Tempo de leitura: 8 min

Sobre a História: A Bruxa do Glaciar Aletsch é um Legend de switzerland ambientado no Contemporary. Este conto Descriptive explora temas de Courage e é adequado para Adults. Oferece Inspirational perspectivas. Uma história de gelo, magia e a batalha para proteger o frágil coração da natureza.
A Geleira de Aletsch, a maior e mais majestosa geleira dos Alpes Suíços, tinha um jeito de inspirar tanto admiração quanto respeito. Por séculos, ela tinha sido mais do que uma maravilha natural para as pessoas da vila próxima de Fiesch—era uma fonte de vida e mistério, uma testemunha silenciosa da passagem do tempo. As lendas falavam de seu poder, de uma guardiã que a vigiava. Alguns sussurravam seu nome com reverência, outros com medo: Valtessa, a Bruxa da Geleira de Aletsch.
A geleira se estendia diante de Eira como um mar congelado, sua superfície gelada cintilando sob o fraco sol de inverno. Eira Gessler, uma jovem estudante de glaciologia, estava à sua beira, sua respiração visível no ar gelado. Ela ajustou seu cachecol de lã, suas mãos enluvadas segurando um bastão de trekking. Era sua terceira expedição à geleira neste inverno, mas hoje algo parecia diferente. As botas de Eira estalavam sobre o solo coberto de geada enquanto ela se aproximava de uma fissura que havia marcado em seu mapa. Ela estava ali para coletar amostras para sua tese sobre estratigrafia de núcleos de gelo, mas não conseguia se livrar da sensação de que estava sendo observada. A geleira parecia... viva. Então, ao alcançar a fissura, ela a notou—um brilho tênue e de outro mundo irradiando debaixo do gelo. Agachando-se, ela espiou na rachadura, suas mãos enluvadas afastando a neve solta. A luz pulsava suavemente, como se a própria geleira tivesse um coração batendo. “O que diabos...?” ela sussurrou, sua voz mal audível sobre o vento cortante. O brilho não era a única estranheza. Gravadas no gelo ao redor da fissura estavam marcações estranhas—símbolos que ela não reconhecia. Não pareciam formações naturais; pareciam deliberadas, antigas. Sua mente corria. Poderia ser algum tipo de script alpino esquecido? Um artefato deixado por uma civilização antiga? Ela se inclinou mais perto para capturar uma fotografia, a lente de sua câmera embaçando por causa de sua respiração. Justamente então, uma rajada de vento varreu o vale, trazendo um som que a fez congelar. “Eira...” Seu nome, suave e etéreo, sussurrado como se fosse carregado pelo próprio vento. Ela se encolheu, escaneando a vastidão vazia ao seu redor. A geleira se estendia infinitamente, silenciosa e estéril. Ninguém estava ali. O coração de Eira ainda batia forte quando ela retornou a Fiesch. O calor da pousada da vila a envolveu enquanto ela empurrava a porta, flocos de neve grudando em seu casaco. O cheiro familiar de fumaça de madeira e cidra temperada pouco ajudava a acalmar seus nervos. O professor Klaus Weber, seu mentor, a esperava junto à lareira. Ele era um homem corpulento de sessenta e poucos anos, com uma barba grossa de sal e pimenta e olhos que pareciam ver tudo. “Você está atrasada,” Klaus disse, gesticulando para que ela se sentasse. “A geleira te prendeu?” Sua tentativa de humor não aliviou o humor de Eira. Ela tirou sua câmera e a colocou sobre a mesa entre eles. “Olhe para isso,” disse ela, percorrendo as imagens da fissura brilhante e dos símbolos estranhos. Klaus os estudou silenciosamente, seu rosto ficando mais sério a cada segundo. Finalmente, ele olhou para cima. “Você não deveria voltar lá.” Eira franziu a testa. “Do que você está falando? Isso pode ser uma grande descoberta.” “Você não entende,” Klaus disse, inclinando-se para frente. Sua voz caiu para um sussurro, como se as próprias paredes pudessem estar ouvindo. “A Geleira de Aletsch não é apenas gelo e rocha. Ela tem uma alma. E os aldeões acreditam que é protegida por uma bruxa.” Eira levantou uma sobrancelha. “Uma bruxa?” “Eles a chamam de Valtessa,” Klaus continuou. “Diz-se que ela é tão antiga quanto a própria geleira. Alguns dizem que ela é uma guardiã, outros uma maldição. De qualquer forma, aqueles que perturbam seu local de descanso não sobrevivem para contar a história.” Eira bufou. “Você realmente acredita nisso, não é?” Klaus não respondeu. Em vez disso, ele serviu-se um copo de schnapps e olhou para o fogo. “Só tome cuidado, Eira. Algumas coisas é melhor deixá-las sem serem perturbadas.” O ceticismo de Eira não durou muito. A geleira capturou sua imaginação, e ela não conseguiu resistir ao seu chamado. Dois dias depois, ela se encontrou de volta no gelo, desta vez com equipamentos melhores: um radar de penetração no solo portátil, uma câmera térmica e uma lanterna. Ela estava determinada a descobrir a fonte do brilho. A fissura era fácil de encontrar; o brilho estranho parecia chamá-la. Desta vez, ela seguiu os símbolos, que formavam uma trilha tênue levando mais fundo na geleira. Ela desceu cuidadosamente, as paredes de gelo cintilando como diamantes ao seu redor. O ar ficava mais frio a cada passo, e os sussurros voltavam, mais altos agora. “Eira... chegue mais perto...” Sua mente racional dizia que era o vento, mas seu coração sabia melhor. Havia algo—ou alguém—aqui embaixo. A trilha terminava em uma caverna, sua entrada escondida sob uma cortina de estalactites de gelo. Dentro, a lanterna de Eira revelou uma visão de tirar o fôlego: as paredes da câmara estavam revestidas de artefatos—ferramentas, armas e joias congeladas no gelo. No centro da câmara estava uma figura envolta em gelo cristalino, suas mãos cruzadas sobre o peito. Seu rosto era sereno, mas imponente, com os olhos fechados como se estivesse em um sono profundo. Era a bruxa. Eira sentiu uma vontade avassaladora de tocar o gelo. Seus dedos roçaram a superfície congelada, e uma onda de energia percorreu seu corpo. O gelo começou a rachar. O estalo ficou mais alto, ecoando pela câmara. Eira recuou quando o gelo se despedaçou, liberando a figura no interior. A bruxa abriu os olhos, que brilhavam com uma intensidade que fez os joelhos de Eira fraquejarem. “Você...” Valtessa disse, sua voz como o tilintar de mil sinos. “Você me libertou.” Eira gaguejou, “Eu—eu não quis—” Valtessa avançou, seus movimentos fluidos apesar dos séculos em que esteve aprisionada. Seu olhar era penetrante, mas havia um lampejo de calor em sua expressão. “Não tenha medo,” ela disse. “Eu sou Valtessa, a guardiã desta geleira. Por séculos, eu tenho dormido, ligada por magia antiga. Mas você... você me despertou.” A mente de Eira corria. “Por que você foi imprisonada?” O rosto de Valtessa escureceu. “O equilíbrio da geleira foi perturbado pela ganância e pela tolice. As pessoas do passado pagaram o preço. Agora, a geleira está ameaçada mais uma vez.” Valtessa explicou que a geleira era mais do que gelo; era uma entidade viva, seu sangue fluindo sob as montanhas. Ela estava morrendo, seu batimento cardíaco enfraquecendo conforme o mundo esquentava. “Você precisa me ajudar a restaurar sua força,” disse Valtessa. Eira hesitou. “Por que eu?” “Porque você foi escolhida,” respondeu Valtessa. “Você carrega o espírito da geleira em suas veias. Você pode sentir seu batimento, não pode?” Eira engoliu em seco. Ela podia. Sentia isso desde que tocou o gelo. “Você vai me ajudar?” Valtessa perguntou, estendendo a mão. Eira a pegou. No momento em que suas mãos se encontraram, uma onda de poder percorreu seu corpo. Ela sentiu a energia da geleira fluindo em seu interior, fundindo-se com a sua própria. Seus sentidos aguçaram; ela podia ouvir o crepitar do gelo, sentir as sutis mudanças profundas na geleira. Ela havia se tornado sua guardiã. Os novos poderes de Eira foram testados mais cedo do que ela esperava. A notícia de sua descoberta se espalhou, atraindo a atenção de uma corporação de mineração ansiosa para explorar os recursos da geleira. As máquinas chegaram em força, cortando o gelo sem consideração por sua santidade. Eira estava na linha de frente da geleira, sua respiração visível no ar gelado. Valtessa estava ao seu lado, uma figura espectral comandando a tempestade. Juntas, elas convocaram a fúria da geleira. Nevascas rugiram, e fissuras se abriram, engolindo os equipamentos dos mineradores. Mas a corporação era implacável, trazendo máquinas mais pesadas para combater a própria natureza. A batalha chegou ao clímax quando os mineradores implantaram uma máquina de perfuração massiva, capaz de cortar o coração da geleira. Eira e Valtessa uniram seus poderes, liberando uma tempestade final e devastadora. Gelo e neve envolveram a máquina, e os mineradores fugiram, derrotados. Quando a batalha terminou, Eira desabou, sua força quase esgotada. Ela acordou na câmara de gelo, Valtessa vigiando-a. “Você fez bem,” disse a bruxa. “Mas sua jornada não terminou. A geleira precisará de você enquanto ela existir.” Eira assentiu, lágrimas nos olhos. Ela havia encontrado seu propósito, mas isso teve um custo. Nunca poderia retornar à sua antiga vida. Ela era agora a guardiã da geleira, sua protetora e sua voz. Nos anos que se seguiram, Eira tornou-se uma lenda por direito próprio. Os aldeões falavam dela em tons baixos, chamando-a de a Bruxa da Geleira de Aletsch. E embora o futuro da geleira permanecesse incerto, uma coisa era clara: seu coração continuaria a bater, enquanto sua guardiã a vigiasse.Um Brilho Estranho Sob o Gelo
Histórias da Bruxa
Sob a Geleira
Valtessa Desperta
Um Pacto Selado
Uma Batalha pela Sobrevivência
A Guardiã da Geleira