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Sobre a História: A Harpia é um Legend de ireland ambientado no Medieval. Este conto Dramatic explora temas de Redemption e é adequado para All Ages. Oferece Moral perspectivas. A história assombrosa de amor, traição e redenção nas místicas falésias da Irlanda.
Nas acidentadas costas ocidentais da Irlanda, onde o Atlântico se estilhaça contra penhascos tão antigos quanto o tempo, o folclore se entrelaça com a terra como hera que aperta a pedra. Aqui, mitos não são apenas histórias, mas ecos vivos do passado, carregados pelo vento e gravados na névoa do mar. Entre essas lendas está a história da Harpia — uma criatura nem totalmente humana nem totalmente bestial, presa aos penhascos por magia ancestral e tristeza.
Dizem que ela assombra as bordas de Carraghmore, uma vila suspensa precariously nos penhascos, seus gritos lamentosos elevando-se com a maré. Por gerações, seu nome tem sido sussurrado com medo e reverência, lembrando o véu tênue entre a humanidade e as forças da natureza.
Esta é a sua história, contada em toda a sua plenitude, uma história de traição, amor e o poder inabalável da redenção.
A vila de Carraghmore era um lugar de simplicidade duradoura, seus habitantes ligados ao mar e à terra. De dia, pescadores enfrentavam as águas frias, suas redes pesadas com os frutos do Atlântico. À noite, famílias se reuniam em chalés de pedra, suas lareiras ardendo enquanto contavam histórias do passado místico da Irlanda. Mas uma história era falada apenas em sussurros: a história da Harpia. Seu nome era um aviso, sua história uma lição e sua presença uma maldição. Ninguém se aproximava demais dos penhascos à noite, onde seus gritos se diziam se misturar com o vento uivante. Eoghan, um jovem poeta com uma curiosidade insaciável, era diferente. Enquanto outros evitavam os penhascos, ele era atraído por eles. As ondas ondulantes, os gritos das aves marinhas e a brisa salgada eram suas musas. Mas mais do que isso, as histórias da Harpia o fascinavam. Ele ansiava por desvendar a verdade por trás do mito. Certa noite, enquanto o sol se punha no horizonte, Eoghan se viu vagando mais além dos penhascos do que nunca antes. O ar estava pesado com uma quietude sobrenatural, e as ondas quebrando pareciam silenciar à medida que ele se aproximava de uma saliência recortada. E lá estava ela — uma figura sombria empoleirada nas rochas. Sua forma era de outro mundo, sua silhueta recortando-se contra os tons flamejantes do céu. Ela virou a cabeça lentamente, e seus olhos encontraram os dele. Eles queimavam como brasas, sua intensidade tanto cativante quanto aterrorizante. “Quem é você?” Eoghan chamou, sua voz tremendo. A figura inclinou a cabeça, seu olhar inexorável. Então, sem uma palavra, ela estendeu imensas asas e saltou das rochas, desaparecendo no mar. Eoghan não conseguia esquecê-la. Nos dias seguintes, ele retornava aos penhascos repetidamente, encontrando a cada vez vestígios de sua presença. Penas negras como a meia-noite estavam espalhadas entre as rochas, marcas de garras danificavam a pedra, e uma melodia estranha parecia persistir no ar, suave mas assombrante. Os moradores notaram sua distração. “Fique longe dos penhascos”, advertiu um pescador idoso chamado Seamus. “A Harpia não é para gente como a nossa. Seu canto atrai homens para a perdição.” Mas Eoghan não se deixou dissuadir. Uma noite, enquanto a vila dormia, ele subiu a uma enseada escondida onde ouvia a melodia com mais clareza. A lua pendia baixa no céu, lançando um brilho prateado sobre a água. E lá ela estava, suas asas dobradas, seu cabelo selvagem como uma nuvem de tempestade. “Você ousa me procurar?” ela perguntou, sua voz uma mistura de raiva e tristeza. Eoghan congelou, mas sua curiosidade superou o medo. “Você é a Harpia da lenda?” Ela riu amargamente, um som como vidro quebrando. “Eu sou o que eles me fizeram. Uma vez, eu era Aine, filha do mar. Mas a traição dos homens me transformou nisso.” A Harpia revelou sua história, cada palavra carregada de dor. Ela havia sido Aine, uma curandeira e guardiã dos penhascos. Sua magia, concedida pelo mar, sustentava a vila e protegia seu povo. Ela era amada por todos — especialmente por Lorcan, um pescador que jurara amá-la até o fim de seus dias. Mas o coração de Lorcan não era tão puro quanto suas palavras. Consumido pela ganância, ele procurou aproveitar a magia de Aine para si. Numa noite fatídica, ele roubou uma pérola sagrada dela — uma pérola que mantinha sua conexão com o mar e seus poderes. Sem ela, Aine estava indefesa. Uma grande tempestade surgiu, destruindo grande parte da vila e lançando Aine nas ondas impiedosas. Os deuses do mar, enfurecidos com a traição de Lorcan, transformaram Aine na Harpia, amaldiçoando-a a vagar pelos penhascos para sempre. Seu canto, antes uma fonte de cura, tornou-se uma arma de vingança, suas garras afiadas o suficiente para rasgar pedra. Eoghan ouviu atentamente, seu coração doendo pela criatura diante dele. Embora sua aparência fosse temível, sua dor era inegavelmente humana. “Eu vou te ajudar”, disse ele, sua voz firme. Os olhos da Harpia estreitaram. “O que um mero poeta pode fazer?” “Posso buscar a verdade”, respondeu ele. “E posso encontrar uma maneira de quebrar sua maldição.” Embora cética, a Harpia concordou. Ela explicou que a pérola ainda continha a chave para sua liberdade. Se Eoghan pudesse recuperá-la e devolvê-la ao mar, os deuses poderiam conceder-lhe a libertação. A jornada deles começou naquela mesma noite. Eoghan aprendeu os caminhos dos penhascos, os sussurros do vento e os cantos do mar. Juntos, eles se aventuraram mais fundo no coração da Irlanda, buscando aquele que a havia prejudicado. Sua busca eventualmente os levou a Lorcan, que agora vivia como um homem quebrantado nos arredores de uma vila distante. O tempo não havia sido gentil com ele. Sua figura outrora orgulhosa estava curvada, suas mãos retorcidas e seus olhos vazios. Quando confrontado, Lorcan caiu de joelhos, sua culpa transbordando em torrente. Ele confessou ter roubado a pérola e implorou por perdão. De um baú trancado, ele recuperou a pérola, sua luz atenuada mas ainda pulsando suavemente. A Harpia o fitou, suas garras se flexionando. Eoghan prendeu a respiração, incerto se ela o atacaria. “Você roubou minha vida”, ela sibilou. “Por que deveria poupar a sua?” Lorcan chorou. “Porque eu sofri todos os dias desde então”, disse ele. “Eu imploro, termine este tormento — para nós dois.” Eoghan colocou uma mão na asa da Harpia. “A verdadeira força está no perdão”, disse ele suavemente. Após um longo momento, a Harpia baixou suas garras. “Leve sua alma aos deuses”, ela disse. “Eu não quero ter parte nisso.” Os deuses do mar, no entanto, não foram tão misericordiosos. Enquanto Lorcan entregava a pérola a Eoghan, uma onda irrompeu da costa e o engoliu por completo, deixando apenas a pérola e o eco de seu último grito. Com a pérola devolvida, a transformação da Harpia começou. Suas asas se dissolveram em névoa cintilante, suas garras suavizaram e sua voz recuperou a doçura de antes. Ela estava diante de Eoghan como Aine mais uma vez, suas feições humanas luminosas e seus olhos repletos de gratidão. Mas a liberdade teve um preço. Aine não era mais a guardiã mágica de outrora. Seus poderes haviam desaparecido, deixando-a tão morta quanto o poeta que a havia salvado. “O que acontecerá comigo agora?” ela perguntou. Eoghan sorriu. “Você vai viver. E seu canto trará esperança em vez de tristeza.” Anos se passaram, e Carraghmore prosperou sob o olhar atento de Aine. Embora seus poderes tivessem desaparecido, sua sabedoria e coragem tornaram-se a força da vila. Eoghan imortalizou sua história em uma balada, garantindo que a história da Harpia vivesse por gerações. A voz de Aine, antes temida, tornou-se um símbolo de resiliência. E Eoghan, o poeta que ousou buscar a verdade, encontrou sua maior inspiração na mulher que um dia foi uma Harpia e na jornada que compartilharam.Carraghmore e a Sombra das Lendas
Obsessão
A Maldição de Aine
O Juramento do Poeta
O Julgamento de Lorcan
A Transformação
Epílogo: O Legado de Aine