Tempo de leitura: 6 min

Sobre a História: A Dívida do Leopardos é um Legend de angola ambientado no Ancient. Este conto Dramatic explora temas de Courage e é adequado para All Ages. Oferece Cultural perspectivas. A misericórdia de um caçador desperta um vínculo inquebrantável entre o homem e a besta.
A selva nunca esquece.
Na vasta e indomada natureza de Angola, onde as densas florestas se estendem além do horizonte e os rios esculpem caminhos através do próprio tempo, a linha entre homem e fera é tênue. Na aldeia de Kitala, vivia um caçador chamado Tunde, que seguia o ritmo da natureza. Ele era ágil como o vento, paciente como o rio e letal como o golpe de uma cobra.
No entanto, por mais habilidoso que fosse, o destino havia tecido uma história para ele—uma de dívida, honra e um vínculo que mudaria sua vida para sempre.
Tunde agachou-se baixo, sua lança firme em punho. A densa vegetação engolia a maioria dos sons, exceto o farfalhar das folhas e o grito distante de uma águia acima. Ele vinha rastreando sua presa por horas. O leopardo—um fantasma da selva—tinha aterrorizado a aldeia, levando cabras e semeando medo nos corações das pessoas. Seus olhos seguiam a trilha de pegadas no solo úmido, seus instintos de caçador aguçados. Um galho quebrado, uma mancha de sangue, um tufo de pelo dourado preso em um arbusto de espinhos—tudo contava uma história. O leopardo estava ferido. Então, ele o viu. A grande felina estava deitada em uma pequena clareira, respirando pesadamente. O sangue empanturrava seu pelo elegante, e seu poderoso corpo tremia de fadiga. Seus olhos âmbar se fixaram nele, não com agressividade, mas com algo mais—uma compreensão, talvez. Um pedido. Tunde sentiu seu pulso acelerar. Ele havia caçado a vida toda, mas algo naquele momento parecia… diferente. Os aldeões esperavam que ele retornasse vitorioso, com a pele da fera pendurada sobre seus ombros. Mas, ao levantar sua lança, suas mãos vacilaram. Ele viu a ferida—profunda, feia, infligida pela flecha descuidada de outro caçador. Não era a sua. Alguém tentou matar aquela criatura e falhou. Sua garganta secou. Matar um animal para alimentação ou defesa era uma coisa. Mas exterminar uma besta ferida que nem podia se defender? Algo dentro dele recusou. Lentamente, Tunde abaixou a lança. Ele pegou sua bolsa de água e se aproximou. O leopardo se tensou, mas não atacou. Observava, cauteloso mas silencioso, enquanto ele derramava água fria sobre sua ferida. “Você vive hoje, meu amigo”, murmurou ele. “Mas espero que não volte para a aldeia.” Ele arrancou uma tira de tecido de sua túnica e pressionou contra a ferida. O leopardo deu um rosnado baixo e trovejante, mas não se mexeu. Tunde se levantou. Deveria sentir alívio. Em vez disso, um peso estranho se instalou em seu peito. A selva havia testemunhado sua misericórdia. E a selva nunca esquece. Semanas se passaram, e a vida em Kitala continuava. A estação seca estava em pleno vigor, e os caçadores estavam ocupados preparando-se para os meses de escassez que se aproximavam. Tunde quase havia se convencido de que o leopardo se fora. Até uma manhã. Na entrada de sua cabana, havia uma antílope recém-morta. Tinha sido eviscerada, os melhores cortes de carne deixados para ele. Os pelos eriçiam na nuca. Nenhum caçador humano deixaria tal oferta. No dia seguinte, havia outra oferenda—uma guinea fowl gorda, com o pescoço perfeitamente quebrado. Depois, uma lebre selvagem. Era o leopardo. Tunde não disse nada aos aldeões, mas sabia. Ele via a grande felina às vezes, observando da linha das árvores, seus olhos âmbar brilhando no escuro. Não era uma ameaça. Não era um animal de estimação. Era uma dívida paga. Os saqueadores vieram à noite. Eram homens de terras distantes—escravagistas que invadiam aldeias sob o manto da escuridão, levando os mais fortes para vender nos mercados estrangeiros. Atacavam rapidamente, incendiando cabanas, arrastando pessoas de suas camas. Tunde acordou com gritos. Pegando sua lança, correu para fora em meio ao caos. Chamas lamberam os telhados, e o ar estava espesso com fumaça. Mulheres e crianças corriam, perseguidas por homens armados. Ele investiu contra o atacante mais próximo, sua lança afundando profundamente. O homem caiu com um grunhido, mas outro ocupou seu lugar. A dor explodiu em seu lado quando uma clava atingiu suas costelas. Ele caiu de joelhos, arfando. Outro golpe, e o mundo virou de lado. Os sons ao seu redor se embacem, distantes. Então—um rugido. Profundo. Primordial. Saindo da fumaça, o leopardo veio como uma sombra dos deuses. Movia-se como um relâmpago, dilacerando os saqueadores com presas e garras. Gritos substituíram os brados de batalha enquanto os homens caíam. Alguns tentaram lutar, mas a besta era implacável, seu pelo dourado manchado com o sangue daqueles que vieram para tomar o que não lhes pertencia. Tunde não pôde fazer nada além de assistir. Os saqueadores fugiram. Aqueles que podiam, correram. Aqueles que não podiam, morreram onde estavam. A batalha terminou. Mas o leopardo permaneceu. Ele ficou sobre ele, ofegante, seus olhos âmbar ainda ferozes. Por um momento, olharam um para o outro. Então, com um movimento lento e deliberado, a grande felina lambia o sangue de seu focinho e se fundia novamente na selva. Tunde nunca esqueceria. Nos dias que se seguiram, os aldeões falaram do milagre. “Os ancestrais enviaram o leopardo”, disseram os anciãos. Tunde ouviu, mas conhecia a verdade. A selva havia testemunhado sua misericórdia. E a selva o havia recompensado da mesma forma. Ele já não caçava por esporte. Ainda provia para seu povo, mas algo havia mudado dentro dele. Agora entendia—tão a terra dá, a terra também toma. E toda dívida deve ser paga. Ele retornou à clareira onde encontrou o leopardo pela primeira vez. O vento sussurrava pelas árvores. Não havia pegadas. Talvez ainda estivesse lá. Talvez tivesse simplesmente desaparecido, como os espíritos fazem. Ele tocou a cicatriz em suas costelas e sorriu. Anos se passaram. Tunde envelheceu, seu cabelo virou prateado. Ele já não caçava, mas sentava-se sob a grande árvore de baobá, contando às crianças a história da dívida do leopardo. Alguns ouviam com admiração. Outros zombavam. Mas todos sentiam o peso de suas palavras. Uma noite, enquanto estava sozinho, observando as estrelas, ele ouviu. Um farfalhar. Lentamente, virou sua cabeça. Lá, além da luz da fogueira, um par de olhos âmbar brilhava na escuridão. Ele sorriu. “Estamos quites”, sussurrou. Na manhã seguinte, os aldeões encontraram apenas suas pegadas levando para a floresta. Eles nunca acharam seu corpo. Apenas, bem no fundo da selva, onde nenhum homem ousava ir, o grande leopardo sentava-se sobre uma rocha, observando o sol nascente. E ao seu lado, o fantasma de um homem caminhava em silêncio. A selva nunca esquece.A Misericórdia de um Caçador
Presentes das Sombras
A Ira dos Homens
A Reflexão de um Caçador
Epílogo: O Sussurro das Folhas