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Sobre a História: A história da Morrigan é um Myth de ireland ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. Uma história de destino, sacrifício e o poder eterno da Morrigan na antiga Irlanda.
A história da Morrigan é uma das maiores lendas da Irlanda, um conto entrelaçado no tecido de suas colinas envoltas em névoa e rios sagrados. No coração da Ilha Esmeralda, onde a fronteira entre o mundo mortal e o outro mundo é tão fina quanto uma teia de aranha, sua presença perdura há séculos. Ela é uma deusa das dualidades — da vida e da morte, da guerra e da paz, da destruição e da renovação. Para alguns, ela é uma anunciadora de desgraça; para outros, uma guia através do caos.
Sua lenda se desenrola em uma época em que clãs governavam a terra e a sobrevivência dependia da força, astúcia e das bênçãos dos deuses. Neste conto, a mão misteriosa da Morrigan molda o destino de um chefe orgulhoso, de um clã próspero e de uma Irlanda à beira da guerra. Mas sua história não é uma simples narrativa de conflito. É um relato de escolhas, sacrifícios e do ciclo eterno de vida e morte.
O ano era 432 d.C., uma época em que as colinas verdes da Irlanda ecoavam com os cantos dos druidas, o choque das espadas e os sussurros dos deuses. Entre essas colinas estava o Rio Boyne, um curso de água sinuoso e sagrado, dito conectar o reino mortal ao outro mundo. O clã Uí Néill, um dos mais poderosos da Irlanda, dominava esta terra fértil. Seu chefe, Cathal mac Fiachra, era um homem reverenciado por sua força e sabedoria. Mas nem mesmo Cathal, um guerreiro que havia enfrentado inúmeros inimigos, poderia prever a tempestade que se formava no horizonte. Numa manhã enevoada, Cathal estava em um penhasco com vista para o Boyne. O ar estava carregado com o cheiro do orvalho e das flores silvestres, mas uma inquietação inabalável o consumia. Seu povo prosperava, seus campos transbordavam de colheitas e seus guerreiros eram incomparáveis. Mas a prosperidade gerava inveja, e Cathal ouvira os murmúrios — clãs rivais estavam se armando contra ele, movidos pela cobiça pela terra que ele havia trabalhado tanto para proteger. Enquanto Cathal se virava para partir, um gagarejo súbito e agudo rompeu o silêncio. Um corvo, negro como a meia-noite, empoleirou-se em um galho próximo. Seu olhar fixou-se no de Cathal, inabalável e inquietantemente inteligente. O pássaro abriu as asas e subiu ao céu, desaparecendo na névoa. Um arrepio percorreu a espinha de Cathal, pois ele sabia que o corvo não era um pássaro comum. Era um presságio, um sinal dos deuses — ou talvez da própria Morrigan. Naquela noite, enquanto o clã se reunia em seu grande salão, o ar vibrava com tensão. Guerreiros recontavam histórias de batalhas vencidas e inimigos derrotados, enquanto outros cantavam canções de heroísmo para abafar sua apreensão. O fogo rugia no centro do salão, lançando sombras tremeluzentes nas paredes de pedra. As festividades foram abruptamente interrompidas quando as portas se arrombaram. Uma mulher estava na porta, sua presença imponente e de outro mundo. Ela estava vestida com penas de corvo e seus olhos pareciam guardar os segredos do universo. Ela era bela, porém temível, sua aura tanto hipnotizante quanto aterradora. “Trago uma mensagem dos deuses,” anunciou ela, sua voz ressonante e ecoante. “A terra que vocês tanto prezam será em breve encharcada de sangue. Uma grande guerra se aproxima, e suas escolhas determinarão o destino de todos.” O salão ficou em silêncio. Guerreiros trocaram olhares apreensivos, e Cathal levantou-se de seu assento. “Quem é você para trazer tais palavras de desgraça?” exigiu ele, sua voz firme, mas seu coração acelerado. Os lábios da mulher se curvaram em um leve sorriso. “Eu sou a Morrigan,” disse ela. “Sou a deusa da guerra e do destino, a tecelã do destino. Minhas palavras não são desgraça — são verdade.” Um silêncio caiu sobre o salão. A reputação da Morrigan era bem conhecida. Ela era tanto temida quanto reverenciada, uma força da natureza que nenhum mortal podia ignorar. Antes que alguém pudesse responder, ela desapareceu tão repentinamente quanto havia aparecido, deixando para trás uma única pena de corvo. Cathal pegou a pena, sua forma sem peso parecia queimar em sua mão. Ele sabia que o aviso dela não era uma ameaça vazia. O futuro de seu clã agora descansava em seus ombros. Nos dias que se seguiram, o clã Uí Néill mobilizou-se como nunca antes. Guerreiros aprimoraram suas habilidades, ferreiros trabalharam incansavelmente para forjar armas, e batedores mantiveram uma vigilância atenta sobre as fronteiras. As mulheres e crianças prepararam abrigos no profundo das florestas, prontas para fugir se o pior acontecesse. Cathal, no entanto, estava inquieto. O aviso da Morrigan ecoava em sua mente, e ele sabia que apenas a força não garantiria a vitória. Buscando orientação, ele visitou o druida do clã, um ancião chamado Dónal que havia servido como uma ponte entre o mortal e o divino por décadas. “A Morrigan não aparece levianamente,” disse Dónal, sua voz grave. “Ela é uma guia, mas sua orientação muitas vezes está envolta em enigmas. Você deve ouvir suas palavras com cuidado.” “O que devo fazer para proteger meu povo?” perguntou Cathal. Dónal olhou para as chamas da lareira, seus dedos traçando padrões nas cinzas. “Você deve estar preparado para fazer sacrifícios,” disse ele por fim. “Os dons da Morrigan não são dados de graça.” Naquela noite, Cathal caminhou sozinho até o Rio Boyne, seus pensamentos pesados. Ao alcançar a margem da água, a luz da lua iluminou uma figura que estava nas águas baixas. Era a Morrigan, sua forma radiante, porém etérea. “Você busca respostas,” disse ela, sua voz suave, porém autoritária. “Sim,” respondeu Cathal. “Como posso proteger meu povo da guerra que você previu?” A expressão da Morrigan era enigmática. “Você tem dois caminhos,” disse ela. “Pode lutar, abraçando o caos e o derramamento de sangue, ou pode escolher um caminho de sacrifício. A escolha é sua, mas saiba que nenhum caminho está sem custo.” Ao amanhecer, os clãs rivais desceram sobre as terras dos Uí Néill. Seus gritos de guerra ecoaram pelo vale, e o chão tremeu sob os cascos trovejantes de seus cavalos. A batalha foi feroz, com espadas se chocando e flechas zunindo pelo ar. O Rio Boyne, outrora símbolo de vida e prosperidade, agora corria vermelho de sangue. Cathal lutou na linha de frente, sua lâmina cortando as fileiras inimigas com precisão e fúria. Mas mesmo quando a vitória parecia ao alcance, ele avistou a Morrigan empoleirada em uma árvore próxima. Sua forma de corvo observava a batalha com um ar desapegado, quase divertido. Quando Cathal travou o olhar com o pássaro, uma visão o sobrecarregou. Ele viu seu povo celebrando seu triunfo, apenas para que a fome e as lutas internas os despedaçassem nos anos seguintes. A visão o gelou até o âmago. “Retirada!” gritou ele, sua voz cortando o caos. “Recue para a aldeia!” Seus guerreiros hesitaram, confusos com a ordem, mas obedeceram. O inimigo, também atônito para perseguir, observou as forças dos Uí Néill desaparecerem na floresta. A decisão de Cathal de recuar pesava sobre ele. Seus guerreiros questionavam seu julgamento, e sussurros de dúvida se espalhavam pela aldeia. Mas Cathal sabia que o aviso da Morrigan não havia sido vazio. Vencer a batalha teria sido perder o futuro. Numa noite, enquanto a aldeia dormia, Cathal retornou ao Rio Boyne. A Morrigan apareceu diante dele, sua forma agora a de uma bruxa, seus cabelos brancos como os ossos. “Você escolheu sabiamente,” disse ela, sua voz como o farfalhar de folhas mortas. “Mas o caminho que agora você trilha exige um grande sacrifício.” Cathal ajoelhou-se diante dela. “O que devo fazer?” A Morrigan produziu uma adaga forjada de obsidiana negra, sua lâmina brilhando com uma luz antinatural. “Você deve oferecer sua soberania à própria terra. Somente se tornando um com a terra você poderá garantir sua proteção.” Embora não entendesse completamente, Cathal pegou a adaga. Com um último e resoluto suspiro, ele a cravou em seu coração. Enquanto sua vida esvaía, a Morrigan o acolheu como uma mãe, sussurrando: “Seu sacrifício não será esquecido.” A morte de Cathal marcou o início de uma nova era para o clã Uí Néill. Embora lamentassem a perda de seu chefe, logo encontraram sua terra florescendo de maneiras que nunca haviam imaginado. As colheitas cresciam abundantemente, os rios transbordavam de peixes, e seus inimigos abandonaram qualquer pensamento de conquista. A presença da Morrigan desapareceu de suas vidas, mas sua influência permaneceu. Canções eram cantadas sobre a bravura de Cathal, e o papel da deusa em guiar seu destino tornou-se um pilar de suas crenças. Gerações depois, o clã se reuniria à beira do Rio Boyne para homenagear tanto a Morrigan quanto o chefe que confiou em sua sabedoria. Pois a deusa não era apenas uma anunciadora de desgraça, mas uma guardiã do equilíbrio, garantindo que vida e morte, caos e ordem, permanecessem em harmonia.A Deusa na Névoa
A Visita da Deusa
Preparando-se para a Guerra
O Confronto dos Clãs
O Preço da Paz
A Bênção da Morrigan