrio, outro sacrifício era necessário. Quetzalcoatl voluntariou-se. Com seu sacrifício, as estrelas e a lua foram criadas, seu brilho celestial garantindo que o mundo nunca caísse em completa escuridão. Seu ato de doação permitiu que a vida florescesse, mas seus desafios estavam longe de terminar. Após a criação do mundo, os deuses decidiram que era hora de povoá-lo. Quetzalcoatl assumiu a tarefa de moldar os humanos. Aventurando-se em Mictlan, o submundo, ele buscou os ossos sagrados das gerações passadas, a essência necessária para formar a vida. No labirinto escuro de Mictlan, a Serpente Emplumada encontrou o temível senhor Mictlantecuhtli. O deus do submundo exigiu que Quetzalcoatl completasse uma série de tarefas impossíveis para ganhar os ossos. Com astúcia e determinação, Quetzalcoatl teve sucesso, mas Mictlantecuhtli o traiu, armando uma armadilha para recuperar os ossos. Quetzalcoatl escapou por pouco, espalhando os ossos pela terra. Em sua dor e desespero, ele os moeu até virar um pó fino, misturando-o com seu próprio sangue para dar vida à humanidade. Assim, os humanos nasceram — frágeis, porém resilientes, carregando dentro de si a essência tanto dos deuses quanto do submundo. Embora Quetzalcoatl fosse reverenciado como criador e protetor, seu irmão Tezcatlipoca tornou-se invejoso de sua influência. Tezcatlipoca sussurrava mentiras aos ouvidos dos mortais, semeando discórdia e tentando-os a abandonar os ensinamentos da Serpente Emplumada. Em uma noite fatídica, Tezcatlipoca enganou Quetzalcoatl para que bebesse pulque, uma potente bebida sagrada. Sob sua influência, Quetzalcoatl foi tomado por vergonha e desespero por ações que não conseguia recordar. Acreditando-se indigno de seu papel divino, ele optou pelo exílio. Ele partiu, jurando retornar um dia quando a humanidade estivesse pronta para abraçar a harmonia e a sabedoria. Ao partir, o povo lamentou, observando enquanto a Serpente Emplumada navegava para o leste em uma jangada de serpentes, desaparecendo no horizonte. As lendas falavam da promessa de Quetzalcoatl de retornar, uma profecia que perdurou por séculos. Seus ensinamentos tornaram-se a base de inúmeras civilizações. Os toltecas, em particular, prosperaram sob sua orientação, construindo pirâmides e templos majestosos em sua honra. No entanto, a profecia também trazia um aviso. Predizia que o dia de seu retorno coincidiria com grandes tumultos — um tempo em que os deuses testariam a humanidade mais uma vez. Com o passar dos séculos, a crença no eventual retorno de Quetzalcoatl tornou-se um farol de esperança e motivo de temor. Em 1519, quando o Império Asteca alcançava seu auge, a profecia parecia se cumprir. Seres estranhos chegaram do leste — homens vestidos de ferro e portando armas estrondosas. Seu líder, Hernán Cortés, possuía uma semelhança incomum com as representações de Quetzalcoatl, com sua pele clara e barba. O imperador Moctezuma, maravilhado e incerto, hesitou. Acreditando que Cortés poderia ser a Serpente Emplumada retornando, ele recebeu os espanhóis com presentes e hospitalidade. Esse erro de julgamento levaria à queda de Tenochtitlan, o coração do Império Asteca, e ao início de uma nova era de colonização e tumulto cultural. A história de Quetzalcoatl não termina com sua partida ou com a chegada dos espanhóis. Sua lenda perdura, um símbolo da dualidade dentro da humanidade — a constante luta entre criação e destruição, compaixão e inveja, sabedoria e tolice. Mesmo hoje, a Serpente Emplumada inspira arte, filosofia e espiritualidade. Sua história nos lembra dos sacrifícios necessários para nutrir a vida, dos perigos da traição e da esperança da redenção. Enquanto seu nome for mencionado, Quetzalcoatl permanece um guardião do espírito humano, nos incentivando a buscar harmonia uns com os outros e com o mundo. Alguns dizem que Quetzalcoatl nunca partiu de verdade. Alegam que seu espírito vive no vento, nas nuvens e no coração daqueles que buscam justiça e conhecimento. Seus ensinamentos perduram, guiando aqueles que estão dispostos a ouvir. Outros aguardam o dia em que ele retornará, anunciando uma nova era de paz e iluminação. Até lá, o legado da Serpente Emplumada continua a moldar o cenário cultural e espiritual da Mesoamérica, um fio eterno na tapeçaria da história humana.A Criação do Mundo
A Dádiva da Humanidade
A Traição
A Profecia do Retorno
A Chegada dos Estrangeiros
Legado e Lições
O Retorno Eterno